sábado, 21 de dezembro de 2013

Controlando a Ansiedade

Olá,

A pedido de uma amiga decidi fazer uma reflexão sobre a ansiedade e de formas de controlá-la.

Confesso que para mim trata-se de um exercício muito difícil pois sou naturalmente muito ansioso e nem sempre sou capaz de controlar os efeitos que este tipo de sensação gera em meus comportamentos. Por outro lado, sendo acometido da sensação de ansiedade com muita frequência, sou capaz de entender as dificuldades de quem, como eu, sofre deste problema.

A ansiedade é uma sensação esquisita e desconfortável. Em certos momentos ela faz nos sentirmos culpados de não estarmos fazendo algo que nem sabemos direito o que é. Em outros momentos ela parece nos avisar de um perigo que nos ronda de perto mas que nunca chega a se concretizar.

A ansiedade dificulta o nosso descanso e não nos deixa relaxar. É como o ruído surdo de um motor de eletrodoméstico que praticamente não nos incomoda na agitação do dia de trabalho nas que se transformar em um som insurpotável quando chega o silêncio da noite.

A não ser em casos mais acentuados, durante o dia a ansiedade dá uma pitada de sal em nossas vidas. Nos faz parecermos mais ativos, dispostos e realizadores. O ruído de fundo gerado pela ansiedade nos faz pensarmos de forma mais alta e rápida, atenuando a sensação ruim causada por ela.

A noite, as coisas mudam de figura. O ruído da ansiedade nos domina por completo e a ausência de ter o que fazer nos leva a comportamentos bem mais perigosos. Alguns optam por comer desesperadamente (é o meu caso), outros preferem consumir alcool, outros ainda apelam para calmantes, relaxantes ou coisas piores.

Mas o que fazer para controlar a ansiedade? Como reduzir a sensação desagradável que ela nos traz sem apelar para comportamentos que nos levam ao arrependimento e que, no longo prazo, nos prejudicam e nos levam a episódios ainda piores de ansiedade?

Apesar de já ter lido vários livros sobre o tema e de ter navegado horas e horas na internet em busca de soluções não tenho uma resposta definitiva. A única coisa que posso fazer é compartilhar algumas de minhas experiências com vocês na expectativa de que elas possam ajudar de alguma maneira.

Seguem minhas contribuições:

1) Fazer exercícios ajuda muito.

Já tive vários episódios de ansiedade que me fazem pensar que terei um ataque cardíaco. O peito aperta, a respiração fica um pouco mais curta, nenhuma posição parece confortável e o pensamento não consegue tirar o foco do mal estar.

Por duas ou três vezes cheguei a ir ao hospital para constatar que não havia nada no coração, receber um ansiolítico e ser mandado para casa.

Um dia resolvi fazer uma experiência. Depois de alguns minutos de mal estar intenso coloquei um short e fui caminhar de forma acelerada na rua, meio que para testar minha percepção de que alguma coisa estava errada. Minha constatação nos primeiros 5 minutos de caminhada foi de que estava sofrendo um episódio de ansiedade.

Conforme o corpo era aquecido pelo exercício físico, o mal estar foi dando lugar a uma sensação de alívio e de bem estar. Depois de quase meia hora de caminhada já nem lembrava a sensação que me levou ao experimento.

Hoje em dia procuro manter uma agenda de exercícios mais ou menos regular e posso afirmar que quanto mais disciplinado sou na regularidade dos exercícios, menos sofro com a ansiedade, apesar de ainda não ter sido capaz de me livrar totalmente dela.

2) Alimentação correta também ajuda.

Somos uma máquina maravilhosamente complexa que funciona com praticamente qualquer tipo de combustível. A capacidade de adaptação de nossos organismos é de deixar qualquer engenheiro responsável por sistemas Flex maluco. Apesar disso, comer de forma inadequada tem consequências e os sintomas da ansiedade estão entre eles.

Não sou um profissional da saúde e não me sinto apto a definir o cardápio de ninguém, mas posso afirmar que quando como de maneira mais saudável sinto-me mais disposto, com maior nível de energia e menos propenso a surtos de ansiedade. Infelizmente, ainda não consegui manter a disciplina de me alimentar bem de forma regular, mas continuo tentando.


3) Técnicas de relaxamento podem ajudar.

Assim como no caso do exercício físico, qualquer técnica de relaxamento pode ajudar bastante no controle da ansiedade. Da mesma forma, no entanto, vai ser sempre difícil lembrar delas no momento em que a sensação de mal estar estiver instalada.

Sentar em um lugar calmo e respirar de forma pausada e profunda, buscando perceber as reações de seu corpo é uma maneira bastante eficiente de reduzir a ansiedade.

No início é bastante difícil. O ruído da ansiedade parece gritar ainda mais alto quando nos aquietamos. Os pensamentos parecem se acelerar ainda mais e é comum que um pensamento recorrente tome conta de sua mente, sendo repetido inúmeras vezes, como se fosse um disco de vinil arranhado, que sempre retorna ao mesmo ponto.

A dica nesta hora é deixar rolar e procurar observar os próprios pensamentos, sem reagir a eles. Como se você não fosse a pessoa que está pensando mas sim um observador passivo e atento de quem está pensando. Com o passar do tempo, se você fizer direito o exercício, vai notar que os pensamentos vão perdendo a força, se transformam em outros pensamentos um pouco mais leves e distantes, dando lugar a uma sensação de leveza e bem estar.

Para alguns pode parecer muito difícil usar qualquer tipo de técnica de relaxamento ou meditação mas vale a pena tentar pois ajuda muito.

4) Diminua a velocidade

Tenho a convicção de que a ansiedade é um processo retroalimentado. O desconforto da pessoa ansiosa é reduzido quando ela está ativa e agitada, o que parece bom, mas a agitação excessiva gera mais ansiedade. Quanto mais tentamos aliviar a ansiedade com o trabalho, mas ansiedade geramos em nós mesmos e nos outros.

Diminuir a velocidade me ajuda muito a reduzir a ansiedade. No final, sinto-me mais produtivo e menos cansado quando me permito fazer as coisas um pouco mais devagar.

Se você é uma pessoa agitada, procure reduzir o rítmo de vez em quando. Ande um pouco mais devagar. Coma um pouco mais devagar. Aproveite melhor o tempo observando o que está em volta, se conectando com o meio exterior.

5) Nada de Cobranças.

O ansioso costuma se sentir culpado por se sentir desta maneira e tem uma tendência a culpar os outros por sua ansiedade. É importante repetir para si mesmo que ninguém tem culpa de nada e que os fatos ocorridos ou por ocorrer não são bons nem maus em si. É a interpretação que fazemos deles que os torna nocivos ou benéficos.

Perdoar a si mesmo é muito importante para manter o equilíbrio e reduzir a ansiedade.

Se você comeu um pouco mais do que devia apenas procure comer menos da próxima vez. Nada de se culpar por ter abusado. Esse tipo de pensamento causa mais ansiedade e tem grande potencial de levá-lo a repetir o mesmo comportamento.

Lembre-se que o mais importante é a jornada e não o destino. Estamos neste mundo para evoluir e para aprender e não precisamos provar nada para ninguém.

Lembre-se também que ninguém tem obrigação de nos servir ou ajudar. Nem tampouco temos nós obrigação da ajudar aos outros. Só devemos ajudar se nos sentirmos bem fazendo isso, nunca como uma obrigação.

Bom, fico por aqui com minhas dicas de como reduzir a ansiedade. Se você tiver dicas adicionais ou quiser compartilhar experiências sobre a ansiedade e as formas de reduzí-la, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em ler e responder suas mensagens.

Abraços,

Paulo Pinho


sábado, 14 de dezembro de 2013

Juventude versus Maturidade

Olá,

Hoje gostaria de falar de um tema que tem me feito refletir bastante sobre a forma como a sociedade atual lida com a juventude e com a maturidade quando comparada com tempos atrás.

No tempo de meus pais a sociedade era totalmente dominada pelos mais velhos. O pai era todo poderoso na família, diretores mandavam em gerentes, gerentes em supervisores, supervisores nos operários. Um dos principais fatores para definir o crescimento profissional era a idade e o tempo de experiência. Os mais velhos precisavam ser ouvidos pois tinham vivido mais, aprendido mais e, por isso, eram mais capazes de tomar as decisões corretas.

Minha geração já foi um pouco diferente. Me formei em 1983, época em que a indústria de microcomputadores estava surgindo e onde os principais atores eram rapazes recem saídos das faculdades, com idades em torno dos 20 anos. A velocidade com que o mercado de computadores evoluiu fez com que alguns desses profissionais acumulassem fortunas em menos de 10 anos, tornando-se empresários poderosos com idades em torno dos 30 anos.

Empresas como Microsoft e Apple surgiram neste período. Eram empresas onde a juventude dominava o cenário, o que resultava em comportamentos mais agressivos e ousados, típicos de quem é mais jovem. Esses comportamentos resultavam em empresas mais ágeis, mais propensas a buscar mudanças e a tomar riscos o que as tornou extremamente competitivas e bem sucedidas.

Eu mesmo sou um exemplo deste processo. Contratado aos 24 anos por um startup da área de redes locais no Brasil, me tornei gerente aos 26 anos e aos 30 já era diretor da segunda maior fabricante de microcomputadores do País. Me recordo das reuniões que tinha com os donos das revendedoras de microcomputadores, a maioria deles com idades entre 40 e 50 anos, onde no auge da minha arrogância juvenil tentava demonstrar a eles como deveria ser a estratégia de vendas dessa tecnologia que iria revolucionar a maneira como as empresas iriam funcionar a partir de então.

Mas o mercado não era formado somente de Microsofts e Apples. A grande maioria das empresas continuava a contar com profissionais experientes e mais maduros. Era o anúncio de uma tendência que acabou por se confirmar alguns anos mais tarde.

Mas a juventude também trouxe seus problemas. Mesmo comparando as duas jovens culturas das gigantes do setor de informática, o jeito mais "velho e maduro" de Bill Gates quando comparado ao "jovem e irrreverente"  de Steve Jobs, demonstrou superioridade em prazo mais longo. Enquanto a Apple teve crescimento e quedas alucinantes, a Microsoft foi capaz de crescer de maneira extremamente rápida mas sustentável.

Alguns podem argumentar que o próprio Steve Jobs foi capaz de virar a mesa alguns anos mais tarde, mas é importante notar que ele mesmo já não era mais o jovem arrogante que acabou por tropeçar em suas próprias pernas em sua primeira passagem pela Apple.

O sucesso estrondoso de algumas empresas como a Microsoft e a Apple dispertaram para uma realidade importante. A capacidade de inovar, de buscar o diferente é fundamental para manter as organizações competitivas. Ao mesmo tempo, incentivaram uma legião de crianças e adolescentes a tentarem fazer o mesmo, principalmente no setor de tecnologia.

Os anos se passaram e veio a era da internet. O fenômeno mais ou menos isolado dos jovens empreendedores do Vale do Silício se ampliou para vários setores e surgiram jovens visionários de todo tipo. Milhares deles tiveram suas ideias frustradas em poucas semanas, mas alguns casos se tornaram verdadeiros mitos da genialidade da juventude. Casos como napster, ebay, facebook, google, entre outros marcaram a sociedade de forma impressionante.

No mesmo período começou um outro fenômeno que resultou no cenário que estamos vivendo atualmente. Na busca incessante por mais resultados e menor custo, as empresas iniciaram um processo de "aposentar" os profissionais mais maduros (e caros) por outros mais jovens e criativos (e baratos) que fossem capazes de produzir os resultados que as estrelas do mercado estavam produzindo.

Surgem os processos de renovação dos quadros de executivos, os programas de desenvolvimento de novos talentos, os processos de compra de empresas menores e mais modernas, todos movimentos que buscavam a reciclagem dos profissionais que dirigiam as empresas.

O resultado desses dois fenômenos foi que uma grande massa de profissionais competentes e experientes perdeu e ainda perde seus empregos somente por que são considerados ultrapassados, sendo substituídos por uma massa de igual tamanho de jovens talentosos que serão responsáveis por recriar o mundo corporativo.

Passados alguns anos já pudemos presenciar algumas vítimas dessa tendência de substituição da maturidade pela jovialidade. A bolha da internet demonstrou que uma grande parte dos gurus da tecnologia não eram capazes de sustentar seus sonhos, a agresssividade extrema dos jovens do mercado financeiro resultou no desequilíbrio mais grave da economia mundial desde a recessão de 30, muitas empresas quebraram por conta de estratégias repletas de ousadia que não foram capazes de lidar com a dura realidade.

Ao mesmo tempo é interessante notar o perfil dos executivos que tocam as mesmas gigantes que deram origem a todo este movimento. A maioria deles demonstra sinais que denunciam suas idades como rugas, frontes mais avançadas e tons de cinza nos cabelos que ainda possuem. Ainda assim, uma breve conversa com cada um deles deixa claro que continuam sendo profissionais altamente criativos e com energia suficiente para tocar qualquer envergadura de projeto.

Neste contexto, até os startups estão mudando de mãos. Se antes a grande maioria deles eram dominados por jovens recem saídos da faculdade, hoje vemos quarentões e cinquentões criando empreendimentos que soam como ficção científica.

Isso só demonstra que criatividade e capacidade de empreender não tem relação direta com juventude. Pessoas maduras podem ser tão criativas e empreendedoras quanto pessoas jovens, com a vantagem de possuirem muito mais experiência.

Não estou aqui defendendo que os jovens não tenham seu espaço nas corporações. Em vez disso, proponho que eles sejam preparados para serem os grandes executivos do futuro em vez de substituirem os grandes executivos do presente.

Se você tem comentários sobre este ou outro artigo, entre em contato pelo e-mail paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em recebê-los.

Abraços,

Paulo Pinho



sábado, 27 de abril de 2013

Reflexão sobre os Cinquenta Anos

Olá,

Hoje me dei conta que passei dos cinquenta anos e até hoje não havia escrito sobre este tema. Acho que é hora de pagar essa dívida comigo mesmo.

Interessante como ultrapassar os cinquenta anos simboliza muitas coisas na vida da gente.

Aos cinquenta passamos de Meio Século, por si só um marco importante.

Cinquenta faz lembrar metade quando pensamos em porcentagem. Nos faz lembrar que, muito provavelmente, já passamos da metade de nosso período de vida.

Cinquenta é a dezena anterior aos sessenta, associada aos termos aposentadoria e terceira idade.

Cinquenta significa que já vivemos muitos anos, que vimos muitas coisas, que acertamos e erramos várias vezes.

Para a maioria das pessoas cinquenta significa que se você ainda não chegou lá, não chegará mais.

Aos cinquenta você pode parecer velho demais para alguns mas sua energia e vontade de trabalhar continua praticamente a mesma que aos trinta.

Para a maioria, aos cinquenta seu corpo já apresenta os primeiros sinais de envelhecimento. Os olhos já não são os mesmos, os cabelos estão mais brancos, o fôlego já não é o mesmo.

Aos cinquenta nos damos conta de que a contagem é regressiva e de que devemos aproveitar cada momento como se fosse o último.

Não importa se ainda viveremos mais cinquenta anos ou cinquenta minutos, o que importa é a qualidade deste tempo.

Se você, como eu, já passou dos cinquenta, aproveite a vida. Você merece ser recompensado pelos mais de cinquenta anos de vida !!!!!!!!!

Abraços,

Paulo Pinho

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Ambiente Político das Organizações

Olá,

Recentemente recebi um e-mail de um leitor pedindo para escrever sobre o ambiente político nas organizações. Hoje resolvi tecer alguns comentários sobre este tema e espero que seja útil a alguns de vocês.

A política é inerente ao convívio em sociedade. Se temos mais de uma pessoa interagindo entre si elas estarão praticando política, pode acreditar.

Nas corporações não é diferente. Como organizações formadas de pessoas, as corporações são caldeirões de política onde são discutidos os mais variados temas, desde as melhores estratégias a serem seguidas até questões menores como em que lugar deveria estar a mesinha do café.

Cada pessoa tem um conjunto de interesses e prioridades e tem como objetivo principal vê-los atendidos. Se todos compartilhassem exatamente o mesmo conjunto de interesses, seria razoavelmente fácil definir as prioridades das organizações e a maneira de atingir seus objetivos.

Mas não é bem assim que as coisas acontecem... Longe disso, o normal é vermos pessoas de uma mesma organização pensando de maneira diametralmente oposta sobre diversos temas.

Pronto. Está instaurado o processo de disputa política por ideias, reconhecimento, definição de objetivos e maneiras de alcançá-los.

É muito comum que as pessoas vejam a política nas empresas como uma coisa ruim. Talvez pela associação que façam com a política tradicional no governo, tão impregnada de comportamentos inadequados. No entanto, a política em si não é ruim. Ela é essencial para que os conflitos sejam trabalhados de maneira produtiva, para que os consensos sejam obtidos ou, quanto não é possível o consenso, que as decisões sejam tomadas segundo algum critério.

Disputas sadias de ideias, recursos, estratégias e cargos são muito bem vindas nas corporações. Sem elas, criamos ambientes de trabalho sem poder de renovação, fadados a fracasso. Não é ruim que as pessoas disputem espaço nas organizações. Tampouco que existam conflitos e que a política seja utilizada como meio de superar estes conflitos.

Os movimentos políticos começam a ser um problema quando as intenções das pessoas envolvidas não estão alinhadas com os objetivos e valores da organização ou quando o foco das disputas está em questões puramente pessoais, muitas vezes carregadas de rancor e um espírito de revanchismo.

Ainda pior são os movimentos políticos feitos por pessoas sem escrúpulos, cujos objetivos pessoais possuem uma agenda totalmente desconectada dos objetivos da empresa e do código de conduta tácito da organização.

Quando este tipo de "política nociva" acontece é preciso que pessoas com alto poder político na organização detectem a anomalia e tomem as ações devidas. Dizendo de outra maneira, a "política nociva"só pode ser enfrentada com política.

Nem sempre as pessoas de maior escalão são as mais preparadas para detectar e atuar sobre práticas nocivas de política. É muito comum que o tratamento deste tipo de mal tenha que ser feito por pessoas de nível equivalente ou até mesmo inferior aos "infratores". O que define o ator que deverá atuar nestes casos é mais a habilidade e perspicácia política do que o cargo.

A política está aí para ser utilizada como ferramenta de trabalho de qualquer profissional, esteja ele ou não em um cargo executivo. Ela não deve ser tratada como um mal em si, ao contrário, ela é parte inerente do convívio em sociedade e é fundamental para que as organizações funcionem adequadamente.

Não fuja da política de sua organização. Em vez disso, prepare-se para participar dela de forma ativa e intensa. Lembre-se apenas que os princípios e valores devem ser soberanos em todos os seus movimentos políticos.

Se você tiver algum comentário sobre este ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em respondê-lo.

Abraços,

Paulo Pinho

sábado, 12 de janeiro de 2013

Oração da Serenidade...

Olá,

Neste blog costumo comentar sobre os desafios do mundo corporativo e compartilhar minha reflexões sobre como se comportar nestes casos. Quase sempre meu foco está no enfrentamento das adversidades e na direção de resolver os problemas e corrigir os desvios, mas existem momentos em que a atitude mais sábia é a de reconhecer que mesmo o mais competente dos profissionais possui seus limites e que algumas coisas simplesmente não podem ser mudadas.

Nestes momentos, costumo apelar para a oração abaixo. Sua simplicidade e sabedoria são tão profundas que ela mereceria ser lida por todos antes de cada dia de trabalho.

Abraços,

Paulo Pinho


Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma da outra – vivendo um dia de cada vez, desfrutando um momento de cada vez, aceitando as dificuldades como um caminho para alcançar a paz, considerando o mundo pecador como ele é, e não como gostaria que ele fosse, confiando em Deus para endireitar todas as coisas para que eu possa ser moderadamente feliz nesta vida e sumamente feliz contigo na eternidade.

Olho nos manipuladores...

Olá,

Hoje gostaria de refletir um pouco sobre uma categoria de profissional que se encontra frequentemente nas organizações e que são capazes de destruir carreiras, reputações e até empresas pela maneira ardilosa com que atuam. A eles me referirei como os Manipuladores.

Os Manipuladores agem como se fossem parasitas, drenando a energia de seus hospedeiros em benefício próprio, causando estragos muitas vezes irreparáveis, destruindo pessoas e organizações.

Apesar de serem extremamente danosos às organizações, os Manipuladores são difíceis de serem eliminados. Eles possuem um arsenal de estratégias para se manterem invisíveis, a principal delas sendo a técnica de fazer os outros se desgastarem em nome de suas ideias e intenções. São seres muito ardilosos e inescrupulosos, em geral muito inteligentes e organizados, e por esse motivo frequentemente confundidos com profissionais de extrema competência.

Os Manipuladores utilizam o conhecimento e as ideias dos outros para conseguir seus objetivos. Eles literalmente roubam o trabalho de outras pessoas, atribuindo a eles os louros das vitórias.

Os Manipuladores colocam nos outros a responsabilidade sobre suas falhas. Fazendo com muita habilidade com que outros profissionais pagem o preço de seus erros mais grosseiros.

Um único Manipulador pode prejudicar dezenas de profissionais sérios em uma organização antes de ser notado como tal. Ele pode destruir carreiras, projetos e até organizações inteiras sem mesmo ser notado.

Mas por que é tão difícil detectar um Manipulador?

Primeiro por que não tendo escrúpulos ele é capaz de mentir mesmo tendo a ciência de que irá prejudicar outras pessoas. Seu único objetivo é atingir seus objetivos, custe o que custar.

Segundo por que ele dificilmente atua diretamente. Sua estratégia, ao contrário, é a de fazer com que os outros atuem para atender seus objetivos. Eles só se apresentam como participantes da ideia depois que ela deu certo e não possuem qualquer receio de negarem sua participação quando o resultado não é o esperado.

O Manipulador compartilha o sucesso e distribui o fracasso. Suas estratégias fazem com que eles sejam bem vistos pelo vitoriosos (aqueles que seguiram seus conselhos e ganharam), compartilhando seu sucesso. Ao mesmo tempo, o isolam de suas vítimas (aqueles que seguiram seus conselhos e perderam), evitando situações de fracasso.

Mesmo depois que um Manipulador é detectado leva tempo para que ele seja eliminado de uma organização.

Os primeiros a detectarem os Manipuladores são suas próprias vítimas, que percebendo terem sido prejudicadas tendem a evitar o contato e se isolarem. Dificilmente elas vem a público denunciar a manipulação, seja por vergonha de terem sido manipuladas, seja por saberem que como fracassados seus argumentos serão facilmente derrubados.

Somente depois de muitos estragos, quando o conjunto de vítimas da manipulação cria massa crítica é que o Manipulador começa a perder espaço. Neste momento, sendo inteligente e ardiloso, o Manipulador trata de buscar um de seus antigos aliados e vai em busca de um novo hospedeiro.

Como líderes devemos estar sempre atentos a presença de Manipuladores em nossas organizações. Eles são perigosos e devem ser eliminados assim que detectados.

Se você tem algum comentário sobre este ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em receber seu comentário ou dúvida.

Abraços,

Paulo Pinho


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um Tributo à Integridade...

Olá Pessoal,

Hoje gostaria de registrar minha homenagem ao exemplo de integridade dado pela Deputada Luiza Erundina ao desistir de sua participação na chapa do PT depois do anúncio da aliança com o PP de Paulo Maluf.

Com esse gesto, Erundina honrou seus compromissos com milhões de eleitores que depositaram sua confiança em várias eleições, inclusive como prefeita de São Paulo. Demonstrou ainda que seus princípios e valores estão acima de seus interesses e anseios pessoais e que a integridade é possível mesmo quando se trata de política.

Passou da hora de cobrarmos de nossos representantes um pouco mais de dignidade e respeito. Precisamos fazer alguma coisa para mudar a situação atual da política brasileira e espero que a decisão de Erundina sirva de inspiração para outros brasileiros, políticos ou não.

É muito triste ver um ex-presidente que sempre afirmou ser contra a direita elitista posar ao lado de uma figura como o Sr. Paulo Maluf em troca de alguns segundos a mais de televisão durante a campanha eleitoral. Esse comportamento reforça a imagem de que vale qualquer coisa para atingir seus objetivos e de que integridade, ética e transparência são atributos dos perdedores.

Para Erundina deixo minha homenagem que tenho certeza é de milhares / milhões de outros brasileiros.

Para Lula e  Maluf deixo meu desprezo e a torcida de que suas participações na política brasileira sejam abreviadas ao máximo, de preferência pela vontade popular.

Abraços,

Paulo Pinho



sábado, 16 de junho de 2012

Negociações Perigosas...

Olá,

Hoje gostaria de falar sobre uma prática muito comum entre os profissionais que não estão totalmente satisfeitos com a empresa em que trabalham e buscam oportunidades de crescimento no mercado. Trata-se da estratégia de encontrar uma alternativa de emprego segura e, a partir dessa opção nas mãos, negociar condições melhores na empresa atual.

Com quase trinta anos de experiência no mercado já passei inúmeras vezes pela situação em que fui abordado por candidatos a emprego que se demonstravam insatisfeitos em suas empresas e que pediam uma oportunidade de mudar suas vidas profissionais. Em várias ocasiões decidi dar uma chance a estes profissionais e ofereci uma vaga com melhores condições financeiras e de trabalho. O mais estranho, no entanto, foi detectar que na maioria dos casos onde a iniciativa de mudança vinha do candidato, a conclusão do caso acabava em uma renegociação do profissional com sua empresa atual e a decisão de se manter nela.

Em tese não existe nada de errado nesta forma de negociar. É lícito buscar melhores condições de trabalho, assim como é lícito dar oportunidade a empresa atual a propor uma contra-oferta. Afinal estamos falando de uma relação de compra e venda de serviços, certo?

Não é bem assim...

A relação de trabalho entre uma empresa e seus funcionários é muito mais complexa do que a simples transação de compra e venda de um serviço qualquer. Trata-se de uma relação de longo prazo, onde a confiança e a transparência são fatores importantes e que podem ser abalados neste tipo de negociação.

Por outro lado, "vender-se" a uma empresa e depois desistir da "venda" cria um sentimento bastante negativo no potencial "comprador", que pensava ter fechado negócio e, de repente, se vê na situação de ter perdido seu tempo.

Voltar atrás em uma decisão nunca deixará de ser notado. É uma demonstração de insegurança, de falta de palavra, que ficará marcada tanto na empresa que decide manter o profissional, quanto na empresa que fez a oferta e recebeu a recusa. Esta marca pode ser extremamente prejudicial a sua carreira se você estiver em um mercado relativamente pequeno, onde os vários concorrentes se conhecem e trocam experiências.

Por fim, sempre fica uma dúvida. A empresa que aceitou renegociar as condições o fez por que assumiu ter errado sua avaliação de valor anterior e decidiu corrigir uma distorção ou simplesmente resolveu evitar uma saída abrupta de um profissional importante antes de conseguir um substituto a altura com custos mais atrativos?

Respeito as pessoas que optam por negociar desta maneira, elas têm esse direito. No entanto, considero este tipo de negociação muito perigosa e com maior potencial de dano do que de benefício. Creio que com pequenos ajustes é possível obter muito melhor resultado.

Minhas recomendações para os profissionais são as seguintes:

1) Se você não está satisfeito no seu trabalho, compartilhe suas preocupações com seus superiores.

2) Se nada mudar, procure o mercado e busque as alternativas disponíveis, mas não se comprometa com ninguém antes de ter certeza de qual será sua decisão.

3) Após sua avaliação do mercado e antes de se comprometer com alguma empresa em especial, volte a conversar com seus superiores e avalie se algo mudou.

4) Caso mude, fique em sua empresa e continue investindo nela.

5) Caso não mude, monte seu plano de saída, escolha a melhor opção disponível e firme seu compromisso.

6) Comunique a empresa de sua decisão e não caia na tentação de voltar atrás em sua decisão. Esse tipo de negociação é extremamente perigosa.

Minhas recomendações para os empregadores são as seguintes:

1) Procurem se antecipar aos desconfortos de seus funcionários importantes. Muitas vezes a transparência e a visão de futuro são suficientes para deixar o funcionário mais confortável.

2) Procurem manter a justiça na classificação salarial de seus funcionários. É melhor perder um funcionário para o mercado e manter a equipe do que perder a equipe por um movimento salarial injusto.

3) Só negociem com o profissional se for possível manter a coerência da grade salarial interna da empresa. Caso contrário, os problemas futuros serão muito maiores.

4) Não prometam o que não será possível cumprir. Você estará prejudicando sua empresa e o profissional envolvido.

Se você tiver algum comentário sobre este ou outro artigo, entre em contato no e-mail Paulo.Pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em ler e responder sua mensagem.

Abraços,

Paulo Pinho



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Baixando a Guarda....

Olá,

Durante minhas experiências como Coach tive a oportunidade de encontrar vários comportamentos negativos diferentes, cada um com seus efeitos nocivos ao desempenho profissional. Mas de todos os comportamentos encontrados um dos mais comuns é sem dúvida a atitude reativa.

Profissionais com atitude reativa possuem o "dom" de se desmotivarem, ao mesmo tempo que cansam a todos que estão ao seu redor. Em um paralelo grosseiro estes indivíduos funcionam como crianças pirracentas, que ficam na frente da televisão para atrapalhar quem está assistindo, falam alto perto de quem está falando ao telefone, recusam qualquer tipo de oferta, e assim por diante.

Todos nós temos momentos de atitude reativa. Por vezes, quando nossas expectativas são frustradas e não estamos em um bom dia podemos nos comportar de maneira um pouco mais reativa. Não é bom que ocorra, mas é aceitável.

O problema surge quando ficamos a maior parte do tempo na modalidade reativa. Se há uma reunião, achamos que se trata de perda de tempo. Se alguém sugere um programa de incentivo, achamos que vai desencadear comportamentos competitivos indesejáveis. Se a empresa pretende descontinuar um produto, dizemos que será o maior desastre de todos os tempos.

O profissional que assume uma posição reativa muito frequentemente tem a impressão de que todos estão errados e somente ele vê a verdade e entende o que realmente está acontecendo. A cada divergência entre a opinião dos outros e sua própria, torna-se mais incomodado com a situação, realimentando sua atitude reativa. Por outro lado, os que estão a sua volta perdem a vontade de compartilhar ideias, se retraem no momento de dar sugestões ou simplesmente decidem ir em frente sem envolver a pessoa mais reativa.

Quanto mais reativo você for, mas reativas parecerão as pessoas ao seu redor. Essa é uma dica importante para avaliar o quanto suas divergências com outras pessoas estão associadas a um comportamento excessivamente reativo.

Repare nas pessoas ao seu redor. Elas concordam com você de maneira entusiasmada ou o fazem de maneira tímida, quase que por falta de opção. Em geral, suas conversas com as pessoas são fluídas e agradáveis ou desgastantes e cheias de discordâncias que parecem insolúveis? Você costuma elaborar ideias em conjunto com as outras pessoas ou normalmente se vê na situação em que suas ideias são questionadas pela maioria? 

Assumir uma atitude reativa frequentemente pode destruir sua carreira dentro de uma organização. Esse comportamento leva inicialmente ao confronto direto com pessoas que deveriam estar colaborando com você. Com o tempo leva ao isolamento e à sensação de que todos estão contra você. Mais cedo ou mais tarde, uma das partes (profissional ou empresa) toma a decisão de terminar o relacionamento.

Ser reativo é diferente de discordar. É possível discordar sem ser reativo, compartilhando suas opiniões de maneira positiva e com o objetivo de buscar alternativas em conjunto. O fato das pessoas discordarem entre si demonstra que existe diversidade de opiniões e é fundamental para que as organizações se renovem. Mesmo discussões acaloradas podem ser altamente produtivas quando não se perde o objetivo maior de buscar soluções e caminhos alternativos. O problema surge quando o comportamento reativo se instala e as pessoas começam a dizer não somente para demonstrar sua insatisfação.

Se você deseja ter sucesso em sua organização, evite comportamentos reativos a qualquer custo. Eles representam a maneira mais eficiente de fracassar em seus objetivos.

Abraços,

Paulo Pinho

sábado, 21 de abril de 2012

Reflexões sobre a Família

Olá,

Você tem muitas críticas a seus familiares? Acha seu pai chato ou teimoso? Sua mãe é meticulosa ou sensível demais? E seus irmãos, são cheios de defeitos?

É hora de refletir um pouco, pois lembre-se que uma boa porção da carga genética e muitas vezes da influência do meio é comum a todos vocês.

Não dá para negar,  filho de peixe, peixinho é. Somos uma mistura de nossos pais e herdamos deles estilos de comportamentos como teimosia, agressividade, passividade, compaixão, proatividade, entre outros. Isto ocorre seja pela genética, seja pela longa convivência que temos com eles.

Nossos irmãos, assim como nós, herdaram a mesma carga genética temperada geralmente de maneira diferente, mas ainda assim a mesma carga genética. Em geral, eles também conviveram bastante nossos pais e, acreditem, possuem vários comportamentos muito similares aos nossos.

Um dos nossos maiores objetivos de vida, queiramos ou não, é construirmos nossa própria identidade. Temos uma necessidade intensa de nos identificarmos como únicos, necessidade que se inicia na adolescência e nos acompanha por quase toda a vida.

Para sermos únicos, nossa primeira missão é nos "separarmos" de nossos pais e irmãos. Precisamos ser diferentes deles e, quase sem querer, nos concentramos em identificar nossas diferenças e pouco ou nenhum esforço fazemos para reconhecer as semelhanças.

É na fase mais madura, quando começamos a ver no espelho do banheiro trejeitos e manias de nossos pais e irmãos, que começamos a nos dar conta de como somos parecidos com eles.

Nem sempre é fácil aceitar essa realidade. Afinal, passamos a vida negando sermos parecidos com esses indivíduos e na maioria das vezes nossas diferenças se concentravam nos defeitos que víamos nos mesmos. Como aceitar agora que muitos desses "defeitos" também são nossos? Que as coisas "feias" que vemos em nossos familiares estão tão presentes em nossas vidas quanto nas deles?

Pois é... Vale a pena refletir sobre esse tema e tentar antecipar algumas conclusões.

Queiramos ou não, a maior probabilidade é de que sejamos mais parecidos com nossos pais e irmãos do que com qualquer outro modelo que desejemos seguir. É certo que no cômputo geral ainda somos diferentes, o suficiente para sermos indivíduos únicos, mas a semelhança de alguns comportamentos é inquestionável.

Reconhecer os comportamentos similares a nossos familiares em nós mesmos, traz uma oportunidade única de crescimento humano. É como se conquistássemos a dádiva de podermos nos observar de maneira distante, como se estivéssemos olhando para nós mesmos em outra pessoa.

Esse exercício nos permite entender um pouco melhor o efeito de alguns de nossos comportamentos nos outros e a forma como esses comportamentos ajudam ou atrapalham em determinadas situações.

Entendendo as similaridades que temos com nossos familiares, somos capazes de entender um pouco melhor nossos próprios defeitos ou, em alguns casos, reconhecer virtudes antes desconhecidas em nossos pais e irmãos.

Abraços,

Paulo Pinho