domingo, 27 de fevereiro de 2011

Recordar Para Viver Melhor

Olá Pessoal,

Estava pensando agora há pouco sobre o tempo e as marcas que ele deixa e apaga.

Tenho um filho que acaba de ser aprovado no vestibular e que está vivendo a euforia de se sentir conquistando seu próprio espaço pela primeira vez. É gratificante ver o brilho dos seus olhos e a maneira como ele está encantado e motivado com a oportunidade de cursar uma das melhores universidades do Brasil.

Admirando sua empolgação, acabei recordando alguns momentos de minha história na universidade. Os grande amigos, que apesar de quase não ter contato, guardo com carinho no coração. Os bons e maus professores com os quais pude conviver. A sensação de poder mudar o mundo. A vontade de ser o melhor e de conquistar os maiores desafios.

São sentimentos que deixaram marcas ao longo de minha vida. Marcas que o tempo tratou de esculpir e que me fazem ser o que sou, mas ao mesmo tempo marcas que o próprio tempo fez ficarem mais amenas, como se fossem erodidas pelo vento de vários anos.

O passar do tempo nos disponibiliza a oportunidade de experimentar a vida e todas as possibilidades que ela traz. Muitas dessas experiências são absorvidas de maneira diferenciada e nos fazem ser o que somos. A lembrança de cada uma dessas experiências vai moldando nossa personalidade e definindo nosso comportamento. O tempo nos constrói a cada dia.

O mesmo tempo que constrói o que somos, tem o poder de ir apagando nossos traços anteriores. Afastando nossas lembranças mais deliciosas e também as mais amargas. De certa forma, o tempo nos ajuda a aprender e a esquecer, desaprendendo muitas das coisas que já havíamos aprendido.

Recordar o passado ajuda a resgatar parte do que aprendemos e aos poucos fomos deixando de lado. Neste sentido, observar nossos filhos e depois nossos netos nos dá uma oportunidade de ouro de resgatar valores e sentimentos que foram abandonados pelo tempo.

Não quero dizer que devamos voltar ao passado e viver de maneira nostálgica o que ainda temos pela frente, longe disso. Meu comentário é mais no sentido de enriquecer nossa vida presente com as experiências do passado que tanto nos foram úteis naquele tempo e que provavelmente poderão nos ajudar em algum grau no presente e no futuro.

O tempo passa e transforma nossas vidas, mas a decisão de abandonar ou não as lembranças do que vivemos é mais nossa do que dele. Recordar vez por outra de nosso passado pode enriquecer em muito nossa maneira de viver de hoje.

Olhar para o passado com carinho e respeito é uma arte que acompanha as pessoas que vivem de maneira mais sábia. Elas aproveitam as experiências vividas várias vezes e a cada revisitação, aprendem coisas novas. Para elas, as experiências vividas têm um poder multiplicador e o aprendizado é maior e mais duradouro.

As pessoas que nunca refletem sobre o passado tendem a esquecer lições importantes aprendidas ao longo da vida. Repetem seus erros sem se dar conta disso e vivem buscando experiências novas que muitas vezes já tiveram a oportunidade de vivenciar.

A própria consciência é uma forma de recordação. Ela nos traz informações sobre coisas que acabaram de acontecer, é verdade, mas que com certeza já estão no passado. Você pode optar por uma consciência de curtíssimo prazo ou por uma consciência mais duradoura e rica. Só depende de você.

Para termos uma consciência com alcance maior precisamos baixar um pouco o ritmo e nos dar um pouco mais de tempo para pensar e refletir sobre o que vivemos. Esse exercício muitas vezes parece ir contra as regras da sociedade moderna, extremamente agitada e veloz, mas é mandatória se queremos nos desenvolver de maneira mais completa.

Alguém cunhou o termo Recordar é Viver. Eu proponho uma revisão para Recordar é Viver Melhor !

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

As Pessoas São Capazes de Mudar?

Olá,

Tenho quase 30 anos de estrada no mundo corporativo e uma das coisas que mais ouço de colegas e amigos é que as pessoas não são capazes de mudar. Uma vez definidas suas personalidades, atitudes e comportamentos se cristalizam e não é mais possível modifica-los.

A simples observação da linha do tempo de um Ser Humano derruba essa teoria. São inúmeros os casos de pessoas que se transformam totalmente quando se casam, ou quando têm filhos, ou quando mudam de emprego.

A verdade é que estamos em transformação o tempo todo. Nosso eu de hoje é ligeiramente diferente de nosso eu de ontem e será distinto do de amanhã. Ele será mais velho sem dúvida nenhuma, mas também poderá ser mais dócil ou agressivo, otimista ou pessimista, empreendedor ou apático, egoísta ou altruísta.

As mudanças em nosso ser são causadas por vários fatores, mas existem dois que mais nos interessam nesse momento: as experiências pelas quais passamos; e a forma como vivemos essas experiências.

Duas pessoas que passam pelas mesmas experiências podem se transformar em Seres Humanos totalmente diferentes, depende apenas da forma como elas pensam e percebem as experiências pelas quais estão passando. O grande agente de transformação de uma pessoa é o seu pensamento. Com ele você pode ir do céu ao inferno e vice-versa.

A pessoa que pensa positivo, encontra o lado bom de qualquer situação que lhe ocorra. Seu foco está sempre na busca de soluções e de oportunidades, o que vai ajuda-la a ser mais otimista, empreendedora e feliz. Por outro lado, a pessoa que está sempre pensando de forma negativa mantém seu foco nos problemas e nas dificuldades, geralmente tornando-se mais depressiva e reativa.

Todos nós temos um modo de pensar dominante, que foi programado em nossas mentes ao longo de nossas vidas e é esse domínio que nos dá a impressão de que as pessoas não podem mudar, mas isso não é verdade.

Por vezes, eventos extraordinários são capazes de mudar totalmente a forma de uma pessoa pensar, levando-a a transformações incríveis. É o caso, por exemplo, do sedentário e viciado em trabalho que após um infarto passa a ser um assíduo frequentador de academias e um pai amoroso e dedicado.

O estranho disso tudo é que o mesmo evento pode transformar a vida de uma pessoa totalmente ou passar quase desapercebido para outra pessoa. Afinal, quantas pessoas sedentárias e viciadas em trabalho têm infartos seguidos até acabarem na mesa de um velório, sem nunca chegarem a tentar uma mudança de vida.

O que diferencia um caso do outro é forma como a pessoa percebe suas experiências, a forma como ela PENSA.

Se você quer melhorar de vida, policie seus pensamentos. Dê força aos pensamentos positivos e construtivos, deixando-os fluir livremente. Por outro lado, fuja dos pensamentos negativos e destrutivos sempre que notar que eles estão em ação. Com o tempo, essa forma de atuar vai reforçar a maneira positiva de pensar e enfraquecer o lado negativo.

Pensando positivamente você irá abrir sua mente para as possibilidades e oportunidades, ao mesmo tempo se protegendo do medo paralizante e da apatia da tristeza. O resto, será simplesmente consequência de sua mudança na forma de pensar.

Se você tiver comentários ou testemunhos sobre esse ou qualquer outro artigo desse blog, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.

Abraços,

Paulo Pinho

domingo, 30 de janeiro de 2011

Complementando a Formação Superior

Olá Pessoal,

Muitos leitores me perguntam como complementar sua formação acadêmica superior de forma a maximizar suas chances de crescimento profissional. Meu conselho se resume nos seguintes pontos:

1) No início de sua carreira profissional, dê prioridade aos cursos de curta duração, mais focados em questões técnicas diretamente relacionadas com o seu trabalho. Essa abordagem irá ajudá-lo a desempenhar melhor suas funções do dia a dia e aumentará suas chances de conquistar novos desafios na organização em que trabalha.

2) Após alguns anos de formado, quando já tiver alguma experiência em sua área profissional, você estará pronto para cursar um MBA, cujo foco é prepará-lo para assumir funções mais executivas ou para dominar melhor o ambiente no caso de já ter assumido esse tipo de função. Esse é um curso que deve preferencialmente ser feito por quem já possui um cargo de supervisão ou gerência, caso contrário a maior parte dos conceitos nele aprendidos ficarão sem uso por um bom tempo, reduzindo seu valor para a carreira.

3) Não faça cursos para acumular diplomas. Sou responsável pela contratação de profissionais há mais de 20 anos e posso garantir que o valor que dou a um diploma é muito menor do que a experiência comprovada pelo candidato. O maior objetivo de um curso é o aprendizado, portanto, busque bons cursos em boas instituições e procure aproveitar o seu conteúdo da melhor maneira possível. O diploma é só um pedaço de papel que vai se amarelando em alguma pasta de documentos de sua casa. O valor real dos cursos que você fizer estará no conhecimento adquirido e, de preferência, utilizado no dia a dia de seu trabalho.

4) Se você deseja dar aulas ou investir na área científica ou acadêmica, pense na opção de um mestrado. Para dar aulas em cursos reconhecidos de nível superior é preciso ter no mínimo um mestrado. Por outro lado, avalie bem esse tipo de opção caso você não tenha objetivos acadêmicos pois tratam-se de cursos bastante longos (+ de 2 anos) e cujo foco está na produção científica em áreas bem específicas do conhecimento. Tenho visto muita gente investir em mestrado e depois se arrepender pois notam que não era exatamente o que esperavam.

5) Em qualquer curso ou treinamento em que participe, lembre-se que seu principal objetivo é aprender. Mantenha a mente aberta e procure absorver novos conhecimentos em vez de ficar duelando com os professores na tentativa de mostrar sua sabedoria. Os verdadeiros sábios são os que reconhecem que sempre há algo de nova para aprender.

6) Os cursos e treinamentos são ótimas oportunidades de treinamento e de crescimento profissional, mas não existe substituto para um coisa chamada experiência profissional. Fico triste quando vejo jovens engatando cursos e cursos em seguida na tentativa de mudar de área profissional, enquanto continuam trabalhando em empresas e cargos que nada têm a ver com suas ambições e sonhos. Muitas vezes deixam de mudar de área por que essa escolha significaria ter uma redução de salário e a necessidade de iniciar do zero novamente. Se iludem com a fantasia de que acumulando cursos irão pular para um cargo maior na tão sonhada área de atuação e sem querer vão tornando a mudança cada vez mais inviável.

Se você tem menos de 30 anos e quer assumir uma nova profissão, comece buscando uma oportunidade de trabalho nessa nova área, seja qual for a oportunidade. É melhor dar um passo ou dois para trás e recomeçar do que fantasiar que um dia irá mudar de profissão por conta de cursos ou treinamentos.

Se você tem comentários sobre esse ou outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder seu e-mail.

Abraços,

Paulo Pinho

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Call Center de Serviços - Uma Vergonha Universal

Olá,

Hoje quero desabafar um pouco falando sobre um dos piores serviços que as empresas prestam a sociedade. O maldito atendimento telefônico.

Nos últimos 5 dias tenho lutado contra a incompetência e o descaso de um desses serviços de atendimento, precisamente o da Unimed Paulistana, na tentativa até agora frustrada de conseguir autorização para os exames de meu pai.

Por se tratar de um paciente em trânsito, pois a Unimed de origem de meu pai é a de Araruama, estou no meio de um exemplo ridículo de falta de comunicação entre duas empresas irmãs, que unidas vendem um suposto plano de saúde com atendimento nacional. Ou pelo menos deveria ser....

Quando ligo para a Unimed Paulistana sou informado que eles aguardam autorização da unidade de origem. Por outro lado, sou informado pela Unimed Araruama que todos os exames já foram autorizados e que devo reforçar isso com a Unimed Paulistana.

Já faz 5 dias que estou nessa saga e não sei se ainda terei o desprazer de ficar mais alguns dias. O fato é que qualquer coisa que saia do padrão previsto pelas empresas é simplesmente desconsiderado, como se o cliente que estivesse nessa situação fosse um renegado da sociedade que ousou desafiar os procedimentos padrão.

Aqui vale uma ressalva. Como a Unimed Araruama é menor, pelo menos tenho o conforto de falar com as mesmas pessoas sempre que ligo. Além disso, elas parecem ser mais preparadas para lidar com o problema e pelo menos não me agradecem pela ligação ao final de 30 minutos de uma discussão estressante. É impressionante como os serviços de atendimento telefônico têm o poder de transformar seres humanos, supostamente inteligentes, em máquinas burras de repetir scripts de atendimento.

Mas o problema não é só da Unimed. Já tive problemas com a Telefonica, com a Net e com outras empresas que possuem esse tipo de atendimento.

Outro dia estava no shopping e presenciei um pobre estrangeiro com seu cartão VISA. Pelo que pude entender, ele estava as voltas com o mesmo tipo de problema. Seu cartão internacional bloqueava a cada transação que fazia e o obrigava a ligar para o Call Center da VISA e solicitar a autorização, uma a uma. Quando o encontrei, ele já estava na 12a chamada telefônica de um torturante dia de compras.

Não é a toa que os serviços de atendimento telefônico estão no topo das listas de reclamações. Eles são realmente lamentáveis.

Bom... Já são quase 8:30H e está na hora de tentar novamente a autorização dos exames de meu pai. Dessa vez, peço a vocês que me desejem sorte. Com certeza irei precisar.

Abraços,

Paulo Pinho

domingo, 26 de dezembro de 2010

Como ser um Executivo

Olá,

Sempre recebo e-mail de pessoas perguntando o que fazer para ser um executivo e decidi escrever um pouco sobre o tema.

A posição de executivo não é exatamente uma carreira. Ela é resultado de sucessivos passos em qualquer carreira técnica onde o profissional assume responsabilidades sobre outras pessoas ou sobre questões mais estratégicas na organização.

Não é necessário ter formação acadêmica de administração para ser um executivo. Na verdade a maioria dos executivos do mercado se especializaram nos temas de administração vários anos depois de se formarem.

Para ser um executivo de valor para a organização é necessário dominar o ambiente político e técnico da mesma. Um executivo que não conhece como as coisas funcionam tecnicamente terá dificuldades em gerenciar os processos. Ao mesmo tempo, um excelente técnico que não saiba administrar o ambiente político terá muitas dificuldades para levar adiante suas ideias.

O melhor caminho para quem está começando é na área técnica. Afinal, são os técnicos que fazem as coisas acontecerem no dia a dia da empresa. Um hospital, por exemplo, precisa de bons médicos e enfermeiros. Uma agência de propaganda precisa de bons criadores e diagramadores. Uma empresa de vendas, precisa de grandes vendedores.

Com o tempo, os técnicos evoluem em suas carreiras e assumem novas funções. Essas funções podem ser cada vez mais técnicas e especializadas ou podem migrar para a área de administração. No primeiro caso vão se formando os especialistas, profissionais de alto valor de mercado por dominarem determinado assunto com profundidade e destreza. No segundo caso, vão se formando os executivos da organização, profissionais que dominam tecnicamente os processos mas que vão aos poucos assumindo funções mais ligadas a aspectos administrativos.

Alguns especialistas também assumem funções administrativas e, portanto, podem ser considerados executivos. Outros preferem manter sua carreira puramente técnica, sem assumir funções administrativas.

O executivo, portanto, vai sendo formado ao longo dos anos. É um erro achar que se pode formar um executivo nas salas de aula. É recomendável alguns anos de experiência antes de assumir funções mais estratégicas e gerenciais em uma organização.

Se você pretende ser um bom executivo, antes de tudo escolha uma carreira técnica a seguir e se dedique com empenho na área escolhida. Em seguida, procure um emprego que permita você continuar seu aprendizado e adquirir experiência. Procure aproveitar ao máximo as oportunidades de aprendizado na empresa e não se furte dos desafios. Os profissionais mais disponíveis para encarar desafios e assumir responsabilidades são os que em geral se transformam em executivos mais rapidamente.

Assim que suas responsabilidades estiverem sendo direcionadas para a área mais administrativa, recomendo que você faça um curso de especialização em administração. Existem vários cursos de MBA no mercado que atendem essa necessidade.

Muitas pessoas me perguntam se devem fazer o MBA logo após a conclusão do curso de graduação. Sinceramente não recomendo esse caminho pois a maioria das coisas que você irá aprender não serão utilizadas no seu dia a dia imediatamente. Isso provavelmente vai ocorrer mais para frente em sua carreira, é esse será o melhor momento de fazer um curso de MBA.

Como alternativa ao MBA, para aqueles que desejarem continuar seus estudos logo após a formação acadêmica, recomendo cursos de especialização mais técnicos, de preferência ligados ao trabalho que estão realizando. É uma forma de desenvolver habilidades mais específicas, que com certeza ajudarão no crescimento profissional.

Por último, fica um conselho importante. Para ser um executivo de sucesso é preciso ter perseverança, equilíbrio e força de vontade. As empresas sempre valorizam os que melhor desempenham suas atividades, os que são mais esforçados e os que se integram melhor na organização.

Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em respondê-lo.

Abraços,

Paulo Pinho

sábado, 31 de julho de 2010

A Importância de Alinhar Expectativas

Olá,

Outro dia participei de uma reunião cujo objetivo era ajustar a expectativa de um projeto de avaliação organizacional que acabara de fechar em determinada empresa. Éramos 4 participantes, todos executivos de carreira e com pelo menos 30 anos de experiência de mercado e minha expectativa era de que a reunião fosse rápida, quase uma formalidade.

Logo no início da reunião ficou claro que não seria tão simples assim. Cada participante tinha uma expectativa radicalmente diferente sobre os objetivos do projeto e a medida que as opiniões eram compartilhadas, discussões longas e acaloradas se desenrolaram durante cerca de 3 horas. O que era para ser uma reunião curta, de 30 minutos, para cumprir uma formalidade de início de projeto acabou se transformando em um debate tenso e profundo, que redefiniu de forma dramática os objetivos do projeto.

Esse tipo de situação é mais comum do que se possa imaginar. Apesar de parecer frustrante ter que rever os objetivos de um projeto da primeira reunião, é muito melhor do que descobrir isso depois de já ter realizado o projeto completa ou parcialmente. Por esse motivo, sempre faço questão de iniciar os projetos com uma reunião de alinhamento de expectativas.

O Alinhamento de Expectativas é para mim a tarefa mais importante de um projeto, seja ele de curto ou de longo prazo. Não vale a pena fazer qualquer esforço em um projeto antes que todos tenham a certeza do que pode ou não ser feito; dos possíveis resultados que podem ser obtidos; e dos efeitos colaterais que as ações e decisões tomadas durante o projeto poderão gerar.

Para que o Alinhamento de Expectativas seja efetivo é necessário que alguém faça o papel de Viabilizador.

O Viabilizador precisa ser muito hábil e sua atuação exige flexiblidade, rapidez de raciocínio e muita sensibilidade e a sequência do processo de Alinhamento demonstra essa necessidade.

Primeiramente, o viabilizador precisa trazer à tona os desalinhamentos existentes. Ele precisa destampar a panela de pressão que insiste em se apresentar como se não estivesse sofrendo tensão alguma. É preciso ter sensibilidade para perceber pequenos sinais de desconforto e habilidade para fazer com que esses pequenos sinais se transformem em um discurso claro e objetivo, capaz de representar de forma precisa os motivos do desconforto e do desalinhamento.

Uma vez destampada a panela de pressão, o viabilizador precisa lidar com o ruído e com a descompressão causada pelo ato de trazer à tona os desconfortos e desalinhamentos. Nesse momento, o viabilizador atua como um tradutor entre as diversas partes. Ele precisa legitimar o desconforto declarado e fazer com que os outros participantes entendam a importância de lidar com aquele problema. Ao mesmo tempo, ele tem que minimizar o impacto que as declarações de desconforto e desalinhamento costumam causar naqueles que até o momento desconheciam a existência dos mesmos. É comum que pessoas fiquem ofendidas quando desalinhamentos e desconfortos são declarados e evitar que esse tipo de sentimento invalide o trabalho de alinhamento é papel do viabilizador.

Uma vez que os desconfortos e desalinhamentos se tornem explícitos e sejam compreendidos e legitimados por todos, eliminando qualquer tipo de ressentimento, é hora de buscar um novo alinhamento. O viabilizador passa a atuar como um facilitador do consenso, possibilitando que todos sejam capazes de dar suas opiniões e sugestões, auxiliando na comunicação entre as partes, e mantendo o foco no objetivo de obter um consenso/alinhamento.

Alinhar expectativas e objetivos de um projeto é fundamental para o sucesso de um projeto. Sem esse tipo de trabalho prévio, o risco de fracasso é enorme e mesmo quando o sucesso é atingido ele o é de maneira parcial. O próprio desalinhamento inicial se encarrega de fazer com que as avaliações dos participantes sobre os resultados do projeto sejam heterogêneas sendo comum alguns participantes avaliarem o projeto como um grande sucesso e outros considerarem o mesmo projeto como um fracasso estrondoso.

Faça um teste. Avalie os projetos dos quais você participou nos últimos meses ou anos. Quais deles foram considerados grandes sucessos, quais triveram seus resultados defendidos por alguns e questionados por outros ou foram considerados verdadeiros fracassos? Como era o alinhamento das pessoas em torno desses projetos? Algum projeto de sucesso possuia problemas sérios de alinhamento? Algum projeto fracassado possuía alinhamento completo?

Respondendo a essas perguntas você com certeza verá que os projetos de maior sucesso são aqueles onde existe grande alinhamento de expectativas e objetivos das partes envolvidas. Esse alinhamento pode ocorrer no início ou ao longo do projeto, mas ele é realmente mandatório. Se ocorrer no início, muito melhor. Se não tiver ocorrido ainda, melhor que seja AGORA.

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Abraços,

Paulo Pinho

domingo, 25 de julho de 2010

Uma Mensagem para Felipe Massa

Olá Pessoal,

Hoje é um dia muito triste para todos que gostam de esporte. Presenciamos mais uma demonstração clara de que na Fórmula 1 as regras existem para serem burladas e que a ética passa longe das prioridades de dirigentes e pilotos.

A mensagem cifrada recebida por Felipe Massa no "grande" prêmio da Alemanha para que o mesmo cedesse sua posição ao parceiro da escuderia, Fernando Alonso, deixa a todos os acompanham o esporte a sensação de que a Fórmula 1 não vale a pena ser acompanhada.

É triste ver que as cenas se repetem e nada é feito para mudar. Mais triste ainda é ver pilotos brasileiros envolvidos com esse tipo de jogo sujo ano após ano. Será que a escolha de pilotos brasileiros para escuderias como Ferrari e Benetton têm relacionamento com a expectativa de que somos mais fáceis de sermos corrompidos?

Sei que o dinheiro fala alto, muito alto. Também entendo que o desejo de continuar participando do círculo da Fórmula 1, ainda mais em uma escuderia de ponta, pressiona qualquer piloto a fazer o possível e o impossível para manter-se bem com os dirigentes. Mas será que tudo isso vale mais do que os princípios e os valores de uma pessoa?

Ao Felipe Massa gostaria de deixar uma mensagem.

Se for realmente verdade que você recebeu uma ordem para deixar o Fernando Alonso passar, deixe a cabeça esfriar e depois denuncie toda essa farsa. Com certeza haverá um custo para você e sua carreira, mas será a única maneira de ajudar o esporte que você tanto ama. Além disso, vai lhe tornar um ídolo de fato, que merece ser admirado não somente pelo talento no esporte, mas também pela força de caráter.

Por favor, não deixe que pessoas inescrupulosas usem você nesse jogo sujo. Ao contrário, reaja a toda essa podridão com a energia e a honestidade que você demonstra ter.

Não vale a pena trocar nossos valores e princípios por fama, dinheiro ou poder. Tenha certeza disso.

Paulo Pinho

sábado, 29 de maio de 2010

O Risco de Violar Políticas Corporativas

Olá,

Durante minha vida profissional presenciei inúmeras situações onde as políticas corporativas foram descumpridas. As violações variavam das mais ingênuas até alguns casos bastante graves e na maioria desses casos nada acontecia com as pessoas que transgrediam as regras.

Cansei de ver pessoas que pouco respeitavam as políticas e regras de conduta seguirem carreira de sucesso sem nunca serem ao menos repreendidas. No mesmo período fui testemunha de um punhado de casos onde pretensas violações de políticas ou regras de conduta levaram bons profissionais a serem punidos exemplarmente, perdendo inclusive seus empregos.

Mas o que diferencia o primeiro grupo do segundo?

Minha conclusão foi que o primeiro grupo é formado por profissionais da violação. Pessoas que constroem seu caminho através de transgressões constantes, que pouco se importam com a ética dos negócios e cujos objetivos são sempre obter resultados, custe o que custar. Em geral são profissionais de relacionamento fácil, que encantam seus superiores com resultados inesperados, mas que são temidos por colegas e subordinados pela forma pouco confiável como se relacionam com eles.

Já o segundo grupo é formado por profissionais de boa índole, que procuram fazer o melhor para a organização, e que muitas vezes se sentem amarrados pelas limitações impostas pelas políticas. Depois de sofrerem várias vezes por seguirem regras, muitas vezes incoerentes e improdutivas, resolvem transgredir para facilitar ou viabilizar seu trabalho e pagam caro por fazer isso.

O mais interessante é que os profissionais das trangressões se mantém firmes em suas posições apesar de toda a torcida interna da organização para que eles sejam punidos. Já os profissionais sérios que cometem deslizes são sumariamente punidos e quase nunca chegam a ser defendidos por seus colegas e subordinados, seja por medo, seja por falta de oportunidade.

Violar políticas corporativas e regras de conduta é sempre um erro, seja qual for a intenção da pessoa. Não se pode dizer que as empresas que punem seus profissionais por violarem políticas estejam erradas por isso. Ao contrário, seu erro reside no fato de permitirem um grande número de profissionais inescrupulosos vilarem regras embaixo dos seus narizes e não fazer nada, na maioria das vezes por pura incompetência de seus superiores e pelo medo que colegas e subordinados têm de denunciar esses indivíduos.

Nunca viole uma política. O risco é muito alto para um profissional sério.

Tenha cuidado com a proximidade excessiva com aqueles que violam políticas. Como profissionais inescrupulosos que são, existe um grande risco de que num momento de aperto eles tentem passar toda a responsabilidade para você. E acredite, eles farão isso sem qualquer remorso e de forma tão convincente que você irá parecer o verdadeiro bandido.

Avalie a possibilidade de lutar contra os que violam políticas e quebram regras de conduta com frequência. Lembre-se da frase que diz que o mal vence quando os bons se acomodam. Ela é a mais pura verdade. Pode ser que sua reação tenha consequências negativas em sua carreira na empresa atual, mas vai valer a pena no longo prazo. Acredite.

Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo desse blog, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer de ler e responder sua mensagem.

Abraçcos,

Paulo Pinho

domingo, 23 de maio de 2010

O Sucesso e a Capacidade de Aprender

Olá,

Que a vida é um processo de aprendizado contínuo, ninguém duvida. Afinal, quando nascemos não somos capazes de fazer absolutamente nada a não ser chorar, mamar e eliminar os dejetos de nossa alimentação. Dependemos totalmente de nossas mães e com elas iniciamos um processo longo e complexo de aprendizado.

Em poucos anos passamos de seres totalmente dependentes a criaturinhas ativas e cheias de mobilidade e curiosidade. No curto espaço de tempo de 2 a 3 anos aprendemos a nos alimentar, a andar, a falar e e até a identificar as primeiras palavras escritas. Um exemplo maravilhoso da capacidade de aprendizado do ser humano.



A vida continua e entramos na fase escolar. O processo de aprendizado continua acelerado e passamos a dominar conceitos complexos como as estruturas do idioma escrito e a linguagem matemática. Nossa habilidade motora se aprimora a cada dia e é nessa fase que costumam ser formar os grandes atletas do futuro.



Se por um lado temos uma evolução fantástica de aprendizado durante a fase escolar, também é nessa etapa que surgem os primeiros sintomas de um grande mal que vai solapar o sucesso de muita gente no futuro. É mais ou menos nessa época que começamos a acreditar que já sabemos o suficiente e de que todo o novo aprendizado que nos é fornecido não passa de uma tortura cruel a qual nossos pais e professores nos submetem.



Uma característica da vida escolar neutraliza em parte comportamento inadequado de se achar sabedor de tudo. Ao final de cada mês ou bimestre o processo de avaliação de resultados coloca em cheque aqueles que negligenciam a necessidade de buscar o aprendizado, fazendo-os vez por outra enfrentar a realidade de ser necessário estudar e aprender coisas novas.



De qualquer forma, muitos jovens se limitam ao esforço mínimo para passarem de ano e esse comportamento vai aos poucos se tornando a maneira padrão de funcionarem frente a oportunidades novas de aprendizado.



O descaso com o aprendizado escolar é um péssimo sinal para o futuro sucesso de um profissional mas ainda pode ser revertido caso esse jovem desperte o real interesse por alguma área do conhecimento fora do ambiente escolar. Pode ser a música, um hobby ou mesmo algum esporte. Algo que o faça recuperar a vontade de aprender e de se aprimorar.



Infelizmente nos dias atuais vemos muitos jovens passando por suas adolescências e início da vida adulta sem qualquer área de interesse maior. Em vez disso, vivem uma vida consumista, sem ideais e sem significado, onde a importância do aprendizado é quase que totalmente esquecida e os que desejam aprender são taxados de CDFs, NERDS ou outros esteriótipos piores.



Como o acesso ao nível superior e cada vez menos seletivo, esses jovens continuam a se enganar. Eles continuam acreditando que a lei do menor esforço compensa e que o importante é obter o diploma, pouco se importando com o verdadeiro aprendizado.



O resultado desse processo é desastroso. Aos poucos o jovem vai matando sua capacidade de aprender e definindo para si mesmo um futuro medíocre e sem chances de sucesso. O pior de tudo é que ele não nota que perdeu a capacidade de aprendizado e tende a acusar o sistema por suas mazelas e dificuldades de crescimento profissional. Em vez de recuperar o tempo perdido, ele prefere criticar o modo como as coisas funcionam e assumir a arrogante posição de estar sempre certo.



O sucesso duradouro está intimamente ligado a capacidade de aprendizado do indivíduo. Não existe outro caminho e isso precisa ser entendido por todos.



Durante nossas vidas profissionais novos desafios aparecerão a cada dia, exigindo que nos reciclemos e que dominemos novos conhecimentos e metodologias. A cada falha nossa, e elas serão muitas, teremos que entender seus motivos e aprender maneiras de evitar suas repetições. Nosso conhecimento será testado a todo momento e se mostrará insuficiente na maioria das novas situações. A única saída para manter o sucesso será aprender mais de tudo e sobre tudo.



Se você quer realmente ter sucesso abra sua mente para a necessidade de aprender sempre. Posso lhe garantir que é a única maneira de chegar onde você deseja.



Abraços,



Paulo Pinho





quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Importância do Olhar Externo

Olá,

Sempre fui muito reativo à contratação de empresas de consultoria. Minha percepção era de que pessoas de fora não teriam condições de entender melhor o ambiente interno das empresas do que as pessoas que lá estavam há vários anos.

Com o passar dos anos aprendi que minha percepção estava mais relacionada com a incompetência dos consultores com os quais havia trabalhado do que com a função em si e que a convicção que tinha nessa percepção vinha do grande volume de profissionais pilantras com ar de gurus e de estagiários de terno e gravata fingindo serem especialistas que existem nesse mercado de consultoria.

Minha primeira experiência positiva com o segmento de consultoria foi com uma empresa pequena, formada por um pequeno grupo de ex-executivos de grandes empresas e que atuava com programas de desenvolvimento organizacional.

Naquela ocasião era diretor de uma empresa multinacional na área de tecnologia e lembro de ter me sentido incomodado de ser convidado para mais um processo de avaliação 360 graus. Afinal, já havia participado de pelo menos três desses processos e os resultados para a organização tinham sido mínimos, algumas vezes até negativos, com chefes mal preparados descontando sua raiva de serem mal avaliados naqueles que tiveram coragem de dizer a verdade.

Dessa vez foi bem diferente. O trabalho foi feito de maneira mais cautelosa e individual e a maneira como o processo foi conduzido levou aos diretores e gerentes a uma reflexão profunda e duradoura antes mesmo que os resultados das avaliações fossem conhecidos. Era como se fôssemos preparados para o choque que viria a seguir. O resultado é que pela primeira vez me vi realmente orientado a fazer uma reflexão profunda e verdadeira sobre como funcionava e como as pessoas me observavam.

O mais interessante era que os formulários e o mecanismo utilizado eram muito parecidos com os aplicados pelas outras empresas de consultoria. A grande diferença estava na preparação prévia feita pelos consultores e pela qualidade e experiência inegáveis que eles tinham. Sob certo ponto de vista, todo o trabalho funcionou como um grande treinamento para todos nós.

Mais tarde tive a oportunidade de conhecer mais consultores de qualidade em minha vida profissional e passei a admirar esse tipo de profissional e a história de vida que a grande maioria deles possui cujas principais características por mim percebidas são:

1) Foram executivos de sucesso e com atuação em diferentes áreas de diversas organizações.
2) São estudiosos e curiosos. Adoram ouvir o que você tem a dizer.
3) Possuem uma grande habilidade em apresentar suas idéias e adoram compartilhar seus conhecimentos.
4) Normalmente deixaram suas carreiras por vontade própria em busca de maior realização pessoal.
5) Possuem uma energia interna muito grande e trasmitem essa energia por onde passam.
6) Se apresentam como verdadeiros parceiros de quem os contratam e participam ativamente dos projetos.
7) Possuem auto-confiança elevada mas poderam o tempo inteiro sobre os riscos e as dificuldades.
8) Normalmente são empresas pequenas e altamente especializadas.

Mas existe algo que é comum a todos os consultores, sejam eles competentes ou não, e que realmente traz valor a quem os contrata: ele possuem uma visão externa dos problemas, sem estarem impregnados pelos problemas e as angústias de quem está sob a pressão dos fatos.

A possibilidade de nos aconselharmos com alguém que está mais distante e que pode avaliar os problemas de forma neutra e sem pressão faz toda a diferença. Se esse profissional for de alta qualidade e comprometido então, aí os ganhos podem ser enormes.

Como executivo tive a oportunidade de ver grandes transformações ocorrerem viabilizadas pela ajuda de consultores externos. Mais recentemente, atuando pessoalmente como consultor, tenho me realizado muito em ver os efeitos que sou capaz de criar nas organizações onde faço meus trabalhos.

Se você está se sentindo perdido em determinada situação ou tem sérias dúvidas de como guiar sua organização em determinada direção, avalie a possibilidade de contratar um consultor para ajudá-lo. O olhar externo desse profissional, aliado com a experiência de vida que ele possa trazer, tem grandes chances de fazer a diferença.

Mas lembre-se que você está procurando algo muito especial. Alguém que tenha habilidade de entender o problema que você está enfrentando, que tenha recursos suficientes para ajudá-lo a econtrar os melhores caminhos de saída e que esteja disposto a ir mais além do que simplesmente dar palpites e aplicar metodologias enlatadas.

Se você tomar a decisão de contratar um consultor, lembre-se que você está contratando um profissional e não uma empresa e faça questão de conhecer quem irá fazer o trabalho. Você somente será capaz de ouvir conselhos de alguém que lhe passe segurança e em quem você confia, mesmo que ainda não conheça muito bem.

Um consultor é uma pessoa mais experiente e com mais conhecimento. Não é uma grande empresa cheia de gente em treinamento e com um monte de formulários e de planilhas que transformam dados em recomendações pré-formatadas. Ao contrário, a consultoria é por definição uma atividade artesanal onde processos e métodos automatizados servem apenas para facilitar o processo de coleta de informações ou de análise das mesmas.

Um último recado. Nunca contrate um consultor para confirmar suas idéias ou apenas para justificar suas decisões pois é pura perda de tempo. Antes de contratar um profissional para fazer um diagnóstico e/ou aconselhá-lo tenha certeza de que você está preparado e aberto para ouvir o que ele tenha a dizer, caso contrário estará jogando dinheiro pela janela e ainda correrá o risco de azedar seu fígado.

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Abraços,

Paulo Pinho