Olá,
Com certeza você já passou por situações desagradáveis que preferia ter evitado. A perda de um emprego, a decepção com um amigo, a derrota para um concorrente importante são exemplos de situações que dificilmente podem ser vistas como positivas, pelo menos imediatamente após sua ocorrência.
Agora pare e pense um pouco sobre cada uma das situações listadas. Será que elas são realmente tão ruins assim ou podem representar algo de bom, se vistas sob diferente ponto de vista?
Vamos tomar o exemplo de alguém que perde seu emprego numa empresa onde trabalhou por vários anos, que lhe permitiu adquirir boa experiência e acumular significativa quantia em dinheiro. Se essa pessoa aproveita o momento para abrir seu próprio negócio em uma área que tenha relacionamento com a experiência adquirida ao longo dos anos pode ser que venha a ter muito mais sucesso e realização nos anos que se seguem. Nesse caso, aquilo que se inicia como um grande problema pode se transformar apenas em um empurrãozinho necessário para que a pessoa se mova em direção a um futuro mais promissor.
E quanto a perder para um concorrente? Qual o possível valor desse tipo de situação?
Ora... Quando perdemos temos a oportunidade de rever nossas estrratégias e de avaliar a maneira como fazemos as coisas, o que raramente fazemos quando estamos sempre ganhando. Perder um negócio pode representar a oportunidade de buscar novas maneiras de competir no mercado e de reagir às mudanças que ainda não tinham sido notadas ou recebido o valor devido.
Mas e o caso da decepção com um amigo, o que dizer dessa situação?
A decepção com uma pessoa está sempre associada à descoberta de uma característica ou comportamento que não acreditávamos ser possível nesta pessoa. É uma questão de revisão de expectativas, normalmente causada por um evento que desvenda essa característica ou comportamento. Assim sendo, a decepção é apenas uma reação ao descobrimento de algo que não era sabido, o que em si não é bom nem mal. Na verdade, conhecer melhor os comportamentos e características de uma pessoa nos traz a oportunidade de termos um relacionamento mais produtivo e seguro com a mesma.
Pois é... Você deve estar se perguntando se as coisas funcionam realmente da maneira como apresentei nos parágrafos anteriores. Posso lhe garantir que sempre há uma maneira positiva de encarar as adversidades que você enfrenta em sua vida profissional e pessoal, assim como existem diversas maneiras negativas de avaliar os mesmos eventos. A escolha de qual visão adotar depende somente de você mesmo e será fundamental para definir suas ações perante os fatos.
Se você pensar que as coisas "ruins" que acontecem são uma injustiça para com a sua pessoa provavelmente irá seguir um caminho de lamentação e vitimização. Dificilmente terá uma atitude positiva e que explore as oportunidades e o resultado será provavelmente o recebimento de mais notícias ruins.
Se você pensar que há Males que vem para o Bem, irá iniciar um processo de exploração das oportunidades que surgem de cada evento, mesmo que ao princípio ele pareça "ruim". Ao explorar as oportunidades, suas ações serão na busca de soluções em torno do ocorrido e, provavelmente, essa atitude o levará a ter notícias boas em breve.
Mesmo que as notícas boas não venham rapidamente, o que às vezes acontece, uma atitude positiva perante adversidades nos faz diminiur o foco nos problemas e nos concentrarmos mais naquilo que deve ser feito para atingir nossos objetivos. Ficamos mais protegidos contra as mazelas da vida e mais preparados para aproveitar as oportunidades que surjam.
Sempre que você se encontrar em uma situação que pareça ruim, pense na frase que entitula esse artido. Se preferir, dê um passo adiante e reforme a frase para "Todos os males vêm para o bem.". Você vai perceber que as coisas vão parecer melhores e evoluir de forma muito mais agradável.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, escreva para o e-mail paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.
Abraços,
Paulo Pinho
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
domingo, 27 de dezembro de 2009
A Importância de Persistir
Olá,
Já faz mais de um mês que não escrevo e isso me fez pensar nos projetos que abandonamos durante a vida simplesmente por desviarmos nossa atenção para outras coisas.
No meu caso, passei por um período um pouco mais agitado (bastante trabalho), seguido de uma viagem de mais de 20 dias ao exterior. Sinceramente, nada que impedisse minha dedicação de alguns minutos para escrever sobre algo que me parecesse interessante, mas o suficiente para fazer com que meu blog ficasse mais de um mês sem atualização.
Hoje decidi retomar o processo de construção do blog e espero manter o foco nos próximos meses, mas a verdade é que abandonar um projeto é mais fácil do que se imagina, tenha ele a importância que tiver.
Todos temos exemplos de projetos que julgávamos importantes em algum momento e que abandonamos sem ao menos notarmos, de forma silenciosa e displicente. Acontece com todo mundo e nem sempre representa um problema em si.
Muitas vezes a mudança de foco é mais ou menos consciente, fruto do amadurecimento e do processo de acumulação de experiências. É o caso do menino que sonhava em ser jornaleiro por adorar ler gibis e se transforma em um escritor ou advogado ou o caso da menina que sonhava em ser médica como a mãe mas ao longo do tempo descobre sua vocação para marketing. Esses são exemplos de abandonos mais ou menos naturais, que não representam exemplos de displicência ou falta de perseverância.
Mas o que dizer de planos mais importantes como fazer um curso de pós-graduação em sua área de atuação, visitar os pais pelo menos uma vez ao ano, dedicar pelo menos algumas horas de atenção aos filhos, ou perder aqueles quilinhos que acumulou ao longo dos vinte últimos anos? Qual será o motivo para abandonarmos planos tão essenciais?
A maioria dos planos importantes exigem manutenção contínua ou um esforço maior concentrado por um período de tempo relativamente longo. Um curso de pós-graduação exige um período de sacrifício, onde temos que dividir nosso tempo já escasso com mais uma atividade pesada. Visitar os pais ao menos uma vez ao ano exige planejamento e disciplina e, algumas vezes, abrir mão de outros prazeres ou planos menos importantes. Dedicar ao menos algumas horas de atenção aos filhos exige disciplina e dedicação.
Em todos os casos citados, persistir é ponto chave para manter o rumo. Sem persistência, o risco de nos desviarmos de nossos objetivos e, em última análise, de nossos projetos mais importantes é muito grande. Aos poucos nossos verdadeiros sonhos são substituídos por pequenos projetos improvisados e nossos objetivos maiores dão lugar aos desejos mais imediatos, que nos trazem prazer no curto-prazo mas que nos afastam de nossas reais necessidades.
Manter o foco e persistir em seus objetivos é essencial. Refletir sobre nossas reais necessidades, priorizar nossas ações e ajustar nossos planos conforme as coisas mudam é uma das formas mais eficientes de manter o foco e persistir.
Se queremos algo realmente é preciso pensar sobre como chegar lá, planejar os próximos passos e analisar cada passo dado. Ações que nos afastam de nossos objetivos devem ser reavaliadas e, sempre que possível, eliminadas. Ações que nos aproximam de nossos objetivos devem ser reforçadas e repetidas.
Não espere que tudo aconteça conforme seus planos. Esteja preparado para errar mais do que acertar e para muitas vezes ver seus sonhos se afastarem em vez de se aproximarem. Não temos controle sobre a maioria das variáveis que agem sobre nosso destino e, por isso, temos que aceitar que nossas jornadas não serão fáceis.
Acreditar que é possível chegar lá apesar das dificuldades e persistir em seus objetivos é fundamental para ter sucesso. Sem persistência ficamos sem rumo, buscando sempre o caminho mais curto e menos doloroso. O resultado, a não ser por uma obra do acaso, é desviar-se do caminho traçado e ser levado para qualquer parte.
Se você deseja defnir seu caminho e ser dono de seu destino, aprenda a persistir.
Abraços,
Paulo Pinho
Já faz mais de um mês que não escrevo e isso me fez pensar nos projetos que abandonamos durante a vida simplesmente por desviarmos nossa atenção para outras coisas.
No meu caso, passei por um período um pouco mais agitado (bastante trabalho), seguido de uma viagem de mais de 20 dias ao exterior. Sinceramente, nada que impedisse minha dedicação de alguns minutos para escrever sobre algo que me parecesse interessante, mas o suficiente para fazer com que meu blog ficasse mais de um mês sem atualização.
Hoje decidi retomar o processo de construção do blog e espero manter o foco nos próximos meses, mas a verdade é que abandonar um projeto é mais fácil do que se imagina, tenha ele a importância que tiver.
Todos temos exemplos de projetos que julgávamos importantes em algum momento e que abandonamos sem ao menos notarmos, de forma silenciosa e displicente. Acontece com todo mundo e nem sempre representa um problema em si.
Muitas vezes a mudança de foco é mais ou menos consciente, fruto do amadurecimento e do processo de acumulação de experiências. É o caso do menino que sonhava em ser jornaleiro por adorar ler gibis e se transforma em um escritor ou advogado ou o caso da menina que sonhava em ser médica como a mãe mas ao longo do tempo descobre sua vocação para marketing. Esses são exemplos de abandonos mais ou menos naturais, que não representam exemplos de displicência ou falta de perseverância.
Mas o que dizer de planos mais importantes como fazer um curso de pós-graduação em sua área de atuação, visitar os pais pelo menos uma vez ao ano, dedicar pelo menos algumas horas de atenção aos filhos, ou perder aqueles quilinhos que acumulou ao longo dos vinte últimos anos? Qual será o motivo para abandonarmos planos tão essenciais?
A maioria dos planos importantes exigem manutenção contínua ou um esforço maior concentrado por um período de tempo relativamente longo. Um curso de pós-graduação exige um período de sacrifício, onde temos que dividir nosso tempo já escasso com mais uma atividade pesada. Visitar os pais ao menos uma vez ao ano exige planejamento e disciplina e, algumas vezes, abrir mão de outros prazeres ou planos menos importantes. Dedicar ao menos algumas horas de atenção aos filhos exige disciplina e dedicação.
Em todos os casos citados, persistir é ponto chave para manter o rumo. Sem persistência, o risco de nos desviarmos de nossos objetivos e, em última análise, de nossos projetos mais importantes é muito grande. Aos poucos nossos verdadeiros sonhos são substituídos por pequenos projetos improvisados e nossos objetivos maiores dão lugar aos desejos mais imediatos, que nos trazem prazer no curto-prazo mas que nos afastam de nossas reais necessidades.
Manter o foco e persistir em seus objetivos é essencial. Refletir sobre nossas reais necessidades, priorizar nossas ações e ajustar nossos planos conforme as coisas mudam é uma das formas mais eficientes de manter o foco e persistir.
Se queremos algo realmente é preciso pensar sobre como chegar lá, planejar os próximos passos e analisar cada passo dado. Ações que nos afastam de nossos objetivos devem ser reavaliadas e, sempre que possível, eliminadas. Ações que nos aproximam de nossos objetivos devem ser reforçadas e repetidas.
Não espere que tudo aconteça conforme seus planos. Esteja preparado para errar mais do que acertar e para muitas vezes ver seus sonhos se afastarem em vez de se aproximarem. Não temos controle sobre a maioria das variáveis que agem sobre nosso destino e, por isso, temos que aceitar que nossas jornadas não serão fáceis.
Acreditar que é possível chegar lá apesar das dificuldades e persistir em seus objetivos é fundamental para ter sucesso. Sem persistência ficamos sem rumo, buscando sempre o caminho mais curto e menos doloroso. O resultado, a não ser por uma obra do acaso, é desviar-se do caminho traçado e ser levado para qualquer parte.
Se você deseja defnir seu caminho e ser dono de seu destino, aprenda a persistir.
Abraços,
Paulo Pinho
domingo, 1 de novembro de 2009
A Carreira de Executivo
Olá,
Tenho recebido vários e-mails pedindo orientação sobre como seguir a carreira de executivo e resolvi esclarecer alguns pontos sobre esse tema.
Ser executivo não trata-se propriamente de uma carreira, mas sim de uma etapa da vida profissional que se caracteriza pela responsabilidade por funções gerenciais. Existem executivos em todas as carreiras e não é preciso fazer um determinado curso superior para ser um executivo.
Para mim, a melhor maneira de ser um executivo de sucesso é ser um profssional dedicado e eficiente em sua área de atuação. Além disso, é importante se interessar pelo funcionamento como um todo da organização e desenvolver habilidades pessoais e interpessoais que facilitem seu relacionamento.
As atividades típicas de um executivo se aproximam muito das formações acadêmicas do tipo Administração de Empresas, mas esse não é o único caminho para ser um executivo. Ao contrário, a maioria dos executivos de sucesso possuem formações mais técnicas relacionadas com o mercado onde atuam. Em grandes Hospitais vemos vários executivos com formação de médico; em empresas de tecnologia é comum enocntrar importantes executivos com formação em engenharia; em instituições financeiras encontramos advogados, engenheiros, médicos e outras formações nada comuns.
Pessoalmente acredito que uma formação técnica em alguma área do conhecimento é muito importante para um grande executivo. Ela pode ser adquirida durante o curso superior (desejável) mas também pode ser adquirida durante o exercício de suas funções profissionais. É isso que explica econtrarmos engenheiros dirigindo instituições financeiras, médicos dirigindo empresas de varejo, advogados dirigindo empresas de tecnologia.
De qualquer forma, o conhecimento mais profundo do negócio é fundamental. Se você pretende ser diretor de sucesso de um grande Hospital é fundamental que saiba como o hospital funciona; quais são as maiores dificuldades e desafios dos médicos, enfermeiros e outras posições da organização; quais são as questões mais importantes que caracterizam um bom atendimento aos pacientes; entre outras particularidades. É muito mais fácil encontrar um(a) médico(a) ou enfermeira(o) que tenha essa visão do que um administrador de empresas.
Mas conhecer a parte técnica do negócio não é suficiente. Para ser um grande executivo é preciso gostar de liderar pessoas e de tomar decisões difíceis. Além disso, é importante adquirir conhecimentos sobre o processo de gestão de empresas, tanto do ponto de vista da estratégia, quanto do ponto de vista administrativo/financeiro. Um excelente médico pode ser um péssimo diretor de hospital se não dominar esses assuntos de forma satisfatória.
Para complementar a formação de profissionais de área técnicas, existem cursos de pós-graduação na área administrativa. Eles podem ser mais ou menos especializados e é importante saber o que realmente se deseja aprender. Existem cursos mais orientados aos processos de gestão da empresa, outros mais relacionados com a gestão de pessoas, outros ainda mais focados nas questões de administração financeira.
Um boa opção de curso são os conhecidos como MBA (Master Business Administration). Eles costumam ser cursos de 2 anos de duração, que possuem programa mais abrangente, abordando praticamente todos os temas relacionados com a gestão estratégica, administrativa e financeira das organizações.
Não recomendo fazer um curso de pós-graduação logo depois da conclusão do nível superior. Acho mais importante gastar um tempo se dedicando somente ao trabalho, aprendendo o máximo possível sobre aquele segmento de mercado. Acho que essa abordagem leva a um crescimento mais acelerado da carreira e permite confirmar o caminho que se pretende seguir na carreira.
Minha recomendação é de que um curso de MBA ou equivalente deve ser feito de dois a cinco anos depois de formado. Isso vai permitir melhor escolha do curso a ser feito, maior absorção da informação que será fornecida durante o curso; e utilização mais imediata dos conhecimentos adquiridos.
Espero que essas dicas possam ajudar alguns de vocês. Se tiverem dúvidas, por favor enviem um e-mail diretamente para paulo.pinho@uol.com.br . Terei muito prazer em respondê-los.
Abraços,
PP
Tenho recebido vários e-mails pedindo orientação sobre como seguir a carreira de executivo e resolvi esclarecer alguns pontos sobre esse tema.
Ser executivo não trata-se propriamente de uma carreira, mas sim de uma etapa da vida profissional que se caracteriza pela responsabilidade por funções gerenciais. Existem executivos em todas as carreiras e não é preciso fazer um determinado curso superior para ser um executivo.
Para mim, a melhor maneira de ser um executivo de sucesso é ser um profssional dedicado e eficiente em sua área de atuação. Além disso, é importante se interessar pelo funcionamento como um todo da organização e desenvolver habilidades pessoais e interpessoais que facilitem seu relacionamento.
As atividades típicas de um executivo se aproximam muito das formações acadêmicas do tipo Administração de Empresas, mas esse não é o único caminho para ser um executivo. Ao contrário, a maioria dos executivos de sucesso possuem formações mais técnicas relacionadas com o mercado onde atuam. Em grandes Hospitais vemos vários executivos com formação de médico; em empresas de tecnologia é comum enocntrar importantes executivos com formação em engenharia; em instituições financeiras encontramos advogados, engenheiros, médicos e outras formações nada comuns.
Pessoalmente acredito que uma formação técnica em alguma área do conhecimento é muito importante para um grande executivo. Ela pode ser adquirida durante o curso superior (desejável) mas também pode ser adquirida durante o exercício de suas funções profissionais. É isso que explica econtrarmos engenheiros dirigindo instituições financeiras, médicos dirigindo empresas de varejo, advogados dirigindo empresas de tecnologia.
De qualquer forma, o conhecimento mais profundo do negócio é fundamental. Se você pretende ser diretor de sucesso de um grande Hospital é fundamental que saiba como o hospital funciona; quais são as maiores dificuldades e desafios dos médicos, enfermeiros e outras posições da organização; quais são as questões mais importantes que caracterizam um bom atendimento aos pacientes; entre outras particularidades. É muito mais fácil encontrar um(a) médico(a) ou enfermeira(o) que tenha essa visão do que um administrador de empresas.
Mas conhecer a parte técnica do negócio não é suficiente. Para ser um grande executivo é preciso gostar de liderar pessoas e de tomar decisões difíceis. Além disso, é importante adquirir conhecimentos sobre o processo de gestão de empresas, tanto do ponto de vista da estratégia, quanto do ponto de vista administrativo/financeiro. Um excelente médico pode ser um péssimo diretor de hospital se não dominar esses assuntos de forma satisfatória.
Para complementar a formação de profissionais de área técnicas, existem cursos de pós-graduação na área administrativa. Eles podem ser mais ou menos especializados e é importante saber o que realmente se deseja aprender. Existem cursos mais orientados aos processos de gestão da empresa, outros mais relacionados com a gestão de pessoas, outros ainda mais focados nas questões de administração financeira.
Um boa opção de curso são os conhecidos como MBA (Master Business Administration). Eles costumam ser cursos de 2 anos de duração, que possuem programa mais abrangente, abordando praticamente todos os temas relacionados com a gestão estratégica, administrativa e financeira das organizações.
Não recomendo fazer um curso de pós-graduação logo depois da conclusão do nível superior. Acho mais importante gastar um tempo se dedicando somente ao trabalho, aprendendo o máximo possível sobre aquele segmento de mercado. Acho que essa abordagem leva a um crescimento mais acelerado da carreira e permite confirmar o caminho que se pretende seguir na carreira.
Minha recomendação é de que um curso de MBA ou equivalente deve ser feito de dois a cinco anos depois de formado. Isso vai permitir melhor escolha do curso a ser feito, maior absorção da informação que será fornecida durante o curso; e utilização mais imediata dos conhecimentos adquiridos.
Espero que essas dicas possam ajudar alguns de vocês. Se tiverem dúvidas, por favor enviem um e-mail diretamente para paulo.pinho@uol.com.br . Terei muito prazer em respondê-los.
Abraços,
PP
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Reflexões sobre o Risco
Olá,
O risco é parte integrante da vida de todos nós. Nos arriscamos quando atravessamos a rua, quando dirigimos nosso carro, ou até mesmo enquanto dormimos. Estamos sempre sob algum grau de risco, apesar de muitas vezes nem nos darmos conta disso.
Como seres vivos, o maior risco ao qual estamos sujeitos é o de morrer. Ele representa a impossibilidade de uma nova chance (pelo menos nessa vida) e deixa a maioria de nós em estado de sobressalto. Mesmo assim, são inúmeros os casos de pessoas que enfrentam esse risco de maneira rotineira, o que me faz refletir sobre o que as leva a esse tipo de comportamento.
A verdade é que a todo risco conscientemente tomado está associada uma oportunidade relevante identificada pelo tomador do risco.
É a sensação de liberdade e prazer que faz um paraquedista se arriscar em saltos cada vez mais altos. É o prazer de vencer que faz o piloto de corrida se arriscar a 300 Km/h em um carro de Fórmula 1. É a sensação de poder e realização que faz um executivo se arriscar na tomada de decisões.
Quando a oportunidade percebida não vale o risco, ou quando a possibilidade de realização do risco é muito alta, nossa atitude é recuar. Por mais desejoso de aventura que seja um paraquedista, a grande maioria deles jamais pularia em um dia de tempestade. Nem tampouco um piloto de Fórmula 1 mantem a velocidade quando nota que seu carro está sem freios.
Não tomar riscos significa abrir mão de oportunidades. Pessoas que não tomam riscos são pessoas que dificilmente terão sucesso em suas vidas profissionais e pessoais.
Tomar riscos em demasia em geral leva a grandes ganhos de curto prazo e a grandes fracassos no médio e longo prazo. Pessoas que tomam riscos em demasia costumam ter algum sucesso mas suas carreiras é frequentemente abreviada por um grande fracasso. Na vida pessoal, é comum que elas tenham uma vida mais breve ou cheguem a quebrar financeiramente.
Saber ponderar riscos e oportunidades, fazendo escolhas que maximizem oportunidades, ao mesmo tempo minimizando riscos, é uma arte que marca a maioria das pessoas bem sucedidas.
É claro que existem pessoas que fazem tudo corretamente e mesmo assim perdem tudo numa decisão infeliz. Assim como existem aqueles que arriscam tudo ou nada e mesmo assim conseguem atingir o sucesso. Mas o mais comum é que as pessoas que buscam a maximização da relação oportunidade / risco sejam as que conseguem os melhores resultados.
Um bom começo para aprender a lidar com a relação custo / oportunidade é refletir sobre os dois lados dessa equação sempre que uma decisão precisa ser tomada. Pensar sobre o que podemos ganhar ou perder com cada decisão e qual a probabilidade de termos sucesso ou não, nos faz sentir melhor o peso de nossas decisões.
Com o tempo ganhamos experiência e vamos aprendendo a dosar o peso de cada componente da balança. Se ganhamos mais do que perdemos, reforçamos nossa maneira de ponderar cada parte. Se perdemos mais do que ganhamos, buscamos um novo equilíbrio para a equação, até que comecemos a ganhar novamente.
Uma dica que considero importante é a de avaliar as consequências de perdermos nossa aposta. Se o resultado de um risco confirmado representar uma situação de irreversível ou de consequências muito fortes, esse risco provavelmente não deverá ser tomado, a não ser como última alternativa.
Na próxima vez que você tiver que tomar uma decisão, procure pensar nos riscos e oportunidades associados a ela. Você tem mais a ganhar do que a perder.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, escreva um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder.
PP
O risco é parte integrante da vida de todos nós. Nos arriscamos quando atravessamos a rua, quando dirigimos nosso carro, ou até mesmo enquanto dormimos. Estamos sempre sob algum grau de risco, apesar de muitas vezes nem nos darmos conta disso.
Como seres vivos, o maior risco ao qual estamos sujeitos é o de morrer. Ele representa a impossibilidade de uma nova chance (pelo menos nessa vida) e deixa a maioria de nós em estado de sobressalto. Mesmo assim, são inúmeros os casos de pessoas que enfrentam esse risco de maneira rotineira, o que me faz refletir sobre o que as leva a esse tipo de comportamento.
A verdade é que a todo risco conscientemente tomado está associada uma oportunidade relevante identificada pelo tomador do risco.
É a sensação de liberdade e prazer que faz um paraquedista se arriscar em saltos cada vez mais altos. É o prazer de vencer que faz o piloto de corrida se arriscar a 300 Km/h em um carro de Fórmula 1. É a sensação de poder e realização que faz um executivo se arriscar na tomada de decisões.
Quando a oportunidade percebida não vale o risco, ou quando a possibilidade de realização do risco é muito alta, nossa atitude é recuar. Por mais desejoso de aventura que seja um paraquedista, a grande maioria deles jamais pularia em um dia de tempestade. Nem tampouco um piloto de Fórmula 1 mantem a velocidade quando nota que seu carro está sem freios.
Não tomar riscos significa abrir mão de oportunidades. Pessoas que não tomam riscos são pessoas que dificilmente terão sucesso em suas vidas profissionais e pessoais.
Tomar riscos em demasia em geral leva a grandes ganhos de curto prazo e a grandes fracassos no médio e longo prazo. Pessoas que tomam riscos em demasia costumam ter algum sucesso mas suas carreiras é frequentemente abreviada por um grande fracasso. Na vida pessoal, é comum que elas tenham uma vida mais breve ou cheguem a quebrar financeiramente.
Saber ponderar riscos e oportunidades, fazendo escolhas que maximizem oportunidades, ao mesmo tempo minimizando riscos, é uma arte que marca a maioria das pessoas bem sucedidas.
É claro que existem pessoas que fazem tudo corretamente e mesmo assim perdem tudo numa decisão infeliz. Assim como existem aqueles que arriscam tudo ou nada e mesmo assim conseguem atingir o sucesso. Mas o mais comum é que as pessoas que buscam a maximização da relação oportunidade / risco sejam as que conseguem os melhores resultados.
Um bom começo para aprender a lidar com a relação custo / oportunidade é refletir sobre os dois lados dessa equação sempre que uma decisão precisa ser tomada. Pensar sobre o que podemos ganhar ou perder com cada decisão e qual a probabilidade de termos sucesso ou não, nos faz sentir melhor o peso de nossas decisões.
Com o tempo ganhamos experiência e vamos aprendendo a dosar o peso de cada componente da balança. Se ganhamos mais do que perdemos, reforçamos nossa maneira de ponderar cada parte. Se perdemos mais do que ganhamos, buscamos um novo equilíbrio para a equação, até que comecemos a ganhar novamente.
Uma dica que considero importante é a de avaliar as consequências de perdermos nossa aposta. Se o resultado de um risco confirmado representar uma situação de irreversível ou de consequências muito fortes, esse risco provavelmente não deverá ser tomado, a não ser como última alternativa.
Na próxima vez que você tiver que tomar uma decisão, procure pensar nos riscos e oportunidades associados a ela. Você tem mais a ganhar do que a perder.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, escreva um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder.
PP
sábado, 19 de setembro de 2009
Pedido de Ajuda
Olá pessoal,
Desde que comecei a escrever nesse blog vejo que o número de leitores cresce a cada mês. No início eram algumas dezenas de visitas por mês e hoje já passam de 300 por semana, mais de 1000 por mês. Ainda assim é pouco para que eu possa investir um pouco mais no conteúdo e nos recursos de interatividade que gostaria de disponibilizar e por isso gostaria de fazer o pedido abaixo:
1) Se você gostou do conteúdo desse blog, me ajude a divulgá-lo. Você pode enviar um e-mail para seus amigos dando o endereço e pedindo para que eles acessem, colocar o link desse blog em seu site, blog, twitter, orkut, ou qualquer outra ferramenta de divulgação. Qualquer ajuda será mais do que bem-vinda.
2) Procurem visitar o blog com um pouco mais de frequência e, sempre que possível, me enviem e-mails com comentários e sugestões de artigos. A interatividade com vocês é o meu maior incentivo pois demonstra que as pessoas estão realmente obtendo valor do que escrevo.
3) Sempre que visitarem o site, procurem sair dele clicando em um dos anunciantes. Isso me ajuda a recuperar parte dos custos que tenho para mantê-lo.
Um Grande Abraço e obrigado antecipadamente pela ajuda,
Paulo Pinho
Desde que comecei a escrever nesse blog vejo que o número de leitores cresce a cada mês. No início eram algumas dezenas de visitas por mês e hoje já passam de 300 por semana, mais de 1000 por mês. Ainda assim é pouco para que eu possa investir um pouco mais no conteúdo e nos recursos de interatividade que gostaria de disponibilizar e por isso gostaria de fazer o pedido abaixo:
1) Se você gostou do conteúdo desse blog, me ajude a divulgá-lo. Você pode enviar um e-mail para seus amigos dando o endereço e pedindo para que eles acessem, colocar o link desse blog em seu site, blog, twitter, orkut, ou qualquer outra ferramenta de divulgação. Qualquer ajuda será mais do que bem-vinda.
2) Procurem visitar o blog com um pouco mais de frequência e, sempre que possível, me enviem e-mails com comentários e sugestões de artigos. A interatividade com vocês é o meu maior incentivo pois demonstra que as pessoas estão realmente obtendo valor do que escrevo.
3) Sempre que visitarem o site, procurem sair dele clicando em um dos anunciantes. Isso me ajuda a recuperar parte dos custos que tenho para mantê-lo.
Um Grande Abraço e obrigado antecipadamente pela ajuda,
Paulo Pinho
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Reflexões sobre o Tempo
Olá.
Muitas vezes escutamos pessoas falando sobre a necessidade de gerenciarmos o tempo. Mesmo compreendendo o sentido que essas pessoas pretendem dar a essa afirmação, é importante refletirmos um pouco sobre a impossibilidade dessa frase.
Gerenciar o tempo é impossível. Ele é implacável e preciso e passa, para efeitos práticos do dia a dia, de maneira constante independente do que possamos fazer. Não pode ser acelerado nem atrasado, tampouco pode retroagir.
O tempo define a distância entre eventos. É uma entidade abstrata e que nos ajuda a sequência dos fatos, a planejar nossas atividades e identificar os ciclos de vida que se repetem. É a noção de tempo que nos permite planejar o que faremos para atingir nossos objetivos de vida e é essa possibilidade de planejar/gerenciar nossas atividades que dá origem a expressão incorreta de "gerenciar o tempo". Tudo o que podemos gerenciar são nossas ações no tempo e não o tempo.
O tempo traz consigo outros três conceitos muito importantes: passado, presente e futuro. Vale a pena refletir um pouco sobre eles.
O passado representa o que já aconteceu e, portanto, não existe mais. Não há como retornar ao passado a não ser recorrendo a nossa memória ou aos registros que os eventos passados deixaram para trás. Tanto nossa memória quanto os registros físicos do passado (fotos, filmagens, marcas,...) representam apenas uma fração do que realmente aconteceu e não o fato em si, com todos os seus detalhes e dimensões.
Reconstruir o passado de forma completa é impossível. O que temos são apenas fragmentos de memória sobre o passado. Imagens distorcidas e incompletas que armazenamos em nossas mentes e que para complicar as coisas, são diferentes de pessoa para pessoa.
Os fragmentos de memória que temos sobre os fatos dependem da atenção que demos a cada detalhe e isso gera interpretações muito vezes totalmente diferentes sobre o fato ocorrido. Para um mesmo evento, duas pessoas poderão ter interpretações totalmente diferentes e igualmente válidas.
Discutir o passado para identificar quem tem razão, culpa ou mérito é em geral um exercício improdutivo. É perder tempo precioso e já levou a lutas e guerras das quais deveríamos nos envergonhar.
Refletir sobre o passado, compartilhando fragmentos de memória de cada um, analisando os registros que ficaram e buscando entender as causas e consequências dos fatos, fez com que a humanidade evoluísse de forma surpreendente.
Mas de uma coisa não podemos nos esquecer jamais. O passado passou e não há como voltar atrás (pelo menos por enquanto...). Assim sendo, preocupar-se com o passado ou sofrer pelo que passou é perder tempo e deixar de viver o momento mais importante de nossas vidas: o presente.
O presente talvez seja o conceito mais complexo relacionado com o tempo. Não nos damos conta, mas quando refletimos sobre o presente, na verdade estamos pensando em algo que já está no passado. Ou seja, estamos lidando com os fragmentos de memória que retivemos em relação ao que acabou de acontecer.
Na prática não há como refletir sobre o presente. Ele simplesmente está acontecendo.
Após alguma reflexão, minha conclusão é de que o que mais nos aproxima do presente são os sentimentos e as emoções. Apesar deles próprios levarem alguns milésimos de segundo para serem percebidos, podemos de maneira simplista dizer que são eles que representam o nosso verdadeiro presente.
Se pensarmos dessa maneira, o presente se resume ao que sentimos e isso nos leva a uma reflexão ainda mais profunda.
No fundo, todos nós queremos nos sentir bem. Esse é o maior objetivo de todas os seres vivos e é o que buscamos desde o momento em que nascemos até a hora em que partimos dessa vida. Esse fenômeno existe apenas no presente, mesmo que em alguns momentos seja resultado de nossos exercícios mentais com fragmentos do passado ou visões do futuro.
Viver bem é maximizar os momentos de bem-estar, em detrimento aos momentos em que nos sentimos mal.
Mas o que significa sentir-se bem? Bom, esse conceito deixo para um próximo artigo.
Ainda falta falar do futuro. Ahhh, o futuro.
A verdade nua e crua é que o futuro é totalmente incerto. Não sabemos se haverá futuro. Da mesma forma que esse pode ser apenas um de meus primeiros artigos, também pode vir a ser o último. Você que me lê nesse momento, por mais velho ou novo que seja, pode ter mais alguns minutos ou vários anos de vida pela frente. Ninguém sabe quanto tempo ainda temos.
O fato do futuro ser incerto nos traz dúvida e insegurança, mas também pode trazer esperança. Só depende da maneira como pensamos no presente.
Se somos positivos quanto ao futuro, nos sentimos melhor no presente. Não importa se o futuro vai ou não existir, o que importa é que estamos maximizando nossos momentos de bem estar. Se somos negativos sobre o futuro, nos sentimos mal no presente, e vamos contra nosso maior objetivo de vida.
Pensar positivo sobre o futuro não significa necessariamente fantasiar situações cuja probabilidade de ocorrer seja mínima. Planejar suas ações para atingir determinado objetivo desejado e visualizar-se chegando lá também cria uma imagem positiva do futuro.
Planejar o futuro de forma positiva e trazê-lo ao presente sob a forma imagens é altamente positivo. Além de trazer bem-estar no presente, aumenta as possibilidades de atingirmos nossos objetivos de vida.
Não importa muito se o futuro irá realmente acontecer da maneira que visualizamos. O ato de visualizar algo positivo para o futuro já nos traz bem-estar no presente e esse ato repetido ao longo de nossa existência maximiza nosso bem-estar ao longo da vida.
Preocupar-se com o futuro é, assim como no caso do passado, uma grande perda de tempo. Traz mal-estar para o presente e nos faz pensar em modo negativo. Em resumo, vai contra nossos objetivos de vida.
Para concluir, deixo as seguintes dicas:
Viva o presente com intensidade e busque sempre o bem-estar.
Reflita sobre o passado sempre em busca de aprendizado e nunca para se lamentar ou trazer de volta sentimentos negativos.
Planeje o futuro de forma positiva. Visualize-se atingindo seus objetivos e traga essa sensação para o presente. Ela vai ajudá-lo a construir um futuro melhor.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em recebê-lo.
PP
Muitas vezes escutamos pessoas falando sobre a necessidade de gerenciarmos o tempo. Mesmo compreendendo o sentido que essas pessoas pretendem dar a essa afirmação, é importante refletirmos um pouco sobre a impossibilidade dessa frase.
Gerenciar o tempo é impossível. Ele é implacável e preciso e passa, para efeitos práticos do dia a dia, de maneira constante independente do que possamos fazer. Não pode ser acelerado nem atrasado, tampouco pode retroagir.
O tempo define a distância entre eventos. É uma entidade abstrata e que nos ajuda a sequência dos fatos, a planejar nossas atividades e identificar os ciclos de vida que se repetem. É a noção de tempo que nos permite planejar o que faremos para atingir nossos objetivos de vida e é essa possibilidade de planejar/gerenciar nossas atividades que dá origem a expressão incorreta de "gerenciar o tempo". Tudo o que podemos gerenciar são nossas ações no tempo e não o tempo.
O tempo traz consigo outros três conceitos muito importantes: passado, presente e futuro. Vale a pena refletir um pouco sobre eles.
O passado representa o que já aconteceu e, portanto, não existe mais. Não há como retornar ao passado a não ser recorrendo a nossa memória ou aos registros que os eventos passados deixaram para trás. Tanto nossa memória quanto os registros físicos do passado (fotos, filmagens, marcas,...) representam apenas uma fração do que realmente aconteceu e não o fato em si, com todos os seus detalhes e dimensões.
Reconstruir o passado de forma completa é impossível. O que temos são apenas fragmentos de memória sobre o passado. Imagens distorcidas e incompletas que armazenamos em nossas mentes e que para complicar as coisas, são diferentes de pessoa para pessoa.
Os fragmentos de memória que temos sobre os fatos dependem da atenção que demos a cada detalhe e isso gera interpretações muito vezes totalmente diferentes sobre o fato ocorrido. Para um mesmo evento, duas pessoas poderão ter interpretações totalmente diferentes e igualmente válidas.
Discutir o passado para identificar quem tem razão, culpa ou mérito é em geral um exercício improdutivo. É perder tempo precioso e já levou a lutas e guerras das quais deveríamos nos envergonhar.
Refletir sobre o passado, compartilhando fragmentos de memória de cada um, analisando os registros que ficaram e buscando entender as causas e consequências dos fatos, fez com que a humanidade evoluísse de forma surpreendente.
Mas de uma coisa não podemos nos esquecer jamais. O passado passou e não há como voltar atrás (pelo menos por enquanto...). Assim sendo, preocupar-se com o passado ou sofrer pelo que passou é perder tempo e deixar de viver o momento mais importante de nossas vidas: o presente.
O presente talvez seja o conceito mais complexo relacionado com o tempo. Não nos damos conta, mas quando refletimos sobre o presente, na verdade estamos pensando em algo que já está no passado. Ou seja, estamos lidando com os fragmentos de memória que retivemos em relação ao que acabou de acontecer.
Na prática não há como refletir sobre o presente. Ele simplesmente está acontecendo.
Após alguma reflexão, minha conclusão é de que o que mais nos aproxima do presente são os sentimentos e as emoções. Apesar deles próprios levarem alguns milésimos de segundo para serem percebidos, podemos de maneira simplista dizer que são eles que representam o nosso verdadeiro presente.
Se pensarmos dessa maneira, o presente se resume ao que sentimos e isso nos leva a uma reflexão ainda mais profunda.
No fundo, todos nós queremos nos sentir bem. Esse é o maior objetivo de todas os seres vivos e é o que buscamos desde o momento em que nascemos até a hora em que partimos dessa vida. Esse fenômeno existe apenas no presente, mesmo que em alguns momentos seja resultado de nossos exercícios mentais com fragmentos do passado ou visões do futuro.
Viver bem é maximizar os momentos de bem-estar, em detrimento aos momentos em que nos sentimos mal.
Mas o que significa sentir-se bem? Bom, esse conceito deixo para um próximo artigo.
Ainda falta falar do futuro. Ahhh, o futuro.
A verdade nua e crua é que o futuro é totalmente incerto. Não sabemos se haverá futuro. Da mesma forma que esse pode ser apenas um de meus primeiros artigos, também pode vir a ser o último. Você que me lê nesse momento, por mais velho ou novo que seja, pode ter mais alguns minutos ou vários anos de vida pela frente. Ninguém sabe quanto tempo ainda temos.
O fato do futuro ser incerto nos traz dúvida e insegurança, mas também pode trazer esperança. Só depende da maneira como pensamos no presente.
Se somos positivos quanto ao futuro, nos sentimos melhor no presente. Não importa se o futuro vai ou não existir, o que importa é que estamos maximizando nossos momentos de bem estar. Se somos negativos sobre o futuro, nos sentimos mal no presente, e vamos contra nosso maior objetivo de vida.
Pensar positivo sobre o futuro não significa necessariamente fantasiar situações cuja probabilidade de ocorrer seja mínima. Planejar suas ações para atingir determinado objetivo desejado e visualizar-se chegando lá também cria uma imagem positiva do futuro.
Planejar o futuro de forma positiva e trazê-lo ao presente sob a forma imagens é altamente positivo. Além de trazer bem-estar no presente, aumenta as possibilidades de atingirmos nossos objetivos de vida.
Não importa muito se o futuro irá realmente acontecer da maneira que visualizamos. O ato de visualizar algo positivo para o futuro já nos traz bem-estar no presente e esse ato repetido ao longo de nossa existência maximiza nosso bem-estar ao longo da vida.
Preocupar-se com o futuro é, assim como no caso do passado, uma grande perda de tempo. Traz mal-estar para o presente e nos faz pensar em modo negativo. Em resumo, vai contra nossos objetivos de vida.
Para concluir, deixo as seguintes dicas:
Viva o presente com intensidade e busque sempre o bem-estar.
Reflita sobre o passado sempre em busca de aprendizado e nunca para se lamentar ou trazer de volta sentimentos negativos.
Planeje o futuro de forma positiva. Visualize-se atingindo seus objetivos e traga essa sensação para o presente. Ela vai ajudá-lo a construir um futuro melhor.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em recebê-lo.
PP
sábado, 22 de agosto de 2009
Desenvolvendo Atletas
Olá,
Você pratica ou acompanha algum esporte? Se o faz, deve saber da importância que tem o treinamento na vida de um praticante de esportes. É sobre o papel do treinador e da analogia que existe entre ele e os líderes empresariais que gostaria de conversar hoje.
Assim como um treinador de futebol ou volei, um líder empresarial é responsável por desenvolver sua equipe, tanto individualmente quanto coletivamente. Ele precisa dar conforto e segurança a seus atletas, mas sabe que só será capaz de bater seus concorrrentes se souber levá-los a um patamar superior de competitividade que esteja acima dos opositores.
Para ser vencedor, um treinador precisa testar e estender os limites de seus atletas todo o tempo, aprimorando-os a cada ciclo, buscando sempre algo mais. Esses limites não são fáceis de serem ultrapassados, nem tampouco agradáveis de serem atingidos. Eles representam privações e dor, aumentam o estresse físico e mental e testam a capacidade de cada um em se manter motivado na busca de seus objetivos.
Não é possível desenvolver atletas sem testar limites. Não é possível testar limites sem gerar desconforto. Não é possível gerar desconforto e manter motivação se não houver confiança.
Um bom técnico exige de seus atletas até onde sabe que eles serão capazes de suportar. Ao mesmo tempo é capaz de fazê-los atingir limites que eles mesmos não acreditavam ser capazes. Ele os desafia a todo momento e impõe metas e objetivos nem sempre aceitos de maneira tranquila. Um bom técnico é admirado e querido por sua equipe, mas muitas vezes desperta sentimentos nem tão positivos assim. Como ouvi de uma professora há algum tempo, ele tem um molho tipo agridoce, adocicado mas ao mesmo tempo ácido.
O ponto chave da relação de um técnico com seus liderados é a confiança mútua. A equipe precisa confiar em seu líder e acreditar que todo o sofrimento imposto tem como objetivo o desenvolvimento e o sucesso. Por outro lado, o líder precisa confiar em seus liderados e acreditar que eles estão totalmente alinhados com seus objetivos.
Para obter a confiança da equipe não é necessário ser amável o tempo todo. Na verdade, muitos dos grandes técnicos que conhecemos passam longe da definição de amável. O mais importante é ser previsível, coerente e justo. É seguir um conjunto simples e direto de valores positivos em todas as suas decisões, reagindo de maneira clara e objetiva ao desenrolar dos fatos.
Um líder que é sempre amável (doce) dificilmente irá mover seus liderados além dos limites. Para levá-los a novos patamares ele precisa demonstrar sua acidez (dureza) e discutir de forma clara e objetiva os erros e acertos de sua equipe. Se está errado ele precisa dizer isso sem meias palavras. Se há maneiras de fazer melhor, precisa criticar a forma como foi feito. Se faltou empenho e atenção, isso precisa ser dito e discutido.
A acidez do líder cria o movimento e faz com que as pessoas se desenvolvam. Sua doçura cura as feridas causadas pelas lutas do dia a dia e reforça o cimento da confiança que a equipe tem em sua liderança.
Desenvolver atletas é como desenvolver funcionários e líderes empresariais são como técnicos de futebol. Os uniformes e as regras do jogo são totalmente diferentes, mas as bases do relacionamento entre líder e liderados são exatamente as mesmas.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.
Abraços,
PP
Você pratica ou acompanha algum esporte? Se o faz, deve saber da importância que tem o treinamento na vida de um praticante de esportes. É sobre o papel do treinador e da analogia que existe entre ele e os líderes empresariais que gostaria de conversar hoje.
Assim como um treinador de futebol ou volei, um líder empresarial é responsável por desenvolver sua equipe, tanto individualmente quanto coletivamente. Ele precisa dar conforto e segurança a seus atletas, mas sabe que só será capaz de bater seus concorrrentes se souber levá-los a um patamar superior de competitividade que esteja acima dos opositores.
Para ser vencedor, um treinador precisa testar e estender os limites de seus atletas todo o tempo, aprimorando-os a cada ciclo, buscando sempre algo mais. Esses limites não são fáceis de serem ultrapassados, nem tampouco agradáveis de serem atingidos. Eles representam privações e dor, aumentam o estresse físico e mental e testam a capacidade de cada um em se manter motivado na busca de seus objetivos.
Não é possível desenvolver atletas sem testar limites. Não é possível testar limites sem gerar desconforto. Não é possível gerar desconforto e manter motivação se não houver confiança.
Um bom técnico exige de seus atletas até onde sabe que eles serão capazes de suportar. Ao mesmo tempo é capaz de fazê-los atingir limites que eles mesmos não acreditavam ser capazes. Ele os desafia a todo momento e impõe metas e objetivos nem sempre aceitos de maneira tranquila. Um bom técnico é admirado e querido por sua equipe, mas muitas vezes desperta sentimentos nem tão positivos assim. Como ouvi de uma professora há algum tempo, ele tem um molho tipo agridoce, adocicado mas ao mesmo tempo ácido.
O ponto chave da relação de um técnico com seus liderados é a confiança mútua. A equipe precisa confiar em seu líder e acreditar que todo o sofrimento imposto tem como objetivo o desenvolvimento e o sucesso. Por outro lado, o líder precisa confiar em seus liderados e acreditar que eles estão totalmente alinhados com seus objetivos.
Para obter a confiança da equipe não é necessário ser amável o tempo todo. Na verdade, muitos dos grandes técnicos que conhecemos passam longe da definição de amável. O mais importante é ser previsível, coerente e justo. É seguir um conjunto simples e direto de valores positivos em todas as suas decisões, reagindo de maneira clara e objetiva ao desenrolar dos fatos.
Um líder que é sempre amável (doce) dificilmente irá mover seus liderados além dos limites. Para levá-los a novos patamares ele precisa demonstrar sua acidez (dureza) e discutir de forma clara e objetiva os erros e acertos de sua equipe. Se está errado ele precisa dizer isso sem meias palavras. Se há maneiras de fazer melhor, precisa criticar a forma como foi feito. Se faltou empenho e atenção, isso precisa ser dito e discutido.
A acidez do líder cria o movimento e faz com que as pessoas se desenvolvam. Sua doçura cura as feridas causadas pelas lutas do dia a dia e reforça o cimento da confiança que a equipe tem em sua liderança.
Desenvolver atletas é como desenvolver funcionários e líderes empresariais são como técnicos de futebol. Os uniformes e as regras do jogo são totalmente diferentes, mas as bases do relacionamento entre líder e liderados são exatamente as mesmas.
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Abraços,
PP
terça-feira, 18 de agosto de 2009
A Incerteza do Futuro
Olá,
Uma das habilidades mais presentes na vida dos executivos é a capacidade de antever e se preparar para o futuro. Somos treinados e preparados para prever quanto iremos vender, que produto ou serviço terá mais sucesso, quais as chances de fechar determinado negócio, e assim por diante. Além disso, somos mestres e preparar e executar planos que vão desde algumas semanas até vários anos.
Não há nada de errado em planejar o futuro e se preparar para ele. Ao contrário, é uma das habilidades que qualquer empresa almeja em seus executivos. Mesmo para a vida pessoal, o planejamento e a disciplina com o mesmo podem representar uma vida com menos imprevistos, mais conforto e tranquilidade.
Mas há uma coisa que não podemos nos esquecer jamais. Os planos são apenas o caminho que desejamos seguir no momento inicial da jornada. Ao longo do trajeto, imprevistos irão ocorrer e os planos devem ser ajustados a eles sob o risco de transformarmos desejos em grandes frustrações ou mesmo em pesadelos.
Tomemos o exemplo de um rapaz que acaba de constituir sua própria família e planeja ter filhos e proporcionar a eles conforto e tranquilidade. Um plano simples e muito comum que provavelmente foi, é ou será um dos planos de cada um de vocês.
Como ter filhos é uma coisa mais ou menos natural, esse rapaz concentra toda sua energia na busca da estabilidade financeira para sua família. Ele entende que sem dinheiro não é possível ter conforto no mundo moderno e sai em busca de crescimento profissional e de posições mais valorizadas.
O primeiro filho nasce e esse rapaz, agora já se tornando um senhor de 30 anos, já é gerente de uma grande empresa. Seu salário é suficiente para adquirir seu primeiro apartamento, pequeno mas confortável, em um bairro de classe média. Sua agenda, como de qualquer gerente de médio escalão, é cheia de compromissos e se estende muito além do horário comercial. Sobra pouco tempo para apreciar seu filho e mesmo a esposa ele vê somente algumas vezes por semana.
O tempo passa, o salário aumenta e a família cresce. O filho mais velho já é um meninão e o segundo filho, recém-chegado, já se aloja no quarto do irmão com um grande intruso. O apartamento é trocado por um maior, mais confortável e em um bairro mais nobre. A família compra seu segundo carro e o primeiro é substituído por um modelo mais novo e maior.
Tudo parece correr as mil maravilhas, totalmente dentro dos planos, não fosse um detalhe fundamental: os já dez anos de dedicação intensa ao trabalho feriram de morte a relação do casal e por mais que eles tentem reaver a relação inicial, não existe mais volta. Eles decidem se separar.
O Plano inicial de ter uma família feliz e uma vida confortável desmorona em apenas uma semana. O carinho se transforma em ressentimento, os advogados entram em cena para definir o novo arranjo a ser implantado. O apartamento novo fica com a mãe e com os filhos, os carros são divididos, uma pensão é definida para dar sustento e educação aos meninos, e uma agenda de visitas aos filhos é estabelecida. O que era para ser uma família se transforma em um contrato de convivência forçada e na necessidade pensar em um novo plano.
A história que acabo de relatar se encaixaria em menor ou maior grau às histórias de muitos executivos que conheci. Na verdade, sem o desfecho que apresento, se aproxima até mesmo de minha própria história e, tenho certeza, provavelmente na de muitos de vocês.
A pergunta que fica é o que aconteceu de errado? Por que um plano tão simples e despretensioso pode dar tão errado?
A resposta me parece estar no foco demasiado no plano em si em detrimento do objetivo final. Nossa vontade de fazer do nosso jeito e de mostrar que estamos certos faz com que esqueçamos do mais importante, o nosso objetivo.
Quando isso acontece, a criatura (nosso plano) escraviza o criador e somos levados a caminhos que nunca imaginamos percorrer.
É preciso aceitar que o futuro é incerto e que não temos como planejar tudo com detalhes. Se não somos capazes de garantir que estaremos vivos amanhã, como podemos acreditar em nossos planos ao ponto de abandonar o presente e se concentrar somente no futuro?
Planejar é saudável e, como disse no início, pode ajudar a ter uma vida mais tranquila. No entanto, é preciso viver a única coisa que temos como certa que é o momento presente. Ele não pode ser substituído nem recuperado. Ele existe por uma fração de segundo e se transforma em passado, deixando em nossa memória uma marca indelével, que pode ser boa ou má dependendo de nossa atitude perante o evento.
Viver o presente com plenitude deve ser sempre nosso maior objetivo. Compatibilizar o prazer de viver o presente com a preparação do futuro deve vir em seguida.
O olho no futuro nos ajuda a limitar o desejo pelo prazer imediato e, mais importante, nos faz sentir prazer em viver as dificuldades. Por outro lado, pensar somente no futuro nos faz perder a beleza do momento presente e não garante que o futuro ocorra.
Mais uma vez, os princípios e valores voltam a cena. Eles são a principal ferramenta para guiar nossos planos futuros e nosso comportamento no presente.
Sempre planeje seu futuro guiado por seus princípios e valores, dessa forma você garante que seu plano o leva a seu objetivo maior de vida. Durante toda a vida, verifique se seu plano continua alinhado com eles e, caso note algum desvio, faça os ajustes devidos.
Mas não se esqueça de viver intensamente o presente pois, como disse anteriormente, ele é sem dúvida a coisa mais importante de nossas vidas.
Para saber se sua atitude no presente está alinhada com seus planos, consulte seu conjunto de valores e princípios. Se o seu prazer imediato está alinhado com eles, viva-o com intensidade e desfrute desse momento. Caso contrário, coloque foco nos seus objetivos de longo prazo e em seu plano de ação.
As dicas acima não são certeza de um futuro melhor, afinal incerteza e futuro são conceitos intimamente conectados. No entanto, podem ajudar muito a viver melhor o presente e a aumentar as chances de termos mais momentos felizes no futuro.
Se você tem comentários a fazer sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em respondê-los.
Abs.
PP
Uma das habilidades mais presentes na vida dos executivos é a capacidade de antever e se preparar para o futuro. Somos treinados e preparados para prever quanto iremos vender, que produto ou serviço terá mais sucesso, quais as chances de fechar determinado negócio, e assim por diante. Além disso, somos mestres e preparar e executar planos que vão desde algumas semanas até vários anos.
Não há nada de errado em planejar o futuro e se preparar para ele. Ao contrário, é uma das habilidades que qualquer empresa almeja em seus executivos. Mesmo para a vida pessoal, o planejamento e a disciplina com o mesmo podem representar uma vida com menos imprevistos, mais conforto e tranquilidade.
Mas há uma coisa que não podemos nos esquecer jamais. Os planos são apenas o caminho que desejamos seguir no momento inicial da jornada. Ao longo do trajeto, imprevistos irão ocorrer e os planos devem ser ajustados a eles sob o risco de transformarmos desejos em grandes frustrações ou mesmo em pesadelos.
Tomemos o exemplo de um rapaz que acaba de constituir sua própria família e planeja ter filhos e proporcionar a eles conforto e tranquilidade. Um plano simples e muito comum que provavelmente foi, é ou será um dos planos de cada um de vocês.
Como ter filhos é uma coisa mais ou menos natural, esse rapaz concentra toda sua energia na busca da estabilidade financeira para sua família. Ele entende que sem dinheiro não é possível ter conforto no mundo moderno e sai em busca de crescimento profissional e de posições mais valorizadas.
O primeiro filho nasce e esse rapaz, agora já se tornando um senhor de 30 anos, já é gerente de uma grande empresa. Seu salário é suficiente para adquirir seu primeiro apartamento, pequeno mas confortável, em um bairro de classe média. Sua agenda, como de qualquer gerente de médio escalão, é cheia de compromissos e se estende muito além do horário comercial. Sobra pouco tempo para apreciar seu filho e mesmo a esposa ele vê somente algumas vezes por semana.
O tempo passa, o salário aumenta e a família cresce. O filho mais velho já é um meninão e o segundo filho, recém-chegado, já se aloja no quarto do irmão com um grande intruso. O apartamento é trocado por um maior, mais confortável e em um bairro mais nobre. A família compra seu segundo carro e o primeiro é substituído por um modelo mais novo e maior.
Tudo parece correr as mil maravilhas, totalmente dentro dos planos, não fosse um detalhe fundamental: os já dez anos de dedicação intensa ao trabalho feriram de morte a relação do casal e por mais que eles tentem reaver a relação inicial, não existe mais volta. Eles decidem se separar.
O Plano inicial de ter uma família feliz e uma vida confortável desmorona em apenas uma semana. O carinho se transforma em ressentimento, os advogados entram em cena para definir o novo arranjo a ser implantado. O apartamento novo fica com a mãe e com os filhos, os carros são divididos, uma pensão é definida para dar sustento e educação aos meninos, e uma agenda de visitas aos filhos é estabelecida. O que era para ser uma família se transforma em um contrato de convivência forçada e na necessidade pensar em um novo plano.
A história que acabo de relatar se encaixaria em menor ou maior grau às histórias de muitos executivos que conheci. Na verdade, sem o desfecho que apresento, se aproxima até mesmo de minha própria história e, tenho certeza, provavelmente na de muitos de vocês.
A pergunta que fica é o que aconteceu de errado? Por que um plano tão simples e despretensioso pode dar tão errado?
A resposta me parece estar no foco demasiado no plano em si em detrimento do objetivo final. Nossa vontade de fazer do nosso jeito e de mostrar que estamos certos faz com que esqueçamos do mais importante, o nosso objetivo.
Quando isso acontece, a criatura (nosso plano) escraviza o criador e somos levados a caminhos que nunca imaginamos percorrer.
É preciso aceitar que o futuro é incerto e que não temos como planejar tudo com detalhes. Se não somos capazes de garantir que estaremos vivos amanhã, como podemos acreditar em nossos planos ao ponto de abandonar o presente e se concentrar somente no futuro?
Planejar é saudável e, como disse no início, pode ajudar a ter uma vida mais tranquila. No entanto, é preciso viver a única coisa que temos como certa que é o momento presente. Ele não pode ser substituído nem recuperado. Ele existe por uma fração de segundo e se transforma em passado, deixando em nossa memória uma marca indelével, que pode ser boa ou má dependendo de nossa atitude perante o evento.
Viver o presente com plenitude deve ser sempre nosso maior objetivo. Compatibilizar o prazer de viver o presente com a preparação do futuro deve vir em seguida.
O olho no futuro nos ajuda a limitar o desejo pelo prazer imediato e, mais importante, nos faz sentir prazer em viver as dificuldades. Por outro lado, pensar somente no futuro nos faz perder a beleza do momento presente e não garante que o futuro ocorra.
Mais uma vez, os princípios e valores voltam a cena. Eles são a principal ferramenta para guiar nossos planos futuros e nosso comportamento no presente.
Sempre planeje seu futuro guiado por seus princípios e valores, dessa forma você garante que seu plano o leva a seu objetivo maior de vida. Durante toda a vida, verifique se seu plano continua alinhado com eles e, caso note algum desvio, faça os ajustes devidos.
Mas não se esqueça de viver intensamente o presente pois, como disse anteriormente, ele é sem dúvida a coisa mais importante de nossas vidas.
Para saber se sua atitude no presente está alinhada com seus planos, consulte seu conjunto de valores e princípios. Se o seu prazer imediato está alinhado com eles, viva-o com intensidade e desfrute desse momento. Caso contrário, coloque foco nos seus objetivos de longo prazo e em seu plano de ação.
As dicas acima não são certeza de um futuro melhor, afinal incerteza e futuro são conceitos intimamente conectados. No entanto, podem ajudar muito a viver melhor o presente e a aumentar as chances de termos mais momentos felizes no futuro.
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Abs.
PP
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Elogiar Comportamentos e não Pessoas
Olá,
Existem pessoas que se destacam pela habilidade em aprender coisas novas rapidamente. São capazes de enfrentar qualquer desafio e se sair bem; possuem uma facilidade incrível para encontrar soluções; e, em geral, estão sempre com uma resposta na ponta da língua.
A maioria delas se destaca pelo alto nível de curiosidade e auto-confiança, o que lhes impulsiona em direção a riscos e desafios maiores, que se bem administrados, permitem que seu desenvolvimento pessoal e profissional seja diferenciado.
Por demonstrarem destreza e prontidão para qualquer nova tarefa, essas pessoas tendem a ser mais solicitadas pelos superiores e colegas, costumam receber os maiores desafios e, como resultado de suas realizações, também são mais elogiadas e recompensadas.
Não existe nada de mal em recompensar ou elogiar um bom trabalho. É importante informar as pessoas sobre o seu desempenho e reforçar os comportamentos positivos. Um elogio bem colocado faz com que a pessoa se sinta recompensada pelo esforço e motive-se a se desenvolver ainda mais.
O problema começa quando os elogios passam a ser frequentes demais, ao ponto de fazer com que a pessoa se sinta diferente das outras, como se tivesse poderes ou talentos sobre naturais.
Se é verdade que existem pessoas mais talentosas do que outras em determinadas áreas do conhecimento, também é verdade que esse talento é muito mais fruto do esforço e dedicação do que de características natas. Um bom músico pode ter recebido alguma ajuda da carga hereditária, mas com certeza sua destreza e habilidade são muito mais o fruto de anos de estudo e treinamento.
Elogiar uma pessoa sem fazer vínculo com o esforço para atingir determinado resultado é reforçar a imagem de que essa pessoa é melhor do que as outras, de que possui características superiores aos outros colegas. É um erro grave e que pode levar a comportamentos bastante inadequados.
A pessoa que é elogiada constantemente sem motivos claros, tende a se convencer de que é realmente melhor do que as outras. Ela passa a acreditar que é capaz de fazer qualquer coisa sem se esforçar muito. Além disso, por ser melhor do que as outras, entende que merece tratamento diferenciado, independente do seu nível de comprometimento e dedicação.
Mas se elogiar é importante para demonstrar reconhecimento por um trabalho bem realizado e faz com que as pessoas se motivem a buscar maior desenvolvimento, por que em alguns casos ele pode gerar tantos problemas?
A resposta está no alvo do elogio.
Elogiar um determinado comportamento que leva a resultados positivos é muito importante, pois reforça a necessidade de desenvolver ainda mais esse comportamento. Por outro lado, elogiar a pessoa sem fazer vínculo com um comportamento reforça a imagem de que a pessoa é boa, independente de seus comportamentos.
O elogio indiscriminado cria um sentimento de determinismo e predestinação muito perigoso. Aos poucos, a pessoa pode se convencer de que é realmente superior aos outros e passa a tratá-los como seres inferiores. Sua capacidade de auto-crítica vai se reduzindo, levando a resultados muito negativos em sua carreira profissional no longo prazo.
O pior de tudo é que as mudanças geradas pelo excesso de elogios tendem a levar essa pessoa ao extremo oposto. Seu comportamento inadequado, fruto de elogios inadequados, faz com que a avaliação de seus colegas e superiores mude rapidamente e os elogios se transformem em críticas pesadas.
Os elogios sobre a criatividade e a rapidez da pessoa são complementados com duras críticas sobre a arrogância e intolerância da pessoa. Mais uma vez, a pessoa é tomada como alvo e não seus comportamentos, o que vai criando uma imagem distorcida e irreversível.
Como é muito mais fácil aceitar elogios do que críticas, a pessoa afetada inicialmente com o excesso de elogios tende a negar as críticas recebidas. Ela entende as críticas como demonstrações de inveja e raiva de seu talento diferenciado, o que acirra ainda mais os efeitos negativos do processo.
Para reverter esse quadro é preciso mudar o paradigma. É preciso deixar de elogiar e criticar pessoas e se concentrar nos comportamentos.
Pense bem na forma como está elogiando ou criticando as pessoas com quem convive. Você pode ajudá-las a se desenvolver ou levá-las a se enganar, dependendo da forma como exerça o seu direito de elogiar ou criticar. Ao mesmo tempo, procure analisar os elogios e criticas que recebe e fazer um vínculo dos mesmos com seus comportamentos. Isso vai ajudá-lo a evitar os efeitos negativos dos elogios e criticas pessoais que porventura receber.
Se você tem comentários ou sugestões sobre esse ou outros artigos, escreva para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder seus e-mails.
Abraços,
PP
Existem pessoas que se destacam pela habilidade em aprender coisas novas rapidamente. São capazes de enfrentar qualquer desafio e se sair bem; possuem uma facilidade incrível para encontrar soluções; e, em geral, estão sempre com uma resposta na ponta da língua.
A maioria delas se destaca pelo alto nível de curiosidade e auto-confiança, o que lhes impulsiona em direção a riscos e desafios maiores, que se bem administrados, permitem que seu desenvolvimento pessoal e profissional seja diferenciado.
Por demonstrarem destreza e prontidão para qualquer nova tarefa, essas pessoas tendem a ser mais solicitadas pelos superiores e colegas, costumam receber os maiores desafios e, como resultado de suas realizações, também são mais elogiadas e recompensadas.
Não existe nada de mal em recompensar ou elogiar um bom trabalho. É importante informar as pessoas sobre o seu desempenho e reforçar os comportamentos positivos. Um elogio bem colocado faz com que a pessoa se sinta recompensada pelo esforço e motive-se a se desenvolver ainda mais.
O problema começa quando os elogios passam a ser frequentes demais, ao ponto de fazer com que a pessoa se sinta diferente das outras, como se tivesse poderes ou talentos sobre naturais.
Se é verdade que existem pessoas mais talentosas do que outras em determinadas áreas do conhecimento, também é verdade que esse talento é muito mais fruto do esforço e dedicação do que de características natas. Um bom músico pode ter recebido alguma ajuda da carga hereditária, mas com certeza sua destreza e habilidade são muito mais o fruto de anos de estudo e treinamento.
Elogiar uma pessoa sem fazer vínculo com o esforço para atingir determinado resultado é reforçar a imagem de que essa pessoa é melhor do que as outras, de que possui características superiores aos outros colegas. É um erro grave e que pode levar a comportamentos bastante inadequados.
A pessoa que é elogiada constantemente sem motivos claros, tende a se convencer de que é realmente melhor do que as outras. Ela passa a acreditar que é capaz de fazer qualquer coisa sem se esforçar muito. Além disso, por ser melhor do que as outras, entende que merece tratamento diferenciado, independente do seu nível de comprometimento e dedicação.
Mas se elogiar é importante para demonstrar reconhecimento por um trabalho bem realizado e faz com que as pessoas se motivem a buscar maior desenvolvimento, por que em alguns casos ele pode gerar tantos problemas?
A resposta está no alvo do elogio.
Elogiar um determinado comportamento que leva a resultados positivos é muito importante, pois reforça a necessidade de desenvolver ainda mais esse comportamento. Por outro lado, elogiar a pessoa sem fazer vínculo com um comportamento reforça a imagem de que a pessoa é boa, independente de seus comportamentos.
O elogio indiscriminado cria um sentimento de determinismo e predestinação muito perigoso. Aos poucos, a pessoa pode se convencer de que é realmente superior aos outros e passa a tratá-los como seres inferiores. Sua capacidade de auto-crítica vai se reduzindo, levando a resultados muito negativos em sua carreira profissional no longo prazo.
O pior de tudo é que as mudanças geradas pelo excesso de elogios tendem a levar essa pessoa ao extremo oposto. Seu comportamento inadequado, fruto de elogios inadequados, faz com que a avaliação de seus colegas e superiores mude rapidamente e os elogios se transformem em críticas pesadas.
Os elogios sobre a criatividade e a rapidez da pessoa são complementados com duras críticas sobre a arrogância e intolerância da pessoa. Mais uma vez, a pessoa é tomada como alvo e não seus comportamentos, o que vai criando uma imagem distorcida e irreversível.
Como é muito mais fácil aceitar elogios do que críticas, a pessoa afetada inicialmente com o excesso de elogios tende a negar as críticas recebidas. Ela entende as críticas como demonstrações de inveja e raiva de seu talento diferenciado, o que acirra ainda mais os efeitos negativos do processo.
Para reverter esse quadro é preciso mudar o paradigma. É preciso deixar de elogiar e criticar pessoas e se concentrar nos comportamentos.
Pense bem na forma como está elogiando ou criticando as pessoas com quem convive. Você pode ajudá-las a se desenvolver ou levá-las a se enganar, dependendo da forma como exerça o seu direito de elogiar ou criticar. Ao mesmo tempo, procure analisar os elogios e criticas que recebe e fazer um vínculo dos mesmos com seus comportamentos. Isso vai ajudá-lo a evitar os efeitos negativos dos elogios e criticas pessoais que porventura receber.
Se você tem comentários ou sugestões sobre esse ou outros artigos, escreva para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder seus e-mails.
Abraços,
PP
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Tocando o Coração das Pessoas
Olá,
Hoje gostaria de falar de um desejo muitas vezes oculto de quase todos os líderes: o de tocar o coração das pessoas.
Por mais duro e frio que possa parecer um executivo, acredite, existe por baixo daquela armadura um ser humano sensível e frágil como qualquer outro. Alguém que deseja ardentemente ser admirado por seus atos e que precisa de reconhecimento e amparo como qualquer outra pessoa.
Uma reclamação constante entre altos executivos é sobre a sua incapacidade de fazer com que as pessoas compreendam suas reais intenções e objetivos. Eles se ressentem de não conseguir convencer as pessoas a seguirem o caminho que julgam ser o melhor para a organização e de não conseguirem "tocar" o coração das pessoas.
O mais interessante é que esses mesmos executivos relatam já terem sido capazes de fazer isso no passado, o que os leva a sentir uma frustração ainda maior. Afinal, será que eles perderam sua capacidade de liderar e de fazer com que as pessoas se mobilizem em torno de um objetivo comum?
Minha experiência pessoal diz que a dificuldade está associada ao distanciamento natural que existe entre os líderes e liderados conforme a organização cresce. Uma coisa é liderar um punhado de pessoas, suficiente para contar com os dedos da mão, outra coisa bem diferente é liderar uma legião de dezenas, centenas ou milhares de pessoas.
"Tocar" o coração de cinco ou seis pessoas é relativamente fácil para um líder dedicado. Ele tem tempo para falar com cada um e pode garantir acesso a todos sempre que necessário. Sua proximidade com as pessoas o permite sentir como reagem a suas ações, permitindo que ele ajuste sua maneira de agir e falar, dando a ele o direito de errar e corrigir seus erros.
Conforme a organização cresce ou a carreira o leve a posições mais altas, a distância para as pesssoas aumenta. Seus defeitos e virtudes, seus erros e acertos, são amplificados ou atenuados de forma dramática, distorcendo totalmente sua imagem perante os liderados. É como se sua identidade fosse substituída pela de outra pessoa, um impostor que lhe toma a posição e passa a liderar sua organização.
A partir desse momento, o executivo inicia um processo de perda gradativa do controle da situação. Em alguns momentos é julgado como fraco e omisso, quando sua intenção era dar uma chance às pessoas. Em outros é considerado demasiado duro, quando seu objetivo era preservar o todo, mesmo que ao sacrifício de alguns. Parece que tudo o que faz é entendido de maneira contrária pelas pessoas, o que no fundo é a mais pura realidade.
A frustração de não ser entendido cresce e começa a alterar sua forma de atuar. Surge um novo líder, pior do que o antigo, normalmente mais duro e intransigente. Ele se cansa de tentar convencer as pessoas e passa a ser mais autoritário e impaciente. Seu afastamento e isolamento aumentam e a comunicação entre líder e liderados se torna praticamente inviável.
O afastamento leva a problemas de comunicação ainda maiores, que aumentam a frustração, que por sua vez faz com que o líder procure ainda mais isolamento.
O mais interessante é que a dinâmica apresentada acima não necessariamente leva a um desastre em termos de resultados. A competência individual do líder e de seus liderados e a vontade de provar serem capazes de vencer os desafios, faz com que os resultados se mantenham e, algumas vezes, até se aprimorem. As pessoas trabalham menos felizes, mas continuam a produzir e a entregar o que lhes é cobrado.
Essa aparente desconexão faz com que muitos líderes cheguem a conclusão de que o afastamento e o isolamento não sejam tão ruins assim. Alguns chegam a acreditar que essa é a forma mais sensata e madura de lidar com a organização e de que a proximidade "excessiva" que tinham no passado eram uma característica de um executivo ainda jovem, que não sabia como lidar com grandes organizações.
Não é assim que penso. Ao contrário, sou dos que acreditam que o afastamento e o isolamento do líder sempre representam uma perda para a organização. Se os resultados ainda são bons com tanta dificuldade de comunicação, como seriam se a comunicação fosse efetiva e o líder voltasse a "tocar" o coração das pessoas?
Penso que as organizações de maior sucesso, possuem uma quantidade maior de líderes que "tocam" o coração das pessoas, que não possuem vergonha de serem próximos aos liderados e que fomentam a comunicação verdadeira e franca em suas organizações. Líderes mais disponíveis são naturalmente mais verdadeiros e confiáveis, obtendo credencial para conseguirem maior esforço e dedicação das pessoas. Além disso, líderes que se sentem compreendidos sentem-se menos frustrados, ampliando seu potencial de criar e desenvolver o futuro.
Mas existe um ponto a mais a favor dos líderes que "tocam" o coração de seus liderados. Eles sentem-se mais felizes e realizados, alimentando e libertando o ser humano escondido em baixo de suas armaduras de heróis. Em última análise, sentem-se mais próximos de suas missões de vida.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.
PP
Hoje gostaria de falar de um desejo muitas vezes oculto de quase todos os líderes: o de tocar o coração das pessoas.
Por mais duro e frio que possa parecer um executivo, acredite, existe por baixo daquela armadura um ser humano sensível e frágil como qualquer outro. Alguém que deseja ardentemente ser admirado por seus atos e que precisa de reconhecimento e amparo como qualquer outra pessoa.
Uma reclamação constante entre altos executivos é sobre a sua incapacidade de fazer com que as pessoas compreendam suas reais intenções e objetivos. Eles se ressentem de não conseguir convencer as pessoas a seguirem o caminho que julgam ser o melhor para a organização e de não conseguirem "tocar" o coração das pessoas.
O mais interessante é que esses mesmos executivos relatam já terem sido capazes de fazer isso no passado, o que os leva a sentir uma frustração ainda maior. Afinal, será que eles perderam sua capacidade de liderar e de fazer com que as pessoas se mobilizem em torno de um objetivo comum?
Minha experiência pessoal diz que a dificuldade está associada ao distanciamento natural que existe entre os líderes e liderados conforme a organização cresce. Uma coisa é liderar um punhado de pessoas, suficiente para contar com os dedos da mão, outra coisa bem diferente é liderar uma legião de dezenas, centenas ou milhares de pessoas.
"Tocar" o coração de cinco ou seis pessoas é relativamente fácil para um líder dedicado. Ele tem tempo para falar com cada um e pode garantir acesso a todos sempre que necessário. Sua proximidade com as pessoas o permite sentir como reagem a suas ações, permitindo que ele ajuste sua maneira de agir e falar, dando a ele o direito de errar e corrigir seus erros.
Conforme a organização cresce ou a carreira o leve a posições mais altas, a distância para as pesssoas aumenta. Seus defeitos e virtudes, seus erros e acertos, são amplificados ou atenuados de forma dramática, distorcendo totalmente sua imagem perante os liderados. É como se sua identidade fosse substituída pela de outra pessoa, um impostor que lhe toma a posição e passa a liderar sua organização.
A partir desse momento, o executivo inicia um processo de perda gradativa do controle da situação. Em alguns momentos é julgado como fraco e omisso, quando sua intenção era dar uma chance às pessoas. Em outros é considerado demasiado duro, quando seu objetivo era preservar o todo, mesmo que ao sacrifício de alguns. Parece que tudo o que faz é entendido de maneira contrária pelas pessoas, o que no fundo é a mais pura realidade.
A frustração de não ser entendido cresce e começa a alterar sua forma de atuar. Surge um novo líder, pior do que o antigo, normalmente mais duro e intransigente. Ele se cansa de tentar convencer as pessoas e passa a ser mais autoritário e impaciente. Seu afastamento e isolamento aumentam e a comunicação entre líder e liderados se torna praticamente inviável.
O afastamento leva a problemas de comunicação ainda maiores, que aumentam a frustração, que por sua vez faz com que o líder procure ainda mais isolamento.
O mais interessante é que a dinâmica apresentada acima não necessariamente leva a um desastre em termos de resultados. A competência individual do líder e de seus liderados e a vontade de provar serem capazes de vencer os desafios, faz com que os resultados se mantenham e, algumas vezes, até se aprimorem. As pessoas trabalham menos felizes, mas continuam a produzir e a entregar o que lhes é cobrado.
Essa aparente desconexão faz com que muitos líderes cheguem a conclusão de que o afastamento e o isolamento não sejam tão ruins assim. Alguns chegam a acreditar que essa é a forma mais sensata e madura de lidar com a organização e de que a proximidade "excessiva" que tinham no passado eram uma característica de um executivo ainda jovem, que não sabia como lidar com grandes organizações.
Não é assim que penso. Ao contrário, sou dos que acreditam que o afastamento e o isolamento do líder sempre representam uma perda para a organização. Se os resultados ainda são bons com tanta dificuldade de comunicação, como seriam se a comunicação fosse efetiva e o líder voltasse a "tocar" o coração das pessoas?
Penso que as organizações de maior sucesso, possuem uma quantidade maior de líderes que "tocam" o coração das pessoas, que não possuem vergonha de serem próximos aos liderados e que fomentam a comunicação verdadeira e franca em suas organizações. Líderes mais disponíveis são naturalmente mais verdadeiros e confiáveis, obtendo credencial para conseguirem maior esforço e dedicação das pessoas. Além disso, líderes que se sentem compreendidos sentem-se menos frustrados, ampliando seu potencial de criar e desenvolver o futuro.
Mas existe um ponto a mais a favor dos líderes que "tocam" o coração de seus liderados. Eles sentem-se mais felizes e realizados, alimentando e libertando o ser humano escondido em baixo de suas armaduras de heróis. Em última análise, sentem-se mais próximos de suas missões de vida.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.
PP
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