Olá,
Sempre recebo e-mail de pessoas perguntando o que fazer para ser um executivo e decidi escrever um pouco sobre o tema.
A posição de executivo não é exatamente uma carreira. Ela é resultado de sucessivos passos em qualquer carreira técnica onde o profissional assume responsabilidades sobre outras pessoas ou sobre questões mais estratégicas na organização.
Não é necessário ter formação acadêmica de administração para ser um executivo. Na verdade a maioria dos executivos do mercado se especializaram nos temas de administração vários anos depois de se formarem.
Para ser um executivo de valor para a organização é necessário dominar o ambiente político e técnico da mesma. Um executivo que não conhece como as coisas funcionam tecnicamente terá dificuldades em gerenciar os processos. Ao mesmo tempo, um excelente técnico que não saiba administrar o ambiente político terá muitas dificuldades para levar adiante suas ideias.
O melhor caminho para quem está começando é na área técnica. Afinal, são os técnicos que fazem as coisas acontecerem no dia a dia da empresa. Um hospital, por exemplo, precisa de bons médicos e enfermeiros. Uma agência de propaganda precisa de bons criadores e diagramadores. Uma empresa de vendas, precisa de grandes vendedores.
Com o tempo, os técnicos evoluem em suas carreiras e assumem novas funções. Essas funções podem ser cada vez mais técnicas e especializadas ou podem migrar para a área de administração. No primeiro caso vão se formando os especialistas, profissionais de alto valor de mercado por dominarem determinado assunto com profundidade e destreza. No segundo caso, vão se formando os executivos da organização, profissionais que dominam tecnicamente os processos mas que vão aos poucos assumindo funções mais ligadas a aspectos administrativos.
Alguns especialistas também assumem funções administrativas e, portanto, podem ser considerados executivos. Outros preferem manter sua carreira puramente técnica, sem assumir funções administrativas.
O executivo, portanto, vai sendo formado ao longo dos anos. É um erro achar que se pode formar um executivo nas salas de aula. É recomendável alguns anos de experiência antes de assumir funções mais estratégicas e gerenciais em uma organização.
Se você pretende ser um bom executivo, antes de tudo escolha uma carreira técnica a seguir e se dedique com empenho na área escolhida. Em seguida, procure um emprego que permita você continuar seu aprendizado e adquirir experiência. Procure aproveitar ao máximo as oportunidades de aprendizado na empresa e não se furte dos desafios. Os profissionais mais disponíveis para encarar desafios e assumir responsabilidades são os que em geral se transformam em executivos mais rapidamente.
Assim que suas responsabilidades estiverem sendo direcionadas para a área mais administrativa, recomendo que você faça um curso de especialização em administração. Existem vários cursos de MBA no mercado que atendem essa necessidade.
Muitas pessoas me perguntam se devem fazer o MBA logo após a conclusão do curso de graduação. Sinceramente não recomendo esse caminho pois a maioria das coisas que você irá aprender não serão utilizadas no seu dia a dia imediatamente. Isso provavelmente vai ocorrer mais para frente em sua carreira, é esse será o melhor momento de fazer um curso de MBA.
Como alternativa ao MBA, para aqueles que desejarem continuar seus estudos logo após a formação acadêmica, recomendo cursos de especialização mais técnicos, de preferência ligados ao trabalho que estão realizando. É uma forma de desenvolver habilidades mais específicas, que com certeza ajudarão no crescimento profissional.
Por último, fica um conselho importante. Para ser um executivo de sucesso é preciso ter perseverança, equilíbrio e força de vontade. As empresas sempre valorizam os que melhor desempenham suas atividades, os que são mais esforçados e os que se integram melhor na organização.
Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em respondê-lo.
Abraços,
Paulo Pinho
Mostrando postagens com marcador Liderança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liderança. Mostrar todas as postagens
domingo, 26 de dezembro de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
A Importância do Olhar Externo
Olá,
Sempre fui muito reativo à contratação de empresas de consultoria. Minha percepção era de que pessoas de fora não teriam condições de entender melhor o ambiente interno das empresas do que as pessoas que lá estavam há vários anos.
Com o passar dos anos aprendi que minha percepção estava mais relacionada com a incompetência dos consultores com os quais havia trabalhado do que com a função em si e que a convicção que tinha nessa percepção vinha do grande volume de profissionais pilantras com ar de gurus e de estagiários de terno e gravata fingindo serem especialistas que existem nesse mercado de consultoria.
Minha primeira experiência positiva com o segmento de consultoria foi com uma empresa pequena, formada por um pequeno grupo de ex-executivos de grandes empresas e que atuava com programas de desenvolvimento organizacional.
Naquela ocasião era diretor de uma empresa multinacional na área de tecnologia e lembro de ter me sentido incomodado de ser convidado para mais um processo de avaliação 360 graus. Afinal, já havia participado de pelo menos três desses processos e os resultados para a organização tinham sido mínimos, algumas vezes até negativos, com chefes mal preparados descontando sua raiva de serem mal avaliados naqueles que tiveram coragem de dizer a verdade.
Dessa vez foi bem diferente. O trabalho foi feito de maneira mais cautelosa e individual e a maneira como o processo foi conduzido levou aos diretores e gerentes a uma reflexão profunda e duradoura antes mesmo que os resultados das avaliações fossem conhecidos. Era como se fôssemos preparados para o choque que viria a seguir. O resultado é que pela primeira vez me vi realmente orientado a fazer uma reflexão profunda e verdadeira sobre como funcionava e como as pessoas me observavam.
O mais interessante era que os formulários e o mecanismo utilizado eram muito parecidos com os aplicados pelas outras empresas de consultoria. A grande diferença estava na preparação prévia feita pelos consultores e pela qualidade e experiência inegáveis que eles tinham. Sob certo ponto de vista, todo o trabalho funcionou como um grande treinamento para todos nós.
Mais tarde tive a oportunidade de conhecer mais consultores de qualidade em minha vida profissional e passei a admirar esse tipo de profissional e a história de vida que a grande maioria deles possui cujas principais características por mim percebidas são:
1) Foram executivos de sucesso e com atuação em diferentes áreas de diversas organizações.
2) São estudiosos e curiosos. Adoram ouvir o que você tem a dizer.
3) Possuem uma grande habilidade em apresentar suas idéias e adoram compartilhar seus conhecimentos.
4) Normalmente deixaram suas carreiras por vontade própria em busca de maior realização pessoal.
5) Possuem uma energia interna muito grande e trasmitem essa energia por onde passam.
6) Se apresentam como verdadeiros parceiros de quem os contratam e participam ativamente dos projetos.
7) Possuem auto-confiança elevada mas poderam o tempo inteiro sobre os riscos e as dificuldades.
8) Normalmente são empresas pequenas e altamente especializadas.
Mas existe algo que é comum a todos os consultores, sejam eles competentes ou não, e que realmente traz valor a quem os contrata: ele possuem uma visão externa dos problemas, sem estarem impregnados pelos problemas e as angústias de quem está sob a pressão dos fatos.
A possibilidade de nos aconselharmos com alguém que está mais distante e que pode avaliar os problemas de forma neutra e sem pressão faz toda a diferença. Se esse profissional for de alta qualidade e comprometido então, aí os ganhos podem ser enormes.
Como executivo tive a oportunidade de ver grandes transformações ocorrerem viabilizadas pela ajuda de consultores externos. Mais recentemente, atuando pessoalmente como consultor, tenho me realizado muito em ver os efeitos que sou capaz de criar nas organizações onde faço meus trabalhos.
Se você está se sentindo perdido em determinada situação ou tem sérias dúvidas de como guiar sua organização em determinada direção, avalie a possibilidade de contratar um consultor para ajudá-lo. O olhar externo desse profissional, aliado com a experiência de vida que ele possa trazer, tem grandes chances de fazer a diferença.
Mas lembre-se que você está procurando algo muito especial. Alguém que tenha habilidade de entender o problema que você está enfrentando, que tenha recursos suficientes para ajudá-lo a econtrar os melhores caminhos de saída e que esteja disposto a ir mais além do que simplesmente dar palpites e aplicar metodologias enlatadas.
Se você tomar a decisão de contratar um consultor, lembre-se que você está contratando um profissional e não uma empresa e faça questão de conhecer quem irá fazer o trabalho. Você somente será capaz de ouvir conselhos de alguém que lhe passe segurança e em quem você confia, mesmo que ainda não conheça muito bem.
Um consultor é uma pessoa mais experiente e com mais conhecimento. Não é uma grande empresa cheia de gente em treinamento e com um monte de formulários e de planilhas que transformam dados em recomendações pré-formatadas. Ao contrário, a consultoria é por definição uma atividade artesanal onde processos e métodos automatizados servem apenas para facilitar o processo de coleta de informações ou de análise das mesmas.
Um último recado. Nunca contrate um consultor para confirmar suas idéias ou apenas para justificar suas decisões pois é pura perda de tempo. Antes de contratar um profissional para fazer um diagnóstico e/ou aconselhá-lo tenha certeza de que você está preparado e aberto para ouvir o que ele tenha a dizer, caso contrário estará jogando dinheiro pela janela e ainda correrá o risco de azedar seu fígado.
Se você tiver comentários a respeito desse e de outros artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em responder sua mensagem.
Abraços,
Paulo Pinho
Sempre fui muito reativo à contratação de empresas de consultoria. Minha percepção era de que pessoas de fora não teriam condições de entender melhor o ambiente interno das empresas do que as pessoas que lá estavam há vários anos.
Com o passar dos anos aprendi que minha percepção estava mais relacionada com a incompetência dos consultores com os quais havia trabalhado do que com a função em si e que a convicção que tinha nessa percepção vinha do grande volume de profissionais pilantras com ar de gurus e de estagiários de terno e gravata fingindo serem especialistas que existem nesse mercado de consultoria.
Minha primeira experiência positiva com o segmento de consultoria foi com uma empresa pequena, formada por um pequeno grupo de ex-executivos de grandes empresas e que atuava com programas de desenvolvimento organizacional.
Naquela ocasião era diretor de uma empresa multinacional na área de tecnologia e lembro de ter me sentido incomodado de ser convidado para mais um processo de avaliação 360 graus. Afinal, já havia participado de pelo menos três desses processos e os resultados para a organização tinham sido mínimos, algumas vezes até negativos, com chefes mal preparados descontando sua raiva de serem mal avaliados naqueles que tiveram coragem de dizer a verdade.
Dessa vez foi bem diferente. O trabalho foi feito de maneira mais cautelosa e individual e a maneira como o processo foi conduzido levou aos diretores e gerentes a uma reflexão profunda e duradoura antes mesmo que os resultados das avaliações fossem conhecidos. Era como se fôssemos preparados para o choque que viria a seguir. O resultado é que pela primeira vez me vi realmente orientado a fazer uma reflexão profunda e verdadeira sobre como funcionava e como as pessoas me observavam.
O mais interessante era que os formulários e o mecanismo utilizado eram muito parecidos com os aplicados pelas outras empresas de consultoria. A grande diferença estava na preparação prévia feita pelos consultores e pela qualidade e experiência inegáveis que eles tinham. Sob certo ponto de vista, todo o trabalho funcionou como um grande treinamento para todos nós.
Mais tarde tive a oportunidade de conhecer mais consultores de qualidade em minha vida profissional e passei a admirar esse tipo de profissional e a história de vida que a grande maioria deles possui cujas principais características por mim percebidas são:
1) Foram executivos de sucesso e com atuação em diferentes áreas de diversas organizações.
2) São estudiosos e curiosos. Adoram ouvir o que você tem a dizer.
3) Possuem uma grande habilidade em apresentar suas idéias e adoram compartilhar seus conhecimentos.
4) Normalmente deixaram suas carreiras por vontade própria em busca de maior realização pessoal.
5) Possuem uma energia interna muito grande e trasmitem essa energia por onde passam.
6) Se apresentam como verdadeiros parceiros de quem os contratam e participam ativamente dos projetos.
7) Possuem auto-confiança elevada mas poderam o tempo inteiro sobre os riscos e as dificuldades.
8) Normalmente são empresas pequenas e altamente especializadas.
Mas existe algo que é comum a todos os consultores, sejam eles competentes ou não, e que realmente traz valor a quem os contrata: ele possuem uma visão externa dos problemas, sem estarem impregnados pelos problemas e as angústias de quem está sob a pressão dos fatos.
A possibilidade de nos aconselharmos com alguém que está mais distante e que pode avaliar os problemas de forma neutra e sem pressão faz toda a diferença. Se esse profissional for de alta qualidade e comprometido então, aí os ganhos podem ser enormes.
Como executivo tive a oportunidade de ver grandes transformações ocorrerem viabilizadas pela ajuda de consultores externos. Mais recentemente, atuando pessoalmente como consultor, tenho me realizado muito em ver os efeitos que sou capaz de criar nas organizações onde faço meus trabalhos.
Se você está se sentindo perdido em determinada situação ou tem sérias dúvidas de como guiar sua organização em determinada direção, avalie a possibilidade de contratar um consultor para ajudá-lo. O olhar externo desse profissional, aliado com a experiência de vida que ele possa trazer, tem grandes chances de fazer a diferença.
Mas lembre-se que você está procurando algo muito especial. Alguém que tenha habilidade de entender o problema que você está enfrentando, que tenha recursos suficientes para ajudá-lo a econtrar os melhores caminhos de saída e que esteja disposto a ir mais além do que simplesmente dar palpites e aplicar metodologias enlatadas.
Se você tomar a decisão de contratar um consultor, lembre-se que você está contratando um profissional e não uma empresa e faça questão de conhecer quem irá fazer o trabalho. Você somente será capaz de ouvir conselhos de alguém que lhe passe segurança e em quem você confia, mesmo que ainda não conheça muito bem.
Um consultor é uma pessoa mais experiente e com mais conhecimento. Não é uma grande empresa cheia de gente em treinamento e com um monte de formulários e de planilhas que transformam dados em recomendações pré-formatadas. Ao contrário, a consultoria é por definição uma atividade artesanal onde processos e métodos automatizados servem apenas para facilitar o processo de coleta de informações ou de análise das mesmas.
Um último recado. Nunca contrate um consultor para confirmar suas idéias ou apenas para justificar suas decisões pois é pura perda de tempo. Antes de contratar um profissional para fazer um diagnóstico e/ou aconselhá-lo tenha certeza de que você está preparado e aberto para ouvir o que ele tenha a dizer, caso contrário estará jogando dinheiro pela janela e ainda correrá o risco de azedar seu fígado.
Se você tiver comentários a respeito desse e de outros artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em responder sua mensagem.
Abraços,
Paulo Pinho
sábado, 22 de agosto de 2009
Desenvolvendo Atletas
Olá,
Você pratica ou acompanha algum esporte? Se o faz, deve saber da importância que tem o treinamento na vida de um praticante de esportes. É sobre o papel do treinador e da analogia que existe entre ele e os líderes empresariais que gostaria de conversar hoje.
Assim como um treinador de futebol ou volei, um líder empresarial é responsável por desenvolver sua equipe, tanto individualmente quanto coletivamente. Ele precisa dar conforto e segurança a seus atletas, mas sabe que só será capaz de bater seus concorrrentes se souber levá-los a um patamar superior de competitividade que esteja acima dos opositores.
Para ser vencedor, um treinador precisa testar e estender os limites de seus atletas todo o tempo, aprimorando-os a cada ciclo, buscando sempre algo mais. Esses limites não são fáceis de serem ultrapassados, nem tampouco agradáveis de serem atingidos. Eles representam privações e dor, aumentam o estresse físico e mental e testam a capacidade de cada um em se manter motivado na busca de seus objetivos.
Não é possível desenvolver atletas sem testar limites. Não é possível testar limites sem gerar desconforto. Não é possível gerar desconforto e manter motivação se não houver confiança.
Um bom técnico exige de seus atletas até onde sabe que eles serão capazes de suportar. Ao mesmo tempo é capaz de fazê-los atingir limites que eles mesmos não acreditavam ser capazes. Ele os desafia a todo momento e impõe metas e objetivos nem sempre aceitos de maneira tranquila. Um bom técnico é admirado e querido por sua equipe, mas muitas vezes desperta sentimentos nem tão positivos assim. Como ouvi de uma professora há algum tempo, ele tem um molho tipo agridoce, adocicado mas ao mesmo tempo ácido.
O ponto chave da relação de um técnico com seus liderados é a confiança mútua. A equipe precisa confiar em seu líder e acreditar que todo o sofrimento imposto tem como objetivo o desenvolvimento e o sucesso. Por outro lado, o líder precisa confiar em seus liderados e acreditar que eles estão totalmente alinhados com seus objetivos.
Para obter a confiança da equipe não é necessário ser amável o tempo todo. Na verdade, muitos dos grandes técnicos que conhecemos passam longe da definição de amável. O mais importante é ser previsível, coerente e justo. É seguir um conjunto simples e direto de valores positivos em todas as suas decisões, reagindo de maneira clara e objetiva ao desenrolar dos fatos.
Um líder que é sempre amável (doce) dificilmente irá mover seus liderados além dos limites. Para levá-los a novos patamares ele precisa demonstrar sua acidez (dureza) e discutir de forma clara e objetiva os erros e acertos de sua equipe. Se está errado ele precisa dizer isso sem meias palavras. Se há maneiras de fazer melhor, precisa criticar a forma como foi feito. Se faltou empenho e atenção, isso precisa ser dito e discutido.
A acidez do líder cria o movimento e faz com que as pessoas se desenvolvam. Sua doçura cura as feridas causadas pelas lutas do dia a dia e reforça o cimento da confiança que a equipe tem em sua liderança.
Desenvolver atletas é como desenvolver funcionários e líderes empresariais são como técnicos de futebol. Os uniformes e as regras do jogo são totalmente diferentes, mas as bases do relacionamento entre líder e liderados são exatamente as mesmas.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.
Abraços,
PP
Você pratica ou acompanha algum esporte? Se o faz, deve saber da importância que tem o treinamento na vida de um praticante de esportes. É sobre o papel do treinador e da analogia que existe entre ele e os líderes empresariais que gostaria de conversar hoje.
Assim como um treinador de futebol ou volei, um líder empresarial é responsável por desenvolver sua equipe, tanto individualmente quanto coletivamente. Ele precisa dar conforto e segurança a seus atletas, mas sabe que só será capaz de bater seus concorrrentes se souber levá-los a um patamar superior de competitividade que esteja acima dos opositores.
Para ser vencedor, um treinador precisa testar e estender os limites de seus atletas todo o tempo, aprimorando-os a cada ciclo, buscando sempre algo mais. Esses limites não são fáceis de serem ultrapassados, nem tampouco agradáveis de serem atingidos. Eles representam privações e dor, aumentam o estresse físico e mental e testam a capacidade de cada um em se manter motivado na busca de seus objetivos.
Não é possível desenvolver atletas sem testar limites. Não é possível testar limites sem gerar desconforto. Não é possível gerar desconforto e manter motivação se não houver confiança.
Um bom técnico exige de seus atletas até onde sabe que eles serão capazes de suportar. Ao mesmo tempo é capaz de fazê-los atingir limites que eles mesmos não acreditavam ser capazes. Ele os desafia a todo momento e impõe metas e objetivos nem sempre aceitos de maneira tranquila. Um bom técnico é admirado e querido por sua equipe, mas muitas vezes desperta sentimentos nem tão positivos assim. Como ouvi de uma professora há algum tempo, ele tem um molho tipo agridoce, adocicado mas ao mesmo tempo ácido.
O ponto chave da relação de um técnico com seus liderados é a confiança mútua. A equipe precisa confiar em seu líder e acreditar que todo o sofrimento imposto tem como objetivo o desenvolvimento e o sucesso. Por outro lado, o líder precisa confiar em seus liderados e acreditar que eles estão totalmente alinhados com seus objetivos.
Para obter a confiança da equipe não é necessário ser amável o tempo todo. Na verdade, muitos dos grandes técnicos que conhecemos passam longe da definição de amável. O mais importante é ser previsível, coerente e justo. É seguir um conjunto simples e direto de valores positivos em todas as suas decisões, reagindo de maneira clara e objetiva ao desenrolar dos fatos.
Um líder que é sempre amável (doce) dificilmente irá mover seus liderados além dos limites. Para levá-los a novos patamares ele precisa demonstrar sua acidez (dureza) e discutir de forma clara e objetiva os erros e acertos de sua equipe. Se está errado ele precisa dizer isso sem meias palavras. Se há maneiras de fazer melhor, precisa criticar a forma como foi feito. Se faltou empenho e atenção, isso precisa ser dito e discutido.
A acidez do líder cria o movimento e faz com que as pessoas se desenvolvam. Sua doçura cura as feridas causadas pelas lutas do dia a dia e reforça o cimento da confiança que a equipe tem em sua liderança.
Desenvolver atletas é como desenvolver funcionários e líderes empresariais são como técnicos de futebol. Os uniformes e as regras do jogo são totalmente diferentes, mas as bases do relacionamento entre líder e liderados são exatamente as mesmas.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.
Abraços,
PP
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Elogiar Comportamentos e não Pessoas
Olá,
Existem pessoas que se destacam pela habilidade em aprender coisas novas rapidamente. São capazes de enfrentar qualquer desafio e se sair bem; possuem uma facilidade incrível para encontrar soluções; e, em geral, estão sempre com uma resposta na ponta da língua.
A maioria delas se destaca pelo alto nível de curiosidade e auto-confiança, o que lhes impulsiona em direção a riscos e desafios maiores, que se bem administrados, permitem que seu desenvolvimento pessoal e profissional seja diferenciado.
Por demonstrarem destreza e prontidão para qualquer nova tarefa, essas pessoas tendem a ser mais solicitadas pelos superiores e colegas, costumam receber os maiores desafios e, como resultado de suas realizações, também são mais elogiadas e recompensadas.
Não existe nada de mal em recompensar ou elogiar um bom trabalho. É importante informar as pessoas sobre o seu desempenho e reforçar os comportamentos positivos. Um elogio bem colocado faz com que a pessoa se sinta recompensada pelo esforço e motive-se a se desenvolver ainda mais.
O problema começa quando os elogios passam a ser frequentes demais, ao ponto de fazer com que a pessoa se sinta diferente das outras, como se tivesse poderes ou talentos sobre naturais.
Se é verdade que existem pessoas mais talentosas do que outras em determinadas áreas do conhecimento, também é verdade que esse talento é muito mais fruto do esforço e dedicação do que de características natas. Um bom músico pode ter recebido alguma ajuda da carga hereditária, mas com certeza sua destreza e habilidade são muito mais o fruto de anos de estudo e treinamento.
Elogiar uma pessoa sem fazer vínculo com o esforço para atingir determinado resultado é reforçar a imagem de que essa pessoa é melhor do que as outras, de que possui características superiores aos outros colegas. É um erro grave e que pode levar a comportamentos bastante inadequados.
A pessoa que é elogiada constantemente sem motivos claros, tende a se convencer de que é realmente melhor do que as outras. Ela passa a acreditar que é capaz de fazer qualquer coisa sem se esforçar muito. Além disso, por ser melhor do que as outras, entende que merece tratamento diferenciado, independente do seu nível de comprometimento e dedicação.
Mas se elogiar é importante para demonstrar reconhecimento por um trabalho bem realizado e faz com que as pessoas se motivem a buscar maior desenvolvimento, por que em alguns casos ele pode gerar tantos problemas?
A resposta está no alvo do elogio.
Elogiar um determinado comportamento que leva a resultados positivos é muito importante, pois reforça a necessidade de desenvolver ainda mais esse comportamento. Por outro lado, elogiar a pessoa sem fazer vínculo com um comportamento reforça a imagem de que a pessoa é boa, independente de seus comportamentos.
O elogio indiscriminado cria um sentimento de determinismo e predestinação muito perigoso. Aos poucos, a pessoa pode se convencer de que é realmente superior aos outros e passa a tratá-los como seres inferiores. Sua capacidade de auto-crítica vai se reduzindo, levando a resultados muito negativos em sua carreira profissional no longo prazo.
O pior de tudo é que as mudanças geradas pelo excesso de elogios tendem a levar essa pessoa ao extremo oposto. Seu comportamento inadequado, fruto de elogios inadequados, faz com que a avaliação de seus colegas e superiores mude rapidamente e os elogios se transformem em críticas pesadas.
Os elogios sobre a criatividade e a rapidez da pessoa são complementados com duras críticas sobre a arrogância e intolerância da pessoa. Mais uma vez, a pessoa é tomada como alvo e não seus comportamentos, o que vai criando uma imagem distorcida e irreversível.
Como é muito mais fácil aceitar elogios do que críticas, a pessoa afetada inicialmente com o excesso de elogios tende a negar as críticas recebidas. Ela entende as críticas como demonstrações de inveja e raiva de seu talento diferenciado, o que acirra ainda mais os efeitos negativos do processo.
Para reverter esse quadro é preciso mudar o paradigma. É preciso deixar de elogiar e criticar pessoas e se concentrar nos comportamentos.
Pense bem na forma como está elogiando ou criticando as pessoas com quem convive. Você pode ajudá-las a se desenvolver ou levá-las a se enganar, dependendo da forma como exerça o seu direito de elogiar ou criticar. Ao mesmo tempo, procure analisar os elogios e criticas que recebe e fazer um vínculo dos mesmos com seus comportamentos. Isso vai ajudá-lo a evitar os efeitos negativos dos elogios e criticas pessoais que porventura receber.
Se você tem comentários ou sugestões sobre esse ou outros artigos, escreva para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder seus e-mails.
Abraços,
PP
Existem pessoas que se destacam pela habilidade em aprender coisas novas rapidamente. São capazes de enfrentar qualquer desafio e se sair bem; possuem uma facilidade incrível para encontrar soluções; e, em geral, estão sempre com uma resposta na ponta da língua.
A maioria delas se destaca pelo alto nível de curiosidade e auto-confiança, o que lhes impulsiona em direção a riscos e desafios maiores, que se bem administrados, permitem que seu desenvolvimento pessoal e profissional seja diferenciado.
Por demonstrarem destreza e prontidão para qualquer nova tarefa, essas pessoas tendem a ser mais solicitadas pelos superiores e colegas, costumam receber os maiores desafios e, como resultado de suas realizações, também são mais elogiadas e recompensadas.
Não existe nada de mal em recompensar ou elogiar um bom trabalho. É importante informar as pessoas sobre o seu desempenho e reforçar os comportamentos positivos. Um elogio bem colocado faz com que a pessoa se sinta recompensada pelo esforço e motive-se a se desenvolver ainda mais.
O problema começa quando os elogios passam a ser frequentes demais, ao ponto de fazer com que a pessoa se sinta diferente das outras, como se tivesse poderes ou talentos sobre naturais.
Se é verdade que existem pessoas mais talentosas do que outras em determinadas áreas do conhecimento, também é verdade que esse talento é muito mais fruto do esforço e dedicação do que de características natas. Um bom músico pode ter recebido alguma ajuda da carga hereditária, mas com certeza sua destreza e habilidade são muito mais o fruto de anos de estudo e treinamento.
Elogiar uma pessoa sem fazer vínculo com o esforço para atingir determinado resultado é reforçar a imagem de que essa pessoa é melhor do que as outras, de que possui características superiores aos outros colegas. É um erro grave e que pode levar a comportamentos bastante inadequados.
A pessoa que é elogiada constantemente sem motivos claros, tende a se convencer de que é realmente melhor do que as outras. Ela passa a acreditar que é capaz de fazer qualquer coisa sem se esforçar muito. Além disso, por ser melhor do que as outras, entende que merece tratamento diferenciado, independente do seu nível de comprometimento e dedicação.
Mas se elogiar é importante para demonstrar reconhecimento por um trabalho bem realizado e faz com que as pessoas se motivem a buscar maior desenvolvimento, por que em alguns casos ele pode gerar tantos problemas?
A resposta está no alvo do elogio.
Elogiar um determinado comportamento que leva a resultados positivos é muito importante, pois reforça a necessidade de desenvolver ainda mais esse comportamento. Por outro lado, elogiar a pessoa sem fazer vínculo com um comportamento reforça a imagem de que a pessoa é boa, independente de seus comportamentos.
O elogio indiscriminado cria um sentimento de determinismo e predestinação muito perigoso. Aos poucos, a pessoa pode se convencer de que é realmente superior aos outros e passa a tratá-los como seres inferiores. Sua capacidade de auto-crítica vai se reduzindo, levando a resultados muito negativos em sua carreira profissional no longo prazo.
O pior de tudo é que as mudanças geradas pelo excesso de elogios tendem a levar essa pessoa ao extremo oposto. Seu comportamento inadequado, fruto de elogios inadequados, faz com que a avaliação de seus colegas e superiores mude rapidamente e os elogios se transformem em críticas pesadas.
Os elogios sobre a criatividade e a rapidez da pessoa são complementados com duras críticas sobre a arrogância e intolerância da pessoa. Mais uma vez, a pessoa é tomada como alvo e não seus comportamentos, o que vai criando uma imagem distorcida e irreversível.
Como é muito mais fácil aceitar elogios do que críticas, a pessoa afetada inicialmente com o excesso de elogios tende a negar as críticas recebidas. Ela entende as críticas como demonstrações de inveja e raiva de seu talento diferenciado, o que acirra ainda mais os efeitos negativos do processo.
Para reverter esse quadro é preciso mudar o paradigma. É preciso deixar de elogiar e criticar pessoas e se concentrar nos comportamentos.
Pense bem na forma como está elogiando ou criticando as pessoas com quem convive. Você pode ajudá-las a se desenvolver ou levá-las a se enganar, dependendo da forma como exerça o seu direito de elogiar ou criticar. Ao mesmo tempo, procure analisar os elogios e criticas que recebe e fazer um vínculo dos mesmos com seus comportamentos. Isso vai ajudá-lo a evitar os efeitos negativos dos elogios e criticas pessoais que porventura receber.
Se você tem comentários ou sugestões sobre esse ou outros artigos, escreva para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder seus e-mails.
Abraços,
PP
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Tocando o Coração das Pessoas
Olá,
Hoje gostaria de falar de um desejo muitas vezes oculto de quase todos os líderes: o de tocar o coração das pessoas.
Por mais duro e frio que possa parecer um executivo, acredite, existe por baixo daquela armadura um ser humano sensível e frágil como qualquer outro. Alguém que deseja ardentemente ser admirado por seus atos e que precisa de reconhecimento e amparo como qualquer outra pessoa.
Uma reclamação constante entre altos executivos é sobre a sua incapacidade de fazer com que as pessoas compreendam suas reais intenções e objetivos. Eles se ressentem de não conseguir convencer as pessoas a seguirem o caminho que julgam ser o melhor para a organização e de não conseguirem "tocar" o coração das pessoas.
O mais interessante é que esses mesmos executivos relatam já terem sido capazes de fazer isso no passado, o que os leva a sentir uma frustração ainda maior. Afinal, será que eles perderam sua capacidade de liderar e de fazer com que as pessoas se mobilizem em torno de um objetivo comum?
Minha experiência pessoal diz que a dificuldade está associada ao distanciamento natural que existe entre os líderes e liderados conforme a organização cresce. Uma coisa é liderar um punhado de pessoas, suficiente para contar com os dedos da mão, outra coisa bem diferente é liderar uma legião de dezenas, centenas ou milhares de pessoas.
"Tocar" o coração de cinco ou seis pessoas é relativamente fácil para um líder dedicado. Ele tem tempo para falar com cada um e pode garantir acesso a todos sempre que necessário. Sua proximidade com as pessoas o permite sentir como reagem a suas ações, permitindo que ele ajuste sua maneira de agir e falar, dando a ele o direito de errar e corrigir seus erros.
Conforme a organização cresce ou a carreira o leve a posições mais altas, a distância para as pesssoas aumenta. Seus defeitos e virtudes, seus erros e acertos, são amplificados ou atenuados de forma dramática, distorcendo totalmente sua imagem perante os liderados. É como se sua identidade fosse substituída pela de outra pessoa, um impostor que lhe toma a posição e passa a liderar sua organização.
A partir desse momento, o executivo inicia um processo de perda gradativa do controle da situação. Em alguns momentos é julgado como fraco e omisso, quando sua intenção era dar uma chance às pessoas. Em outros é considerado demasiado duro, quando seu objetivo era preservar o todo, mesmo que ao sacrifício de alguns. Parece que tudo o que faz é entendido de maneira contrária pelas pessoas, o que no fundo é a mais pura realidade.
A frustração de não ser entendido cresce e começa a alterar sua forma de atuar. Surge um novo líder, pior do que o antigo, normalmente mais duro e intransigente. Ele se cansa de tentar convencer as pessoas e passa a ser mais autoritário e impaciente. Seu afastamento e isolamento aumentam e a comunicação entre líder e liderados se torna praticamente inviável.
O afastamento leva a problemas de comunicação ainda maiores, que aumentam a frustração, que por sua vez faz com que o líder procure ainda mais isolamento.
O mais interessante é que a dinâmica apresentada acima não necessariamente leva a um desastre em termos de resultados. A competência individual do líder e de seus liderados e a vontade de provar serem capazes de vencer os desafios, faz com que os resultados se mantenham e, algumas vezes, até se aprimorem. As pessoas trabalham menos felizes, mas continuam a produzir e a entregar o que lhes é cobrado.
Essa aparente desconexão faz com que muitos líderes cheguem a conclusão de que o afastamento e o isolamento não sejam tão ruins assim. Alguns chegam a acreditar que essa é a forma mais sensata e madura de lidar com a organização e de que a proximidade "excessiva" que tinham no passado eram uma característica de um executivo ainda jovem, que não sabia como lidar com grandes organizações.
Não é assim que penso. Ao contrário, sou dos que acreditam que o afastamento e o isolamento do líder sempre representam uma perda para a organização. Se os resultados ainda são bons com tanta dificuldade de comunicação, como seriam se a comunicação fosse efetiva e o líder voltasse a "tocar" o coração das pessoas?
Penso que as organizações de maior sucesso, possuem uma quantidade maior de líderes que "tocam" o coração das pessoas, que não possuem vergonha de serem próximos aos liderados e que fomentam a comunicação verdadeira e franca em suas organizações. Líderes mais disponíveis são naturalmente mais verdadeiros e confiáveis, obtendo credencial para conseguirem maior esforço e dedicação das pessoas. Além disso, líderes que se sentem compreendidos sentem-se menos frustrados, ampliando seu potencial de criar e desenvolver o futuro.
Mas existe um ponto a mais a favor dos líderes que "tocam" o coração de seus liderados. Eles sentem-se mais felizes e realizados, alimentando e libertando o ser humano escondido em baixo de suas armaduras de heróis. Em última análise, sentem-se mais próximos de suas missões de vida.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.
PP
Hoje gostaria de falar de um desejo muitas vezes oculto de quase todos os líderes: o de tocar o coração das pessoas.
Por mais duro e frio que possa parecer um executivo, acredite, existe por baixo daquela armadura um ser humano sensível e frágil como qualquer outro. Alguém que deseja ardentemente ser admirado por seus atos e que precisa de reconhecimento e amparo como qualquer outra pessoa.
Uma reclamação constante entre altos executivos é sobre a sua incapacidade de fazer com que as pessoas compreendam suas reais intenções e objetivos. Eles se ressentem de não conseguir convencer as pessoas a seguirem o caminho que julgam ser o melhor para a organização e de não conseguirem "tocar" o coração das pessoas.
O mais interessante é que esses mesmos executivos relatam já terem sido capazes de fazer isso no passado, o que os leva a sentir uma frustração ainda maior. Afinal, será que eles perderam sua capacidade de liderar e de fazer com que as pessoas se mobilizem em torno de um objetivo comum?
Minha experiência pessoal diz que a dificuldade está associada ao distanciamento natural que existe entre os líderes e liderados conforme a organização cresce. Uma coisa é liderar um punhado de pessoas, suficiente para contar com os dedos da mão, outra coisa bem diferente é liderar uma legião de dezenas, centenas ou milhares de pessoas.
"Tocar" o coração de cinco ou seis pessoas é relativamente fácil para um líder dedicado. Ele tem tempo para falar com cada um e pode garantir acesso a todos sempre que necessário. Sua proximidade com as pessoas o permite sentir como reagem a suas ações, permitindo que ele ajuste sua maneira de agir e falar, dando a ele o direito de errar e corrigir seus erros.
Conforme a organização cresce ou a carreira o leve a posições mais altas, a distância para as pesssoas aumenta. Seus defeitos e virtudes, seus erros e acertos, são amplificados ou atenuados de forma dramática, distorcendo totalmente sua imagem perante os liderados. É como se sua identidade fosse substituída pela de outra pessoa, um impostor que lhe toma a posição e passa a liderar sua organização.
A partir desse momento, o executivo inicia um processo de perda gradativa do controle da situação. Em alguns momentos é julgado como fraco e omisso, quando sua intenção era dar uma chance às pessoas. Em outros é considerado demasiado duro, quando seu objetivo era preservar o todo, mesmo que ao sacrifício de alguns. Parece que tudo o que faz é entendido de maneira contrária pelas pessoas, o que no fundo é a mais pura realidade.
A frustração de não ser entendido cresce e começa a alterar sua forma de atuar. Surge um novo líder, pior do que o antigo, normalmente mais duro e intransigente. Ele se cansa de tentar convencer as pessoas e passa a ser mais autoritário e impaciente. Seu afastamento e isolamento aumentam e a comunicação entre líder e liderados se torna praticamente inviável.
O afastamento leva a problemas de comunicação ainda maiores, que aumentam a frustração, que por sua vez faz com que o líder procure ainda mais isolamento.
O mais interessante é que a dinâmica apresentada acima não necessariamente leva a um desastre em termos de resultados. A competência individual do líder e de seus liderados e a vontade de provar serem capazes de vencer os desafios, faz com que os resultados se mantenham e, algumas vezes, até se aprimorem. As pessoas trabalham menos felizes, mas continuam a produzir e a entregar o que lhes é cobrado.
Essa aparente desconexão faz com que muitos líderes cheguem a conclusão de que o afastamento e o isolamento não sejam tão ruins assim. Alguns chegam a acreditar que essa é a forma mais sensata e madura de lidar com a organização e de que a proximidade "excessiva" que tinham no passado eram uma característica de um executivo ainda jovem, que não sabia como lidar com grandes organizações.
Não é assim que penso. Ao contrário, sou dos que acreditam que o afastamento e o isolamento do líder sempre representam uma perda para a organização. Se os resultados ainda são bons com tanta dificuldade de comunicação, como seriam se a comunicação fosse efetiva e o líder voltasse a "tocar" o coração das pessoas?
Penso que as organizações de maior sucesso, possuem uma quantidade maior de líderes que "tocam" o coração das pessoas, que não possuem vergonha de serem próximos aos liderados e que fomentam a comunicação verdadeira e franca em suas organizações. Líderes mais disponíveis são naturalmente mais verdadeiros e confiáveis, obtendo credencial para conseguirem maior esforço e dedicação das pessoas. Além disso, líderes que se sentem compreendidos sentem-se menos frustrados, ampliando seu potencial de criar e desenvolver o futuro.
Mas existe um ponto a mais a favor dos líderes que "tocam" o coração de seus liderados. Eles sentem-se mais felizes e realizados, alimentando e libertando o ser humano escondido em baixo de suas armaduras de heróis. Em última análise, sentem-se mais próximos de suas missões de vida.
Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.
PP
segunda-feira, 23 de março de 2009
A Tirania dos Indicadores
Olá,
Antes de iniciar esse artigo é necessário dizer que não sou contra os processos de medição de resultados nas empresas. Ao contrário, sou daqueles que adoram identificar tendências a partir da medição de resultados e reconheço que os indicadores de desempenho são uma ferramenta extremamente útil para o acompanhamento dos resultados das empresas.
Meus problemas com os indicadores surgem quando eles passam a ser mais importantes do que a própria operação, criando grandes distorções na forma como as pessoas se comportam, o que acontece com mais frequência do que se imagina.
Por mais elaborados que sejam os indicadores de performance, não se pode medir o sucesso de uma organização olhando somente para a evolução de seus indicadores ao longo do tempo. É importante entender o que está por trás de cada variação, identificando os motivos que levaram aos resultados obtidos.
Uma empresa pode ter seu faturamento crescente sem que isso represente que seu lucro será igualmente positivo. Mesmo que seu lucro acompanhe o crescimento do faturamento, isso não significa que essa empresa possui uma estratégia sustentável e seu faturamento e lucro podem
cair rapidamente e sem explicação em um par de meses.
Não há exemplo mais atual do que a grande crise financeira que vivemos. Até meados do ano passado os grande bancos de investimento davam as cartas do mercado, definindo o valor das empresas, das commodities e de quase tudo na economia. Seus indicadores eram fantásticos e sempre crescentes, um verdadeiro exemplo de empreendedorismo, e poucos tinham a coragem de dizer que essa aparente fortaleza escondia um grande castelo de cartas.
Durante vários anos os executivos das instituições financeiras ganharam bônus inacreditáveis por fazerem com que os indicadores de performance dessas organizações batessem recordes todos os trimestres. Vários deles foram capas de importantes revistas de negócios, apresentados como os grandes gênios do mercado financeiro.
Hoje, depois que o castelo de cartas veio abaixo, ficamos sabendo como os indicadores eram manipulados de forma amoral, fazendo com que os resultados fossem inflados com negócios podres, sem qualquer chance de trazer resultados verdadeiros para as instituições.
Estavam os indicadores errados? Eram mal elaborados? Foram calculados de forma incorreta?
A verdade é que não existem indicadores perfeitos e eles estão sempre sujeitos a algum tipo de manipulação. Além disso, por mais que sejamos criativos na criação e desenvolvimento dos indicadores, nunca seremos capazer de reduzir a complexidade de uma grande organização a um punhado de indicadores. Isso é impossível, e a crise fez o favor de nos lembrar dessa impossibilidade.
Volto a afirmar que não sou contra o uso de indicadores, afinal eles são indispensáveis na gestão de uma empresa. Apenas não podemos nos esquecer de que os indicadores são gerados a partir de milhares e milhares de eventos, que podem esconder muita informação relevante, desconsiderada durante o processo de cálculo dos indicadores.
Saber analisar o que está por baixo dos indicadores pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso e deveria ser obrigação de todo executivo responsável por uma organização. Ocorre que para isso é necessário conhecer profundamente a operação da empresa e dá bastante trabalho. É preciso questionar as pessoas; ouvir explicações; desafiar as incoerências; e ter coragem de agir.
É muito mais fácil aceitar os indicadores como a única fonte de informação sobre os resultados da empresa. Se eles são ruins, as pessoas estão trabalhando de forma equivocada e mudanças devem ser realizadas. Se são bons, a estratégia está funcionando e as pessoas devem ser recompensadas.
O problema é que os indicadores podem esconder uma realidade bem diferente.
Uma empresa pode estar com seu faturamento crescente mas perdendo seus clientes mais valiosos. Seu lucro pode estar crescendo, mas as custas de uma inadimplência explosiva ou de uma queda na qualidade do serviço que irá cobrar sua conta em breve. Ao mesmo tempo, uma empresa pode ter seu faturamento e lucros reduzidos por conta de um reposicionamento de mercado que garantirá seu futuro pelos próximos dez anos.
Os grandes executivos não se curvam diante da tirania dos indicadores. Eles são críticos tanto com os resultados positivos quanto os negativos. Querem saber mais sobre cada número e entender o que está por trás de cada um dos indicadores.
Se você tiver comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
Antes de iniciar esse artigo é necessário dizer que não sou contra os processos de medição de resultados nas empresas. Ao contrário, sou daqueles que adoram identificar tendências a partir da medição de resultados e reconheço que os indicadores de desempenho são uma ferramenta extremamente útil para o acompanhamento dos resultados das empresas.
Meus problemas com os indicadores surgem quando eles passam a ser mais importantes do que a própria operação, criando grandes distorções na forma como as pessoas se comportam, o que acontece com mais frequência do que se imagina.
Por mais elaborados que sejam os indicadores de performance, não se pode medir o sucesso de uma organização olhando somente para a evolução de seus indicadores ao longo do tempo. É importante entender o que está por trás de cada variação, identificando os motivos que levaram aos resultados obtidos.
Uma empresa pode ter seu faturamento crescente sem que isso represente que seu lucro será igualmente positivo. Mesmo que seu lucro acompanhe o crescimento do faturamento, isso não significa que essa empresa possui uma estratégia sustentável e seu faturamento e lucro podem
cair rapidamente e sem explicação em um par de meses.
Não há exemplo mais atual do que a grande crise financeira que vivemos. Até meados do ano passado os grande bancos de investimento davam as cartas do mercado, definindo o valor das empresas, das commodities e de quase tudo na economia. Seus indicadores eram fantásticos e sempre crescentes, um verdadeiro exemplo de empreendedorismo, e poucos tinham a coragem de dizer que essa aparente fortaleza escondia um grande castelo de cartas.
Durante vários anos os executivos das instituições financeiras ganharam bônus inacreditáveis por fazerem com que os indicadores de performance dessas organizações batessem recordes todos os trimestres. Vários deles foram capas de importantes revistas de negócios, apresentados como os grandes gênios do mercado financeiro.
Hoje, depois que o castelo de cartas veio abaixo, ficamos sabendo como os indicadores eram manipulados de forma amoral, fazendo com que os resultados fossem inflados com negócios podres, sem qualquer chance de trazer resultados verdadeiros para as instituições.
Estavam os indicadores errados? Eram mal elaborados? Foram calculados de forma incorreta?
A verdade é que não existem indicadores perfeitos e eles estão sempre sujeitos a algum tipo de manipulação. Além disso, por mais que sejamos criativos na criação e desenvolvimento dos indicadores, nunca seremos capazer de reduzir a complexidade de uma grande organização a um punhado de indicadores. Isso é impossível, e a crise fez o favor de nos lembrar dessa impossibilidade.
Volto a afirmar que não sou contra o uso de indicadores, afinal eles são indispensáveis na gestão de uma empresa. Apenas não podemos nos esquecer de que os indicadores são gerados a partir de milhares e milhares de eventos, que podem esconder muita informação relevante, desconsiderada durante o processo de cálculo dos indicadores.
Saber analisar o que está por baixo dos indicadores pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso e deveria ser obrigação de todo executivo responsável por uma organização. Ocorre que para isso é necessário conhecer profundamente a operação da empresa e dá bastante trabalho. É preciso questionar as pessoas; ouvir explicações; desafiar as incoerências; e ter coragem de agir.
É muito mais fácil aceitar os indicadores como a única fonte de informação sobre os resultados da empresa. Se eles são ruins, as pessoas estão trabalhando de forma equivocada e mudanças devem ser realizadas. Se são bons, a estratégia está funcionando e as pessoas devem ser recompensadas.
O problema é que os indicadores podem esconder uma realidade bem diferente.
Uma empresa pode estar com seu faturamento crescente mas perdendo seus clientes mais valiosos. Seu lucro pode estar crescendo, mas as custas de uma inadimplência explosiva ou de uma queda na qualidade do serviço que irá cobrar sua conta em breve. Ao mesmo tempo, uma empresa pode ter seu faturamento e lucros reduzidos por conta de um reposicionamento de mercado que garantirá seu futuro pelos próximos dez anos.
Os grandes executivos não se curvam diante da tirania dos indicadores. Eles são críticos tanto com os resultados positivos quanto os negativos. Querem saber mais sobre cada número e entender o que está por trás de cada um dos indicadores.
Se você tiver comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
quarta-feira, 18 de março de 2009
Pensamento Positivo
Olá,
Outro dia um de meus sócios apresentou um texto que falava sobre um treinamento diferente para quem pretende participar de uma prova de ciclismo. Em vez de propor horas adicionais de pedalada ou algum programa de condicionamento físico, sua proposta era treinar seu cérebro a somente pensar somente em coisas positivas por uma semana.
Pode parecer uma bobagem achar que o pensamento positivo é capaz de influenciar no desempenho de um atleta ou de um profissional, mas a verdade é que pensar positivo faz toda a diferença e existem inúmeros exemplos que comprovam essa afirmação.
Observe a sua volta e pense em pessoas que você admira por suas realizações. Provavelmente são pessoas orientadas ao pensamento positivo, que acreditam que as coisas boas vão acontecer e que conseguem encontrar aspectos positivos mesmo nas situações mais adversas. O hábito de pensar de maneira positiva faz com que essas pessoas construam imagens de sucesso em suas mentes, que trabalham no sentido de torná-las realidade.
O homem é o reflexo de seus pensamentos. Sua realidade é construída nos porões de
sua mente a partir dos pensamentos que produz diariamente. Se ele tem o hábito de pensar positivamente, coisas positivas tendem a ocorrer com mais frequência. Ao contrário, se sua atitude perante a vida dispara pensamentos negativos, o resultado são inúmeros eventos negativos.
Quando pensamos positivo construímos imagens de sucesso em nossas mentes, que ajudam a buscar caminhos que nos levem aos nossos objetivos. Imaginar o sucesso em detalhes funciona como pavimentar uma estrada do final para o início. A partir da imagem de sucesso criada em nossas mentes, disparamos um processo de desconstrução dos caminhos que nos levariam a ele e as ações que precisam ser feitas para alcançá-lo.
Alguém poderia dizer que pensar não é suficiente. É verdade, não é. Mas é o ato de pensar positivamente que nos abre as portas das possibilidades e da criatividade. É a maneira mais eficaz de identificar as ações que uma vez tomadas irão aproximar-nos de nossos sonhos. O pensamento nos apresenta as possibilidades e nos faz sentir vontade de agir. O resto é consequência.
Um passo após o outro, vamos em direção a nossos sonhos. Se continuamos acreditando em nossa imagem de sucesso, novas ideias surgem e somos impelidos a continuar na direção estabelecida. Se, ao contrário, passamos a duvidar, nosso foco é desviado para os problemas e dificuldades, que passam a dominar o cenário, atrasando nossa jornada.
Pessoas que funcionam mais tempo no modo positivo, se movimentam mais rapidamente em direção a seus sonhos. As que dedicam mais tempo ao modo negativo de pensar, se afastam de seus sonhos e se aproximam de pesadelos. Afinal, como foi dito no início, somos o reflexo de nosso pensamento.
Se você pretende realmente ter sucesso, seja na vida pessoal ou profissional, procure pensar de maneira positiva. Não deixe que as dificuldades o façam criar novas dificuldades. Tente transformá-las em oportunidades e em aprendizado. Acredite na sua capacidade de enfrentar os obstáculos e, acima de tudo, visualize-se em situações de sucesso sempre que possível.
Se você possui comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler seus comentários.
PP
Outro dia um de meus sócios apresentou um texto que falava sobre um treinamento diferente para quem pretende participar de uma prova de ciclismo. Em vez de propor horas adicionais de pedalada ou algum programa de condicionamento físico, sua proposta era treinar seu cérebro a somente pensar somente em coisas positivas por uma semana.
Pode parecer uma bobagem achar que o pensamento positivo é capaz de influenciar no desempenho de um atleta ou de um profissional, mas a verdade é que pensar positivo faz toda a diferença e existem inúmeros exemplos que comprovam essa afirmação.
Observe a sua volta e pense em pessoas que você admira por suas realizações. Provavelmente são pessoas orientadas ao pensamento positivo, que acreditam que as coisas boas vão acontecer e que conseguem encontrar aspectos positivos mesmo nas situações mais adversas. O hábito de pensar de maneira positiva faz com que essas pessoas construam imagens de sucesso em suas mentes, que trabalham no sentido de torná-las realidade.
O homem é o reflexo de seus pensamentos. Sua realidade é construída nos porões de
sua mente a partir dos pensamentos que produz diariamente. Se ele tem o hábito de pensar positivamente, coisas positivas tendem a ocorrer com mais frequência. Ao contrário, se sua atitude perante a vida dispara pensamentos negativos, o resultado são inúmeros eventos negativos.
Quando pensamos positivo construímos imagens de sucesso em nossas mentes, que ajudam a buscar caminhos que nos levem aos nossos objetivos. Imaginar o sucesso em detalhes funciona como pavimentar uma estrada do final para o início. A partir da imagem de sucesso criada em nossas mentes, disparamos um processo de desconstrução dos caminhos que nos levariam a ele e as ações que precisam ser feitas para alcançá-lo.
Alguém poderia dizer que pensar não é suficiente. É verdade, não é. Mas é o ato de pensar positivamente que nos abre as portas das possibilidades e da criatividade. É a maneira mais eficaz de identificar as ações que uma vez tomadas irão aproximar-nos de nossos sonhos. O pensamento nos apresenta as possibilidades e nos faz sentir vontade de agir. O resto é consequência.
Um passo após o outro, vamos em direção a nossos sonhos. Se continuamos acreditando em nossa imagem de sucesso, novas ideias surgem e somos impelidos a continuar na direção estabelecida. Se, ao contrário, passamos a duvidar, nosso foco é desviado para os problemas e dificuldades, que passam a dominar o cenário, atrasando nossa jornada.
Pessoas que funcionam mais tempo no modo positivo, se movimentam mais rapidamente em direção a seus sonhos. As que dedicam mais tempo ao modo negativo de pensar, se afastam de seus sonhos e se aproximam de pesadelos. Afinal, como foi dito no início, somos o reflexo de nosso pensamento.
Se você pretende realmente ter sucesso, seja na vida pessoal ou profissional, procure pensar de maneira positiva. Não deixe que as dificuldades o façam criar novas dificuldades. Tente transformá-las em oportunidades e em aprendizado. Acredite na sua capacidade de enfrentar os obstáculos e, acima de tudo, visualize-se em situações de sucesso sempre que possível.
Se você possui comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler seus comentários.
PP
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Semear é uma Opção, mas a Colheita é Obrigatória.
Olá,
Quando fiz meu MBA, tive a oportunidade de receber algumas aulas de Gestão de Saúde que me ajudaram muito ao longo dos anos. O professor, um cara muito simpático e que transpirava saúde, enfrentava aquele grupo de executivos com idades variando entre 25 e 45 anos e nos alertava para as consequências da vida estressada e sedentária da maioria de nós.
O processo iniciava com uma caminhada pela manhã. Nos encontrávamos às 6:30H da manhã, fazíamos 15 minutos de alongamento, 45 minutos de caminhada e mais 15 minutos de alongamento ao final. Durante todo o trajeto, nosso mestre falava sobre a importância do exercício físico para saúde e de como sua prática era capaz de dar mais equilíbrio e produtividade aos executivos.
Ao longo do dia, nos intervalos das aulas tradicionais como finanças e economia, lá vinha ele novamente com suas mensagens de sabedoria e mais técnicas de relaxamento ou exercícios laborais. Essas sessões duravam entre 5 e 10 minutos e a colaboração da turma variava de pessoa para pessoa. Alguns, como eu, seguiam rigorosamente suas orientações, outros caçoavam e faziam pouco daquele trabalho.
Em geral, as pessoas que se encontravam pela manhã para a caminhada eram mais aplicadas do que as que constantemente faltavam a esse compromisso diário. Outra observação interessante era o fato dos mais jovens serem menos interessados nas aulas do que os mais velhos.
Apesar de visivelmente incomodado pelo comportamento inadequado de alguns, o professor mantinha a calma e o foco em sua missão. Não se abalava nenhum minuto e continuava a orientar aos que se dispunham a seguí-lo. Sua única reação aos que se recusavam a praticar os exercícios era a repetição da frase: "Semear é uma opção, mas a colheita é obrigatória."
Ao final do dia, nos encontrávamos novamente para uma sessão de alongamento e relaxamento. Por cerca de 30 minutos tínhamos a oportunidade de refletir um pouco sobre como tinha sido nosso dia de trabalho e de perceber nossos próprios corpos.
A rotina era repetida todos os dias de uma semana completa, período em que ficávamos no campus da fundação, e posso dizer que me ajudaram a reformar a maneira como encarava o trabalho e os compromissos do dia a dia. Foi naquelas sessões que aprendi que cuidar da saúde era obrigação de todo executivo que ocupa posição de liderança e que a maioria dos executivos de sucesso cuidam de sua própria saúde.
Quase 5 anos após o término de meu MBA, ainda lembro com prazer das caminhadas e das sessões de relaxamento que tive a oportunidade de fazer durante aqueles dias. Aos poucos fui incorporando em minha vida mais tempo para cuidar da saúde e para me exercitar e, posso afirmar, as coisas só melhoraram.
Se você estiver sentindo sua saúde deteriorar ao longo dos anos, lembre-se da frase de meu professor e pense que tipo de sementes está plantando para o futuro. Afinal, semear é uma opção mas a colheita é obrigatória.
Abraços,
PP
Quando fiz meu MBA, tive a oportunidade de receber algumas aulas de Gestão de Saúde que me ajudaram muito ao longo dos anos. O professor, um cara muito simpático e que transpirava saúde, enfrentava aquele grupo de executivos com idades variando entre 25 e 45 anos e nos alertava para as consequências da vida estressada e sedentária da maioria de nós.
O processo iniciava com uma caminhada pela manhã. Nos encontrávamos às 6:30H da manhã, fazíamos 15 minutos de alongamento, 45 minutos de caminhada e mais 15 minutos de alongamento ao final. Durante todo o trajeto, nosso mestre falava sobre a importância do exercício físico para saúde e de como sua prática era capaz de dar mais equilíbrio e produtividade aos executivos.
Ao longo do dia, nos intervalos das aulas tradicionais como finanças e economia, lá vinha ele novamente com suas mensagens de sabedoria e mais técnicas de relaxamento ou exercícios laborais. Essas sessões duravam entre 5 e 10 minutos e a colaboração da turma variava de pessoa para pessoa. Alguns, como eu, seguiam rigorosamente suas orientações, outros caçoavam e faziam pouco daquele trabalho.
Em geral, as pessoas que se encontravam pela manhã para a caminhada eram mais aplicadas do que as que constantemente faltavam a esse compromisso diário. Outra observação interessante era o fato dos mais jovens serem menos interessados nas aulas do que os mais velhos.
Apesar de visivelmente incomodado pelo comportamento inadequado de alguns, o professor mantinha a calma e o foco em sua missão. Não se abalava nenhum minuto e continuava a orientar aos que se dispunham a seguí-lo. Sua única reação aos que se recusavam a praticar os exercícios era a repetição da frase: "Semear é uma opção, mas a colheita é obrigatória."
Ao final do dia, nos encontrávamos novamente para uma sessão de alongamento e relaxamento. Por cerca de 30 minutos tínhamos a oportunidade de refletir um pouco sobre como tinha sido nosso dia de trabalho e de perceber nossos próprios corpos.
A rotina era repetida todos os dias de uma semana completa, período em que ficávamos no campus da fundação, e posso dizer que me ajudaram a reformar a maneira como encarava o trabalho e os compromissos do dia a dia. Foi naquelas sessões que aprendi que cuidar da saúde era obrigação de todo executivo que ocupa posição de liderança e que a maioria dos executivos de sucesso cuidam de sua própria saúde.
Quase 5 anos após o término de meu MBA, ainda lembro com prazer das caminhadas e das sessões de relaxamento que tive a oportunidade de fazer durante aqueles dias. Aos poucos fui incorporando em minha vida mais tempo para cuidar da saúde e para me exercitar e, posso afirmar, as coisas só melhoraram.
Se você estiver sentindo sua saúde deteriorar ao longo dos anos, lembre-se da frase de meu professor e pense que tipo de sementes está plantando para o futuro. Afinal, semear é uma opção mas a colheita é obrigatória.
Abraços,
PP
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
A história dos Sapinhos
Olá,
Já faz alguns anos recebi de um amigo uma história que fala sobre os perigos de sermos influenciados com a visão pessimista de algumas pessoas. Nesse momento em que ouvimos de todas as partes notícias sobre a crise econômica e financeira e de como essa pode ser a pior de todas as crises, desde a depressão de 1930, resolvi compartilhar com vocês essa ingênua, mas muito profunda, historinha.
========
OS SAPINHOS
Era uma vez, uma corrida de sapinhos.
O objetivo era atingir o alto de uma grande torre.
Havia no local uma multidão assistindo. Muita gente para vibrar e torcer por eles.
Começou a competição.
Mas como a multidão não acreditava que os sapinhos pudessem alcançar o alto daquela torre, o que mais se ouvia era:
“Que pena !!! Esses sapinhos não vão conseguir. Não vão conseguir.”
E os sapinhos começaram a desistir.
Mas havia um que persistia e continuava a subida, em busca do topo.
A multidão continuava gritando: “Que pena !!! Vocês não vão conseguir.”
E os sapinhos estavam mesmo desistindo um por um, menos aquele sapinho que continuava tranquilo, embora arfante.
Ao final da competição, todos desistiram, menos ele.
A curiosidade tomou conta de todos. Queriam saber o que tinha acontecido.
E assim, quando foram perguntar ao sapinho como ele havia conseguido concluir a prova, descobriram que ele era surdo.
========
Vale a reflexão sobre o tema. Especialmente nos momentos mais difíceis, é comum que tenhamos nossas convicções e auto-confiança abaladas. Nesse momento, ficamos mais vulneráveis às opiniões das outras pessoas e é aí que mora o perigo.
Se nos deixarmos levar pelas milhares de vozes que anunciam o fim do mundo, entramos em depressão e ficamos paralisados, a espera do pior. Nesses momentos, os "surdos" levam vantagem pois conseguem se manter mais próximos de suas próprias intuições.
Não quero defender aqui a posição de que não devemos ouvir as pessoas que estão a nossa volta. Isso também seria perigoso e um erro a longo prazo. Minha mensagem é mais no sentido de que lutemos para manter nossos ouvidos atentos a nossas convicções e a nossa própria percepção do ambiente. Além disso, independente de quais sejam suas percepções ou as opiniões dos outros, é preciso sempre acreditar que é possível e que podemos vencer os obstáculos que temos pela frente.
Em tempos de crise, está provado, os pessimistas se escondem e se igual à média. Em outras palavras, se tornam medíocres (não se choque, a palavra medíocre quer dizer ficar na média). Já os otimistas, deixam as preocupações de lado e focam nas oportunidades, um grande passo para o sucesso.
Se você tiver histórias como a dos sapinhos e quiser compartilhá-as, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei grande prazer em publicá-las.
Já faz alguns anos recebi de um amigo uma história que fala sobre os perigos de sermos influenciados com a visão pessimista de algumas pessoas. Nesse momento em que ouvimos de todas as partes notícias sobre a crise econômica e financeira e de como essa pode ser a pior de todas as crises, desde a depressão de 1930, resolvi compartilhar com vocês essa ingênua, mas muito profunda, historinha.
========
OS SAPINHOS
Era uma vez, uma corrida de sapinhos.
O objetivo era atingir o alto de uma grande torre.
Havia no local uma multidão assistindo. Muita gente para vibrar e torcer por eles.
Começou a competição.
Mas como a multidão não acreditava que os sapinhos pudessem alcançar o alto daquela torre, o que mais se ouvia era:
“Que pena !!! Esses sapinhos não vão conseguir. Não vão conseguir.”
E os sapinhos começaram a desistir.
Mas havia um que persistia e continuava a subida, em busca do topo.
A multidão continuava gritando: “Que pena !!! Vocês não vão conseguir.”
E os sapinhos estavam mesmo desistindo um por um, menos aquele sapinho que continuava tranquilo, embora arfante.
Ao final da competição, todos desistiram, menos ele.
A curiosidade tomou conta de todos. Queriam saber o que tinha acontecido.
E assim, quando foram perguntar ao sapinho como ele havia conseguido concluir a prova, descobriram que ele era surdo.
========
Vale a reflexão sobre o tema. Especialmente nos momentos mais difíceis, é comum que tenhamos nossas convicções e auto-confiança abaladas. Nesse momento, ficamos mais vulneráveis às opiniões das outras pessoas e é aí que mora o perigo.
Se nos deixarmos levar pelas milhares de vozes que anunciam o fim do mundo, entramos em depressão e ficamos paralisados, a espera do pior. Nesses momentos, os "surdos" levam vantagem pois conseguem se manter mais próximos de suas próprias intuições.
Não quero defender aqui a posição de que não devemos ouvir as pessoas que estão a nossa volta. Isso também seria perigoso e um erro a longo prazo. Minha mensagem é mais no sentido de que lutemos para manter nossos ouvidos atentos a nossas convicções e a nossa própria percepção do ambiente. Além disso, independente de quais sejam suas percepções ou as opiniões dos outros, é preciso sempre acreditar que é possível e que podemos vencer os obstáculos que temos pela frente.
Em tempos de crise, está provado, os pessimistas se escondem e se igual à média. Em outras palavras, se tornam medíocres (não se choque, a palavra medíocre quer dizer ficar na média). Já os otimistas, deixam as preocupações de lado e focam nas oportunidades, um grande passo para o sucesso.
Se você tiver histórias como a dos sapinhos e quiser compartilhá-as, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei grande prazer em publicá-las.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
A Importância de Confiar nas Pessoas
Olá,
Pare uns minutos e reflita sobre quantas vezes durante a última semana você desconfiou das pessoas com quem convive diariamente. Vale qualquer desconfiança, desde a incerteza sobre a capacidade de um funcionário de fazer a tarefa solicitada, até a dúvida sobre seu filho ter realmente escovado os dentes depois de jantar.
Refletiu? E aí, qual foi a sua conclusão?
Com um pouco de esforço e sinceridade consigo mesmo, a maioria dos executivos chega a uma conclusão incômoda. Desconfiamos das pessoas com muito mais frequência do que gostaríamos de assumir.
Mas por que é assim?
Desconfiar que algo pode dar errado é uma técnica razoavelmente eficiente de antecipar problemas e buscar alternativas para contorná-los ou evitá-los. Também é uma forma de evitar grandes frustrações. Afinal, se já sabemos que não é possível confiar cem por cento em alguém, ficamos menos frustrados quando constatamos que tínhamos a razão.
A capacidade de antecipar e evitar problemas assim como a de enfrentar as frustrações do dia a dia são altamente valorizadas no mundo corporativo, o que reforça o comportamento da desconfiança sobre a capacidade/intenção das outras pessoas.
Mas existem custos com esse tipo de comportamento que devem ser levados em consideração. Primeiramente, a maioria das pessoas nota quando não confiamos nelas, o que as desmotiva e fragiliza a relação de confiança conosco. Além disso, a desconfiança nos leva para um modo negativo de pensar, que possui foco no problema e não na solução, nos deixando menos criativos e ousados, mais orientados ao gerenciamento de crises do que a construção de sonhos.
Controlar o estímulo quase automático de não confiar nas pessoas é uma tarefa difícil, muitas vezes impossível no dia a dia profissional. No entanto, a experiência prática mostra que os líderes que operam mais tempo no modo de confiança, são mais admirados e entregam resultados de longo prazo melhores para suas organizações.
Confiar nas pessoas não significa se iludir e acreditar que elas são capazes de qualquer coisa, independentemente do ambiente em que se encontram. Ao contrário, significa conhecê-las mais a fundo, entender suas limitações e virtudes, ajudando-as a evidenciar o que possuem de bom e a desenvolver suas habilidades menos evidentes.
Confiar nas pessoas significa acreditar que na essência todos possuem valor e que os comportamentos podem e devem ser separados das pessoas. Não há nenhum problema em criticar um comportamento quando ele prejudica a organização, mas deve-se ter o cuidado de separar a pessoa do comportamento sob o risco de rotular a pessoa.
Rotular pessoas como mentirosas, preguiçosas ou incompetentes é o primeiro passo para a desconfiança. Como posso confiar em algo que uma pessoa mentirosa me diz; como confiar que um preguiçoso se esforce em determinada tarefa; ou que um incompetente seja capaz de executar uma tarefa difícil.
O primeiro passo para confiar nas pessoas é retirar os rótulos que sem querer colocamos nelas. É difícil, mas precisa ser feito.
Comportamentos são muito dependentes de fatores externos e circunstanciais. Uma pessoa tranquila e controlada é capaz de agir de maneira extremamente agressiva para defender sua própria vida ou de um ente querido. Pessoas extremamente agressivas no ambiente familiar podem se comportar de maneira agradável em ambientes profissionais e vice-versa. Um bom gerente em determinada empresa pode ser um grande fracasso em outra organização.
Quando separamos o comportamento das pessoas, somos capazes de pensar nas ações que podem levar a modificar esse comportamento ou a torná-lo menos frequente. Podemos discutir mais abertamente os problemas, sem medo de magoar as pessoas, de forma mais construtiva e objetiva.
Quando confiamos nas pessoas, separando sua essência de seus comportamentos, transformamos impossibilidades em oportunidades. Uma pessoa de mau caráter não merece confiança, mas alguém que roubou por desespero merece uma segunda chance. Um idiota não pode liderar um projeto, mas alguém que falhou por não estar preparado para determinada tarefa pode ser treinado e se tornar um grande líder de projeto.
Confiar nas pessoas é fundamental para a construção de longo prazo de uma organização. Pense nisso e procure treinar seu comportamento perante essa realidade. Sempre que sentir que está rotulando alguém, lembre-se que as pessoas são boas em essência e que comportamentos podem e devem ser mudados. Acredite nas pessoas, sempre, e critique os comportamentos, quando necessário.
Se você tiver comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
Pare uns minutos e reflita sobre quantas vezes durante a última semana você desconfiou das pessoas com quem convive diariamente. Vale qualquer desconfiança, desde a incerteza sobre a capacidade de um funcionário de fazer a tarefa solicitada, até a dúvida sobre seu filho ter realmente escovado os dentes depois de jantar.
Refletiu? E aí, qual foi a sua conclusão?
Com um pouco de esforço e sinceridade consigo mesmo, a maioria dos executivos chega a uma conclusão incômoda. Desconfiamos das pessoas com muito mais frequência do que gostaríamos de assumir.
Mas por que é assim?
Desconfiar que algo pode dar errado é uma técnica razoavelmente eficiente de antecipar problemas e buscar alternativas para contorná-los ou evitá-los. Também é uma forma de evitar grandes frustrações. Afinal, se já sabemos que não é possível confiar cem por cento em alguém, ficamos menos frustrados quando constatamos que tínhamos a razão.
A capacidade de antecipar e evitar problemas assim como a de enfrentar as frustrações do dia a dia são altamente valorizadas no mundo corporativo, o que reforça o comportamento da desconfiança sobre a capacidade/intenção das outras pessoas.
Mas existem custos com esse tipo de comportamento que devem ser levados em consideração. Primeiramente, a maioria das pessoas nota quando não confiamos nelas, o que as desmotiva e fragiliza a relação de confiança conosco. Além disso, a desconfiança nos leva para um modo negativo de pensar, que possui foco no problema e não na solução, nos deixando menos criativos e ousados, mais orientados ao gerenciamento de crises do que a construção de sonhos.
Controlar o estímulo quase automático de não confiar nas pessoas é uma tarefa difícil, muitas vezes impossível no dia a dia profissional. No entanto, a experiência prática mostra que os líderes que operam mais tempo no modo de confiança, são mais admirados e entregam resultados de longo prazo melhores para suas organizações.
Confiar nas pessoas não significa se iludir e acreditar que elas são capazes de qualquer coisa, independentemente do ambiente em que se encontram. Ao contrário, significa conhecê-las mais a fundo, entender suas limitações e virtudes, ajudando-as a evidenciar o que possuem de bom e a desenvolver suas habilidades menos evidentes.
Confiar nas pessoas significa acreditar que na essência todos possuem valor e que os comportamentos podem e devem ser separados das pessoas. Não há nenhum problema em criticar um comportamento quando ele prejudica a organização, mas deve-se ter o cuidado de separar a pessoa do comportamento sob o risco de rotular a pessoa.
Rotular pessoas como mentirosas, preguiçosas ou incompetentes é o primeiro passo para a desconfiança. Como posso confiar em algo que uma pessoa mentirosa me diz; como confiar que um preguiçoso se esforce em determinada tarefa; ou que um incompetente seja capaz de executar uma tarefa difícil.
O primeiro passo para confiar nas pessoas é retirar os rótulos que sem querer colocamos nelas. É difícil, mas precisa ser feito.
Comportamentos são muito dependentes de fatores externos e circunstanciais. Uma pessoa tranquila e controlada é capaz de agir de maneira extremamente agressiva para defender sua própria vida ou de um ente querido. Pessoas extremamente agressivas no ambiente familiar podem se comportar de maneira agradável em ambientes profissionais e vice-versa. Um bom gerente em determinada empresa pode ser um grande fracasso em outra organização.
Quando separamos o comportamento das pessoas, somos capazes de pensar nas ações que podem levar a modificar esse comportamento ou a torná-lo menos frequente. Podemos discutir mais abertamente os problemas, sem medo de magoar as pessoas, de forma mais construtiva e objetiva.
Quando confiamos nas pessoas, separando sua essência de seus comportamentos, transformamos impossibilidades em oportunidades. Uma pessoa de mau caráter não merece confiança, mas alguém que roubou por desespero merece uma segunda chance. Um idiota não pode liderar um projeto, mas alguém que falhou por não estar preparado para determinada tarefa pode ser treinado e se tornar um grande líder de projeto.
Confiar nas pessoas é fundamental para a construção de longo prazo de uma organização. Pense nisso e procure treinar seu comportamento perante essa realidade. Sempre que sentir que está rotulando alguém, lembre-se que as pessoas são boas em essência e que comportamentos podem e devem ser mudados. Acredite nas pessoas, sempre, e critique os comportamentos, quando necessário.
Se você tiver comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Pequenas Empresas, Grandes Oportunidades
Olá,
Não adianta negar. Diante de duas oportunidades de emprego, a primeira em uma grande multinacional e a segunda em uma pequena empresa local, a maioria dos executivos opta pela aparente segurança e poder da organização maior.
Mas será que as maiores oportunidades estão realmente nas grandes empresas? Quais as principais diferenças entre trabalhar para uma organização mundial de grande porte e uma empresa local pequena ou média?
Durante minha vida trabalhei em diversas empresas com tamanhos e origens diferentes. Também tive a oportunidade de conversar com outros executivos de vários setores, cada um com experiências variadas.
Foi a partir dessa coletânea de vivências, que cheguei ao resumo abaixo sobre as principais diferenças entre as grandes multinacionais e as empresas pequenas e médias locais. Não se trata de um estudo científico, nem tem o objetivo de ser 100% preciso, mas pode ajudar a pensar sobre que caminho você pretende dar a sua carreira quando as oportunidades surgirem.
Flexibilidade:
Grandes Empresas - Grandes empresas não são conhecidas por sua flexibilidade. Ao contrário, se sua intenção é trabalhar em uma grande multinacional, prepare-se para enfrentar centenas de processos pré-definidos e regras que mesmo parecendo estranhas devem ser seguidas a risca.
Pequenas Empresas - Em geral pequenas e médias empresas são mais flexíveis. Seus processos são mais recentes e menos detalhados, o que permite maior flexibilidade no dia a dia.
Autonomia:
Grandes Empresas - Você está preparado para pedir autorização a dezenas de pessoas para cada decisão que toma? Pois essa é a realidade da maioria das grandes organizações. O gigantismo exige maior grau de controle e a melhor maneira de evitar desastres é obrigar que várias pessoas se envolvam nas decisões mais importantes. O processo de tomada de decisões em grandes empresas é complexo e exige muita habilidade política. É preciso convencer a seus pares, seus superiores e, em muitos casos, até a seus subordinados, antes de ir em frente com alguma ideia nova.
Pequenas Empresas - Quando administradas por pessoas bem preparadas, pequenas empresas são um convite ao empreendedor. Existe espaço amplo para criar e a autonomia é quase sem limites. Mas aqui vale uma observação. Pequenas empresas administradas por pessoas centralizadoras podem significar menos autonomia do que em grandes organizações. O motivo é simples: É mais fácil convencer dezenas de executivos de uma grande empresa do que um dono cabeça dura e centralizador.
Segurança:
Grandes Empresas - Talvez esse seja o maior o choque para quem não conhece esse tipo de empresa. A segurança de emprego em uma multinacional é equivalente a de uma grande cidade violenta, quase nenhuma, principalmente quando trabalhamos fora do país sede. O executivo de uma grande empresa está sempre em cheque. A cada ano, quando nos aproximamos do quarto trimestre fiscal, a dança das cadeiras começa e sempre tem alguém que sobra.
Pequenas Empresas - A pequena empresa costuma levar a sério a afirmação de que as pessoas são o seu maior patrimônio. Ela sabe que perder alguém pode significar perder clientes e conhecimento e procura manter seu quadro de funcionários mais estável. As pessoas se conhecem mais e existe maior grau de compromisso com o time.
Benefícios Indiretos
Grandes Empresas - A lista de benefícios indiretos oferecida por grandes empresas multinacionais impressiona. Além dos tradicionais, a oportunidade de viajar para outros países e os agressivos planos de bonificação por resultados saltam aos olhos dos executivos mais arrojados. As grandes multinacionais sabem encantar os executivos e suas famílias com o glamour de sua grandeza e o fazem com grandes festas e convenções, prêmios anuais tentadores e viagens inesquecíveis para aqueles que vencem os jogos de competição criados por elas.
Pequenas Empresas - Prepare-se para uma lista bem mais modesta de benefícios. Você pode até ganhar um bom dinheiro, mas será preciso demonstrar de verdade que sua participação trouxe prosperidade para a organização. A não ser em empresas que lidam com o mercado externo, viagens a outros países serão raras e as festas e convenções muito mais comedidas e controladas.
Ambiente de Trabalho
Grandes Empresas - O ambiente de trabalho em uma grande empresa é variado e depende muito da liderança de cada grupo. É impressionante ver que grupos diferentes possuem humor totalmente diferente em uma mesma empresa. Existe um padrão geral, que também varia muito de empresa para empresa, mas o grupo mais próximo domina o padrão de relacionamento de um time. Se você quer saber como será seu ambiente de trabalho, conheça seu futuro chefe e terá uma boa ideia de como será.
Pequenas Empresas - O ambiente de trabalho de uma empresa pequena é muito dependente do perfil do dono. Sua presença é em geral muito marcante e não há chefe imediato que consiga neutralizar sua influência. Para saber como será o ambiente de trabalho em uma empresa menor, recomendo que você procure saber como é o jeito de trabalhar do dono e qual o seu grau de interferência no dia a dia. Conhecer o estilo de chefe imediato também é importante, mas não suficiente.
Se você tem comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
Não adianta negar. Diante de duas oportunidades de emprego, a primeira em uma grande multinacional e a segunda em uma pequena empresa local, a maioria dos executivos opta pela aparente segurança e poder da organização maior.
Mas será que as maiores oportunidades estão realmente nas grandes empresas? Quais as principais diferenças entre trabalhar para uma organização mundial de grande porte e uma empresa local pequena ou média?
Durante minha vida trabalhei em diversas empresas com tamanhos e origens diferentes. Também tive a oportunidade de conversar com outros executivos de vários setores, cada um com experiências variadas.
Foi a partir dessa coletânea de vivências, que cheguei ao resumo abaixo sobre as principais diferenças entre as grandes multinacionais e as empresas pequenas e médias locais. Não se trata de um estudo científico, nem tem o objetivo de ser 100% preciso, mas pode ajudar a pensar sobre que caminho você pretende dar a sua carreira quando as oportunidades surgirem.
Flexibilidade:
Grandes Empresas - Grandes empresas não são conhecidas por sua flexibilidade. Ao contrário, se sua intenção é trabalhar em uma grande multinacional, prepare-se para enfrentar centenas de processos pré-definidos e regras que mesmo parecendo estranhas devem ser seguidas a risca.
Pequenas Empresas - Em geral pequenas e médias empresas são mais flexíveis. Seus processos são mais recentes e menos detalhados, o que permite maior flexibilidade no dia a dia.
Autonomia:
Grandes Empresas - Você está preparado para pedir autorização a dezenas de pessoas para cada decisão que toma? Pois essa é a realidade da maioria das grandes organizações. O gigantismo exige maior grau de controle e a melhor maneira de evitar desastres é obrigar que várias pessoas se envolvam nas decisões mais importantes. O processo de tomada de decisões em grandes empresas é complexo e exige muita habilidade política. É preciso convencer a seus pares, seus superiores e, em muitos casos, até a seus subordinados, antes de ir em frente com alguma ideia nova.
Pequenas Empresas - Quando administradas por pessoas bem preparadas, pequenas empresas são um convite ao empreendedor. Existe espaço amplo para criar e a autonomia é quase sem limites. Mas aqui vale uma observação. Pequenas empresas administradas por pessoas centralizadoras podem significar menos autonomia do que em grandes organizações. O motivo é simples: É mais fácil convencer dezenas de executivos de uma grande empresa do que um dono cabeça dura e centralizador.
Segurança:
Grandes Empresas - Talvez esse seja o maior o choque para quem não conhece esse tipo de empresa. A segurança de emprego em uma multinacional é equivalente a de uma grande cidade violenta, quase nenhuma, principalmente quando trabalhamos fora do país sede. O executivo de uma grande empresa está sempre em cheque. A cada ano, quando nos aproximamos do quarto trimestre fiscal, a dança das cadeiras começa e sempre tem alguém que sobra.
Pequenas Empresas - A pequena empresa costuma levar a sério a afirmação de que as pessoas são o seu maior patrimônio. Ela sabe que perder alguém pode significar perder clientes e conhecimento e procura manter seu quadro de funcionários mais estável. As pessoas se conhecem mais e existe maior grau de compromisso com o time.
Benefícios Indiretos
Grandes Empresas - A lista de benefícios indiretos oferecida por grandes empresas multinacionais impressiona. Além dos tradicionais, a oportunidade de viajar para outros países e os agressivos planos de bonificação por resultados saltam aos olhos dos executivos mais arrojados. As grandes multinacionais sabem encantar os executivos e suas famílias com o glamour de sua grandeza e o fazem com grandes festas e convenções, prêmios anuais tentadores e viagens inesquecíveis para aqueles que vencem os jogos de competição criados por elas.
Pequenas Empresas - Prepare-se para uma lista bem mais modesta de benefícios. Você pode até ganhar um bom dinheiro, mas será preciso demonstrar de verdade que sua participação trouxe prosperidade para a organização. A não ser em empresas que lidam com o mercado externo, viagens a outros países serão raras e as festas e convenções muito mais comedidas e controladas.
Ambiente de Trabalho
Grandes Empresas - O ambiente de trabalho em uma grande empresa é variado e depende muito da liderança de cada grupo. É impressionante ver que grupos diferentes possuem humor totalmente diferente em uma mesma empresa. Existe um padrão geral, que também varia muito de empresa para empresa, mas o grupo mais próximo domina o padrão de relacionamento de um time. Se você quer saber como será seu ambiente de trabalho, conheça seu futuro chefe e terá uma boa ideia de como será.
Pequenas Empresas - O ambiente de trabalho de uma empresa pequena é muito dependente do perfil do dono. Sua presença é em geral muito marcante e não há chefe imediato que consiga neutralizar sua influência. Para saber como será o ambiente de trabalho em uma empresa menor, recomendo que você procure saber como é o jeito de trabalhar do dono e qual o seu grau de interferência no dia a dia. Conhecer o estilo de chefe imediato também é importante, mas não suficiente.
Se você tem comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
A Mediocridade da Busca pela Razão
Olá,
Outro dia ouvi uma frase que me fez refletir sobre a força com que defendo meus pontos de vista em algumas ocasiões. Ela dizia mais ou menos o seguinte: Querer ter sempre razão é uma grande prova de mediocridade.
Sendo uma pessoa muito incisiva e que defende seus pontos de vista com força e um arsenal de argumentos, por uns momentos me senti a beira do rótulo de medíocre. Instintivamente procurei negar o conteúdo da frase, buscando situações que pudessem negar afirmação tão especialmente incômoda para quem está acostumado a buscar sempre ter razão nas discussões.
Minha busca foi infrutífera. A cada tentativa de argumento, mais me convencia de que realmente querer ter razão em nada ajuda no processo de buscar soluções ou acordos. Ao contrário, aumenta substancialmente o risco de que mudanças ocorram e de que bons acordos se concretizem.
Mas o que a busca pela razão tem a ver com a mediocridade? Não seriam as pessoas que possuem a razão na maioria dos casos mais inteligentes e conhecedoras do que as outras?
Depois de alguma reflexão minha conclusão é de que ter a razão é uma estado extremamente relativo e circunstancial. A complexidade e a dinâmica da vida e dos relacionamentos impede que, na grande maioria das vezes, seja possível definir com certeza o que está certo e o que está errado. A melhor posição perante análises antagônicas dos fatos é quase sempre no meio dos extremos, ora um pouco para um lado, ora para o outro, mas dificilmente se apresenta francamente para um dos lados.
Analisemos uma discussão típica de trânsito, em que um motorista bate na traseira do outro devido a uma freiada brusca do que está a frente. Se por um lado é obrigação do motorista que está atrás manter a distância para evitar a batida, o trânsito caótico e acelerado das grandes cidades classificaria como roda presa um motorista que mantivesse uma distância totalmente segura do que está a frente. Por outro lado, não se pode condenar um motorista por efetuar uma freiada brusca quando uma criança atravessa a rua na frente de seu carro.
Querer ter a razão em uma discussão de trânsito pode levar a discussões acaloradas, muitas vezes com consequências maiores do que o próprio incidente. Sem dúvida, uma situação que se aproxima da mediocridade.
Quando nos deslocamos para o ambiente corporativo, a discussão da razão costuma tomar uma dimensão muito maior. Discutimos de forma incisiva a responsabilidade pelos fracassos e sucessos, a intenção e a competência das pessoas, a maneira de resolver problemas, e um número enorme de outras situações.
Sendo um ambiente naturalmente competitivo, a maioria das discussões deixam de lado o objetivo inicial rapidamente e se tornam verdadeiras batalhas para definir quem tem a razão sobre determinado assunto. Discutimos horas para identificar quem possui a razão e deixamos de lado o problema a ser resolvido ou a proposta a ser construída. Perdemos um tempo valioso em discussões medíocres e não conseguimos melhorar em nada a performance da organização.
Os dois parágrafos anteriores, ainda que curtos, são suficientes para mostrar que discussões para saber quem possui a razão são improdutivas e quase sempre sem final feliz. Assim sendo, devem ser evitadas sempre que possível.
Ao refletir sobre a luta pela razão, identifiquei alguns desfechos comuns de ocorrer e que gostaria de compartilhar com vocês.
1) Um lado sai francamente vitorioso por sua maior capacidade de argumentos, deixando o outro lado em situação de quase humilhação e com um grande ressentimento. A decisão é tomada em favor do mais forte, o que muitas vezes pode representar um grande erro.
2) Os dois lados se declaram vencedores, deixando de lado o objetivo inicial de encontrar uma solução para o problema. Nesses casos, é comum não se tomar decisão alguma, postergando a solução para o impasse.
3) Um dos lados nota que a luta pela razão é inoportuna e muda o rumo da discussão. O foco do debate volta para o problema a ser resolvido e, na maioria das vezes, se encontra uma solução de consenso.
Acho que todos irão concordar que a terceira opção é mais construtiva e gera menos desgaste.
Na próxima vez em que você notar que está participando de uma discussão para definir quem está com a razão, lembre-se da frase apresentada no início desse artigo. Se não quiser fazer parte de um jogo de mediocridade, deixe de lado o seu orgulho e cesse a discussão ou faça com que ela mude de direção. Vai ser mais produtivo para todos.
Se você tiver comentários ou exemplos sobre esse e outros temas, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
Outro dia ouvi uma frase que me fez refletir sobre a força com que defendo meus pontos de vista em algumas ocasiões. Ela dizia mais ou menos o seguinte: Querer ter sempre razão é uma grande prova de mediocridade.
Sendo uma pessoa muito incisiva e que defende seus pontos de vista com força e um arsenal de argumentos, por uns momentos me senti a beira do rótulo de medíocre. Instintivamente procurei negar o conteúdo da frase, buscando situações que pudessem negar afirmação tão especialmente incômoda para quem está acostumado a buscar sempre ter razão nas discussões.
Minha busca foi infrutífera. A cada tentativa de argumento, mais me convencia de que realmente querer ter razão em nada ajuda no processo de buscar soluções ou acordos. Ao contrário, aumenta substancialmente o risco de que mudanças ocorram e de que bons acordos se concretizem.
Mas o que a busca pela razão tem a ver com a mediocridade? Não seriam as pessoas que possuem a razão na maioria dos casos mais inteligentes e conhecedoras do que as outras?
Depois de alguma reflexão minha conclusão é de que ter a razão é uma estado extremamente relativo e circunstancial. A complexidade e a dinâmica da vida e dos relacionamentos impede que, na grande maioria das vezes, seja possível definir com certeza o que está certo e o que está errado. A melhor posição perante análises antagônicas dos fatos é quase sempre no meio dos extremos, ora um pouco para um lado, ora para o outro, mas dificilmente se apresenta francamente para um dos lados.
Analisemos uma discussão típica de trânsito, em que um motorista bate na traseira do outro devido a uma freiada brusca do que está a frente. Se por um lado é obrigação do motorista que está atrás manter a distância para evitar a batida, o trânsito caótico e acelerado das grandes cidades classificaria como roda presa um motorista que mantivesse uma distância totalmente segura do que está a frente. Por outro lado, não se pode condenar um motorista por efetuar uma freiada brusca quando uma criança atravessa a rua na frente de seu carro.
Querer ter a razão em uma discussão de trânsito pode levar a discussões acaloradas, muitas vezes com consequências maiores do que o próprio incidente. Sem dúvida, uma situação que se aproxima da mediocridade.
Quando nos deslocamos para o ambiente corporativo, a discussão da razão costuma tomar uma dimensão muito maior. Discutimos de forma incisiva a responsabilidade pelos fracassos e sucessos, a intenção e a competência das pessoas, a maneira de resolver problemas, e um número enorme de outras situações.
Sendo um ambiente naturalmente competitivo, a maioria das discussões deixam de lado o objetivo inicial rapidamente e se tornam verdadeiras batalhas para definir quem tem a razão sobre determinado assunto. Discutimos horas para identificar quem possui a razão e deixamos de lado o problema a ser resolvido ou a proposta a ser construída. Perdemos um tempo valioso em discussões medíocres e não conseguimos melhorar em nada a performance da organização.
Os dois parágrafos anteriores, ainda que curtos, são suficientes para mostrar que discussões para saber quem possui a razão são improdutivas e quase sempre sem final feliz. Assim sendo, devem ser evitadas sempre que possível.
Ao refletir sobre a luta pela razão, identifiquei alguns desfechos comuns de ocorrer e que gostaria de compartilhar com vocês.
1) Um lado sai francamente vitorioso por sua maior capacidade de argumentos, deixando o outro lado em situação de quase humilhação e com um grande ressentimento. A decisão é tomada em favor do mais forte, o que muitas vezes pode representar um grande erro.
2) Os dois lados se declaram vencedores, deixando de lado o objetivo inicial de encontrar uma solução para o problema. Nesses casos, é comum não se tomar decisão alguma, postergando a solução para o impasse.
3) Um dos lados nota que a luta pela razão é inoportuna e muda o rumo da discussão. O foco do debate volta para o problema a ser resolvido e, na maioria das vezes, se encontra uma solução de consenso.
Acho que todos irão concordar que a terceira opção é mais construtiva e gera menos desgaste.
Na próxima vez em que você notar que está participando de uma discussão para definir quem está com a razão, lembre-se da frase apresentada no início desse artigo. Se não quiser fazer parte de um jogo de mediocridade, deixe de lado o seu orgulho e cesse a discussão ou faça com que ela mude de direção. Vai ser mais produtivo para todos.
Se você tiver comentários ou exemplos sobre esse e outros temas, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Dê mais atenção a sua agenda eletrônica
Olá,
Todos concordam que é muito importante manter uma rede de contatos ativa. Seja por razões pessoais ou profissionais, o fato é que as pessoas com quem mantemos contatos mais freqüentes são as mais indicadas para nos ajudarem a suportar e a contornar as maiores dificuldades que a vida nos apresenta.
Mas como fazer para não perder o contato com as pessoas na agitada vida que levamos? Uma maneira que se mostrou muito eficaz para mim e que recomendo utilizar é varrer a agenda telefônica do celular de vez em quando.
É impressionante como o hábito de varrer sua agenda telefônica nos faz lembrar de pessoas extremamente importantes que o dia a dia nos faz colocar em segundo plano na memória. Velhos amigos, colegas de empresas anteriores, ex-funcionários e chefes, estão todos lá, esperando nosso contato.
As primeiras vezes em que repassei minha agenda percebi o quanto havia perdido por não ter feito antes. Velhos e bons amigos já haviam mudado seu telefone celular ou mesmo residencial e cheguei a perder totalmente o contato de alguns deles. Em outros casos, a vergonha de não ter procurado mais por tanto tempo uma pessoa tão importante me fez pensar várias vezes antes de fazer a ligação.
Apesar da insegurança em travar contato novamente com alguns velhos amigos sem saber como seria a reação deles, posso afirmar que a experiência é ótima. A cada ligação me sentia mais feliz e percebia a felicidade e o espanto de meus amigos. A grande maioria agradecia muito pela ligação e vários deles voltaram a ser parte do meu círculo mais próximo de amizade.
Um efeito colateral adicional foi que minha agenda telefônica passou a ficar mais atualizada. Nos casos de mudanças de telefone, acabava sendo informado por e-mail de forma antecipada e mesmo quando o telefone mudava, muitas vezes era possível recuperá-lo com outros amigos ou mesmo escutando as mensagens temporárias de mudança de número.
É claro que alguns nomes não me traziam qualquer lembrança importante. Outros, inclusive, traziam más recordações. Nesses casos, tratava de limpar os registros que não faziam mais sentido manter.
Varrer minha agenda telefônica faz lembrar de pessoas importantes e me obriga a falar com elas de vez em quando. É uma maneira de ajudar a memória a não esquecer dos velhos e bons amigos, assim como daqueles com quem devo manter contato profissional com alguma freqüência.
Faça uma experiência. Pegue seu celular e vá passando sua lista de contatos um a um. Para cada amigo com quem não fala há algum tempo, faça uma ligação de cortesia. Aproveite para saber como ele está, o que está fazendo e como andam as coisas. Conte a eles seus planos e projetos e procure estabelecer próximos encontros que permitam manter o contato. Pode ser um almoço, uma visita, ou mesmo uma atividade comum. Você vai ver sua agenda lotar de que encontros agradáveis e sempre proveitosos e vai se sentir muito mais feliz.
De vez em quando, repita a tarefa de varrer sua lista de contatos. Se preferir, faça a cada período uma parte da lista, mas não deixe de revisitar sua agenda telefônica de vez em quando. Vai valer a pena.
Se você tem comentários a fazer sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Será um prazer ler e responder seu e-mail.
PP
Todos concordam que é muito importante manter uma rede de contatos ativa. Seja por razões pessoais ou profissionais, o fato é que as pessoas com quem mantemos contatos mais freqüentes são as mais indicadas para nos ajudarem a suportar e a contornar as maiores dificuldades que a vida nos apresenta.
Mas como fazer para não perder o contato com as pessoas na agitada vida que levamos? Uma maneira que se mostrou muito eficaz para mim e que recomendo utilizar é varrer a agenda telefônica do celular de vez em quando.
É impressionante como o hábito de varrer sua agenda telefônica nos faz lembrar de pessoas extremamente importantes que o dia a dia nos faz colocar em segundo plano na memória. Velhos amigos, colegas de empresas anteriores, ex-funcionários e chefes, estão todos lá, esperando nosso contato.
As primeiras vezes em que repassei minha agenda percebi o quanto havia perdido por não ter feito antes. Velhos e bons amigos já haviam mudado seu telefone celular ou mesmo residencial e cheguei a perder totalmente o contato de alguns deles. Em outros casos, a vergonha de não ter procurado mais por tanto tempo uma pessoa tão importante me fez pensar várias vezes antes de fazer a ligação.
Apesar da insegurança em travar contato novamente com alguns velhos amigos sem saber como seria a reação deles, posso afirmar que a experiência é ótima. A cada ligação me sentia mais feliz e percebia a felicidade e o espanto de meus amigos. A grande maioria agradecia muito pela ligação e vários deles voltaram a ser parte do meu círculo mais próximo de amizade.
Um efeito colateral adicional foi que minha agenda telefônica passou a ficar mais atualizada. Nos casos de mudanças de telefone, acabava sendo informado por e-mail de forma antecipada e mesmo quando o telefone mudava, muitas vezes era possível recuperá-lo com outros amigos ou mesmo escutando as mensagens temporárias de mudança de número.
É claro que alguns nomes não me traziam qualquer lembrança importante. Outros, inclusive, traziam más recordações. Nesses casos, tratava de limpar os registros que não faziam mais sentido manter.
Varrer minha agenda telefônica faz lembrar de pessoas importantes e me obriga a falar com elas de vez em quando. É uma maneira de ajudar a memória a não esquecer dos velhos e bons amigos, assim como daqueles com quem devo manter contato profissional com alguma freqüência.
Faça uma experiência. Pegue seu celular e vá passando sua lista de contatos um a um. Para cada amigo com quem não fala há algum tempo, faça uma ligação de cortesia. Aproveite para saber como ele está, o que está fazendo e como andam as coisas. Conte a eles seus planos e projetos e procure estabelecer próximos encontros que permitam manter o contato. Pode ser um almoço, uma visita, ou mesmo uma atividade comum. Você vai ver sua agenda lotar de que encontros agradáveis e sempre proveitosos e vai se sentir muito mais feliz.
De vez em quando, repita a tarefa de varrer sua lista de contatos. Se preferir, faça a cada período uma parte da lista, mas não deixe de revisitar sua agenda telefônica de vez em quando. Vai valer a pena.
Se você tem comentários a fazer sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Será um prazer ler e responder seu e-mail.
PP
sábado, 20 de dezembro de 2008
Olhando a crise de forma diferente
Olá,
Hoje pela manhã me dei conta de que não ainda não comentei os efeitos da crise na carreira e na vida pessoal dos executivos. É certo que no Brasil estamos prevendo um impacto menor do que em outros países, mas mesmo assim me chamou a atenção o fato de não ter dado atenção a um evento tão presente no dia a dia das discussões dos executivos.
Minha primeira avaliação foi de que não concentrei minhas atenções no assunto por não ter sido verdadeiramente impactado por ela. Depois, com um pouco de reflexão concluí que essa afirmação estava longe de ser verdadeira. Como a maioria dos executivos acima dos quarenta anos, possuo parte de minhas reservas financeiras aplicadas no mercado de renda variável. Não dá para dizer que perder 40% do valor dessas aplicações é um impacto desprezível.
Mesmo com a constatação de que fui realmente impactado pela crise, a verdade é que continuo não me sentindo preocupado com o futuro. Ao contrário, tenho a esperança realista de que a perda percebida será recuperada em 2 ou 3 anos e estou avaliando seriamente a possibilidade de aumentar meus investimentos no mercado de ações.
De onde vem tanta esperança e tranqüilidade? Acho que vem de minha nova maneira de viver e gostaria de contar um pouco para vocês as mudanças pelas quais tenho passado nos últimos quatro anos. Talvez essa informação possa ajudar alguns de vocês a procurarem um pouco mais de paz e tranqüilidade.
Minha carreira como executivo começou há pouco mais de 20 anos, quando fui convidado para a minha primeira posição de gerência. Naquela época, com cerca de 26 anos, tomei a oportunidade como única e me entreguei de corpo e alma ao papel de executivo.
Em menos de 4 anos me tornei diretor de uma importante empresa nacional da área de tecnologia, ainda durante o período de reserva de mercado. Sem dúvida, uma carreira de sucesso em um mercado altamente competitivo. Mas o sucesso como executivo não veio sem custo...
Fui me tornando um cara durão, extremamente orientado a resultados, daqueles que pouco comemorava e sempre estava insatisfeito com o estado das coisas. Apesar de em geral ser admirado como líder, era muitas vezes odiado pela maneira direta e brutalmente franca com que colocava minhas opiniões sobre as pessoas e as situações. Sem dúvida conseguia fazer as pessoas produzirem muito, mas hoje tenho a consciência de que poderia ter conseguido o mesmo ou mais um pouco sem causar tanto desconforto e sofrimento.
Na área da saúde tive meus maiores prejuízos. Engordei mais de 20Kg em cerca de 10 anos, tive alguns sustos com dores no peito e sou usuário de remédios para a pressão arterial desde os 35 anos de idade.
Mesmo sendo odiado por muitos e acumulando problemas de saúde mantive meu ritmo por um bom tempo. Afinal, as coisas continuavam dando certo e o sucesso financeiro e profissional é uma boa maneira de esquecer os fracassos pessoais.
Foi aí que a vida começou a me ensinar algumas coisas importantes.
O primeiro ensinamento veio da própria vida profissional. Depois de vários anos de sucesso contínuo, vieram os primeiros anos de dificuldade. As metas profissionais, antes sempre atingidas, passaram a ser um sonho impossível de atingir e a frustração de não atingi-las um pesadelo diário.
Foram alguns anos de luta intensa em busca de resultados melhores, em um projeto que parecia impossível de ser concluído. Talvez os piores e mais importantes anos de minha vida profissional e pessoal. Assim como uma chapa de metal, que sob a intensa pressão de uma prensa vai tomando novas formas, também fui sendo moldado pelas dificuldades que enfrentei.
Aos poucos fui aprendendo que gritar com as pessoas era menos efetivo do que apenas conversar. Aprendi que há coisas que não podemos mudar, não importa o quão fortes e poderosos sejamos. Aprendi também que a vida era muito mais do que o trabalho e que a família não pode ser colocada em segundo plano indefinidamente.
O aprendizado trouxe de volta alguns valores que havia deixado para trás. A vontade de estar mais próximo da família e dos amigos ficou mais forte. O prazer de observar a natureza e sentir o vento no rosto voltou a me visitar. Os momentos de reflexão sobre a vida e seu sentido passaram a ser mais freqüentes, realimentando o processo de transformação.
Hoje tenho uma vida muito diferente. Deixei a posição de executivo profissional para tocar meus próprios negócios, o que me dá muito mais prazer. Tenho tempo de ir ao Ibirapuera diariamente para caminhar e refletir sobre a vida. Passo mais tempo com a família e com os amigos.
O dinheiro, o sucesso profissional e o poder deixaram de ser meus maiores objetivos. Ao contrário, minha saúde e o relacionamento familiar são hoje minhas metas principais. No campo profissional, a realização de construir meus próprios empreendimentos superou em muito a disputa por poder que vivia nas empresas em que trabalhei.
O estresse diário e crescente foi substituído por uma tranqüilidade perene, que quase me faz esquecer como era ruim viver estressado. A preocupação e ansiedade excessiva por pequenas coisas foi substituída pela busca paciente e persistente de coisas mais importantes como o auto-conhecimento e as verdadeiras amizades.
Talvez seja esse o segredo de minha pouca preocupação com a crise econômica. Afinal, o que de importante ela pode tirar de nós?
Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo, escreva para paulo.pinho@uol.com.br.
Abraços,
PP
Hoje pela manhã me dei conta de que não ainda não comentei os efeitos da crise na carreira e na vida pessoal dos executivos. É certo que no Brasil estamos prevendo um impacto menor do que em outros países, mas mesmo assim me chamou a atenção o fato de não ter dado atenção a um evento tão presente no dia a dia das discussões dos executivos.
Minha primeira avaliação foi de que não concentrei minhas atenções no assunto por não ter sido verdadeiramente impactado por ela. Depois, com um pouco de reflexão concluí que essa afirmação estava longe de ser verdadeira. Como a maioria dos executivos acima dos quarenta anos, possuo parte de minhas reservas financeiras aplicadas no mercado de renda variável. Não dá para dizer que perder 40% do valor dessas aplicações é um impacto desprezível.
Mesmo com a constatação de que fui realmente impactado pela crise, a verdade é que continuo não me sentindo preocupado com o futuro. Ao contrário, tenho a esperança realista de que a perda percebida será recuperada em 2 ou 3 anos e estou avaliando seriamente a possibilidade de aumentar meus investimentos no mercado de ações.
De onde vem tanta esperança e tranqüilidade? Acho que vem de minha nova maneira de viver e gostaria de contar um pouco para vocês as mudanças pelas quais tenho passado nos últimos quatro anos. Talvez essa informação possa ajudar alguns de vocês a procurarem um pouco mais de paz e tranqüilidade.
Minha carreira como executivo começou há pouco mais de 20 anos, quando fui convidado para a minha primeira posição de gerência. Naquela época, com cerca de 26 anos, tomei a oportunidade como única e me entreguei de corpo e alma ao papel de executivo.
Em menos de 4 anos me tornei diretor de uma importante empresa nacional da área de tecnologia, ainda durante o período de reserva de mercado. Sem dúvida, uma carreira de sucesso em um mercado altamente competitivo. Mas o sucesso como executivo não veio sem custo...
Fui me tornando um cara durão, extremamente orientado a resultados, daqueles que pouco comemorava e sempre estava insatisfeito com o estado das coisas. Apesar de em geral ser admirado como líder, era muitas vezes odiado pela maneira direta e brutalmente franca com que colocava minhas opiniões sobre as pessoas e as situações. Sem dúvida conseguia fazer as pessoas produzirem muito, mas hoje tenho a consciência de que poderia ter conseguido o mesmo ou mais um pouco sem causar tanto desconforto e sofrimento.
Na área da saúde tive meus maiores prejuízos. Engordei mais de 20Kg em cerca de 10 anos, tive alguns sustos com dores no peito e sou usuário de remédios para a pressão arterial desde os 35 anos de idade.
Mesmo sendo odiado por muitos e acumulando problemas de saúde mantive meu ritmo por um bom tempo. Afinal, as coisas continuavam dando certo e o sucesso financeiro e profissional é uma boa maneira de esquecer os fracassos pessoais.
Foi aí que a vida começou a me ensinar algumas coisas importantes.
O primeiro ensinamento veio da própria vida profissional. Depois de vários anos de sucesso contínuo, vieram os primeiros anos de dificuldade. As metas profissionais, antes sempre atingidas, passaram a ser um sonho impossível de atingir e a frustração de não atingi-las um pesadelo diário.
Foram alguns anos de luta intensa em busca de resultados melhores, em um projeto que parecia impossível de ser concluído. Talvez os piores e mais importantes anos de minha vida profissional e pessoal. Assim como uma chapa de metal, que sob a intensa pressão de uma prensa vai tomando novas formas, também fui sendo moldado pelas dificuldades que enfrentei.
Aos poucos fui aprendendo que gritar com as pessoas era menos efetivo do que apenas conversar. Aprendi que há coisas que não podemos mudar, não importa o quão fortes e poderosos sejamos. Aprendi também que a vida era muito mais do que o trabalho e que a família não pode ser colocada em segundo plano indefinidamente.
O aprendizado trouxe de volta alguns valores que havia deixado para trás. A vontade de estar mais próximo da família e dos amigos ficou mais forte. O prazer de observar a natureza e sentir o vento no rosto voltou a me visitar. Os momentos de reflexão sobre a vida e seu sentido passaram a ser mais freqüentes, realimentando o processo de transformação.
Hoje tenho uma vida muito diferente. Deixei a posição de executivo profissional para tocar meus próprios negócios, o que me dá muito mais prazer. Tenho tempo de ir ao Ibirapuera diariamente para caminhar e refletir sobre a vida. Passo mais tempo com a família e com os amigos.
O dinheiro, o sucesso profissional e o poder deixaram de ser meus maiores objetivos. Ao contrário, minha saúde e o relacionamento familiar são hoje minhas metas principais. No campo profissional, a realização de construir meus próprios empreendimentos superou em muito a disputa por poder que vivia nas empresas em que trabalhei.
O estresse diário e crescente foi substituído por uma tranqüilidade perene, que quase me faz esquecer como era ruim viver estressado. A preocupação e ansiedade excessiva por pequenas coisas foi substituída pela busca paciente e persistente de coisas mais importantes como o auto-conhecimento e as verdadeiras amizades.
Talvez seja esse o segredo de minha pouca preocupação com a crise econômica. Afinal, o que de importante ela pode tirar de nós?
Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo, escreva para paulo.pinho@uol.com.br.
Abraços,
PP
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Assumindo sua parte da responsabilidade
Olá,
Uma das coisas mais difíceis na vida profissional e pessoal é assumir na medida certa a responsabilidade pelos fatos que ocorrem no dia a dia. Algumas vezes temos a tendência a nos inocentarmos em demasia, jogando para os outros ou mesmo para o destino a responsabilidade pela ocorrência de determinados eventos. Outras vezes assumimos uma responsabilidade maior do que a devida, nos glorificando ou martirizando por atos que pouco ou nada dependeram de nossa atuação.
É claro que assumir a responsabilidade por eventos felizes costuma ser mais fácil para a maioria das pessoas. Afinal, quem não gosta de ser elogiado por ter sido responsável por algo notável. Os eventos desagradáveis, ao contrário, tendem a ser gerados por fatores externos ou por pessoas distantes. É como diz um ditado popular, o sucesso tem paternidade múltipla enquanto o fracasso é órfão de pai e mãe.
Mas nem todo mundo funciona dessa maneira. Algumas pessoas sentem uma necessidade incrível de se criticar e de negar suas virtudes. Diante de um evento positivo, tratam de afirmar que não tiveram qualquer envolvimento com ele. Chegam até a negar de forma enérgica quando alguém insinua sua participação no mesmo. Na outra ponta, são os primeiros a saltar e reconhecer sua culpa quando as coisas vão mal.
Uma boa maneira de procurar o equilíbrio com relação a sua responsabilidade sobre os fatos é pensarmos na física e no funcionamento do universo. Para que nosso planeta suporte a vida é necessário que uma estrela a milhões de quilômetros nos forneça calor. Mas somente isso não é suficiente. Uma combinação complexa de fatores como presença de água, existência da atmosfera, composição química do planeta, entre outros tantos, fazem a diferença entre uma Terra densamente habitada e uma Lua inerte e vazia.
Se o Sol fosse um ser humano, ele poderia ter vários comportamentos sobre o fato de haver vida na Terra e não haver na Lua. Ele poderia dizer que é o responsável pela vida na Terra e que o fato de não haver vida na Lua está relacionado com a inexistência de uma atmosfera adequada. Se fosse um pouco mais deprimido, poderia dizer que foi incapaz de produzir vida na Lua e que a existência da mesma na Terra nada tem a ver com sua capacidade de aquecimento.
A verdade é que o Sol é um dos componentes que definem a existência da vida na Terra e a não existência da mesma na Lua. Ele não é capaz de produzir ou exterminar a vida sozinho, mas é fundamental na fórmula que leva a um estado ou ao outro.
O uso do Sol como elemento nessa análise não é por acaso. Por estar bastante distante da Terra, ele serve para mostrar que podemos influenciar em situações aparentemente fora do alcance de nossas ações. Em algum grau, sempre é possível encontrar alguma correlação entre nossos atos e os fatos que se sucedem.
Pensemos no estado em que se encontra nosso planeta, aquecendo ano a ano e aproximando-se do limite de sua capacidade de prover um ambiente favorável a humanidade. A grandeza desse fenômeno, faz com que nenhum de nós julgue-se totalmente responsável por essa realidade. No entanto, todos somos em algum grau responsáveis pelo que está acontecendo. Cada latinha de refrigerante que consumimos, cada prato de carne que degustamos, cada minuto de televisão que assistimos colaboram para o aquecimento do planeta, gostemos ou não dessa realidade.
Mas qual é a maneira correta de lidar com a responsabilidade sobre os fatos?
Não tenho uma resposta científica para essa pergunta, mas pessoalmente procuro utilizar duas regras básicas e que me ajudam a medir melhor meu envolvimento com os eventos do dia a dia. São elas:
1) Sempre existe algum grau de responsabilidade sua sobre o que acontece;
2) Sempre existe algum grau de isenção de responsabilidade sua sobre o que acontece.
Pode parecer meio forçado dizer que sempre estamos envolvidos e nunca totalmente, mas essas regras nos ajudam a refletir melhor sobre a verdadeira responsabilidade que temos sobre os fatos que acontecem.
Outra técnica que utilizo para avaliar minha responsabilidade sobre os fatos é a de me afastar um pouco da cena e procurar vê-la como um fato neutro, nem bom nem ruim. Isso ajuda a diminuir a culpa por ter sido responsável por algo ruim ou a ansiedade de querer ser responsável por algo bom.
Quando o fato me parece muito positivo, procuro refletir sobre as dificuldades que tal evento podem trazer no futuro. Quando parece uma verdadeira tragédia, penso nas coisas boas que podem surgir a partir desse acontecimento.
Refletir sobre a neutralidade dos fatos nos ajuda a medir melhor nossa responsabilidade sobre os mesmos. Entender que sempre somos de alguma forma responsáveis e nunca totalmente isentos, nos ajuda a identificar melhor a correlação entre nossos atos e os eventos que observamos.
Na próxima vez em que você se sentir totalmente responsável ou isento em relação a determinado fato, procure seguir o raciocínio que apresentei. Se ajudar, me envie um e-mail comentando sobre sua experiência.
Abraços,
PP
Uma das coisas mais difíceis na vida profissional e pessoal é assumir na medida certa a responsabilidade pelos fatos que ocorrem no dia a dia. Algumas vezes temos a tendência a nos inocentarmos em demasia, jogando para os outros ou mesmo para o destino a responsabilidade pela ocorrência de determinados eventos. Outras vezes assumimos uma responsabilidade maior do que a devida, nos glorificando ou martirizando por atos que pouco ou nada dependeram de nossa atuação.
É claro que assumir a responsabilidade por eventos felizes costuma ser mais fácil para a maioria das pessoas. Afinal, quem não gosta de ser elogiado por ter sido responsável por algo notável. Os eventos desagradáveis, ao contrário, tendem a ser gerados por fatores externos ou por pessoas distantes. É como diz um ditado popular, o sucesso tem paternidade múltipla enquanto o fracasso é órfão de pai e mãe.
Mas nem todo mundo funciona dessa maneira. Algumas pessoas sentem uma necessidade incrível de se criticar e de negar suas virtudes. Diante de um evento positivo, tratam de afirmar que não tiveram qualquer envolvimento com ele. Chegam até a negar de forma enérgica quando alguém insinua sua participação no mesmo. Na outra ponta, são os primeiros a saltar e reconhecer sua culpa quando as coisas vão mal.
Uma boa maneira de procurar o equilíbrio com relação a sua responsabilidade sobre os fatos é pensarmos na física e no funcionamento do universo. Para que nosso planeta suporte a vida é necessário que uma estrela a milhões de quilômetros nos forneça calor. Mas somente isso não é suficiente. Uma combinação complexa de fatores como presença de água, existência da atmosfera, composição química do planeta, entre outros tantos, fazem a diferença entre uma Terra densamente habitada e uma Lua inerte e vazia.
Se o Sol fosse um ser humano, ele poderia ter vários comportamentos sobre o fato de haver vida na Terra e não haver na Lua. Ele poderia dizer que é o responsável pela vida na Terra e que o fato de não haver vida na Lua está relacionado com a inexistência de uma atmosfera adequada. Se fosse um pouco mais deprimido, poderia dizer que foi incapaz de produzir vida na Lua e que a existência da mesma na Terra nada tem a ver com sua capacidade de aquecimento.
A verdade é que o Sol é um dos componentes que definem a existência da vida na Terra e a não existência da mesma na Lua. Ele não é capaz de produzir ou exterminar a vida sozinho, mas é fundamental na fórmula que leva a um estado ou ao outro.
O uso do Sol como elemento nessa análise não é por acaso. Por estar bastante distante da Terra, ele serve para mostrar que podemos influenciar em situações aparentemente fora do alcance de nossas ações. Em algum grau, sempre é possível encontrar alguma correlação entre nossos atos e os fatos que se sucedem.
Pensemos no estado em que se encontra nosso planeta, aquecendo ano a ano e aproximando-se do limite de sua capacidade de prover um ambiente favorável a humanidade. A grandeza desse fenômeno, faz com que nenhum de nós julgue-se totalmente responsável por essa realidade. No entanto, todos somos em algum grau responsáveis pelo que está acontecendo. Cada latinha de refrigerante que consumimos, cada prato de carne que degustamos, cada minuto de televisão que assistimos colaboram para o aquecimento do planeta, gostemos ou não dessa realidade.
Mas qual é a maneira correta de lidar com a responsabilidade sobre os fatos?
Não tenho uma resposta científica para essa pergunta, mas pessoalmente procuro utilizar duas regras básicas e que me ajudam a medir melhor meu envolvimento com os eventos do dia a dia. São elas:
1) Sempre existe algum grau de responsabilidade sua sobre o que acontece;
2) Sempre existe algum grau de isenção de responsabilidade sua sobre o que acontece.
Pode parecer meio forçado dizer que sempre estamos envolvidos e nunca totalmente, mas essas regras nos ajudam a refletir melhor sobre a verdadeira responsabilidade que temos sobre os fatos que acontecem.
Outra técnica que utilizo para avaliar minha responsabilidade sobre os fatos é a de me afastar um pouco da cena e procurar vê-la como um fato neutro, nem bom nem ruim. Isso ajuda a diminuir a culpa por ter sido responsável por algo ruim ou a ansiedade de querer ser responsável por algo bom.
Quando o fato me parece muito positivo, procuro refletir sobre as dificuldades que tal evento podem trazer no futuro. Quando parece uma verdadeira tragédia, penso nas coisas boas que podem surgir a partir desse acontecimento.
Refletir sobre a neutralidade dos fatos nos ajuda a medir melhor nossa responsabilidade sobre os mesmos. Entender que sempre somos de alguma forma responsáveis e nunca totalmente isentos, nos ajuda a identificar melhor a correlação entre nossos atos e os eventos que observamos.
Na próxima vez em que você se sentir totalmente responsável ou isento em relação a determinado fato, procure seguir o raciocínio que apresentei. Se ajudar, me envie um e-mail comentando sobre sua experiência.
Abraços,
PP
sábado, 13 de dezembro de 2008
A arte de nadar em mar aberto
Olá Pessoal,
Já faz um bom tempo que não escrevo e sinto-me um pouco culpado de ter abandonado os que vez por outra visitam esse site. A eles peço desculpas e prometo que irei me esforçar para escrever artigos com maior freqüência.
A culpa de não ter escrito mais nos últimos tempos me fez refletir sobre o título desse artigo. Vocês já notaram como vários de nossos planos importantes são aos poucos esquecidos e substituídos por outros que nem foram tão planejados assim?
Pois é... Todos os anos definimos para nós mesmos uma série de compromissos. Eles vão do ingênuo plano de perder alguns quilinhos a coisas sérias como iniciar uma poupança para a aposentadoria ou tratar aquela dor nas costas que aos poucos vai tirando nossa mobilidade.
Via de regra, após algumas semanas de intenso esforço, vamos nos entregando ao fluxo natural da vida e retornamos ao ponto em que estávamos. Os poucos quilos perdidos durante algumas semanas retornam e a escalada do peso continua. A poupança deixa de ser reforçada e é utilizada para as emergências do dia a dia, sendo aos poucos substituída pelo limite rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial. A fisioterapia é abandonada e passamos a utilizar apenas o analgésico para enganar a dor quando a mesma se torna mais intensa.
Deixar a vida nos levar é parte da arte de viver. Lutar contra a correnteza da vida todo o tempo é cansativo e traz grande frustração. Alguns são mais tenazes do que outros, mas a verdade é que, assim como na correnteza do mar, é impossível nadar contra ela por muito tempo. Talvez isso explique por que muitos de nossos planos são frustrados em poucas semanas ou meses. Parece que de alguma maneira, nossa decisão vai contra o fluxo natural das coisas.
Sei que você deve estar pensando que não podemos aceitar essa realidade e que precisamos ser disciplinados e vencer os desafios que são postos pela vida. Concordo plenamente e é por isso que decidi escrever esse artigo. Afinal, é preciso encontrar uma maneira de vencer a inércia que a vida nos impõe e aprender a mudar de direção de maneira definitiva.
Uma maneira bastante eficaz de vencer os maiores desafios é a utilizada pelos nadadores de mar aberto mais experientes. Eles conhecem muito bem a força que a natureza possui e aprenderam a buscar seus objetivos, ora se aproveitando dessa força, ora evitando-a ou contornando-a.
A primeira coisa que um bom nadador faz quando vai atravessar uma faixa de mar é estudar o ambiente. Ele procura entender a força, a direção e o horário das correntezas, planejando sua travessia com detalhes e paciência.
Quando a correnteza é a favor de sua direção e sentido, ele procura aproveitá-la ao máximo. Com isso, consegue atingir velocidades que jamais seria capaz por suas próprias forças.
Ao contrário, quando a correnteza é totalmente frontal ao seu objetivo, ele avalia sua capacidade de suportá-la e, muitas vezes, decide mudar de direção e nadar em busca dos limites dessa correnteza, evitando o confronto direto. Ele sabe que é melhor empenhar sua energia fugindo da correnteza do que enfrentando-a.
Nem sempre a melhor solução é fugir da correnteza. Se há energia suficiente para enfrentá-la e ainda produzir movimento positivo, pode ser melhor seguir em frente. Nesse caso, no entanto, é importante saber por quanto tempo teremos que enfrentar o estresse de nadar contra a correnteza. Se estamos preparados para o tempo esperado, com alguma folga, vamos em frente.
Em algumas situações não há o que fazer para enfrentar a correnteza. Nem é possível contorná-la e atingir seus limites, nem tampouco enfrentá-la. Nesses momentos, o nadador experiente poupa suas energias, volta ao planejamento e aguarda o momento correto para reiniciar sua jornada. Literalmente, ele deixa que a vida (correnteza) o leve por um tempo.
Finalmente, mas não menos importante, o bom nadador nunca perde a esperança. Ele sabe que perdê-la significa não mais pisar em terra firme e luta todos os momentos para manter a serenidade e o senso de direção.
Estamos nos aproximando do final de mais um ano. Momento em que todos param para pensar em seus planos futuros e nos compromissos que irão assumir para os próximos 12 meses. Minha sugestão nesse momento é pensar como um nadador de mar aberto.
Avalie seus desejos e sonhos em função do cenário que está colocado a sua frente. Procure identificar os grandes obstáculos e avalie sua capacidade de enfrentá-los de frente. Se você tem dúvidas, pense em alternativas de contorno. Se acha que não vai conseguir, pense em buscar objetivos mais fáceis de serem atingidos.
Lembre-se que o sucesso alimenta a auto-estima, enquanto o fracassso a solapa. A somatória de pequenos sucessos nos fortacele, aumenta nossa reserva de esperança e nos prepara para buscar sonhos mais ousados e para enfrentar fracassos maiores.
Os fracassos têm o poder de nos tirar parte da esperança que temos armazenada. Se nossas reservas são volumosas, somos capazes de enfrentar grandes fracassos e ainda termos energia de ir em frente. Se ao contrário, nossas reservas são limitadas, temos que ser cuidadosos e evitar a possibilidade de fracassos maiores. Zerar a reserva de esperança não é uma opção.
Assim como um nadador experiente, planeje suas ações com calma e detalhamento. Avalie sempre sua capacidade de enfrentar cada desafio e mantenha a vigilância sobre o ambiente. Em momentos de calmaria, onde os fatores externos são a seu favor, acelere na direção planejada e aproveite a sensação de liberdade e realização. Em momentos de dificuldade, reavalie sua capacidade de reação e decida se o melhor é continuar enfrentando, buscar contornos ou mesmo deixar que a correnteza o leve.
Por fim, nunca se esqueça de manter a calma e a esperança. Elas são suas melhores amigas nessa jornada.
Um grande abraço.
PP
Já faz um bom tempo que não escrevo e sinto-me um pouco culpado de ter abandonado os que vez por outra visitam esse site. A eles peço desculpas e prometo que irei me esforçar para escrever artigos com maior freqüência.
A culpa de não ter escrito mais nos últimos tempos me fez refletir sobre o título desse artigo. Vocês já notaram como vários de nossos planos importantes são aos poucos esquecidos e substituídos por outros que nem foram tão planejados assim?
Pois é... Todos os anos definimos para nós mesmos uma série de compromissos. Eles vão do ingênuo plano de perder alguns quilinhos a coisas sérias como iniciar uma poupança para a aposentadoria ou tratar aquela dor nas costas que aos poucos vai tirando nossa mobilidade.
Via de regra, após algumas semanas de intenso esforço, vamos nos entregando ao fluxo natural da vida e retornamos ao ponto em que estávamos. Os poucos quilos perdidos durante algumas semanas retornam e a escalada do peso continua. A poupança deixa de ser reforçada e é utilizada para as emergências do dia a dia, sendo aos poucos substituída pelo limite rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial. A fisioterapia é abandonada e passamos a utilizar apenas o analgésico para enganar a dor quando a mesma se torna mais intensa.
Deixar a vida nos levar é parte da arte de viver. Lutar contra a correnteza da vida todo o tempo é cansativo e traz grande frustração. Alguns são mais tenazes do que outros, mas a verdade é que, assim como na correnteza do mar, é impossível nadar contra ela por muito tempo. Talvez isso explique por que muitos de nossos planos são frustrados em poucas semanas ou meses. Parece que de alguma maneira, nossa decisão vai contra o fluxo natural das coisas.
Sei que você deve estar pensando que não podemos aceitar essa realidade e que precisamos ser disciplinados e vencer os desafios que são postos pela vida. Concordo plenamente e é por isso que decidi escrever esse artigo. Afinal, é preciso encontrar uma maneira de vencer a inércia que a vida nos impõe e aprender a mudar de direção de maneira definitiva.
Uma maneira bastante eficaz de vencer os maiores desafios é a utilizada pelos nadadores de mar aberto mais experientes. Eles conhecem muito bem a força que a natureza possui e aprenderam a buscar seus objetivos, ora se aproveitando dessa força, ora evitando-a ou contornando-a.
A primeira coisa que um bom nadador faz quando vai atravessar uma faixa de mar é estudar o ambiente. Ele procura entender a força, a direção e o horário das correntezas, planejando sua travessia com detalhes e paciência.
Quando a correnteza é a favor de sua direção e sentido, ele procura aproveitá-la ao máximo. Com isso, consegue atingir velocidades que jamais seria capaz por suas próprias forças.
Ao contrário, quando a correnteza é totalmente frontal ao seu objetivo, ele avalia sua capacidade de suportá-la e, muitas vezes, decide mudar de direção e nadar em busca dos limites dessa correnteza, evitando o confronto direto. Ele sabe que é melhor empenhar sua energia fugindo da correnteza do que enfrentando-a.
Nem sempre a melhor solução é fugir da correnteza. Se há energia suficiente para enfrentá-la e ainda produzir movimento positivo, pode ser melhor seguir em frente. Nesse caso, no entanto, é importante saber por quanto tempo teremos que enfrentar o estresse de nadar contra a correnteza. Se estamos preparados para o tempo esperado, com alguma folga, vamos em frente.
Em algumas situações não há o que fazer para enfrentar a correnteza. Nem é possível contorná-la e atingir seus limites, nem tampouco enfrentá-la. Nesses momentos, o nadador experiente poupa suas energias, volta ao planejamento e aguarda o momento correto para reiniciar sua jornada. Literalmente, ele deixa que a vida (correnteza) o leve por um tempo.
Finalmente, mas não menos importante, o bom nadador nunca perde a esperança. Ele sabe que perdê-la significa não mais pisar em terra firme e luta todos os momentos para manter a serenidade e o senso de direção.
Estamos nos aproximando do final de mais um ano. Momento em que todos param para pensar em seus planos futuros e nos compromissos que irão assumir para os próximos 12 meses. Minha sugestão nesse momento é pensar como um nadador de mar aberto.
Avalie seus desejos e sonhos em função do cenário que está colocado a sua frente. Procure identificar os grandes obstáculos e avalie sua capacidade de enfrentá-los de frente. Se você tem dúvidas, pense em alternativas de contorno. Se acha que não vai conseguir, pense em buscar objetivos mais fáceis de serem atingidos.
Lembre-se que o sucesso alimenta a auto-estima, enquanto o fracassso a solapa. A somatória de pequenos sucessos nos fortacele, aumenta nossa reserva de esperança e nos prepara para buscar sonhos mais ousados e para enfrentar fracassos maiores.
Os fracassos têm o poder de nos tirar parte da esperança que temos armazenada. Se nossas reservas são volumosas, somos capazes de enfrentar grandes fracassos e ainda termos energia de ir em frente. Se ao contrário, nossas reservas são limitadas, temos que ser cuidadosos e evitar a possibilidade de fracassos maiores. Zerar a reserva de esperança não é uma opção.
Assim como um nadador experiente, planeje suas ações com calma e detalhamento. Avalie sempre sua capacidade de enfrentar cada desafio e mantenha a vigilância sobre o ambiente. Em momentos de calmaria, onde os fatores externos são a seu favor, acelere na direção planejada e aproveite a sensação de liberdade e realização. Em momentos de dificuldade, reavalie sua capacidade de reação e decida se o melhor é continuar enfrentando, buscar contornos ou mesmo deixar que a correnteza o leve.
Por fim, nunca se esqueça de manter a calma e a esperança. Elas são suas melhores amigas nessa jornada.
Um grande abraço.
PP
domingo, 12 de outubro de 2008
A importância da Transpiração
Olá,
Muitas são as histórias de executivos considerados brilhantes que sofreram derrotas humilhantes. Ao mesmo tempo, são inúmeros os casos de executivos desconhecidos que levam suas empresas a anos de sucesso contínuo. Os motivos que levam a esse aparente paradoxo incluem o tema que gostaria de abordar no artigo de hoje.
A auto-confiança é fundamental para alcançar sucesso no mundo dos negócios. Sua falta inviabiliza ações mais arrojadas e limita muito a criatividade e a capacidade de manter o rumo mesmo quando as dificuldades se apresentam. Ao mesmo tempo, o excesso de auto-confiança torna o executivo mais arrogante e desatento, deixando de lado detalhes que podem representar a diferença entre o sucesso e o fracasso.
Thomas Edison disse um dia que um gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração. É uma frase sábia e que resgata a realidade de todo sucesso verdadeiro, sempre ancorado por muito trabalho e perseverança.
De nada adianta ser brilhante se não há predisposição para enfrentar os obstáculos e para gastar horas tentando até acertar. O sucesso não surge por acaso nem é obtido por um passe de mágica. Ao contrário, ele é fruto de um processo de preparação intenso e de muito esforço, boa parte dele gasto em tentativas frustradas.
Se você deseja ser um executivo de sucesso, prepare-se para gastar boa parte de sua vida dedicando várias horas por dia em tarefas nem sempre agradáveis; buscando soluções para problemas que muitas vezes parecem desafiar sua capacidade; enfrentando derrotas e frustrações. Enfim, transpirando muito mais do que criando.
Por favor não entendam que estou depreciando a importância da criatividade e da auto-confiança. Ao contrário, minha teoria é de que ambas são fruto da disciplina que algumas pessoas possuem em perseverar e manter o ritmo do trabalho, sejam quais forem as dificuldades.
O executivo que reconhece a importância de transpirar leva adiante um número maior de idéias, tornando-se mais criativo. Ao mesmo tempo, ao se expor a um volume maior de dificuldades e desafios, aprende a lidar melhor com o fracasso, a reconhecer o sucesso por acaso e a valorizar os momento em que sua participação realmente fez a diferença.
Se você pretende ser um executivo de sucesso, prepare-se para suar muito. Lembre-se que quem mais produz normalmente é quem alcança resultados positivos em maior número, mas nunca se esqueça que para cada sucesso alcançado sempre haverá um conjunto de fracassos. É a capacidade de trabalho contínuo e a perseverança para vencer os obstáculos que diferenciam os grandes executivos.
Se você tem comentários sobre o tema acima, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br .
PP
Muitas são as histórias de executivos considerados brilhantes que sofreram derrotas humilhantes. Ao mesmo tempo, são inúmeros os casos de executivos desconhecidos que levam suas empresas a anos de sucesso contínuo. Os motivos que levam a esse aparente paradoxo incluem o tema que gostaria de abordar no artigo de hoje.
A auto-confiança é fundamental para alcançar sucesso no mundo dos negócios. Sua falta inviabiliza ações mais arrojadas e limita muito a criatividade e a capacidade de manter o rumo mesmo quando as dificuldades se apresentam. Ao mesmo tempo, o excesso de auto-confiança torna o executivo mais arrogante e desatento, deixando de lado detalhes que podem representar a diferença entre o sucesso e o fracasso.
Thomas Edison disse um dia que um gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração. É uma frase sábia e que resgata a realidade de todo sucesso verdadeiro, sempre ancorado por muito trabalho e perseverança.
De nada adianta ser brilhante se não há predisposição para enfrentar os obstáculos e para gastar horas tentando até acertar. O sucesso não surge por acaso nem é obtido por um passe de mágica. Ao contrário, ele é fruto de um processo de preparação intenso e de muito esforço, boa parte dele gasto em tentativas frustradas.
Se você deseja ser um executivo de sucesso, prepare-se para gastar boa parte de sua vida dedicando várias horas por dia em tarefas nem sempre agradáveis; buscando soluções para problemas que muitas vezes parecem desafiar sua capacidade; enfrentando derrotas e frustrações. Enfim, transpirando muito mais do que criando.
Por favor não entendam que estou depreciando a importância da criatividade e da auto-confiança. Ao contrário, minha teoria é de que ambas são fruto da disciplina que algumas pessoas possuem em perseverar e manter o ritmo do trabalho, sejam quais forem as dificuldades.
O executivo que reconhece a importância de transpirar leva adiante um número maior de idéias, tornando-se mais criativo. Ao mesmo tempo, ao se expor a um volume maior de dificuldades e desafios, aprende a lidar melhor com o fracasso, a reconhecer o sucesso por acaso e a valorizar os momento em que sua participação realmente fez a diferença.
Se você pretende ser um executivo de sucesso, prepare-se para suar muito. Lembre-se que quem mais produz normalmente é quem alcança resultados positivos em maior número, mas nunca se esqueça que para cada sucesso alcançado sempre haverá um conjunto de fracassos. É a capacidade de trabalho contínuo e a perseverança para vencer os obstáculos que diferenciam os grandes executivos.
Se você tem comentários sobre o tema acima, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br .
PP
sábado, 6 de setembro de 2008
Lidando com a Tristeza
Olá,
Não tem como evitar. Há dias em que a tristeza bate a nossa porta e faz com que o coração fique apertado e a respiração curta e sentida.
Nesses momentos nossa energia fica limitada e a vontade de enfrentar desafios ou mesmo de comemorar bons resultados nos deixa a sós.
Ficar triste de vez em quando é parte da vida de qualquer pessoa. Pode ser por um problema familiar; a perda de um grande amigo; algum aborrecimento imprevisto; ou mesmo pelo acúmulo de problemas que enfrentamos de vez em quando. Mas também pode ser por motivos profissionais. A perda de um grande negócio; o não reconhecimento de seu esforço em determinado projeto; ou o adiamento da esperada promoção.
Não importa qual seja o motivo, a tristeza nos deixa deprimidos e com pouca energia. Ela tira o brilho de nossos olhos e faz com que o prazer de viver se afaste de nós, pelo menos pelo tempo em que está nos dominando.
Sentir tristeza de vez em quando é normal e pode até nos ajudar a refletir um pouco sobre nossos verdadeiros valores. Se estamos tristes por termos perdido um grande negócio e isso nos deixa desanimados e sem energia é hora de refletirmos um pouco e lembrarmos que um negócio não é a coisa mais importante de nossas vidas. Dessa forma, há situações em que a tristeza nos ajuda a encontrar o caminho para uma vida mais completa e feliz.
Sentir tristeza todo o tempo deixa de ser normal e é um sinal de que talvez seja hora de buscar ajuda profissional. Pode ser um sintoma de depressão, doença que pode e deve ser tratada.
Mas e quando a tristeza vem de um motivo realmente forte? Quando é resultado de uma perda importante como as que envolvem o relacionamento afetivo ou os grandes objetivos de nossa vida.
Nessas horas temos que ser fortes e pacientes. Fortes para não deixar que a tristeza tome conta de nossas vidas e faça com que nossos outros sonhos deixem de ser desejados e perseguidos; pacientes para suportar a dor que a tristeza impõe sem sair ofendendo e magoando a quem está em torno de nós; fortes para chorar mansamente e pacientes para deixar que o tempo faça seu trabalho de curar as feridas.
Falar sobre lidar com a tristeza é bem mais fácil do que fazê-lo, mas estar preparado e refletir sobre as possibilidades sem dúvida ajuda a enfrentar melhor esses momentos.
Na próxima vez que a tristeza tomar seu coração, reflita um pouco sobre sua origem. Primeiro procure entender se ela é por um motivo que realmente faz sentido. Se não for, livre-se dela e concentre sua atenção em coisas mais importantes.
Se sua conclusão for de que trata-se de algo realmente importante, seja forte e paciente. Espere que o tempo cure as feridas e procure refletir sobre o lado bom de estar passando por essa situação. Por mais difícil que possa parecer, sempre existe um lado bom.
Se a dor for muito forte, deixe que as lágrimas ajudem a aliviá-la. Se tiver um amigo em que possa confiar, converse com ele e compartilhe sua dor. A um ditado que diz que o amor quando é compartilhado se multiplica e que a dor compartilhada se dissolve.
Se após alguns dias a tristeza não resolver dar lugar a um novo ciclo de energia e entusiasmo, procure a ajuda de um profissional. Não é normal ficar triste por muito tempo e é preciso reconhecer que algo pode estar errado com sua saúde.
Não deixe de enviar seus comentários.
PP
Não tem como evitar. Há dias em que a tristeza bate a nossa porta e faz com que o coração fique apertado e a respiração curta e sentida.
Nesses momentos nossa energia fica limitada e a vontade de enfrentar desafios ou mesmo de comemorar bons resultados nos deixa a sós.
Ficar triste de vez em quando é parte da vida de qualquer pessoa. Pode ser por um problema familiar; a perda de um grande amigo; algum aborrecimento imprevisto; ou mesmo pelo acúmulo de problemas que enfrentamos de vez em quando. Mas também pode ser por motivos profissionais. A perda de um grande negócio; o não reconhecimento de seu esforço em determinado projeto; ou o adiamento da esperada promoção.
Não importa qual seja o motivo, a tristeza nos deixa deprimidos e com pouca energia. Ela tira o brilho de nossos olhos e faz com que o prazer de viver se afaste de nós, pelo menos pelo tempo em que está nos dominando.
Sentir tristeza de vez em quando é normal e pode até nos ajudar a refletir um pouco sobre nossos verdadeiros valores. Se estamos tristes por termos perdido um grande negócio e isso nos deixa desanimados e sem energia é hora de refletirmos um pouco e lembrarmos que um negócio não é a coisa mais importante de nossas vidas. Dessa forma, há situações em que a tristeza nos ajuda a encontrar o caminho para uma vida mais completa e feliz.
Sentir tristeza todo o tempo deixa de ser normal e é um sinal de que talvez seja hora de buscar ajuda profissional. Pode ser um sintoma de depressão, doença que pode e deve ser tratada.
Mas e quando a tristeza vem de um motivo realmente forte? Quando é resultado de uma perda importante como as que envolvem o relacionamento afetivo ou os grandes objetivos de nossa vida.
Nessas horas temos que ser fortes e pacientes. Fortes para não deixar que a tristeza tome conta de nossas vidas e faça com que nossos outros sonhos deixem de ser desejados e perseguidos; pacientes para suportar a dor que a tristeza impõe sem sair ofendendo e magoando a quem está em torno de nós; fortes para chorar mansamente e pacientes para deixar que o tempo faça seu trabalho de curar as feridas.
Falar sobre lidar com a tristeza é bem mais fácil do que fazê-lo, mas estar preparado e refletir sobre as possibilidades sem dúvida ajuda a enfrentar melhor esses momentos.
Na próxima vez que a tristeza tomar seu coração, reflita um pouco sobre sua origem. Primeiro procure entender se ela é por um motivo que realmente faz sentido. Se não for, livre-se dela e concentre sua atenção em coisas mais importantes.
Se sua conclusão for de que trata-se de algo realmente importante, seja forte e paciente. Espere que o tempo cure as feridas e procure refletir sobre o lado bom de estar passando por essa situação. Por mais difícil que possa parecer, sempre existe um lado bom.
Se a dor for muito forte, deixe que as lágrimas ajudem a aliviá-la. Se tiver um amigo em que possa confiar, converse com ele e compartilhe sua dor. A um ditado que diz que o amor quando é compartilhado se multiplica e que a dor compartilhada se dissolve.
Se após alguns dias a tristeza não resolver dar lugar a um novo ciclo de energia e entusiasmo, procure a ajuda de um profissional. Não é normal ficar triste por muito tempo e é preciso reconhecer que algo pode estar errado com sua saúde.
Não deixe de enviar seus comentários.
PP
sábado, 28 de junho de 2008
Desenvolvendo Pessoas
Olá,
Parece estranho falar em desenvolver pessoas no ambiente corporativo. Afinal, a não ser em casos especiais, estamos falando de lidar com pessoas adultas e que já deveriam estar desenvolvidas física e intelectualmente quando chegam ao mercado de trabalho. Mas a realidade está bem distante dessa visão simplificada e sempre haverá espaço para o desenvolvimento humano e profissional, seja qual for a idade dos indivíduos.
Desenvolver pessoas não é tarefa fácil e exige perseverança, dedicação e auto-controle. Nem todo executivo está preparado para essa missão e é um grande erro esperar que pessoas sem habilidades específicas sejam capazes de desenvolver pessoas.
Apesar da constatação de que vários executivos não sabem desenvolver pessoas, isso não significa que eles não possam aprender e desenvolver essa habilidade. Os princípios do desenvolvimento humano são relativamente simples de serem aprendidos e, com algum esforço adicional, serem aplicados.
Mas afinal, no que consiste a arte de desenvolver pessoas e o que precisa ser aprendido e praticado para ter sucesso nessa área?
O desenvolvimento humano é reflexo de vários fatores e um dos principais deles é o ambiente em que vivemos e as experiências que ele nos permite vivenciar. Cada experiência nos faz aprender algo novo e confrontar princípios, preferências e valores com a realidade. Com o tempo, aprendemos a reagir de forma diferente aos estímulos do ambiente e nos adaptamos, desenvolvendo comportamentos que aumentem nossas chances de sucesso.
O líder que busca o desenvolvimento de seu time precisa criar um ambiente de trabalho que incentive os comportamentos desejados em geral. Além disso, precisa calibrar os desafios para cada indivíduo de forma diferenciada, considerando as características e o grau de maturidade de cada pessoa. Ele mesmo deve ser um exemplo na maioria dos comportamentos desejados, e quando não é o caso, deve explicitar suas fraquezas e investir em seu próprio desenvolvimento de maneira pública e humilde.
Um líder desenvolvedor não é um amigo compreensivo e complacente. Ao contrário, o bom líder é muitas vezes firme em suas colocações e chega a ser desagradável em alguns momentos. Seu foco não está no conforto de seu time mas no desenvolvimento do mesmo, o que exige esforço e superação. São várias as situações onde o líder precisa ser firme e demonstrar claramente sua insatisfação com os comportamentos indesejáveis.
Ao mesmo tempo em que é firme e exigente quando percebe comportamentos inadequados, o líder é capaz de ser solidário e compreensivo com as dificuldades e com as derrotas de seu time. Para ele o mais importante é o processo, a maneira como as tarefas são feitas e as decisões são tomadas. O resultado é somente o reflexo de todas as ações, combinadas com fatores que ele sabe estarem totalmente fora do controle das pessoas.
Para um verdadeiro líder, resultados positivos são sempre comemorados mas às vezes devem ser acompanhados de discussões fortes sobre falhas a serem corrigidas. Por outro lado, apesar de serem motivo para lamentação, há situações em que resultados negativos precisam ser acompanhados de palavras de incentivo e verdadeiro reconhecimento do esforço aplicado.
Um bom líder busca antes de tudo seu próprio auto-desenvolvimento. Além de procurar ser uma referência para seu time, modelando em si mesmo os comportamentos que deseja desenvolver, o verdadeiro líder reconhece suas fraquezas e trabalha de forma disciplinada e humilde para desenvolver a si mesmo.
Além de ser referência, um bom líder é capaz de desafiar seu time constantemente. Uma de suas habilidades é reconhecer os limites de cada indivíduo e trabalhar no sentido de ampliá-los através de novos desafios. A cada novo desafio, ele é capaz de incentivar, apoiar e criticar sem fazer com que seu time desista. É a arte de manter a chama do aprendizado acesa.
Finalmente, o líder desenvolvedor é capaz de reconhecer o crescimento das pessoas e comemorar sua independência e maturidade. Assim que nota que suas lições de vida não são mais necessárias ou que as habilidades adquiridas por seus liderados podem ser melhor utilizadas em desafios maiores, ele tem a sabedoria de incentivá-los a buscar novos horizontes.
E assim se completa o ciclo de desenvolvimento de pessoas.
Se você deseja fazer comentários sobre esse ou outro artigo, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
Parece estranho falar em desenvolver pessoas no ambiente corporativo. Afinal, a não ser em casos especiais, estamos falando de lidar com pessoas adultas e que já deveriam estar desenvolvidas física e intelectualmente quando chegam ao mercado de trabalho. Mas a realidade está bem distante dessa visão simplificada e sempre haverá espaço para o desenvolvimento humano e profissional, seja qual for a idade dos indivíduos.
Desenvolver pessoas não é tarefa fácil e exige perseverança, dedicação e auto-controle. Nem todo executivo está preparado para essa missão e é um grande erro esperar que pessoas sem habilidades específicas sejam capazes de desenvolver pessoas.
Apesar da constatação de que vários executivos não sabem desenvolver pessoas, isso não significa que eles não possam aprender e desenvolver essa habilidade. Os princípios do desenvolvimento humano são relativamente simples de serem aprendidos e, com algum esforço adicional, serem aplicados.
Mas afinal, no que consiste a arte de desenvolver pessoas e o que precisa ser aprendido e praticado para ter sucesso nessa área?
O desenvolvimento humano é reflexo de vários fatores e um dos principais deles é o ambiente em que vivemos e as experiências que ele nos permite vivenciar. Cada experiência nos faz aprender algo novo e confrontar princípios, preferências e valores com a realidade. Com o tempo, aprendemos a reagir de forma diferente aos estímulos do ambiente e nos adaptamos, desenvolvendo comportamentos que aumentem nossas chances de sucesso.
O líder que busca o desenvolvimento de seu time precisa criar um ambiente de trabalho que incentive os comportamentos desejados em geral. Além disso, precisa calibrar os desafios para cada indivíduo de forma diferenciada, considerando as características e o grau de maturidade de cada pessoa. Ele mesmo deve ser um exemplo na maioria dos comportamentos desejados, e quando não é o caso, deve explicitar suas fraquezas e investir em seu próprio desenvolvimento de maneira pública e humilde.
Um líder desenvolvedor não é um amigo compreensivo e complacente. Ao contrário, o bom líder é muitas vezes firme em suas colocações e chega a ser desagradável em alguns momentos. Seu foco não está no conforto de seu time mas no desenvolvimento do mesmo, o que exige esforço e superação. São várias as situações onde o líder precisa ser firme e demonstrar claramente sua insatisfação com os comportamentos indesejáveis.
Ao mesmo tempo em que é firme e exigente quando percebe comportamentos inadequados, o líder é capaz de ser solidário e compreensivo com as dificuldades e com as derrotas de seu time. Para ele o mais importante é o processo, a maneira como as tarefas são feitas e as decisões são tomadas. O resultado é somente o reflexo de todas as ações, combinadas com fatores que ele sabe estarem totalmente fora do controle das pessoas.
Para um verdadeiro líder, resultados positivos são sempre comemorados mas às vezes devem ser acompanhados de discussões fortes sobre falhas a serem corrigidas. Por outro lado, apesar de serem motivo para lamentação, há situações em que resultados negativos precisam ser acompanhados de palavras de incentivo e verdadeiro reconhecimento do esforço aplicado.
Um bom líder busca antes de tudo seu próprio auto-desenvolvimento. Além de procurar ser uma referência para seu time, modelando em si mesmo os comportamentos que deseja desenvolver, o verdadeiro líder reconhece suas fraquezas e trabalha de forma disciplinada e humilde para desenvolver a si mesmo.
Além de ser referência, um bom líder é capaz de desafiar seu time constantemente. Uma de suas habilidades é reconhecer os limites de cada indivíduo e trabalhar no sentido de ampliá-los através de novos desafios. A cada novo desafio, ele é capaz de incentivar, apoiar e criticar sem fazer com que seu time desista. É a arte de manter a chama do aprendizado acesa.
Finalmente, o líder desenvolvedor é capaz de reconhecer o crescimento das pessoas e comemorar sua independência e maturidade. Assim que nota que suas lições de vida não são mais necessárias ou que as habilidades adquiridas por seus liderados podem ser melhor utilizadas em desafios maiores, ele tem a sabedoria de incentivá-los a buscar novos horizontes.
E assim se completa o ciclo de desenvolvimento de pessoas.
Se você deseja fazer comentários sobre esse ou outro artigo, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
Assinar:
Postagens (Atom)