domingo, 16 de dezembro de 2007

Autoridade versus Responsabilidade

Olá,

Segundo a Wikipedia, responsabilidade é a obrigação por responder por suas próprias ações, enquanto autoridade é um gênero ou uma simples fonte de poder. Se por um lado a autoridade propicia condições para que as decisões e ações possam ser tomadas, é a responsabilidade que cria movimento e que faz com que as coisas realmente aconteçam.

É alarmante a quantidade de executivos que apesar de possuírem autoridade, se colocam em posição de não serem responsáveis por determinado assunto. Olhe em torno de sua empresa e veja quantos problemas estão pendentes há meses, ou mesmo anos, por que as pessoas que possuem autoridade simplesmente se omitem e postergam suas decisões.

Outro problema comum é achar que o fato de não se ter autoridade signifca não ser responsável por algo. Esse tipo de atitude faz com que as organizações dependam totalmente da hierarquia formal, como se as pessoas abdicassem do seu direito de influenciar os outros e de agir por conta própria. Isso faz com que o compromisso de cada um seja definido apenas pelos limites do formalismo hierárquico, o que cria uma organização fragmentada e com pouca capacidade de criação e de reação.

O problema só não é pior por que vários executivos, apesar de não terem autoridade, sentem-se responsáveis pelos problemas e continuam em busca de soluções alternativas. São profissionais incansáveis, que mesmo sob condições desfavoráveis, e muitas vezes sem qualquer autoridade formal, influenciam e motivam as pessoas na direção de enfrentar as dificuldades e resolver as pendências que surgem.

É triste vermos organizações fazendo um grande esforço para reprimir profissionais que insistem em serem responsáveis, apesar de não terem autoridade formal sobre determinado assunto. Elas entendem que esse tipo de iniciativa questiona a autoridade e deve ser banida, o que me parece um grande erro, e o resultado é uma organização cada vez menos criativa e questionadora, que perpetua idéias antigas e comportamentos do passado.

É claro que a autoridade deve ser respeitada, mas é preciso que a responsabilidade ganhe mais espaço dentro das organizações. As pessoas devem ser incentivadas a serem responsáveis por todos os assuntos que direta ou indiretamente afetem seu desempenho e a manifestarem suas opiniões e idéias, mesmo que isso signifique questionar decisões tomadas pelas pessoas que possuem autoridade.

Se sua organização está sendo guiada mais pela autoridade do que pela responsabilidade, é hora de repensar a forma de administrá-la. Pense em maneiras de equilibrar essas duas forças, ou você irá presenciar uma grande fuga de talentos e um engessamento crescente das idéias e dos comportamentos.

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PP

sábado, 15 de dezembro de 2007

Vítima ou Protagonista

Olá,

Se perguntarmos a qualquer executivo qual dos dois papéis acima prefere exercer, é certo que a resposta ouvida será o de protagonista. Se a pergunta for sobre qual o comportamento que esse executivo exerce na maioria da vezes, novamente a resposta tenderá para o comportamento de protagonista. No entanto, quando avaliamos a atitude de muitos executivos perante as dificuldades do dia a dia, percebemos que o papel de vítima é muito mais utilizado do que se imagina no mundo corporativo.

A verdade é que ser vítima possui benefícios de curto prazo que tornam esse papel muito mais confortável do que o papel de protagonista, principalmente quando enfrentamos situações de fracasso. É por isso que as pessoas preferem instintivamente a posição de vítimas nessas situações.

Tomemos o exemplo de um executivo que falha em sua missão de aumentar o faturamento da empresa em determinado ano. É muito mais confortável atribuir esse fato a problemas econômicos ou à loucura da concorrência, do que reconhecer que suas decisões não foram as mais adequadas ou que seu desempenho pessoal foi abaixo do desejado. No fracasso é mais fácil ser vítima do que protagonista.
Ao mesmo tempo, em um ano de sucesso é muito mais agradável se vangloriar de suas proezas como executivo do que reconhecer que economia foi melhor do que o planejado e a concorrência cometeu erros que não eram previstos. Em momentos de sucesso, todos querem ser protagonistas.

Na maioria das situações os fracassos e sucessos são apenas parciais, o que mascara ainda mais a postura "vitimista" dos executivos. Nesses momentos, a tendência é que as pessoas enfatizem suas vitórias, enaltecendo suas decisões e comportamentos corretos, e diminuam suas derrotas, buscando justificativas externas para elas. A impressão de quem ouve de fora é de que estamos falando com alguém que sabe reconhecer os sucessos e fracassos, e a incapacidade de se responsabilizar na MEDIDA CERTA por cada dos dois opostos passa desapercebida.

Em qualquer evento é preciso reconhecer que existem condições que estão sob controle e outras que simplesmente acontecem, independente de nossa vontade. Sobre o segundo grupo, o máximo que podemos fazer é prever a possibilidade de sua ocorrência mas isso nem sempre é fácil. Sobre o primeiro devemos assumir a responsabilidade e agir conforme a necessidade.

Um executivo protagonista tem a habilidade de analisar os eventos de forma distante e neutra. Reconhecer os fatores sobre os quais possui controle, agindo sobre os mesmos; e os que estão fora de controle e deverão ser observados para, na medida do possível, serem neutralizados ou potencializados. Sua atitude é de assumir sua parte da responsabilidade por cada evento, ao mesmo tempo aceitando que não é capaz de controlar todas as variáveis e de que nem todo sucesso depende de suas habilidades.

Ser vítima, ao contrário, é abrir mão de forma seletiva sobre sua parte da responsabilidade pelos eventos. Um executivo vítima valorizar demais sua responsabilidade pelos sucessos e terceiriza a responsabilidade pelos fracassos.
É muito comum encontrarmos executivos de alto nível fazendo várias críticas a outras pessoas que o impedem de fazer as coisas como deveriam ser feitas, ou que fazem coisas que prejudicam sua performance e da organização. Ao mesmo tempo, são relativamente raros os momentos em que esses mesmos executivos avaliam suas falhas ou reforçam sua responsabilidade sobre os fatos negativos. Não tenho dúvida que esses executivos estão assumindo o papel de vítimas e deveriam repensar seus comportamentos.

Procure avaliar sua atitude perante as dificuldades e reflita sobre o seu grau de responsabilidade sobre eles. Se sua avaliação for de que possui pouca responsabilidade sobre as coisas que acontecem, talvez seja hora de repensar seu comportamento.

Um última dica. Se preocupe com o seu grau de vitimização e esqueça o dos outros. Você não tem como controlar o comportamento dos outros mas tem obrigação de fazê-lo consigo mesmo.

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PP

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Estilos de Negociação

Olá,


O processo de negociação é parte de nossas vidas, mesmo que nunca tenhamos atuado como executivos. Negociamos o tempo todo, com diversas pessoas, e por diversos motivos. Não há como conviver em sociedade sem que se tenha um mínimo de habilidade para negociar e para isso é necessário observar alguns fundamentos básicos.


A primeira coisa a saber é quais são os estilos de negociação que estão presentes em cada lado da mesa. Duas pessoas competitivas levarão a negociação por um caminho muito diferente de uma negociação feita entre duas pessoas mais flexíveis ou de um par composto por uma pessoa flexível e uma mais competitiva. A dança da negociação será diferente e exigirá estratégias diferentes dependendo de quem está do outro lado da mesa.

Segundo Richard Shell, em seu livro Negociar é Preciso, o estilo de negociação está diretamente relacionado com a forma como as pessoas lidam com o conflito.

Uma pessoa que prefere evitar o conflito tem tendência a evitar negociações ou abreviá-las, cedendo rapidamente. Por outro lado, uma pessoa que adora o conflito tende a ser muito competitiva, buscando sempre vantagem. Pessoas que preferem buscar soluções de consenso para os conflitos, surgem normalmente com formas criativas de fazer com que todos ganhem, mesmo em situações difíceis de negociação.

É claro que ninguém é totalmente competitivo ou colaborador. Todos somos uma mistura de estilos e o que varia é a intensidade com que cada comportamento ocorre. Também é bom lembrar que o estilo de negociação pode variar drasticamente dependendo do valor e dos riscos envolvidos com a negociação. Quanto maiores forem os riscos, mais próximos de um dos pólos, tendemos a ficar.

Saber reconhecer seu próprio estilo predominante e o estilo da outra parte, ajudará a conduzir melhor a negociação e aumentará as chances de sucesso para ambos. Um erro comum nos negociadores iniciantes é considerar que a outra parte pensa da mesma maneira que eles mesmos. Esse tipo de pensamento, leva a interpretações erradas que podem simplesmente destruir uma negociação.

Tomemos um exemplo de um negociador competitivo que enfrenta uma pessoa colaboradora em determinada negociação.

A cada pedido do negociador competitivo haverá uma tendência à concordância por parte do colaborador, o que para o primeiro irá soar como grande margem de negociação. Afinal, para ele ninguém é capaz de concordar com uma exigência, a não ser que tenha uma margem de manobra muito alta. Consequentemente, ele irá pressionar e pressionar, até que a outra parte demonstre mais resistência, sinal de que a margem de manobra foi reduzida.

Por outro lado, a cada rodada de solicitações o negociador colaborador irá sentir-se mais frustrado. Ele não entende por que sua colaboração parece não ser reconhecida e acaba sendo retribuída com exigências maiores e maiores.

O resultado desse tipo de negociação tende a ser muito ruim para a pessoa mais flexível, mas não garante sucesso ao negociador competitivo. O desequilíbrio pode ser tão forte que leva ao rompimento do relacionamento. Tanto a pessoa colaboradora, por sentir-se maltratada, pode desistir do negócio; quanto a pessoa competitiva pode sentir-se enganado por alguém que é capaz de apresentar uma proposta inicial tão "ultrajante" e depois reduzi-la tão rapidamente.

Negociar é uma dança. Um precisa do outro para ter sucesso e a melhor maneira de tornar essa dança harmoniosa é respeitar os movimentos da outra parte. Se uma parte colabora, talvez seja hora da outra colaborar um pouco. Se uma parte endurece a posição, é importante que se seja firme, mesmo que para colaborar. Se alguém sugere uma solução de consenso, é importante considerá-la e aperfeiçoá-la.

Muitas pessoas me perguntam se é melhor ser mais competitivo ou mais colaborador. Vários estudos demonstram que o estilo colaborador, sem ser passivo em demasia, é mais efetivo do que o estilo puramente competitivo. As pessoas preferem negociar com alguém que demonstre respeito pelos interesses da outra parte, o que uma pessoa colaboradora faz com mais naturalidade.

Na próxima vez que você estiver em uma mesa de negociação, avalie o estilo da outra parte e confronte com o seu. A partir dessa avaliação procure interpretar cada movimento de seu oponente sob a ótica dele e reaja sempre de maneira a buscar seus objetivos, sempre respeitando os interesses e o estilo da outra parte. Assim como na dança, aos poucos esse processo vai se tornando natural e você será cada vez mais hábil na dança da negociação.

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PP


Negociar o passeio de final de ano com a família, o valor da casa nova com o vendedor ou a mesada dos filhos que crescem pode ser tão desafiante quanto um contrato de vários milhões de dólares, tudo depende do estilo de negociação de quem está envolvido. Portanto,

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Como ser um grande executivo?

Olá,

Algumas pessoas me perguntam que tipo de cursos devem fazer para ser um grande executivo no futuro. Trata-se de uma pergunta realmente difícil e não tenho como respondê-la com uma lista que sirva a qualquer pessoa.

A todos que possuem essa dúvida, meu conselho é de que procurem se especializar em algo que gostem de estudar. Não importa muito qual seja a área escolhida. Existem grandes executivos provenientes de todas as áreas de atuação e em todos os campos do conhecimento. O importante é que você domine o conhecimento necessário para a sua profissão.

Mas treinamentos e cursos não são suficientes para ser um bom executivo. Existem outros ingredientes importantes que não devem faltar.

Primeiro, é necessária dedicação a seus objetivos e disponibilidade para enfrentar novos desafios. É essa vontade de buscar sempre coisas novas que faz com que as pessoas cresçam em suas carreiras.

Outro componente importante é a disciplina em seguir seus valores e princípios. Um grande executivo deve ser justo, transparente e honesto, mantendo sempre sua integridade. Não existe sucesso perene quando são utilizados recursos não corretos para se conseguir objetivos.

Autenticidade e real interesse pelas outras pessoas também ajudam muito. Assim como na socieda, no mundo executivo também vale a máxima de que é dando que se recebe. Aquele que ajuda os outros a terem sucesso em suas carreiras recebe muito mais apoio do que o egoísta e invejoso, que só pensa em si mesmo.

No mais, o que importa é trabalhar bastante e não se preocupar demais com o objetivo final. Com o tempo a gente aprende que se o caminho está correto, o destino uma dia chegará. Pode demorar um pouco, mas ele chegará.

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PP

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Falando em Público

Olá,

Não basta ser competente tecnicamente para se ter sucesso. É importante saber se comunicar, ouvindo ativamente e vendendo bem suas idéias.

Ter habilidade de falar um público não é mandatório na carreira de um executivo. Conheço vários profissionais de muito sucesso que odeiam falar perante uma platéia e fazem de tudo para não serem escalados para uma apresentação.

Apesar de não ser mandatório, saber se apresentar em público com fluidez e objetividade é uma habilidade que ajuda muito no crescimento profissional. Não importa se o público é um pequeno grupo de diretores de sua empresa ou uma platéia com milhares de pessoas, saber transmitir o seu recado de forma interativa e amistosa faz muita diferença.

Muitas pessoas possuem medo de falar em público e se dizem incapazes de fazê-lo. Talvez algumas delas tenham realmente muita dificuldade e lhes reste se contentar em transitar nos bastidores dos projeto, mas gostaria de utilizar esse espaço para contar-lhes uma história que talvez ajude-os a vencer esse desafio.

Nos últimos 20 anos trabalhei nas áreas de vendas e marketing no segmento de tecnologia. Como minha origem é técnica, domino razoavelmente bem o conteúdo das soluções que vendo e posso falar praticamente de qualquer coisa em minha área de atuação.

Minha disposição para apresentar em público é tão grande que já recebi apelidos como "o rei do microfone", "doutor sabe tudo" e "apresentador oficial de qualquer coisa". Brincadeiras a parte, o fato é que sempre que é necessário fazer uma apresentação importante, meu nome é lembrado, o que me fez ser conhecido pelo mercado como uma referências nas áreas que atuei.

Lendo os dois parágrafos anteriores você deve estar pensando que sou uma pessoa extrovertida, gosta de multidões e tem muita facilidade para se relacionar, daquele que vive procurando festas e reuniões para participar. Pois é, sou justamente o oposto.

É claro que gosto de estar com as pessoas e até aprendi ao longo do tempo a iniciar relacionamentos e a participar de algumas festas, mas confesso que não é a minha maior habilidade. Ocorre que na profissão que escolhi, estar em contato com pessoas novas não é uma opção, mas um dever, e eu precisei aprender a me soltar e a me comunicar com mais desenvoltura.

Uma pessoa que assista a uma de minhas palestras ou treinamentos e me veja performando de maneira solta e articulada, não faz idéia que essa mesma pessoa aos vinte anos tinha vergonha de entrar em um bar e perguntar o preço de um sanduiche ou de um refrigerante. Também não imagina que esta mesma pessoa colocava as mãos no bolso em suas primeiras apresentações para que a audiência não notasse a tremedeira compulsiva por que passava durante toda a sessão.

Qual o segredo dessa mudança? Vou resumir em três passos que recomendo aplicar em suas próprias vidas.

1) Querer de verdade ser alguma coisa ==> Eu sempre quis trabalhar com gente, muita gente, é não seria possível fazê-lo sem vencer meus próprios obstáculos. Sempre digo a meus subordinados que devemos nos esforçar a ser o que ainda não somos e queremos ser, pois o que já somos, seremos naturalmente.

2) Persistir até conseguir ==> Não importa que dê errado as primeiras vezes, com o tempo as coisas vão se tornando naturais. É o mesmo processo de andar de bicicleta, aprender a surfar ou qualquer outra atividade especializada. Se você não persistir, provavelmente vai desistir antes de aprender. Se ao contrário, souber persistir, mais cedo ou mais tarde vai aprender.

3) Se visualizar conseguindo ==> Pode parecer um conselho sem sentido, mas acho que vale a pena tentar. Antes de qualquer situação em que suas habilidades sejam colocadas a prova, procure se imaginar tendo sucesso nessa posição. Imagine o cenário e se veja atuando de forma ideal e sendo reconhecido por sua performance. Comemore sua vitória e diga para si mesmo que tudo vai dar certo.

4) Se preparar para cada batalha ==> Nada se consegue sem planejamento e estudo. Por mais que você seja desorganizado, reserve um tempo para se preparar antes de cada desafio. O tempo utilizado vai ser mais do que compensado, vai fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Não tenha medo de tentar. Você vai ver que depois de algum tempo falar em público vai parecer tão natural quanto andar de bicicleta.

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PP

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Viajar é Preciso

Olá,

As organizações estão ampliando suas fronteiras e as pressões por redução de custos faz com que os executivos tenham áreas geográficas de atuação cada vez maiores. Não importa se sua empresa é nacional ou multinacional, as viagens de negócio são inevitáveis e cada vez mais freqüentes, o que representa um grande sacrifício para a maioria dos executivos.

Há alguns anos atrás os gerentes de nível intermediário eram os que mais viajavam. Passavam os meses de aeroporto em aeroporto, tendo pouco tempo para dedicar a sua vida pessoal, mas aproveitando para aprender muito, conhecer novos lugares e culturas, e demonstrar sua vontade de crescer na organização. Era puxado e afetava o relacionamento desses gerentes com suas famílias, mas se tudo desse certo, as promoções viriam e com elas uma quantidade menor de viagens e mais tempo para dedicar à família.

Hoje o cenário mudou drasticamente. Quanto mais subimos na organização, maiores são nossas áreas de atuação, e viagens mais longas e mais freqüentes tomam completamente nossas agendas. São comuns exemplos de executivos seniores que passam mais de 200 dias em viagens de negócios, o que sinceramente me parece uma insanidade.

É importante refletir um pouco sobre essa realidade e entender os reflexos que ela causa na vida desses profissionais. Muitos casamentos e famílias são destruídos por esse novo estilo de vida e essa conta é paga principalmente por eles próprios e por suas famílias.

Não é por acaso que a maioria dos altos executivos se declaram infelizes apesar do sucesso profissional. Eles estão sendo escravizados pelo caminho de sucesso que escolheram, pagando um preço muitas vezes superior aos benefícios que buscavam. O aparente sucesso de suas carreiras esconde um grande fracasso de seus planos iniciais de vida, o que não deveria acontecer com pessoas tão brilhantes.

A coisa fica ainda pior quando nos damos conta que cada vez é mais freqüente a configuração de família em que os dois conjugues são executivos. Salvo raríssimas exceções, não há família que resista a esse tipo de arranjo e a chance de encontrarmos filhos órfãos de pais vivos neste tipo de família é enorme.

Todos sabemos que as empresas continuarão a ampliar suas fronteiras e que as viagens, apesar de poderem em alguns casos serem substituídas, continuaram a existir. Mas como lidar com os efeitos dessa realidade e o que podemos fazer para reduzí-los é uma questão que teremos que resolver em breve.

Meu objetivo é escrever um artigo sobre sugestões de como endereçar esse problema. Se você tiver sugestões, por favor, me envie seus comentários. É partir deles que construirei esse novo texto.

PP

sábado, 8 de dezembro de 2007

Quando é hora de partir

Olá,

Mais cedo ou mais tarde você vai ter que encarar o momento de partir de sua organização. Pode ocorrer de repente ou ir amadurecendo aos poucos, por sua decisão ou por decisão da empresa, mas é certo que um dia seu ciclo irá terminar e é bom estar preparado para esse momento.

A mais dura das partidas ocorre quando você sente que está abrindo mão do que realmente gosta por não suportar mais alguma coisa que lhe faz muito mal. Enfrentei essa situação duas vezes em minha vida profissional e posso garantir que não é a experiência mais agradável do mundo.

Esse tipo de partida amadurece aos poucos e apesar de gerar dor e tristeza, é sinal de crescimento. Partir dessa forma significa se desapegar de suas próprias realizações e ter coragem de recomeçar; de aprender coisas novas; e de buscar novos relacionamentos.

Não importa se a motivação foi se afastar de algo ruim ou simplesmente buscar o novo, o que importa é que algo de se orgulhar foi realizado e a oportunidade de repetir esse ciclo em outro ambiente está colocada. Procure não guardar mágoas e mantenha os relacionamentos que você conquistou ao longo de sua estada. Eles são seu patrimônio, do qual você deve zelar como faz com seu dinheiro.

Evite ficar remoendo o passado e procure se manter afastado da organização anterior por um tempo. Reagir ao afastamento aumenta o apego ao passado e retira energia do presente, necessária para construir o futuro.

Outra partida difícil ocorre quando a iniciativa parte da organização, em um momento em que não esperamos que aconteça. De um dia para outro somos forçados a arrumar nossos pertences e sair para não mais voltar, muitas vezes sem entender porque.

Não é fácil se preparar para esse tipo de situação, mas se acontecer é preciso reagir de maneira positiva, aprendendo algo para o futuro. Aproveite para refletir sobre o que fez a empresa tomar essa decisão. Procure não acumular mágoa e tente transformar sua tristeza e ressentimento em aprendizado. Se for útil para você, utilize o guia de pensamento abaixo:

- Se você acha que foi demitido por que seu desempenho não foi satisfatório, pense em como ser mais produtivo na próxima oportunidade. Avalie se você estava na posição adequada ao seu perfil e procure se preparar melhor para o próximo desafio.

- Se você acha que foi demitido por conta de seus comportamentos ou atitudes, sejam eles quais forem, avalie o que você ganha ou perde com isso. Procure considerar o impacto não só no trabalho mas também em sua vida pessoal. Se você acha que ganha mais do que perde, procure um lugar onde as pessoas valorizem esse tipo de comportamento ou atitude. Se a conclusão for outra, procure modificá-los e evite que essa situação se repita no futuro.

- Se você acha que foi demitido injustamente, antes de mais nada tente buscar um motivo justo para que você tenha sido demitido. Se mesmo assim não encontrar, esqueça o que passou e vá em frente. Provavelmente você foi mesmo demitido injustamente, tendo tudo para dar certo na próxima empreitada. Mas cuidado ! Se a situação se repetir mais de duas vezes, e ainda assim você acha que continua sendo demitido injustamente, é hora de procurar ajuda de um terapeuta ou de um profissional de coaching.

- Se você foi demitido por razões que fogem ao seu controle, como redução de custos ou renovação de quadro, reavalie sua carreira. Por algum motivo, seu valor já não é o mesmo de antigamente e talvez seja hora de se reciclar. A não ser em casos especiais como o fechamento de unidades ou empresas, aceite que as pessoas que ficaram estavam mais preparadas que você. Procure preservar sua auto-estima, mas pense no que pode fazer para melhorar sua avaliação.

Seja qual for o motivo de sua partida, se concentre na próxima jornada e procure deixar para trás o passado. Leve consigo somente as lembranças boas e os amigos que você conquistou. Lembre-se que o mais importante de qualquer viagem é a própria jornada, e não o destino final.

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PP

Líderes Solitários

Olá,

Hoje gostaria de falar sobre o excesso de solidão que o sistema recomenda aos líderes.

Durante toda minha carreira ouvi a expressão "o poder é solitário" e fui orientado várias vezes a manter o sigilo sobre fatos, pensamentos e planos que impactavam a organização e as pessoas.

Algumas vezes segui os conselhos e guardei para mim o peso e a dúvida de como reagir ou proceder face a determinadas situações. Em outros momentos, transgredi um pouco e procurei compartilhar com pessoas de confiança minhas dúvidas e desconfortos, discutindo mais abertamente minhas idéias e intenções e buscando validar minhas teorias. O balanço desses momentos de solidão completa e de compartilhamento controlado não me deixam dúvida sobre as vantagens de compartilhar.

Compartilhando seus pensamentos e percepções, você tem a oportunidade de refletir em voz alta, de validar ou reformar suas idéias e de testar seu raciocínio. Além disso, compartilhar suas angústias e temores provoca um grande alívio e ajuda a recompor suas energias. Por último, é uma demonstração de respeito e confiança que na grande maioria das vezes será retribuída com admiração, colaboração e lealdade.

Não estou advogando a postura tagarela e descontrolada, contando tudo e a todos, mas sim o compartilhamento de suas dúvidas, desconfortos, receios e idéias com pessoas da organização que sejam de confiança e que possam ajudá-lo a refletir e a elaborar melhor suas percepções.

Apesar de ser um conselho comum aos líderes, sinceramente não creio que o isolamento e o sigilo absoluto seja a melhor maneira de encarar os grandes problemas. Afinal, diz um ditado popular que duas cabeças pensam melhor do que uma.

Se você estiver em alguma situação crítica, pense na possibilidade de tentar esse novo caminho e compare os resultados com a opção do isolamento. Em minha experiênca pessoal, os resultados serão melhores.

Se você tem experiências a compartilhar comigo sobre esse tema, por favor me envie um e-mail no endereço paulo.pinho@uol.com.br. Estou muito interessado em aprofundar minha análise sobre esse tema.

PP

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Equipes de Alta Performance

Olá,

Trabalho em equipe é um conceito muito utilizado nos discursos internos das empresas mas mal compreendido e aplicado na maioria das vezes.

É comum vermos grupos de pessoas forçadas a trabalhar umas com as outras, gerando mais entropia do que trabalho, e chegando a um resultado final por conta do esforço concentrado de poucos. Definitivamente não podemos chamar isso de uma equipe de alta performance.

Também é comum encontrarmos grupos de pessoas liderados por gerentes definidores, que distribuem tarefas a cada membro do grupo, monitoram o andamento das tarefas e coordenam ações que corrijam desvios que comprometam os objetivos do grupo. Apesar de mais eficiente do que o primeiro caso, sendo um modelo válido para vários tipos de projetos, esse modo de trabalhar também não deve ser chamado de trabalho em equipe.

Para se ter uma equipe de alta performance é necessário que se tenha pessoas com competências complementares, que se alinham em torno de um objetivo comum e compartilham a responsabilidade e a execução das tarefas para atingir esse objetivo.

Na definição acima coloquei em destaque três pontos que me parecem os mais relevantes para identificar o real trabalho em equipe e que gostaria de detalhar um pouco mais.

Primeiro é preciso que haja complementariedade de conhecimento e de habilidades. Um grupo de pessoas com as mesmas habilidades, fazendo basicamente o mesmo, não significa trabalhar em equipe, mas em paralelo. Uma equipe é criada para buscar o desenvolvimento de algo que um único indivíduo não seria capaz de criar.

No desenvolvimento de um novo carro, por exemplo, é preciso aglutinar conhecimentos de diversas origens diferentes. São necessários conhecimentos de materiais, de mecânica, de eletrônica, de design, de normas de segurança, de marketing, de fabricação, entre outros. Sem que ocorra verdadeiro trabalho em equipe, um novo modelo de carro jamais seria lançado.

O segundo passo é ter um objetivo comum, sem o qual as pessoas perdem produtividade ou se lançam cada uma em seu projeto individual. Ter um grupo de pessoas brilhantes e motivadas sem que sejam definidos objetivos claros pode ser muito ineficiente e desgastante.

De certa forma, toda equipe recém-formada passa por um período onde não existe objetivo comum. É um momento de grande confusão, onde alguns simplesmente não sabem por que estão ali, enquanto outros pensam saber mas não conseguem chegar a um acordo. A liderança tem papel fundamental na definição e na divulgação do objetivo, sendo responsável por garantir que TODOS se alinhem em torno de um objetivo comum.

Definido o objetivo, começa a parte mais difícil, que é definir a forma como as tarefas serão feitas e quem será responsável por cada parte. Diferente no modelo citado acima, a forma não é imposta mas obtida a partir da discussão e da busca do consenso. Observar uma equipe neste momento nos faz compreender porque as guerras existem. Todos querem o mesmo objetivo mas cada um prefere um determinado caminho e o processo de negociação pela melhor maneira de fazer as coisas é muitas vezes demorado e doloroso.

A liderança muda de papel e passa a ser um facilitador de exposição de idéias, de esclarecimento de posições e de resolução de conflitos. Isso ocorre por que o conhecimento específico está distribuído em cada elemento da equipe e é preciso fazer com que todos participem, se façam compreender e se compreendam uns aos outros.

Quando os três componentes acima estão presente, temos o que chamamos de uma equipe de alta performance, e os resultados são impressionantes.

Você tem dúvida que seja assim? Então procure olhar em torno e procure avaliar as equipes das quais você faz parte ou que existem em sua organização ou fora dela. Verifique se os componentes acima estão presentes e avalie em que grau. Compare a aderência de cada equipe aos fatores acima com a performance das mesmas. Você vai constatar que as equipes de alta performance produzem resultados realmente surpreendentes.

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PP

Família e Trabalho

Olá,

O tema família e trabalho é o calcanhar de Aquiles da maioria dos executivos bem sucedidos que conheço. Quase a totalidade deles sente que está devendo mais atenção a suas famílias e gostariam de ter mais tempo para si e para aqueles que amam.

É um paradoxo cruel, mas ao mesmo tempo que trabalhamos e buscamos o sucesso em nome de nossas famílias, tornamos o relacionamento mais distante e frágil. Se por um lado nosso trabalho traz conforto material, por outro nos afasta do dia a dia da família e pode nos tornar verdadeiros estranhos em nossas próprias casas.

Não vou simplificar essa equação pois vivi na pele a angústia que relato acima. Sei o quanto é difícil resolver a questão e prefiro reforçar alguns pontos que ajudarão o leitor a refletir e buscar seu próprio caminho.

Se você está vivendo o dilema trabalho ou família, considere os seguintes pontos:

1 - Qual o objetivo mais importante em sua vida, o sucesso na carreira ou a convivência com sua família?

2 - Será que é realmente necessário dedicar tanto tempo ao trabalho? Não dá para reservar uma parte do tempo para outras coisas que você aprecia?

3 - Por que ficar até tarde conversando sobre fofocas e temas pequenos em vez de ir para casa mais cedo? Será que não existem problemas em casa a serem resolvidos para que você prefira ir para casa a perder seu tempo no trabalho?

4 - Quando você está em casa, está realmente se dedicando a família ou simplesmente trabalhando em outro lugar? Você realmente gosta de ficar com a família? Se não, o que está errado?

5 - A empresa onde você trabalha o manteria no cargo se você não atingisse seguidamente seus objetivos? Você espera que sua parceira e seus filhos o tratem de maneira diferente? Por que?

6 - Pense em quantas horas de trabalho a menos você deveria ter para dobrar o número de horas que fica ACORDADO com sua família. Você vai se surpreender com essa conta.

Ao final da reflexão, procure pensar em coisas simples que possam melhorar sua relação trabalho e família. Algumas dicas que posso dar são as seguintes:

0 - Pense nas frustrações e dificuldades familiares que o fazem preferir estar no trabalho a conviver com a família e procure resolvê-las. Sem isso, você vai ter muita dificuldade em mudar.

1 - Não deixe de tirar férias e de dedicá-las ao convívio com sua família. Lembre-se que férias e um direito seu e um dever da empresa.

2 - Procure definir um horário limite para sair do trabalho e esqueça quantas pessoas estão em volta no momento em que você sair e que poderão criticá-lo por sair mais cedo. O horário de saída não tem correspondência direta com o desempenho.

3 - Reserve os finais de semana para a família. Evite acessar seu e-mail, mas se for realmente necessário, faça-o nos momentos em que a família não está em torno de você.

4 - Delegue as tarefas que podem ser delegadas. Assuma somente as tarefas que são possíveis de serem realizadas no horário planejado de trabalho.

5 - Evite longas conversas no trabalho que não levam a nada. Fofocas, reclamações em fim, todas elas roubam nosso tempo e em nada ajudam a melhorar o ambiente de trabalho. Utilize parte do tempo preservado para dedicar a sua família.

5 - Não se escravize pelo objetivo de acumular dinheiro. Só faz sentido acumular se for possível utilizar esse recurso para nossos objetivos.

6 - Em vez de presentes e regalias, procure dar carinho e atenção a seus familiares. Eles vão dar muito mais valor a esse tipo de benefício.

7 - Sempre que falhar nos itens anteriores, tenha certeza de que vai se perdoar. Lembre-se que o seu maior objetivo é ser feliz. Se culpar por ter falhado, o afasta desse objetivo e, no longo prazo, diminui sua capacidade de fazer os outros felizes.

Chega de dicas. É você que tem que encontrar o seu próprio caminho.

PP