Olá,
Todos concordam que é muito importante manter uma rede de contatos ativa. Seja por razões pessoais ou profissionais, o fato é que as pessoas com quem mantemos contatos mais freqüentes são as mais indicadas para nos ajudarem a suportar e a contornar as maiores dificuldades que a vida nos apresenta.
Mas como fazer para não perder o contato com as pessoas na agitada vida que levamos? Uma maneira que se mostrou muito eficaz para mim e que recomendo utilizar é varrer a agenda telefônica do celular de vez em quando.
É impressionante como o hábito de varrer sua agenda telefônica nos faz lembrar de pessoas extremamente importantes que o dia a dia nos faz colocar em segundo plano na memória. Velhos amigos, colegas de empresas anteriores, ex-funcionários e chefes, estão todos lá, esperando nosso contato.
As primeiras vezes em que repassei minha agenda percebi o quanto havia perdido por não ter feito antes. Velhos e bons amigos já haviam mudado seu telefone celular ou mesmo residencial e cheguei a perder totalmente o contato de alguns deles. Em outros casos, a vergonha de não ter procurado mais por tanto tempo uma pessoa tão importante me fez pensar várias vezes antes de fazer a ligação.
Apesar da insegurança em travar contato novamente com alguns velhos amigos sem saber como seria a reação deles, posso afirmar que a experiência é ótima. A cada ligação me sentia mais feliz e percebia a felicidade e o espanto de meus amigos. A grande maioria agradecia muito pela ligação e vários deles voltaram a ser parte do meu círculo mais próximo de amizade.
Um efeito colateral adicional foi que minha agenda telefônica passou a ficar mais atualizada. Nos casos de mudanças de telefone, acabava sendo informado por e-mail de forma antecipada e mesmo quando o telefone mudava, muitas vezes era possível recuperá-lo com outros amigos ou mesmo escutando as mensagens temporárias de mudança de número.
É claro que alguns nomes não me traziam qualquer lembrança importante. Outros, inclusive, traziam más recordações. Nesses casos, tratava de limpar os registros que não faziam mais sentido manter.
Varrer minha agenda telefônica faz lembrar de pessoas importantes e me obriga a falar com elas de vez em quando. É uma maneira de ajudar a memória a não esquecer dos velhos e bons amigos, assim como daqueles com quem devo manter contato profissional com alguma freqüência.
Faça uma experiência. Pegue seu celular e vá passando sua lista de contatos um a um. Para cada amigo com quem não fala há algum tempo, faça uma ligação de cortesia. Aproveite para saber como ele está, o que está fazendo e como andam as coisas. Conte a eles seus planos e projetos e procure estabelecer próximos encontros que permitam manter o contato. Pode ser um almoço, uma visita, ou mesmo uma atividade comum. Você vai ver sua agenda lotar de que encontros agradáveis e sempre proveitosos e vai se sentir muito mais feliz.
De vez em quando, repita a tarefa de varrer sua lista de contatos. Se preferir, faça a cada período uma parte da lista, mas não deixe de revisitar sua agenda telefônica de vez em quando. Vai valer a pena.
Se você tem comentários a fazer sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Será um prazer ler e responder seu e-mail.
PP
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Véspera de Natal
Olá,
O Natal sempre foi uma data muito esperada por mim. A sensação de ver a família reunida, os cheiros das comidas típicas da ocasião, os presentes tão esperados durante os meses anteriores, e o simbolismo em torno da data me fazem ver o Natal como a data mais importante do ano.
Mas nem todas as sensações trazidas pelo Natal são tão prazerosas assim. Por vezes, os presentes recebidos nos deixam uma estranha sensação de frustração por não terem sido aquilo que esperávamos. As reuniões familiares nem sempre são somente harmonia e em muitas situações o que era para ser uma festa se transforma em dor e sofrimento. Em alguns casos, a falta de um ente querido torna inviável qualquer tipo de comemoração.
Mesmo assim, o Natal ainda desperta fascínio na grande maioria das pessoas e a pergunta que fica é por que?
Minha opinião é de que o segredo do Natal está no turbilhão de emoções que ele desperta nas pessoas. Sejam agradáveis ou não, a verdade é que na época do Natal todos somos tocados de alguma maneira com a poderosa energia das emoções.
Durante todo o ano somos tomados de várias emoções. Sentimos angústia quando o trânsito nos atrasa mais de uma hora; raiva da pessoa que nos ofende; tristeza ao vermos uma criança pedindo dinheiro no sinal de trânsito. Por outro lado, sentimos prazer quando recebemos velhos amigos, quando conquistamos uma vitória profissional, ou quando percebemos que as pessoas estão felizes. Mas é na época do Natal que essas emoções se apresentam de forma mais evidente e tocam mais profundamente.
A razão do Natal aumentar nossa capacidade de sentir e refletir sobre as emoções está associada a preparação que ocorre em torno dessa data. Os enfeites espalhados pela cidade, as mensagens de amor e esperança que são divulgadas por toda parte, os eventos de confraternização que são organizados, tudo isso faz com que nos aproximemos de nossa natureza humana, saindo do automatismo que nos domina ao longo do ano.
Não importa se as emoções vividas são agradáveis ou não, mas o Natal nos faz viver mais itensamente. Ele potencializa nossos sentidos e nos torna mais atentos ao que está acontecendo e mais abertos para dar e receber. Saber aproveitar o momento de Natal é uma atitude de extrema sabedoria. Uma oportunidade única de acelerarmos nosso crescimento, de resolvermos velhas pendências e de buscarmos novas energias para um novo ano.
É nesse contexto que gostaria de desejar a todos um Natal cheio de emoções que nos façam refletir sobre nossas vidas e nossa missão na Terra.
Um Grande Abraço,
PP
O Natal sempre foi uma data muito esperada por mim. A sensação de ver a família reunida, os cheiros das comidas típicas da ocasião, os presentes tão esperados durante os meses anteriores, e o simbolismo em torno da data me fazem ver o Natal como a data mais importante do ano.
Mas nem todas as sensações trazidas pelo Natal são tão prazerosas assim. Por vezes, os presentes recebidos nos deixam uma estranha sensação de frustração por não terem sido aquilo que esperávamos. As reuniões familiares nem sempre são somente harmonia e em muitas situações o que era para ser uma festa se transforma em dor e sofrimento. Em alguns casos, a falta de um ente querido torna inviável qualquer tipo de comemoração.
Mesmo assim, o Natal ainda desperta fascínio na grande maioria das pessoas e a pergunta que fica é por que?
Minha opinião é de que o segredo do Natal está no turbilhão de emoções que ele desperta nas pessoas. Sejam agradáveis ou não, a verdade é que na época do Natal todos somos tocados de alguma maneira com a poderosa energia das emoções.
Durante todo o ano somos tomados de várias emoções. Sentimos angústia quando o trânsito nos atrasa mais de uma hora; raiva da pessoa que nos ofende; tristeza ao vermos uma criança pedindo dinheiro no sinal de trânsito. Por outro lado, sentimos prazer quando recebemos velhos amigos, quando conquistamos uma vitória profissional, ou quando percebemos que as pessoas estão felizes. Mas é na época do Natal que essas emoções se apresentam de forma mais evidente e tocam mais profundamente.
A razão do Natal aumentar nossa capacidade de sentir e refletir sobre as emoções está associada a preparação que ocorre em torno dessa data. Os enfeites espalhados pela cidade, as mensagens de amor e esperança que são divulgadas por toda parte, os eventos de confraternização que são organizados, tudo isso faz com que nos aproximemos de nossa natureza humana, saindo do automatismo que nos domina ao longo do ano.
Não importa se as emoções vividas são agradáveis ou não, mas o Natal nos faz viver mais itensamente. Ele potencializa nossos sentidos e nos torna mais atentos ao que está acontecendo e mais abertos para dar e receber. Saber aproveitar o momento de Natal é uma atitude de extrema sabedoria. Uma oportunidade única de acelerarmos nosso crescimento, de resolvermos velhas pendências e de buscarmos novas energias para um novo ano.
É nesse contexto que gostaria de desejar a todos um Natal cheio de emoções que nos façam refletir sobre nossas vidas e nossa missão na Terra.
Um Grande Abraço,
PP
sábado, 20 de dezembro de 2008
Olhando a crise de forma diferente
Olá,
Hoje pela manhã me dei conta de que não ainda não comentei os efeitos da crise na carreira e na vida pessoal dos executivos. É certo que no Brasil estamos prevendo um impacto menor do que em outros países, mas mesmo assim me chamou a atenção o fato de não ter dado atenção a um evento tão presente no dia a dia das discussões dos executivos.
Minha primeira avaliação foi de que não concentrei minhas atenções no assunto por não ter sido verdadeiramente impactado por ela. Depois, com um pouco de reflexão concluí que essa afirmação estava longe de ser verdadeira. Como a maioria dos executivos acima dos quarenta anos, possuo parte de minhas reservas financeiras aplicadas no mercado de renda variável. Não dá para dizer que perder 40% do valor dessas aplicações é um impacto desprezível.
Mesmo com a constatação de que fui realmente impactado pela crise, a verdade é que continuo não me sentindo preocupado com o futuro. Ao contrário, tenho a esperança realista de que a perda percebida será recuperada em 2 ou 3 anos e estou avaliando seriamente a possibilidade de aumentar meus investimentos no mercado de ações.
De onde vem tanta esperança e tranqüilidade? Acho que vem de minha nova maneira de viver e gostaria de contar um pouco para vocês as mudanças pelas quais tenho passado nos últimos quatro anos. Talvez essa informação possa ajudar alguns de vocês a procurarem um pouco mais de paz e tranqüilidade.
Minha carreira como executivo começou há pouco mais de 20 anos, quando fui convidado para a minha primeira posição de gerência. Naquela época, com cerca de 26 anos, tomei a oportunidade como única e me entreguei de corpo e alma ao papel de executivo.
Em menos de 4 anos me tornei diretor de uma importante empresa nacional da área de tecnologia, ainda durante o período de reserva de mercado. Sem dúvida, uma carreira de sucesso em um mercado altamente competitivo. Mas o sucesso como executivo não veio sem custo...
Fui me tornando um cara durão, extremamente orientado a resultados, daqueles que pouco comemorava e sempre estava insatisfeito com o estado das coisas. Apesar de em geral ser admirado como líder, era muitas vezes odiado pela maneira direta e brutalmente franca com que colocava minhas opiniões sobre as pessoas e as situações. Sem dúvida conseguia fazer as pessoas produzirem muito, mas hoje tenho a consciência de que poderia ter conseguido o mesmo ou mais um pouco sem causar tanto desconforto e sofrimento.
Na área da saúde tive meus maiores prejuízos. Engordei mais de 20Kg em cerca de 10 anos, tive alguns sustos com dores no peito e sou usuário de remédios para a pressão arterial desde os 35 anos de idade.
Mesmo sendo odiado por muitos e acumulando problemas de saúde mantive meu ritmo por um bom tempo. Afinal, as coisas continuavam dando certo e o sucesso financeiro e profissional é uma boa maneira de esquecer os fracassos pessoais.
Foi aí que a vida começou a me ensinar algumas coisas importantes.
O primeiro ensinamento veio da própria vida profissional. Depois de vários anos de sucesso contínuo, vieram os primeiros anos de dificuldade. As metas profissionais, antes sempre atingidas, passaram a ser um sonho impossível de atingir e a frustração de não atingi-las um pesadelo diário.
Foram alguns anos de luta intensa em busca de resultados melhores, em um projeto que parecia impossível de ser concluído. Talvez os piores e mais importantes anos de minha vida profissional e pessoal. Assim como uma chapa de metal, que sob a intensa pressão de uma prensa vai tomando novas formas, também fui sendo moldado pelas dificuldades que enfrentei.
Aos poucos fui aprendendo que gritar com as pessoas era menos efetivo do que apenas conversar. Aprendi que há coisas que não podemos mudar, não importa o quão fortes e poderosos sejamos. Aprendi também que a vida era muito mais do que o trabalho e que a família não pode ser colocada em segundo plano indefinidamente.
O aprendizado trouxe de volta alguns valores que havia deixado para trás. A vontade de estar mais próximo da família e dos amigos ficou mais forte. O prazer de observar a natureza e sentir o vento no rosto voltou a me visitar. Os momentos de reflexão sobre a vida e seu sentido passaram a ser mais freqüentes, realimentando o processo de transformação.
Hoje tenho uma vida muito diferente. Deixei a posição de executivo profissional para tocar meus próprios negócios, o que me dá muito mais prazer. Tenho tempo de ir ao Ibirapuera diariamente para caminhar e refletir sobre a vida. Passo mais tempo com a família e com os amigos.
O dinheiro, o sucesso profissional e o poder deixaram de ser meus maiores objetivos. Ao contrário, minha saúde e o relacionamento familiar são hoje minhas metas principais. No campo profissional, a realização de construir meus próprios empreendimentos superou em muito a disputa por poder que vivia nas empresas em que trabalhei.
O estresse diário e crescente foi substituído por uma tranqüilidade perene, que quase me faz esquecer como era ruim viver estressado. A preocupação e ansiedade excessiva por pequenas coisas foi substituída pela busca paciente e persistente de coisas mais importantes como o auto-conhecimento e as verdadeiras amizades.
Talvez seja esse o segredo de minha pouca preocupação com a crise econômica. Afinal, o que de importante ela pode tirar de nós?
Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo, escreva para paulo.pinho@uol.com.br.
Abraços,
PP
Hoje pela manhã me dei conta de que não ainda não comentei os efeitos da crise na carreira e na vida pessoal dos executivos. É certo que no Brasil estamos prevendo um impacto menor do que em outros países, mas mesmo assim me chamou a atenção o fato de não ter dado atenção a um evento tão presente no dia a dia das discussões dos executivos.
Minha primeira avaliação foi de que não concentrei minhas atenções no assunto por não ter sido verdadeiramente impactado por ela. Depois, com um pouco de reflexão concluí que essa afirmação estava longe de ser verdadeira. Como a maioria dos executivos acima dos quarenta anos, possuo parte de minhas reservas financeiras aplicadas no mercado de renda variável. Não dá para dizer que perder 40% do valor dessas aplicações é um impacto desprezível.
Mesmo com a constatação de que fui realmente impactado pela crise, a verdade é que continuo não me sentindo preocupado com o futuro. Ao contrário, tenho a esperança realista de que a perda percebida será recuperada em 2 ou 3 anos e estou avaliando seriamente a possibilidade de aumentar meus investimentos no mercado de ações.
De onde vem tanta esperança e tranqüilidade? Acho que vem de minha nova maneira de viver e gostaria de contar um pouco para vocês as mudanças pelas quais tenho passado nos últimos quatro anos. Talvez essa informação possa ajudar alguns de vocês a procurarem um pouco mais de paz e tranqüilidade.
Minha carreira como executivo começou há pouco mais de 20 anos, quando fui convidado para a minha primeira posição de gerência. Naquela época, com cerca de 26 anos, tomei a oportunidade como única e me entreguei de corpo e alma ao papel de executivo.
Em menos de 4 anos me tornei diretor de uma importante empresa nacional da área de tecnologia, ainda durante o período de reserva de mercado. Sem dúvida, uma carreira de sucesso em um mercado altamente competitivo. Mas o sucesso como executivo não veio sem custo...
Fui me tornando um cara durão, extremamente orientado a resultados, daqueles que pouco comemorava e sempre estava insatisfeito com o estado das coisas. Apesar de em geral ser admirado como líder, era muitas vezes odiado pela maneira direta e brutalmente franca com que colocava minhas opiniões sobre as pessoas e as situações. Sem dúvida conseguia fazer as pessoas produzirem muito, mas hoje tenho a consciência de que poderia ter conseguido o mesmo ou mais um pouco sem causar tanto desconforto e sofrimento.
Na área da saúde tive meus maiores prejuízos. Engordei mais de 20Kg em cerca de 10 anos, tive alguns sustos com dores no peito e sou usuário de remédios para a pressão arterial desde os 35 anos de idade.
Mesmo sendo odiado por muitos e acumulando problemas de saúde mantive meu ritmo por um bom tempo. Afinal, as coisas continuavam dando certo e o sucesso financeiro e profissional é uma boa maneira de esquecer os fracassos pessoais.
Foi aí que a vida começou a me ensinar algumas coisas importantes.
O primeiro ensinamento veio da própria vida profissional. Depois de vários anos de sucesso contínuo, vieram os primeiros anos de dificuldade. As metas profissionais, antes sempre atingidas, passaram a ser um sonho impossível de atingir e a frustração de não atingi-las um pesadelo diário.
Foram alguns anos de luta intensa em busca de resultados melhores, em um projeto que parecia impossível de ser concluído. Talvez os piores e mais importantes anos de minha vida profissional e pessoal. Assim como uma chapa de metal, que sob a intensa pressão de uma prensa vai tomando novas formas, também fui sendo moldado pelas dificuldades que enfrentei.
Aos poucos fui aprendendo que gritar com as pessoas era menos efetivo do que apenas conversar. Aprendi que há coisas que não podemos mudar, não importa o quão fortes e poderosos sejamos. Aprendi também que a vida era muito mais do que o trabalho e que a família não pode ser colocada em segundo plano indefinidamente.
O aprendizado trouxe de volta alguns valores que havia deixado para trás. A vontade de estar mais próximo da família e dos amigos ficou mais forte. O prazer de observar a natureza e sentir o vento no rosto voltou a me visitar. Os momentos de reflexão sobre a vida e seu sentido passaram a ser mais freqüentes, realimentando o processo de transformação.
Hoje tenho uma vida muito diferente. Deixei a posição de executivo profissional para tocar meus próprios negócios, o que me dá muito mais prazer. Tenho tempo de ir ao Ibirapuera diariamente para caminhar e refletir sobre a vida. Passo mais tempo com a família e com os amigos.
O dinheiro, o sucesso profissional e o poder deixaram de ser meus maiores objetivos. Ao contrário, minha saúde e o relacionamento familiar são hoje minhas metas principais. No campo profissional, a realização de construir meus próprios empreendimentos superou em muito a disputa por poder que vivia nas empresas em que trabalhei.
O estresse diário e crescente foi substituído por uma tranqüilidade perene, que quase me faz esquecer como era ruim viver estressado. A preocupação e ansiedade excessiva por pequenas coisas foi substituída pela busca paciente e persistente de coisas mais importantes como o auto-conhecimento e as verdadeiras amizades.
Talvez seja esse o segredo de minha pouca preocupação com a crise econômica. Afinal, o que de importante ela pode tirar de nós?
Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo, escreva para paulo.pinho@uol.com.br.
Abraços,
PP
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Assumindo sua parte da responsabilidade
Olá,
Uma das coisas mais difíceis na vida profissional e pessoal é assumir na medida certa a responsabilidade pelos fatos que ocorrem no dia a dia. Algumas vezes temos a tendência a nos inocentarmos em demasia, jogando para os outros ou mesmo para o destino a responsabilidade pela ocorrência de determinados eventos. Outras vezes assumimos uma responsabilidade maior do que a devida, nos glorificando ou martirizando por atos que pouco ou nada dependeram de nossa atuação.
É claro que assumir a responsabilidade por eventos felizes costuma ser mais fácil para a maioria das pessoas. Afinal, quem não gosta de ser elogiado por ter sido responsável por algo notável. Os eventos desagradáveis, ao contrário, tendem a ser gerados por fatores externos ou por pessoas distantes. É como diz um ditado popular, o sucesso tem paternidade múltipla enquanto o fracasso é órfão de pai e mãe.
Mas nem todo mundo funciona dessa maneira. Algumas pessoas sentem uma necessidade incrível de se criticar e de negar suas virtudes. Diante de um evento positivo, tratam de afirmar que não tiveram qualquer envolvimento com ele. Chegam até a negar de forma enérgica quando alguém insinua sua participação no mesmo. Na outra ponta, são os primeiros a saltar e reconhecer sua culpa quando as coisas vão mal.
Uma boa maneira de procurar o equilíbrio com relação a sua responsabilidade sobre os fatos é pensarmos na física e no funcionamento do universo. Para que nosso planeta suporte a vida é necessário que uma estrela a milhões de quilômetros nos forneça calor. Mas somente isso não é suficiente. Uma combinação complexa de fatores como presença de água, existência da atmosfera, composição química do planeta, entre outros tantos, fazem a diferença entre uma Terra densamente habitada e uma Lua inerte e vazia.
Se o Sol fosse um ser humano, ele poderia ter vários comportamentos sobre o fato de haver vida na Terra e não haver na Lua. Ele poderia dizer que é o responsável pela vida na Terra e que o fato de não haver vida na Lua está relacionado com a inexistência de uma atmosfera adequada. Se fosse um pouco mais deprimido, poderia dizer que foi incapaz de produzir vida na Lua e que a existência da mesma na Terra nada tem a ver com sua capacidade de aquecimento.
A verdade é que o Sol é um dos componentes que definem a existência da vida na Terra e a não existência da mesma na Lua. Ele não é capaz de produzir ou exterminar a vida sozinho, mas é fundamental na fórmula que leva a um estado ou ao outro.
O uso do Sol como elemento nessa análise não é por acaso. Por estar bastante distante da Terra, ele serve para mostrar que podemos influenciar em situações aparentemente fora do alcance de nossas ações. Em algum grau, sempre é possível encontrar alguma correlação entre nossos atos e os fatos que se sucedem.
Pensemos no estado em que se encontra nosso planeta, aquecendo ano a ano e aproximando-se do limite de sua capacidade de prover um ambiente favorável a humanidade. A grandeza desse fenômeno, faz com que nenhum de nós julgue-se totalmente responsável por essa realidade. No entanto, todos somos em algum grau responsáveis pelo que está acontecendo. Cada latinha de refrigerante que consumimos, cada prato de carne que degustamos, cada minuto de televisão que assistimos colaboram para o aquecimento do planeta, gostemos ou não dessa realidade.
Mas qual é a maneira correta de lidar com a responsabilidade sobre os fatos?
Não tenho uma resposta científica para essa pergunta, mas pessoalmente procuro utilizar duas regras básicas e que me ajudam a medir melhor meu envolvimento com os eventos do dia a dia. São elas:
1) Sempre existe algum grau de responsabilidade sua sobre o que acontece;
2) Sempre existe algum grau de isenção de responsabilidade sua sobre o que acontece.
Pode parecer meio forçado dizer que sempre estamos envolvidos e nunca totalmente, mas essas regras nos ajudam a refletir melhor sobre a verdadeira responsabilidade que temos sobre os fatos que acontecem.
Outra técnica que utilizo para avaliar minha responsabilidade sobre os fatos é a de me afastar um pouco da cena e procurar vê-la como um fato neutro, nem bom nem ruim. Isso ajuda a diminuir a culpa por ter sido responsável por algo ruim ou a ansiedade de querer ser responsável por algo bom.
Quando o fato me parece muito positivo, procuro refletir sobre as dificuldades que tal evento podem trazer no futuro. Quando parece uma verdadeira tragédia, penso nas coisas boas que podem surgir a partir desse acontecimento.
Refletir sobre a neutralidade dos fatos nos ajuda a medir melhor nossa responsabilidade sobre os mesmos. Entender que sempre somos de alguma forma responsáveis e nunca totalmente isentos, nos ajuda a identificar melhor a correlação entre nossos atos e os eventos que observamos.
Na próxima vez em que você se sentir totalmente responsável ou isento em relação a determinado fato, procure seguir o raciocínio que apresentei. Se ajudar, me envie um e-mail comentando sobre sua experiência.
Abraços,
PP
Uma das coisas mais difíceis na vida profissional e pessoal é assumir na medida certa a responsabilidade pelos fatos que ocorrem no dia a dia. Algumas vezes temos a tendência a nos inocentarmos em demasia, jogando para os outros ou mesmo para o destino a responsabilidade pela ocorrência de determinados eventos. Outras vezes assumimos uma responsabilidade maior do que a devida, nos glorificando ou martirizando por atos que pouco ou nada dependeram de nossa atuação.
É claro que assumir a responsabilidade por eventos felizes costuma ser mais fácil para a maioria das pessoas. Afinal, quem não gosta de ser elogiado por ter sido responsável por algo notável. Os eventos desagradáveis, ao contrário, tendem a ser gerados por fatores externos ou por pessoas distantes. É como diz um ditado popular, o sucesso tem paternidade múltipla enquanto o fracasso é órfão de pai e mãe.
Mas nem todo mundo funciona dessa maneira. Algumas pessoas sentem uma necessidade incrível de se criticar e de negar suas virtudes. Diante de um evento positivo, tratam de afirmar que não tiveram qualquer envolvimento com ele. Chegam até a negar de forma enérgica quando alguém insinua sua participação no mesmo. Na outra ponta, são os primeiros a saltar e reconhecer sua culpa quando as coisas vão mal.
Uma boa maneira de procurar o equilíbrio com relação a sua responsabilidade sobre os fatos é pensarmos na física e no funcionamento do universo. Para que nosso planeta suporte a vida é necessário que uma estrela a milhões de quilômetros nos forneça calor. Mas somente isso não é suficiente. Uma combinação complexa de fatores como presença de água, existência da atmosfera, composição química do planeta, entre outros tantos, fazem a diferença entre uma Terra densamente habitada e uma Lua inerte e vazia.
Se o Sol fosse um ser humano, ele poderia ter vários comportamentos sobre o fato de haver vida na Terra e não haver na Lua. Ele poderia dizer que é o responsável pela vida na Terra e que o fato de não haver vida na Lua está relacionado com a inexistência de uma atmosfera adequada. Se fosse um pouco mais deprimido, poderia dizer que foi incapaz de produzir vida na Lua e que a existência da mesma na Terra nada tem a ver com sua capacidade de aquecimento.
A verdade é que o Sol é um dos componentes que definem a existência da vida na Terra e a não existência da mesma na Lua. Ele não é capaz de produzir ou exterminar a vida sozinho, mas é fundamental na fórmula que leva a um estado ou ao outro.
O uso do Sol como elemento nessa análise não é por acaso. Por estar bastante distante da Terra, ele serve para mostrar que podemos influenciar em situações aparentemente fora do alcance de nossas ações. Em algum grau, sempre é possível encontrar alguma correlação entre nossos atos e os fatos que se sucedem.
Pensemos no estado em que se encontra nosso planeta, aquecendo ano a ano e aproximando-se do limite de sua capacidade de prover um ambiente favorável a humanidade. A grandeza desse fenômeno, faz com que nenhum de nós julgue-se totalmente responsável por essa realidade. No entanto, todos somos em algum grau responsáveis pelo que está acontecendo. Cada latinha de refrigerante que consumimos, cada prato de carne que degustamos, cada minuto de televisão que assistimos colaboram para o aquecimento do planeta, gostemos ou não dessa realidade.
Mas qual é a maneira correta de lidar com a responsabilidade sobre os fatos?
Não tenho uma resposta científica para essa pergunta, mas pessoalmente procuro utilizar duas regras básicas e que me ajudam a medir melhor meu envolvimento com os eventos do dia a dia. São elas:
1) Sempre existe algum grau de responsabilidade sua sobre o que acontece;
2) Sempre existe algum grau de isenção de responsabilidade sua sobre o que acontece.
Pode parecer meio forçado dizer que sempre estamos envolvidos e nunca totalmente, mas essas regras nos ajudam a refletir melhor sobre a verdadeira responsabilidade que temos sobre os fatos que acontecem.
Outra técnica que utilizo para avaliar minha responsabilidade sobre os fatos é a de me afastar um pouco da cena e procurar vê-la como um fato neutro, nem bom nem ruim. Isso ajuda a diminuir a culpa por ter sido responsável por algo ruim ou a ansiedade de querer ser responsável por algo bom.
Quando o fato me parece muito positivo, procuro refletir sobre as dificuldades que tal evento podem trazer no futuro. Quando parece uma verdadeira tragédia, penso nas coisas boas que podem surgir a partir desse acontecimento.
Refletir sobre a neutralidade dos fatos nos ajuda a medir melhor nossa responsabilidade sobre os mesmos. Entender que sempre somos de alguma forma responsáveis e nunca totalmente isentos, nos ajuda a identificar melhor a correlação entre nossos atos e os eventos que observamos.
Na próxima vez em que você se sentir totalmente responsável ou isento em relação a determinado fato, procure seguir o raciocínio que apresentei. Se ajudar, me envie um e-mail comentando sobre sua experiência.
Abraços,
PP
sábado, 13 de dezembro de 2008
A arte de nadar em mar aberto
Olá Pessoal,
Já faz um bom tempo que não escrevo e sinto-me um pouco culpado de ter abandonado os que vez por outra visitam esse site. A eles peço desculpas e prometo que irei me esforçar para escrever artigos com maior freqüência.
A culpa de não ter escrito mais nos últimos tempos me fez refletir sobre o título desse artigo. Vocês já notaram como vários de nossos planos importantes são aos poucos esquecidos e substituídos por outros que nem foram tão planejados assim?
Pois é... Todos os anos definimos para nós mesmos uma série de compromissos. Eles vão do ingênuo plano de perder alguns quilinhos a coisas sérias como iniciar uma poupança para a aposentadoria ou tratar aquela dor nas costas que aos poucos vai tirando nossa mobilidade.
Via de regra, após algumas semanas de intenso esforço, vamos nos entregando ao fluxo natural da vida e retornamos ao ponto em que estávamos. Os poucos quilos perdidos durante algumas semanas retornam e a escalada do peso continua. A poupança deixa de ser reforçada e é utilizada para as emergências do dia a dia, sendo aos poucos substituída pelo limite rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial. A fisioterapia é abandonada e passamos a utilizar apenas o analgésico para enganar a dor quando a mesma se torna mais intensa.
Deixar a vida nos levar é parte da arte de viver. Lutar contra a correnteza da vida todo o tempo é cansativo e traz grande frustração. Alguns são mais tenazes do que outros, mas a verdade é que, assim como na correnteza do mar, é impossível nadar contra ela por muito tempo. Talvez isso explique por que muitos de nossos planos são frustrados em poucas semanas ou meses. Parece que de alguma maneira, nossa decisão vai contra o fluxo natural das coisas.
Sei que você deve estar pensando que não podemos aceitar essa realidade e que precisamos ser disciplinados e vencer os desafios que são postos pela vida. Concordo plenamente e é por isso que decidi escrever esse artigo. Afinal, é preciso encontrar uma maneira de vencer a inércia que a vida nos impõe e aprender a mudar de direção de maneira definitiva.
Uma maneira bastante eficaz de vencer os maiores desafios é a utilizada pelos nadadores de mar aberto mais experientes. Eles conhecem muito bem a força que a natureza possui e aprenderam a buscar seus objetivos, ora se aproveitando dessa força, ora evitando-a ou contornando-a.
A primeira coisa que um bom nadador faz quando vai atravessar uma faixa de mar é estudar o ambiente. Ele procura entender a força, a direção e o horário das correntezas, planejando sua travessia com detalhes e paciência.
Quando a correnteza é a favor de sua direção e sentido, ele procura aproveitá-la ao máximo. Com isso, consegue atingir velocidades que jamais seria capaz por suas próprias forças.
Ao contrário, quando a correnteza é totalmente frontal ao seu objetivo, ele avalia sua capacidade de suportá-la e, muitas vezes, decide mudar de direção e nadar em busca dos limites dessa correnteza, evitando o confronto direto. Ele sabe que é melhor empenhar sua energia fugindo da correnteza do que enfrentando-a.
Nem sempre a melhor solução é fugir da correnteza. Se há energia suficiente para enfrentá-la e ainda produzir movimento positivo, pode ser melhor seguir em frente. Nesse caso, no entanto, é importante saber por quanto tempo teremos que enfrentar o estresse de nadar contra a correnteza. Se estamos preparados para o tempo esperado, com alguma folga, vamos em frente.
Em algumas situações não há o que fazer para enfrentar a correnteza. Nem é possível contorná-la e atingir seus limites, nem tampouco enfrentá-la. Nesses momentos, o nadador experiente poupa suas energias, volta ao planejamento e aguarda o momento correto para reiniciar sua jornada. Literalmente, ele deixa que a vida (correnteza) o leve por um tempo.
Finalmente, mas não menos importante, o bom nadador nunca perde a esperança. Ele sabe que perdê-la significa não mais pisar em terra firme e luta todos os momentos para manter a serenidade e o senso de direção.
Estamos nos aproximando do final de mais um ano. Momento em que todos param para pensar em seus planos futuros e nos compromissos que irão assumir para os próximos 12 meses. Minha sugestão nesse momento é pensar como um nadador de mar aberto.
Avalie seus desejos e sonhos em função do cenário que está colocado a sua frente. Procure identificar os grandes obstáculos e avalie sua capacidade de enfrentá-los de frente. Se você tem dúvidas, pense em alternativas de contorno. Se acha que não vai conseguir, pense em buscar objetivos mais fáceis de serem atingidos.
Lembre-se que o sucesso alimenta a auto-estima, enquanto o fracassso a solapa. A somatória de pequenos sucessos nos fortacele, aumenta nossa reserva de esperança e nos prepara para buscar sonhos mais ousados e para enfrentar fracassos maiores.
Os fracassos têm o poder de nos tirar parte da esperança que temos armazenada. Se nossas reservas são volumosas, somos capazes de enfrentar grandes fracassos e ainda termos energia de ir em frente. Se ao contrário, nossas reservas são limitadas, temos que ser cuidadosos e evitar a possibilidade de fracassos maiores. Zerar a reserva de esperança não é uma opção.
Assim como um nadador experiente, planeje suas ações com calma e detalhamento. Avalie sempre sua capacidade de enfrentar cada desafio e mantenha a vigilância sobre o ambiente. Em momentos de calmaria, onde os fatores externos são a seu favor, acelere na direção planejada e aproveite a sensação de liberdade e realização. Em momentos de dificuldade, reavalie sua capacidade de reação e decida se o melhor é continuar enfrentando, buscar contornos ou mesmo deixar que a correnteza o leve.
Por fim, nunca se esqueça de manter a calma e a esperança. Elas são suas melhores amigas nessa jornada.
Um grande abraço.
PP
Já faz um bom tempo que não escrevo e sinto-me um pouco culpado de ter abandonado os que vez por outra visitam esse site. A eles peço desculpas e prometo que irei me esforçar para escrever artigos com maior freqüência.
A culpa de não ter escrito mais nos últimos tempos me fez refletir sobre o título desse artigo. Vocês já notaram como vários de nossos planos importantes são aos poucos esquecidos e substituídos por outros que nem foram tão planejados assim?
Pois é... Todos os anos definimos para nós mesmos uma série de compromissos. Eles vão do ingênuo plano de perder alguns quilinhos a coisas sérias como iniciar uma poupança para a aposentadoria ou tratar aquela dor nas costas que aos poucos vai tirando nossa mobilidade.
Via de regra, após algumas semanas de intenso esforço, vamos nos entregando ao fluxo natural da vida e retornamos ao ponto em que estávamos. Os poucos quilos perdidos durante algumas semanas retornam e a escalada do peso continua. A poupança deixa de ser reforçada e é utilizada para as emergências do dia a dia, sendo aos poucos substituída pelo limite rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial. A fisioterapia é abandonada e passamos a utilizar apenas o analgésico para enganar a dor quando a mesma se torna mais intensa.
Deixar a vida nos levar é parte da arte de viver. Lutar contra a correnteza da vida todo o tempo é cansativo e traz grande frustração. Alguns são mais tenazes do que outros, mas a verdade é que, assim como na correnteza do mar, é impossível nadar contra ela por muito tempo. Talvez isso explique por que muitos de nossos planos são frustrados em poucas semanas ou meses. Parece que de alguma maneira, nossa decisão vai contra o fluxo natural das coisas.
Sei que você deve estar pensando que não podemos aceitar essa realidade e que precisamos ser disciplinados e vencer os desafios que são postos pela vida. Concordo plenamente e é por isso que decidi escrever esse artigo. Afinal, é preciso encontrar uma maneira de vencer a inércia que a vida nos impõe e aprender a mudar de direção de maneira definitiva.
Uma maneira bastante eficaz de vencer os maiores desafios é a utilizada pelos nadadores de mar aberto mais experientes. Eles conhecem muito bem a força que a natureza possui e aprenderam a buscar seus objetivos, ora se aproveitando dessa força, ora evitando-a ou contornando-a.
A primeira coisa que um bom nadador faz quando vai atravessar uma faixa de mar é estudar o ambiente. Ele procura entender a força, a direção e o horário das correntezas, planejando sua travessia com detalhes e paciência.
Quando a correnteza é a favor de sua direção e sentido, ele procura aproveitá-la ao máximo. Com isso, consegue atingir velocidades que jamais seria capaz por suas próprias forças.
Ao contrário, quando a correnteza é totalmente frontal ao seu objetivo, ele avalia sua capacidade de suportá-la e, muitas vezes, decide mudar de direção e nadar em busca dos limites dessa correnteza, evitando o confronto direto. Ele sabe que é melhor empenhar sua energia fugindo da correnteza do que enfrentando-a.
Nem sempre a melhor solução é fugir da correnteza. Se há energia suficiente para enfrentá-la e ainda produzir movimento positivo, pode ser melhor seguir em frente. Nesse caso, no entanto, é importante saber por quanto tempo teremos que enfrentar o estresse de nadar contra a correnteza. Se estamos preparados para o tempo esperado, com alguma folga, vamos em frente.
Em algumas situações não há o que fazer para enfrentar a correnteza. Nem é possível contorná-la e atingir seus limites, nem tampouco enfrentá-la. Nesses momentos, o nadador experiente poupa suas energias, volta ao planejamento e aguarda o momento correto para reiniciar sua jornada. Literalmente, ele deixa que a vida (correnteza) o leve por um tempo.
Finalmente, mas não menos importante, o bom nadador nunca perde a esperança. Ele sabe que perdê-la significa não mais pisar em terra firme e luta todos os momentos para manter a serenidade e o senso de direção.
Estamos nos aproximando do final de mais um ano. Momento em que todos param para pensar em seus planos futuros e nos compromissos que irão assumir para os próximos 12 meses. Minha sugestão nesse momento é pensar como um nadador de mar aberto.
Avalie seus desejos e sonhos em função do cenário que está colocado a sua frente. Procure identificar os grandes obstáculos e avalie sua capacidade de enfrentá-los de frente. Se você tem dúvidas, pense em alternativas de contorno. Se acha que não vai conseguir, pense em buscar objetivos mais fáceis de serem atingidos.
Lembre-se que o sucesso alimenta a auto-estima, enquanto o fracassso a solapa. A somatória de pequenos sucessos nos fortacele, aumenta nossa reserva de esperança e nos prepara para buscar sonhos mais ousados e para enfrentar fracassos maiores.
Os fracassos têm o poder de nos tirar parte da esperança que temos armazenada. Se nossas reservas são volumosas, somos capazes de enfrentar grandes fracassos e ainda termos energia de ir em frente. Se ao contrário, nossas reservas são limitadas, temos que ser cuidadosos e evitar a possibilidade de fracassos maiores. Zerar a reserva de esperança não é uma opção.
Assim como um nadador experiente, planeje suas ações com calma e detalhamento. Avalie sempre sua capacidade de enfrentar cada desafio e mantenha a vigilância sobre o ambiente. Em momentos de calmaria, onde os fatores externos são a seu favor, acelere na direção planejada e aproveite a sensação de liberdade e realização. Em momentos de dificuldade, reavalie sua capacidade de reação e decida se o melhor é continuar enfrentando, buscar contornos ou mesmo deixar que a correnteza o leve.
Por fim, nunca se esqueça de manter a calma e a esperança. Elas são suas melhores amigas nessa jornada.
Um grande abraço.
PP
domingo, 12 de outubro de 2008
A importância da Transpiração
Olá,
Muitas são as histórias de executivos considerados brilhantes que sofreram derrotas humilhantes. Ao mesmo tempo, são inúmeros os casos de executivos desconhecidos que levam suas empresas a anos de sucesso contínuo. Os motivos que levam a esse aparente paradoxo incluem o tema que gostaria de abordar no artigo de hoje.
A auto-confiança é fundamental para alcançar sucesso no mundo dos negócios. Sua falta inviabiliza ações mais arrojadas e limita muito a criatividade e a capacidade de manter o rumo mesmo quando as dificuldades se apresentam. Ao mesmo tempo, o excesso de auto-confiança torna o executivo mais arrogante e desatento, deixando de lado detalhes que podem representar a diferença entre o sucesso e o fracasso.
Thomas Edison disse um dia que um gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração. É uma frase sábia e que resgata a realidade de todo sucesso verdadeiro, sempre ancorado por muito trabalho e perseverança.
De nada adianta ser brilhante se não há predisposição para enfrentar os obstáculos e para gastar horas tentando até acertar. O sucesso não surge por acaso nem é obtido por um passe de mágica. Ao contrário, ele é fruto de um processo de preparação intenso e de muito esforço, boa parte dele gasto em tentativas frustradas.
Se você deseja ser um executivo de sucesso, prepare-se para gastar boa parte de sua vida dedicando várias horas por dia em tarefas nem sempre agradáveis; buscando soluções para problemas que muitas vezes parecem desafiar sua capacidade; enfrentando derrotas e frustrações. Enfim, transpirando muito mais do que criando.
Por favor não entendam que estou depreciando a importância da criatividade e da auto-confiança. Ao contrário, minha teoria é de que ambas são fruto da disciplina que algumas pessoas possuem em perseverar e manter o ritmo do trabalho, sejam quais forem as dificuldades.
O executivo que reconhece a importância de transpirar leva adiante um número maior de idéias, tornando-se mais criativo. Ao mesmo tempo, ao se expor a um volume maior de dificuldades e desafios, aprende a lidar melhor com o fracasso, a reconhecer o sucesso por acaso e a valorizar os momento em que sua participação realmente fez a diferença.
Se você pretende ser um executivo de sucesso, prepare-se para suar muito. Lembre-se que quem mais produz normalmente é quem alcança resultados positivos em maior número, mas nunca se esqueça que para cada sucesso alcançado sempre haverá um conjunto de fracassos. É a capacidade de trabalho contínuo e a perseverança para vencer os obstáculos que diferenciam os grandes executivos.
Se você tem comentários sobre o tema acima, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br .
PP
Muitas são as histórias de executivos considerados brilhantes que sofreram derrotas humilhantes. Ao mesmo tempo, são inúmeros os casos de executivos desconhecidos que levam suas empresas a anos de sucesso contínuo. Os motivos que levam a esse aparente paradoxo incluem o tema que gostaria de abordar no artigo de hoje.
A auto-confiança é fundamental para alcançar sucesso no mundo dos negócios. Sua falta inviabiliza ações mais arrojadas e limita muito a criatividade e a capacidade de manter o rumo mesmo quando as dificuldades se apresentam. Ao mesmo tempo, o excesso de auto-confiança torna o executivo mais arrogante e desatento, deixando de lado detalhes que podem representar a diferença entre o sucesso e o fracasso.
Thomas Edison disse um dia que um gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração. É uma frase sábia e que resgata a realidade de todo sucesso verdadeiro, sempre ancorado por muito trabalho e perseverança.
De nada adianta ser brilhante se não há predisposição para enfrentar os obstáculos e para gastar horas tentando até acertar. O sucesso não surge por acaso nem é obtido por um passe de mágica. Ao contrário, ele é fruto de um processo de preparação intenso e de muito esforço, boa parte dele gasto em tentativas frustradas.
Se você deseja ser um executivo de sucesso, prepare-se para gastar boa parte de sua vida dedicando várias horas por dia em tarefas nem sempre agradáveis; buscando soluções para problemas que muitas vezes parecem desafiar sua capacidade; enfrentando derrotas e frustrações. Enfim, transpirando muito mais do que criando.
Por favor não entendam que estou depreciando a importância da criatividade e da auto-confiança. Ao contrário, minha teoria é de que ambas são fruto da disciplina que algumas pessoas possuem em perseverar e manter o ritmo do trabalho, sejam quais forem as dificuldades.
O executivo que reconhece a importância de transpirar leva adiante um número maior de idéias, tornando-se mais criativo. Ao mesmo tempo, ao se expor a um volume maior de dificuldades e desafios, aprende a lidar melhor com o fracasso, a reconhecer o sucesso por acaso e a valorizar os momento em que sua participação realmente fez a diferença.
Se você pretende ser um executivo de sucesso, prepare-se para suar muito. Lembre-se que quem mais produz normalmente é quem alcança resultados positivos em maior número, mas nunca se esqueça que para cada sucesso alcançado sempre haverá um conjunto de fracassos. É a capacidade de trabalho contínuo e a perseverança para vencer os obstáculos que diferenciam os grandes executivos.
Se você tem comentários sobre o tema acima, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br .
PP
sábado, 6 de setembro de 2008
Lidando com a Tristeza
Olá,
Não tem como evitar. Há dias em que a tristeza bate a nossa porta e faz com que o coração fique apertado e a respiração curta e sentida.
Nesses momentos nossa energia fica limitada e a vontade de enfrentar desafios ou mesmo de comemorar bons resultados nos deixa a sós.
Ficar triste de vez em quando é parte da vida de qualquer pessoa. Pode ser por um problema familiar; a perda de um grande amigo; algum aborrecimento imprevisto; ou mesmo pelo acúmulo de problemas que enfrentamos de vez em quando. Mas também pode ser por motivos profissionais. A perda de um grande negócio; o não reconhecimento de seu esforço em determinado projeto; ou o adiamento da esperada promoção.
Não importa qual seja o motivo, a tristeza nos deixa deprimidos e com pouca energia. Ela tira o brilho de nossos olhos e faz com que o prazer de viver se afaste de nós, pelo menos pelo tempo em que está nos dominando.
Sentir tristeza de vez em quando é normal e pode até nos ajudar a refletir um pouco sobre nossos verdadeiros valores. Se estamos tristes por termos perdido um grande negócio e isso nos deixa desanimados e sem energia é hora de refletirmos um pouco e lembrarmos que um negócio não é a coisa mais importante de nossas vidas. Dessa forma, há situações em que a tristeza nos ajuda a encontrar o caminho para uma vida mais completa e feliz.
Sentir tristeza todo o tempo deixa de ser normal e é um sinal de que talvez seja hora de buscar ajuda profissional. Pode ser um sintoma de depressão, doença que pode e deve ser tratada.
Mas e quando a tristeza vem de um motivo realmente forte? Quando é resultado de uma perda importante como as que envolvem o relacionamento afetivo ou os grandes objetivos de nossa vida.
Nessas horas temos que ser fortes e pacientes. Fortes para não deixar que a tristeza tome conta de nossas vidas e faça com que nossos outros sonhos deixem de ser desejados e perseguidos; pacientes para suportar a dor que a tristeza impõe sem sair ofendendo e magoando a quem está em torno de nós; fortes para chorar mansamente e pacientes para deixar que o tempo faça seu trabalho de curar as feridas.
Falar sobre lidar com a tristeza é bem mais fácil do que fazê-lo, mas estar preparado e refletir sobre as possibilidades sem dúvida ajuda a enfrentar melhor esses momentos.
Na próxima vez que a tristeza tomar seu coração, reflita um pouco sobre sua origem. Primeiro procure entender se ela é por um motivo que realmente faz sentido. Se não for, livre-se dela e concentre sua atenção em coisas mais importantes.
Se sua conclusão for de que trata-se de algo realmente importante, seja forte e paciente. Espere que o tempo cure as feridas e procure refletir sobre o lado bom de estar passando por essa situação. Por mais difícil que possa parecer, sempre existe um lado bom.
Se a dor for muito forte, deixe que as lágrimas ajudem a aliviá-la. Se tiver um amigo em que possa confiar, converse com ele e compartilhe sua dor. A um ditado que diz que o amor quando é compartilhado se multiplica e que a dor compartilhada se dissolve.
Se após alguns dias a tristeza não resolver dar lugar a um novo ciclo de energia e entusiasmo, procure a ajuda de um profissional. Não é normal ficar triste por muito tempo e é preciso reconhecer que algo pode estar errado com sua saúde.
Não deixe de enviar seus comentários.
PP
Não tem como evitar. Há dias em que a tristeza bate a nossa porta e faz com que o coração fique apertado e a respiração curta e sentida.
Nesses momentos nossa energia fica limitada e a vontade de enfrentar desafios ou mesmo de comemorar bons resultados nos deixa a sós.
Ficar triste de vez em quando é parte da vida de qualquer pessoa. Pode ser por um problema familiar; a perda de um grande amigo; algum aborrecimento imprevisto; ou mesmo pelo acúmulo de problemas que enfrentamos de vez em quando. Mas também pode ser por motivos profissionais. A perda de um grande negócio; o não reconhecimento de seu esforço em determinado projeto; ou o adiamento da esperada promoção.
Não importa qual seja o motivo, a tristeza nos deixa deprimidos e com pouca energia. Ela tira o brilho de nossos olhos e faz com que o prazer de viver se afaste de nós, pelo menos pelo tempo em que está nos dominando.
Sentir tristeza de vez em quando é normal e pode até nos ajudar a refletir um pouco sobre nossos verdadeiros valores. Se estamos tristes por termos perdido um grande negócio e isso nos deixa desanimados e sem energia é hora de refletirmos um pouco e lembrarmos que um negócio não é a coisa mais importante de nossas vidas. Dessa forma, há situações em que a tristeza nos ajuda a encontrar o caminho para uma vida mais completa e feliz.
Sentir tristeza todo o tempo deixa de ser normal e é um sinal de que talvez seja hora de buscar ajuda profissional. Pode ser um sintoma de depressão, doença que pode e deve ser tratada.
Mas e quando a tristeza vem de um motivo realmente forte? Quando é resultado de uma perda importante como as que envolvem o relacionamento afetivo ou os grandes objetivos de nossa vida.
Nessas horas temos que ser fortes e pacientes. Fortes para não deixar que a tristeza tome conta de nossas vidas e faça com que nossos outros sonhos deixem de ser desejados e perseguidos; pacientes para suportar a dor que a tristeza impõe sem sair ofendendo e magoando a quem está em torno de nós; fortes para chorar mansamente e pacientes para deixar que o tempo faça seu trabalho de curar as feridas.
Falar sobre lidar com a tristeza é bem mais fácil do que fazê-lo, mas estar preparado e refletir sobre as possibilidades sem dúvida ajuda a enfrentar melhor esses momentos.
Na próxima vez que a tristeza tomar seu coração, reflita um pouco sobre sua origem. Primeiro procure entender se ela é por um motivo que realmente faz sentido. Se não for, livre-se dela e concentre sua atenção em coisas mais importantes.
Se sua conclusão for de que trata-se de algo realmente importante, seja forte e paciente. Espere que o tempo cure as feridas e procure refletir sobre o lado bom de estar passando por essa situação. Por mais difícil que possa parecer, sempre existe um lado bom.
Se a dor for muito forte, deixe que as lágrimas ajudem a aliviá-la. Se tiver um amigo em que possa confiar, converse com ele e compartilhe sua dor. A um ditado que diz que o amor quando é compartilhado se multiplica e que a dor compartilhada se dissolve.
Se após alguns dias a tristeza não resolver dar lugar a um novo ciclo de energia e entusiasmo, procure a ajuda de um profissional. Não é normal ficar triste por muito tempo e é preciso reconhecer que algo pode estar errado com sua saúde.
Não deixe de enviar seus comentários.
PP
sábado, 28 de junho de 2008
Desenvolvendo Pessoas
Olá,
Parece estranho falar em desenvolver pessoas no ambiente corporativo. Afinal, a não ser em casos especiais, estamos falando de lidar com pessoas adultas e que já deveriam estar desenvolvidas física e intelectualmente quando chegam ao mercado de trabalho. Mas a realidade está bem distante dessa visão simplificada e sempre haverá espaço para o desenvolvimento humano e profissional, seja qual for a idade dos indivíduos.
Desenvolver pessoas não é tarefa fácil e exige perseverança, dedicação e auto-controle. Nem todo executivo está preparado para essa missão e é um grande erro esperar que pessoas sem habilidades específicas sejam capazes de desenvolver pessoas.
Apesar da constatação de que vários executivos não sabem desenvolver pessoas, isso não significa que eles não possam aprender e desenvolver essa habilidade. Os princípios do desenvolvimento humano são relativamente simples de serem aprendidos e, com algum esforço adicional, serem aplicados.
Mas afinal, no que consiste a arte de desenvolver pessoas e o que precisa ser aprendido e praticado para ter sucesso nessa área?
O desenvolvimento humano é reflexo de vários fatores e um dos principais deles é o ambiente em que vivemos e as experiências que ele nos permite vivenciar. Cada experiência nos faz aprender algo novo e confrontar princípios, preferências e valores com a realidade. Com o tempo, aprendemos a reagir de forma diferente aos estímulos do ambiente e nos adaptamos, desenvolvendo comportamentos que aumentem nossas chances de sucesso.
O líder que busca o desenvolvimento de seu time precisa criar um ambiente de trabalho que incentive os comportamentos desejados em geral. Além disso, precisa calibrar os desafios para cada indivíduo de forma diferenciada, considerando as características e o grau de maturidade de cada pessoa. Ele mesmo deve ser um exemplo na maioria dos comportamentos desejados, e quando não é o caso, deve explicitar suas fraquezas e investir em seu próprio desenvolvimento de maneira pública e humilde.
Um líder desenvolvedor não é um amigo compreensivo e complacente. Ao contrário, o bom líder é muitas vezes firme em suas colocações e chega a ser desagradável em alguns momentos. Seu foco não está no conforto de seu time mas no desenvolvimento do mesmo, o que exige esforço e superação. São várias as situações onde o líder precisa ser firme e demonstrar claramente sua insatisfação com os comportamentos indesejáveis.
Ao mesmo tempo em que é firme e exigente quando percebe comportamentos inadequados, o líder é capaz de ser solidário e compreensivo com as dificuldades e com as derrotas de seu time. Para ele o mais importante é o processo, a maneira como as tarefas são feitas e as decisões são tomadas. O resultado é somente o reflexo de todas as ações, combinadas com fatores que ele sabe estarem totalmente fora do controle das pessoas.
Para um verdadeiro líder, resultados positivos são sempre comemorados mas às vezes devem ser acompanhados de discussões fortes sobre falhas a serem corrigidas. Por outro lado, apesar de serem motivo para lamentação, há situações em que resultados negativos precisam ser acompanhados de palavras de incentivo e verdadeiro reconhecimento do esforço aplicado.
Um bom líder busca antes de tudo seu próprio auto-desenvolvimento. Além de procurar ser uma referência para seu time, modelando em si mesmo os comportamentos que deseja desenvolver, o verdadeiro líder reconhece suas fraquezas e trabalha de forma disciplinada e humilde para desenvolver a si mesmo.
Além de ser referência, um bom líder é capaz de desafiar seu time constantemente. Uma de suas habilidades é reconhecer os limites de cada indivíduo e trabalhar no sentido de ampliá-los através de novos desafios. A cada novo desafio, ele é capaz de incentivar, apoiar e criticar sem fazer com que seu time desista. É a arte de manter a chama do aprendizado acesa.
Finalmente, o líder desenvolvedor é capaz de reconhecer o crescimento das pessoas e comemorar sua independência e maturidade. Assim que nota que suas lições de vida não são mais necessárias ou que as habilidades adquiridas por seus liderados podem ser melhor utilizadas em desafios maiores, ele tem a sabedoria de incentivá-los a buscar novos horizontes.
E assim se completa o ciclo de desenvolvimento de pessoas.
Se você deseja fazer comentários sobre esse ou outro artigo, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
Parece estranho falar em desenvolver pessoas no ambiente corporativo. Afinal, a não ser em casos especiais, estamos falando de lidar com pessoas adultas e que já deveriam estar desenvolvidas física e intelectualmente quando chegam ao mercado de trabalho. Mas a realidade está bem distante dessa visão simplificada e sempre haverá espaço para o desenvolvimento humano e profissional, seja qual for a idade dos indivíduos.
Desenvolver pessoas não é tarefa fácil e exige perseverança, dedicação e auto-controle. Nem todo executivo está preparado para essa missão e é um grande erro esperar que pessoas sem habilidades específicas sejam capazes de desenvolver pessoas.
Apesar da constatação de que vários executivos não sabem desenvolver pessoas, isso não significa que eles não possam aprender e desenvolver essa habilidade. Os princípios do desenvolvimento humano são relativamente simples de serem aprendidos e, com algum esforço adicional, serem aplicados.
Mas afinal, no que consiste a arte de desenvolver pessoas e o que precisa ser aprendido e praticado para ter sucesso nessa área?
O desenvolvimento humano é reflexo de vários fatores e um dos principais deles é o ambiente em que vivemos e as experiências que ele nos permite vivenciar. Cada experiência nos faz aprender algo novo e confrontar princípios, preferências e valores com a realidade. Com o tempo, aprendemos a reagir de forma diferente aos estímulos do ambiente e nos adaptamos, desenvolvendo comportamentos que aumentem nossas chances de sucesso.
O líder que busca o desenvolvimento de seu time precisa criar um ambiente de trabalho que incentive os comportamentos desejados em geral. Além disso, precisa calibrar os desafios para cada indivíduo de forma diferenciada, considerando as características e o grau de maturidade de cada pessoa. Ele mesmo deve ser um exemplo na maioria dos comportamentos desejados, e quando não é o caso, deve explicitar suas fraquezas e investir em seu próprio desenvolvimento de maneira pública e humilde.
Um líder desenvolvedor não é um amigo compreensivo e complacente. Ao contrário, o bom líder é muitas vezes firme em suas colocações e chega a ser desagradável em alguns momentos. Seu foco não está no conforto de seu time mas no desenvolvimento do mesmo, o que exige esforço e superação. São várias as situações onde o líder precisa ser firme e demonstrar claramente sua insatisfação com os comportamentos indesejáveis.
Ao mesmo tempo em que é firme e exigente quando percebe comportamentos inadequados, o líder é capaz de ser solidário e compreensivo com as dificuldades e com as derrotas de seu time. Para ele o mais importante é o processo, a maneira como as tarefas são feitas e as decisões são tomadas. O resultado é somente o reflexo de todas as ações, combinadas com fatores que ele sabe estarem totalmente fora do controle das pessoas.
Para um verdadeiro líder, resultados positivos são sempre comemorados mas às vezes devem ser acompanhados de discussões fortes sobre falhas a serem corrigidas. Por outro lado, apesar de serem motivo para lamentação, há situações em que resultados negativos precisam ser acompanhados de palavras de incentivo e verdadeiro reconhecimento do esforço aplicado.
Um bom líder busca antes de tudo seu próprio auto-desenvolvimento. Além de procurar ser uma referência para seu time, modelando em si mesmo os comportamentos que deseja desenvolver, o verdadeiro líder reconhece suas fraquezas e trabalha de forma disciplinada e humilde para desenvolver a si mesmo.
Além de ser referência, um bom líder é capaz de desafiar seu time constantemente. Uma de suas habilidades é reconhecer os limites de cada indivíduo e trabalhar no sentido de ampliá-los através de novos desafios. A cada novo desafio, ele é capaz de incentivar, apoiar e criticar sem fazer com que seu time desista. É a arte de manter a chama do aprendizado acesa.
Finalmente, o líder desenvolvedor é capaz de reconhecer o crescimento das pessoas e comemorar sua independência e maturidade. Assim que nota que suas lições de vida não são mais necessárias ou que as habilidades adquiridas por seus liderados podem ser melhor utilizadas em desafios maiores, ele tem a sabedoria de incentivá-los a buscar novos horizontes.
E assim se completa o ciclo de desenvolvimento de pessoas.
Se você deseja fazer comentários sobre esse ou outro artigo, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
terça-feira, 3 de junho de 2008
O Medo dos Treinamentos Comportamentais
Olá,
Faz alguns anos que me dedico ao estudo do comportamento das pessoas no ambiente de trabalho. Durante esse tempo tive a oportunidade de participar como liderado, como líder e como consultor de vários treinamentos comportamentais. Por experiência própria, posso afirmar que esse tipo de iniciativa, quando conduzida por pessoas competentes, produz impactos profundos no comportamento e na produtividade das pessoas.
Apesar dos efeitos positivos que podem ser obtidos com treinamentos comportamentais, ainda existem muitas dúvidas por parte de alguns executivos sobre a eficácia dos mesmos e gostaria de conversar um pouco sobre os motivos para tal desconfiança.
O primeiro motivo, e para mim o mais importante, está relacionado com o preconceito natural que temos de coisas que não conhecemos bem.
Apesar de sermos seres sociáveis e de precisarmos conviver com outras pessoas a maior parte de nossa vida é interessante notar que quase nada aprendemos sobre relacionamentos durante nossa vida acadêmica. Passamos mais de 15 anos na escola e nada ou quase nada nos é ensinado sobre o comportamento humano e suas conseqüências nos relacionamentos e nos resultados.
Mesmo as iniciativas mais incipientes de treinar o relacionamento e o trabalho em equipe são normalmente boicotadas e mal direcionadas, como o exemplo dos famosos trabalhos em grupo onde é muito comum que uma ou duas pessoas façam todo o trabalho e os outros simplesmente recebam suas notas. Como resultado, uma atividade que deveria ajuda a consolidar a importância do trabalho em equipe se transforma em uma demonstração de que o trabalho solitário e mais eficiente e de que os grupos são ingerenciáveis.
É um verdadeiro milagre que com tão pouco treinamento sobre os temas comportamentais e de relacionamento as empresas ainda consigam obter algum resultado nessas áreas. Somente o fato dos seres humanos serem sociáveis por natureza explica esse fenômeno.
Por conta dessa ausência quase total de treinamento durante a vida acadêmica, não é de se surpreender que pessoas inteligentes e bem formadas sejam uma verdadeira negação no que diz respeito a questões como auto-conhecimento e capacidade de se relacionar com os outros.
Ao mesmo tempo, é bastante normal que essas pessoas vejam qualquer treinamento nas áreas de comportamento humano como sendo algo distante demais de suas realidades. Mais ou menos como pedir a uma criança de 7 anos que goste de comer brocolis ou alface pela primeira vez.
O medo do desconhecido é para mim o grande bloqueador para que executivos utilizem mais os treinamentos comportamentais em suas estratégias para otimizar os resultados de suas organizações.
Mas não é só o medo do novo que faz os executivos serem tão tímidos com treinamentos comportamentais. Existe também o trauma de ter sido vítima de profissionais pouco preparados, que fazem trabalhos superficiais ou mesmo apelativos, que pouco ou nada acrescentam de prático no dia a dia profissional das organizações.
Iniciativas muito voltadas ao espírito de aventura e à tentativa de convencer que somos capazes de fazer qualquer coisa, basta desejar, são pouco produtivas e muitas vezes trazem mais prejuízos do que benefícios. Além disso, dinâmicas divertidas e lúdicas sobre relacionamentos e comportamentos feitas sem a devida reflexão ao final do processo vão muito pouco além do simples divertimento.
Um trabalho de desenvolvimento de pessoas e de equipes deve ser mais completo, incluindo atividades em grupo acompanhadas por rodadas de reflexão sobre os objetivos de cada trabalho e sobre as mensagens que se deseja passar. Ele deve ser complementado ainda com atividades de acompanhamento, que permitam as pessoas treinarem suas novas habilidades e observarem os resultados obtidos. Finalmente, perceber que o aprendizado não é uniforme entre as pessoas e que é necessário dar atendimento individualizado aos que apresentam maiores dificuldades é fundamental para o sucesso de um programa de desenvolvimento.
Se por um lado podemos ter grandes benefícios trabalhando a questão comportamental, a frustração com um trabalho mal conduzido ou superficial pode fazer com que esse tipo de iniciativa seja totalmente banida das práticas de desenvolvimento de uma organização. É muito triste reconhecer isso, mas o fato é que ocorre a todo momento.
Apesar dos motivos acima serem verdadeiros, não devem ser fortes o suficiente para impedir que as empresas invistam mais em treinamentos comportamentais. Ao contrário, devem ser pontos a considerar no processo de avaliação de alternativas.
Se o bloqueador é o medo do novo e do desconhecido, comece estudando um pouco mais o assunto e buscando referências em empresas que já aplicaram esse tipo de treinamento com sucesso. Converse com pessoas que já participaram em processos similares. Entenda que benefícios elas perceberam com o trabalho. Dessa forma você irá reduzir seus receios e ganhar coragem para enfrentar o novo.
Se o bloqueador está associado a experiências negativas no passado, procure obter mais referências sobre os fornecedores de consultoria do mercado. Se possível, peça para que eles o apresentem detalhadamente seus planos de trabalho e avalie especialmente os seguintes pontos:
- Referências positivas em trabalhos similares em outras empresas;
- Formato e conteúdo dos trabalhos em grupo;
- Experiência dos profissionais envolvidos;
- Processo de acompanhamento das atividades após os encontros em grupo;
- Processo de atendimento personalizado aos indivíduos com maior dificuldade.
Tomando alguns cuidados você poderá ter uma grande ferramenta de desenvolvimento em suas mãos. Vale a pena tentar.
Se você possui comentários sobre esse artigo, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
Faz alguns anos que me dedico ao estudo do comportamento das pessoas no ambiente de trabalho. Durante esse tempo tive a oportunidade de participar como liderado, como líder e como consultor de vários treinamentos comportamentais. Por experiência própria, posso afirmar que esse tipo de iniciativa, quando conduzida por pessoas competentes, produz impactos profundos no comportamento e na produtividade das pessoas.
Apesar dos efeitos positivos que podem ser obtidos com treinamentos comportamentais, ainda existem muitas dúvidas por parte de alguns executivos sobre a eficácia dos mesmos e gostaria de conversar um pouco sobre os motivos para tal desconfiança.
O primeiro motivo, e para mim o mais importante, está relacionado com o preconceito natural que temos de coisas que não conhecemos bem.
Apesar de sermos seres sociáveis e de precisarmos conviver com outras pessoas a maior parte de nossa vida é interessante notar que quase nada aprendemos sobre relacionamentos durante nossa vida acadêmica. Passamos mais de 15 anos na escola e nada ou quase nada nos é ensinado sobre o comportamento humano e suas conseqüências nos relacionamentos e nos resultados.
Mesmo as iniciativas mais incipientes de treinar o relacionamento e o trabalho em equipe são normalmente boicotadas e mal direcionadas, como o exemplo dos famosos trabalhos em grupo onde é muito comum que uma ou duas pessoas façam todo o trabalho e os outros simplesmente recebam suas notas. Como resultado, uma atividade que deveria ajuda a consolidar a importância do trabalho em equipe se transforma em uma demonstração de que o trabalho solitário e mais eficiente e de que os grupos são ingerenciáveis.
É um verdadeiro milagre que com tão pouco treinamento sobre os temas comportamentais e de relacionamento as empresas ainda consigam obter algum resultado nessas áreas. Somente o fato dos seres humanos serem sociáveis por natureza explica esse fenômeno.
Por conta dessa ausência quase total de treinamento durante a vida acadêmica, não é de se surpreender que pessoas inteligentes e bem formadas sejam uma verdadeira negação no que diz respeito a questões como auto-conhecimento e capacidade de se relacionar com os outros.
Ao mesmo tempo, é bastante normal que essas pessoas vejam qualquer treinamento nas áreas de comportamento humano como sendo algo distante demais de suas realidades. Mais ou menos como pedir a uma criança de 7 anos que goste de comer brocolis ou alface pela primeira vez.
O medo do desconhecido é para mim o grande bloqueador para que executivos utilizem mais os treinamentos comportamentais em suas estratégias para otimizar os resultados de suas organizações.
Mas não é só o medo do novo que faz os executivos serem tão tímidos com treinamentos comportamentais. Existe também o trauma de ter sido vítima de profissionais pouco preparados, que fazem trabalhos superficiais ou mesmo apelativos, que pouco ou nada acrescentam de prático no dia a dia profissional das organizações.
Iniciativas muito voltadas ao espírito de aventura e à tentativa de convencer que somos capazes de fazer qualquer coisa, basta desejar, são pouco produtivas e muitas vezes trazem mais prejuízos do que benefícios. Além disso, dinâmicas divertidas e lúdicas sobre relacionamentos e comportamentos feitas sem a devida reflexão ao final do processo vão muito pouco além do simples divertimento.
Um trabalho de desenvolvimento de pessoas e de equipes deve ser mais completo, incluindo atividades em grupo acompanhadas por rodadas de reflexão sobre os objetivos de cada trabalho e sobre as mensagens que se deseja passar. Ele deve ser complementado ainda com atividades de acompanhamento, que permitam as pessoas treinarem suas novas habilidades e observarem os resultados obtidos. Finalmente, perceber que o aprendizado não é uniforme entre as pessoas e que é necessário dar atendimento individualizado aos que apresentam maiores dificuldades é fundamental para o sucesso de um programa de desenvolvimento.
Se por um lado podemos ter grandes benefícios trabalhando a questão comportamental, a frustração com um trabalho mal conduzido ou superficial pode fazer com que esse tipo de iniciativa seja totalmente banida das práticas de desenvolvimento de uma organização. É muito triste reconhecer isso, mas o fato é que ocorre a todo momento.
Apesar dos motivos acima serem verdadeiros, não devem ser fortes o suficiente para impedir que as empresas invistam mais em treinamentos comportamentais. Ao contrário, devem ser pontos a considerar no processo de avaliação de alternativas.
Se o bloqueador é o medo do novo e do desconhecido, comece estudando um pouco mais o assunto e buscando referências em empresas que já aplicaram esse tipo de treinamento com sucesso. Converse com pessoas que já participaram em processos similares. Entenda que benefícios elas perceberam com o trabalho. Dessa forma você irá reduzir seus receios e ganhar coragem para enfrentar o novo.
Se o bloqueador está associado a experiências negativas no passado, procure obter mais referências sobre os fornecedores de consultoria do mercado. Se possível, peça para que eles o apresentem detalhadamente seus planos de trabalho e avalie especialmente os seguintes pontos:
- Referências positivas em trabalhos similares em outras empresas;
- Formato e conteúdo dos trabalhos em grupo;
- Experiência dos profissionais envolvidos;
- Processo de acompanhamento das atividades após os encontros em grupo;
- Processo de atendimento personalizado aos indivíduos com maior dificuldade.
Tomando alguns cuidados você poderá ter uma grande ferramenta de desenvolvimento em suas mãos. Vale a pena tentar.
Se você possui comentários sobre esse artigo, por favor envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.
PP
terça-feira, 27 de maio de 2008
Dando e Recebedo Feedback
Olá,
Dar e receber feedback é extremamente importante na relação entre pessoas e essa habilidade deveria ser ensinada e praticada em todas as escolas do mundo. Infelizmente, essa não é a realidade que vivemos e muitos problemas de comunicação e de relacionamento acabam ocorrendo por conta da incapacidade das pessoas em darem e receberem feedback.
Uma sessão de feedback é uma oportunidade única de falar sobre os comportamentos das pessoas que nos afetam de forma positiva, e que queremos reforçar, ou que nos afetam negativamente, e que gostaríamos que fossem modificados.
Feedback não é prestar contas sobre o trabalho nem um processo de avaliação de desempenho. Existem outros mecanismos que cuidam desses temas. Também não se trata de julgar pessoas e suas intenções. Em vez disso, seu foco é nos comportamentos das pessoas e nos impactos positivos ou negativos que os mesmos causam nos relacionamentos.
A sessão ideal é a que considera o feedback cruzado, permitindo que cada um possa expor seus sentimentos sobre os comportamentos da outra pessoa. Isso faz com que a relação seja mais equilibrada e mantenha-se o princípio da reciprocidade.
Durante uma sessão de feedback é importante tomar alguns cuidados. Abaixo você encontrará algumas dicas de como deve se comportar durante o processo.
Ao dar feedback:
- Pense antes no que deseja falar e ensaie suas palavras. Se possível, escreva em um papel as principais mensagens que deseja expor à outra pessoa. Isso ajuda a refletir sobre o que será dito.
- Seja sincero, respeitoso e objetivo. Concentre-se nas coisas mais relevantes e procure deixar os detalhes de lado. Haverá outras oportunidades para conversar no futuro.
- Lembre-se que as únicas razões para se dar feedback são a de reforçar um comportamento desejado já existente ou de modificar um comportamento indesejável. Se sua motivação não for uma dessas, melhor não dar feedback.
- Inicie a sessão falando de comportamento(s) que você admira na pessoa que está recebendo o seu feedback. Explique por que você admira esse(s) comportamento(s) e qual o sentimento que você sente quando ele(s) acontece(m).
- Em seguida, fale sobre o(s) comportamento(s) da pessoa que lhe incomoda(m) ou que você considera inconveniente(s). Procure dar exemplo(s) recente(s) e bem definido(s) em que cada comportamento ocorreu. Evite julgar a personalidade ou as intenções da pessoa. Em vez disso, concentre-se no(s) comportamento(s) e nos sentimentos que ele(s) causaram em você.
- Procure dar uma razão pela qual a pessoa que está recebendo o feedback deveria mudar seu(s) comportamento(s). Mostre como ela poderia se beneficiar modificando o(s) comportamento(s) que você acabou de descrever.
- Caso a pessoa reaja, não inicie uma discussão. Em vez disso, reforce sua intenção de ajudar e peça para que a pessoa tome esse feedback como um presente que você está dando de coração. Se o presente não for de serventia, ele poderá ser posto de lado depois.
Ao receber feedback:
- Ouça atentamente o que está sendo dito. Abra o coração e receba o feedback com coragem e humildade. Existe sempre algo de bom no que está sendo dito.
- Não responda e não reaja ao feedback. Você está recebendo um presente e deverá recebê-lo como se recebe um presente. Mesmo que os comentários não lhe pareçam totalmente corretos ou justos, aceite-os de mente aberta e reflita com calma sobre ele depois da sessão terminada.
- Respeite a coragem de quem está dando feedback. A certas coisas que são muito difíceis para a maioria das pessoas e dar feedback está entre elas.
- Se você não entender algo, pode perguntar. Mas controle-se e pergunte apenas para entender o que não ficou claro. Não vale perguntar com a intenção de negar ou de amenizar o que está sendo dito.
- Reflita sobre o que você ouviu e agradeça a quem está lhe dando o feedback. Mais uma vez, tome-o como um presente dado com o coração por quem realmente se preocupa com você.
Agora que você já possui um roteiro para uma sessão de feedback, que tal se aventurar e praticar na vida real essa habilidade tão importante. Pode ser difícil no início e até soar um pouco artificial, mas com o tempo você irá notar que é mais fácil e prazeroso do que parece.
Se você possui comentários sobre esse artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Seus comentários e sugestões são muito importantes para a manutenção desse blog.
PP
Dar e receber feedback é extremamente importante na relação entre pessoas e essa habilidade deveria ser ensinada e praticada em todas as escolas do mundo. Infelizmente, essa não é a realidade que vivemos e muitos problemas de comunicação e de relacionamento acabam ocorrendo por conta da incapacidade das pessoas em darem e receberem feedback.
Uma sessão de feedback é uma oportunidade única de falar sobre os comportamentos das pessoas que nos afetam de forma positiva, e que queremos reforçar, ou que nos afetam negativamente, e que gostaríamos que fossem modificados.
Feedback não é prestar contas sobre o trabalho nem um processo de avaliação de desempenho. Existem outros mecanismos que cuidam desses temas. Também não se trata de julgar pessoas e suas intenções. Em vez disso, seu foco é nos comportamentos das pessoas e nos impactos positivos ou negativos que os mesmos causam nos relacionamentos.
A sessão ideal é a que considera o feedback cruzado, permitindo que cada um possa expor seus sentimentos sobre os comportamentos da outra pessoa. Isso faz com que a relação seja mais equilibrada e mantenha-se o princípio da reciprocidade.
Durante uma sessão de feedback é importante tomar alguns cuidados. Abaixo você encontrará algumas dicas de como deve se comportar durante o processo.
Ao dar feedback:
- Pense antes no que deseja falar e ensaie suas palavras. Se possível, escreva em um papel as principais mensagens que deseja expor à outra pessoa. Isso ajuda a refletir sobre o que será dito.
- Seja sincero, respeitoso e objetivo. Concentre-se nas coisas mais relevantes e procure deixar os detalhes de lado. Haverá outras oportunidades para conversar no futuro.
- Lembre-se que as únicas razões para se dar feedback são a de reforçar um comportamento desejado já existente ou de modificar um comportamento indesejável. Se sua motivação não for uma dessas, melhor não dar feedback.
- Inicie a sessão falando de comportamento(s) que você admira na pessoa que está recebendo o seu feedback. Explique por que você admira esse(s) comportamento(s) e qual o sentimento que você sente quando ele(s) acontece(m).
- Em seguida, fale sobre o(s) comportamento(s) da pessoa que lhe incomoda(m) ou que você considera inconveniente(s). Procure dar exemplo(s) recente(s) e bem definido(s) em que cada comportamento ocorreu. Evite julgar a personalidade ou as intenções da pessoa. Em vez disso, concentre-se no(s) comportamento(s) e nos sentimentos que ele(s) causaram em você.
- Procure dar uma razão pela qual a pessoa que está recebendo o feedback deveria mudar seu(s) comportamento(s). Mostre como ela poderia se beneficiar modificando o(s) comportamento(s) que você acabou de descrever.
- Caso a pessoa reaja, não inicie uma discussão. Em vez disso, reforce sua intenção de ajudar e peça para que a pessoa tome esse feedback como um presente que você está dando de coração. Se o presente não for de serventia, ele poderá ser posto de lado depois.
Ao receber feedback:
- Ouça atentamente o que está sendo dito. Abra o coração e receba o feedback com coragem e humildade. Existe sempre algo de bom no que está sendo dito.
- Não responda e não reaja ao feedback. Você está recebendo um presente e deverá recebê-lo como se recebe um presente. Mesmo que os comentários não lhe pareçam totalmente corretos ou justos, aceite-os de mente aberta e reflita com calma sobre ele depois da sessão terminada.
- Respeite a coragem de quem está dando feedback. A certas coisas que são muito difíceis para a maioria das pessoas e dar feedback está entre elas.
- Se você não entender algo, pode perguntar. Mas controle-se e pergunte apenas para entender o que não ficou claro. Não vale perguntar com a intenção de negar ou de amenizar o que está sendo dito.
- Reflita sobre o que você ouviu e agradeça a quem está lhe dando o feedback. Mais uma vez, tome-o como um presente dado com o coração por quem realmente se preocupa com você.
Agora que você já possui um roteiro para uma sessão de feedback, que tal se aventurar e praticar na vida real essa habilidade tão importante. Pode ser difícil no início e até soar um pouco artificial, mas com o tempo você irá notar que é mais fácil e prazeroso do que parece.
Se você possui comentários sobre esse artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Seus comentários e sugestões são muito importantes para a manutenção desse blog.
PP
Assinar:
Postagens (Atom)