sábado, 22 de agosto de 2009

Desenvolvendo Atletas

Olá,

Você pratica ou acompanha algum esporte? Se o faz, deve saber da importância que tem o treinamento na vida de um praticante de esportes. É sobre o papel do treinador e da analogia que existe entre ele e os líderes empresariais que gostaria de conversar hoje.

Assim como um treinador de futebol ou volei, um líder empresarial é responsável por desenvolver sua equipe, tanto individualmente quanto coletivamente. Ele precisa dar conforto e segurança a seus atletas, mas sabe que só será capaz de bater seus concorrrentes se souber levá-los a um patamar superior de competitividade que esteja acima dos opositores.

Para ser vencedor, um treinador precisa testar e estender os limites de seus atletas todo o tempo, aprimorando-os a cada ciclo, buscando sempre algo mais. Esses limites não são fáceis de serem ultrapassados, nem tampouco agradáveis de serem atingidos. Eles representam privações e dor, aumentam o estresse físico e mental e testam a capacidade de cada um em se manter motivado na busca de seus objetivos.

Não é possível desenvolver atletas sem testar limites. Não é possível testar limites sem gerar desconforto. Não é possível gerar desconforto e manter motivação se não houver confiança.

Um bom técnico exige de seus atletas até onde sabe que eles serão capazes de suportar. Ao mesmo tempo é capaz de fazê-los atingir limites que eles mesmos não acreditavam ser capazes. Ele os desafia a todo momento e impõe metas e objetivos nem sempre aceitos de maneira tranquila. Um bom técnico é admirado e querido por sua equipe, mas muitas vezes desperta sentimentos nem tão positivos assim. Como ouvi de uma professora há algum tempo, ele tem um molho tipo agridoce, adocicado mas ao mesmo tempo ácido.

O ponto chave da relação de um técnico com seus liderados é a confiança mútua. A equipe precisa confiar em seu líder e acreditar que todo o sofrimento imposto tem como objetivo o desenvolvimento e o sucesso. Por outro lado, o líder precisa confiar em seus liderados e acreditar que eles estão totalmente alinhados com seus objetivos.

Para obter a confiança da equipe não é necessário ser amável o tempo todo. Na verdade, muitos dos grandes técnicos que conhecemos passam longe da definição de amável. O mais importante é ser previsível, coerente e justo. É seguir um conjunto simples e direto de valores positivos em todas as suas decisões, reagindo de maneira clara e objetiva ao desenrolar dos fatos.

Um líder que é sempre amável (doce) dificilmente irá mover seus liderados além dos limites. Para levá-los a novos patamares ele precisa demonstrar sua acidez (dureza) e discutir de forma clara e objetiva os erros e acertos de sua equipe. Se está errado ele precisa dizer isso sem meias palavras. Se há maneiras de fazer melhor, precisa criticar a forma como foi feito. Se faltou empenho e atenção, isso precisa ser dito e discutido.

A acidez do líder cria o movimento e faz com que as pessoas se desenvolvam. Sua doçura cura as feridas causadas pelas lutas do dia a dia e reforça o cimento da confiança que a equipe tem em sua liderança.

Desenvolver atletas é como desenvolver funcionários e líderes empresariais são como técnicos de futebol. Os uniformes e as regras do jogo são totalmente diferentes, mas as bases do relacionamento entre líder e liderados são exatamente as mesmas.

Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.

Abraços,

PP

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Incerteza do Futuro

Olá,

Uma das habilidades mais presentes na vida dos executivos é a capacidade de antever e se preparar para o futuro. Somos treinados e preparados para prever quanto iremos vender, que produto ou serviço terá mais sucesso, quais as chances de fechar determinado negócio, e assim por diante. Além disso, somos mestres e preparar e executar planos que vão desde algumas semanas até vários anos.

Não há nada de errado em planejar o futuro e se preparar para ele. Ao contrário, é uma das habilidades que qualquer empresa almeja em seus executivos. Mesmo para a vida pessoal, o planejamento e a disciplina com o mesmo podem representar uma vida com menos imprevistos, mais conforto e tranquilidade.

Mas há uma coisa que não podemos nos esquecer jamais. Os planos são apenas o caminho que desejamos seguir no momento inicial da jornada. Ao longo do trajeto, imprevistos irão ocorrer e os planos devem ser ajustados a eles sob o risco de transformarmos desejos em grandes frustrações ou mesmo em pesadelos.

Tomemos o exemplo de um rapaz que acaba de constituir sua própria família e planeja ter filhos e proporcionar a eles conforto e tranquilidade. Um plano simples e muito comum que provavelmente foi, é ou será um dos planos de cada um de vocês.

Como ter filhos é uma coisa mais ou menos natural, esse rapaz concentra toda sua energia na busca da estabilidade financeira para sua família. Ele entende que sem dinheiro não é possível ter conforto no mundo moderno e sai em busca de crescimento profissional e de posições mais valorizadas.

O primeiro filho nasce e esse rapaz, agora já se tornando um senhor de 30 anos, já é gerente de uma grande empresa. Seu salário é suficiente para adquirir seu primeiro apartamento, pequeno mas confortável, em um bairro de classe média. Sua agenda, como de qualquer gerente de médio escalão, é cheia de compromissos e se estende muito além do horário comercial. Sobra pouco tempo para apreciar seu filho e mesmo a esposa ele vê somente algumas vezes por semana.

O tempo passa, o salário aumenta e a família cresce. O filho mais velho já é um meninão e o segundo filho, recém-chegado, já se aloja no quarto do irmão com um grande intruso. O apartamento é trocado por um maior, mais confortável e em um bairro mais nobre. A família compra seu segundo carro e o primeiro é substituído por um modelo mais novo e maior.

Tudo parece correr as mil maravilhas, totalmente dentro dos planos, não fosse um detalhe fundamental: os já dez anos de dedicação intensa ao trabalho feriram de morte a relação do casal e por mais que eles tentem reaver a relação inicial, não existe mais volta. Eles decidem se separar.

O Plano inicial de ter uma família feliz e uma vida confortável desmorona em apenas uma semana. O carinho se transforma em ressentimento, os advogados entram em cena para definir o novo arranjo a ser implantado. O apartamento novo fica com a mãe e com os filhos, os carros são divididos, uma pensão é definida para dar sustento e educação aos meninos, e uma agenda de visitas aos filhos é estabelecida. O que era para ser uma família se transforma em um contrato de convivência forçada e na necessidade pensar em um novo plano.

A história que acabo de relatar se encaixaria em menor ou maior grau às histórias de muitos executivos que conheci. Na verdade, sem o desfecho que apresento, se aproxima até mesmo de minha própria história e, tenho certeza, provavelmente na de muitos de vocês.

A pergunta que fica é o que aconteceu de errado? Por que um plano tão simples e despretensioso pode dar tão errado?

A resposta me parece estar no foco demasiado no plano em si em detrimento do objetivo final. Nossa vontade de fazer do nosso jeito e de mostrar que estamos certos faz com que esqueçamos do mais importante, o nosso objetivo.

Quando isso acontece, a criatura (nosso plano) escraviza o criador e somos levados a caminhos que nunca imaginamos percorrer.

É preciso aceitar que o futuro é incerto e que não temos como planejar tudo com detalhes. Se não somos capazes de garantir que estaremos vivos amanhã, como podemos acreditar em nossos planos ao ponto de abandonar o presente e se concentrar somente no futuro?

Planejar é saudável e, como disse no início, pode ajudar a ter uma vida mais tranquila. No entanto, é preciso viver a única coisa que temos como certa que é o momento presente. Ele não pode ser substituído nem recuperado. Ele existe por uma fração de segundo e se transforma em passado, deixando em nossa memória uma marca indelével, que pode ser boa ou má dependendo de nossa atitude perante o evento.

Viver o presente com plenitude deve ser sempre nosso maior objetivo. Compatibilizar o prazer de viver o presente com a preparação do futuro deve vir em seguida.

O olho no futuro nos ajuda a limitar o desejo pelo prazer imediato e, mais importante, nos faz sentir prazer em viver as dificuldades. Por outro lado, pensar somente no futuro nos faz perder a beleza do momento presente e não garante que o futuro ocorra.

Mais uma vez, os princípios e valores voltam a cena. Eles são a principal ferramenta para guiar nossos planos futuros e nosso comportamento no presente.

Sempre planeje seu futuro guiado por seus princípios e valores, dessa forma você garante que seu plano o leva a seu objetivo maior de vida. Durante toda a vida, verifique se seu plano continua alinhado com eles e, caso note algum desvio, faça os ajustes devidos.

Mas não se esqueça de viver intensamente o presente pois, como disse anteriormente, ele é sem dúvida a coisa mais importante de nossas vidas.

Para saber se sua atitude no presente está alinhada com seus planos, consulte seu conjunto de valores e princípios. Se o seu prazer imediato está alinhado com eles, viva-o com intensidade e desfrute desse momento. Caso contrário, coloque foco nos seus objetivos de longo prazo e em seu plano de ação.

As dicas acima não são certeza de um futuro melhor, afinal incerteza e futuro são conceitos intimamente conectados. No entanto, podem ajudar muito a viver melhor o presente e a aumentar as chances de termos mais momentos felizes no futuro.

Se você tem comentários a fazer sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em respondê-los.

Abs.

PP

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Elogiar Comportamentos e não Pessoas

Olá,

Existem pessoas que se destacam pela habilidade em aprender coisas novas rapidamente. São capazes de enfrentar qualquer desafio e se sair bem; possuem uma facilidade incrível para encontrar soluções; e, em geral, estão sempre com uma resposta na ponta da língua.

A maioria delas se destaca pelo alto nível de curiosidade e auto-confiança, o que lhes impulsiona em direção a riscos e desafios maiores, que se bem administrados, permitem que seu desenvolvimento pessoal e profissional seja diferenciado.

Por demonstrarem destreza e prontidão para qualquer nova tarefa, essas pessoas tendem a ser mais solicitadas pelos superiores e colegas, costumam receber os maiores desafios e, como resultado de suas realizações, também são mais elogiadas e recompensadas.

Não existe nada de mal em recompensar ou elogiar um bom trabalho. É importante informar as pessoas sobre o seu desempenho e reforçar os comportamentos positivos. Um elogio bem colocado faz com que a pessoa se sinta recompensada pelo esforço e motive-se a se desenvolver ainda mais.

O problema começa quando os elogios passam a ser frequentes demais, ao ponto de fazer com que a pessoa se sinta diferente das outras, como se tivesse poderes ou talentos sobre naturais.

Se é verdade que existem pessoas mais talentosas do que outras em determinadas áreas do conhecimento, também é verdade que esse talento é muito mais fruto do esforço e dedicação do que de características natas. Um bom músico pode ter recebido alguma ajuda da carga hereditária, mas com certeza sua destreza e habilidade são muito mais o fruto de anos de estudo e treinamento.

Elogiar uma pessoa sem fazer vínculo com o esforço para atingir determinado resultado é reforçar a imagem de que essa pessoa é melhor do que as outras, de que possui características superiores aos outros colegas. É um erro grave e que pode levar a comportamentos bastante inadequados.

A pessoa que é elogiada constantemente sem motivos claros, tende a se convencer de que é realmente melhor do que as outras. Ela passa a acreditar que é capaz de fazer qualquer coisa sem se esforçar muito. Além disso, por ser melhor do que as outras, entende que merece tratamento diferenciado, independente do seu nível de comprometimento e dedicação.

Mas se elogiar é importante para demonstrar reconhecimento por um trabalho bem realizado e faz com que as pessoas se motivem a buscar maior desenvolvimento, por que em alguns casos ele pode gerar tantos problemas?

A resposta está no alvo do elogio.

Elogiar um determinado comportamento que leva a resultados positivos é muito importante, pois reforça a necessidade de desenvolver ainda mais esse comportamento. Por outro lado, elogiar a pessoa sem fazer vínculo com um comportamento reforça a imagem de que a pessoa é boa, independente de seus comportamentos.

O elogio indiscriminado cria um sentimento de determinismo e predestinação muito perigoso. Aos poucos, a pessoa pode se convencer de que é realmente superior aos outros e passa a tratá-los como seres inferiores. Sua capacidade de auto-crítica vai se reduzindo, levando a resultados muito negativos em sua carreira profissional no longo prazo.

O pior de tudo é que as mudanças geradas pelo excesso de elogios tendem a levar essa pessoa ao extremo oposto. Seu comportamento inadequado, fruto de elogios inadequados, faz com que a avaliação de seus colegas e superiores mude rapidamente e os elogios se transformem em críticas pesadas.

Os elogios sobre a criatividade e a rapidez da pessoa são complementados com duras críticas sobre a arrogância e intolerância da pessoa. Mais uma vez, a pessoa é tomada como alvo e não seus comportamentos, o que vai criando uma imagem distorcida e irreversível.

Como é muito mais fácil aceitar elogios do que críticas, a pessoa afetada inicialmente com o excesso de elogios tende a negar as críticas recebidas. Ela entende as críticas como demonstrações de inveja e raiva de seu talento diferenciado, o que acirra ainda mais os efeitos negativos do processo.

Para reverter esse quadro é preciso mudar o paradigma. É preciso deixar de elogiar e criticar pessoas e se concentrar nos comportamentos.

Pense bem na forma como está elogiando ou criticando as pessoas com quem convive. Você pode ajudá-las a se desenvolver ou levá-las a se enganar, dependendo da forma como exerça o seu direito de elogiar ou criticar. Ao mesmo tempo, procure analisar os elogios e criticas que recebe e fazer um vínculo dos mesmos com seus comportamentos. Isso vai ajudá-lo a evitar os efeitos negativos dos elogios e criticas pessoais que porventura receber.

Se você tem comentários ou sugestões sobre esse ou outros artigos, escreva para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder seus e-mails.

Abraços,

PP

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tocando o Coração das Pessoas

Olá,

Hoje gostaria de falar de um desejo muitas vezes oculto de quase todos os líderes: o de tocar o coração das pessoas.

Por mais duro e frio que possa parecer um executivo, acredite, existe por baixo daquela armadura um ser humano sensível e frágil como qualquer outro. Alguém que deseja ardentemente ser admirado por seus atos e que precisa de reconhecimento e amparo como qualquer outra pessoa.

Uma reclamação constante entre altos executivos é sobre a sua incapacidade de fazer com que as pessoas compreendam suas reais intenções e objetivos. Eles se ressentem de não conseguir convencer as pessoas a seguirem o caminho que julgam ser o melhor para a organização e de não conseguirem "tocar" o coração das pessoas.

O mais interessante é que esses mesmos executivos relatam já terem sido capazes de fazer isso no passado, o que os leva a sentir uma frustração ainda maior. Afinal, será que eles perderam sua capacidade de liderar e de fazer com que as pessoas se mobilizem em torno de um objetivo comum?

Minha experiência pessoal diz que a dificuldade está associada ao distanciamento natural que existe entre os líderes e liderados conforme a organização cresce. Uma coisa é liderar um punhado de pessoas, suficiente para contar com os dedos da mão, outra coisa bem diferente é liderar uma legião de dezenas, centenas ou milhares de pessoas.

"Tocar" o coração de cinco ou seis pessoas é relativamente fácil para um líder dedicado. Ele tem tempo para falar com cada um e pode garantir acesso a todos sempre que necessário. Sua proximidade com as pessoas o permite sentir como reagem a suas ações, permitindo que ele ajuste sua maneira de agir e falar, dando a ele o direito de errar e corrigir seus erros.

Conforme a organização cresce ou a carreira o leve a posições mais altas, a distância para as pesssoas aumenta. Seus defeitos e virtudes, seus erros e acertos, são amplificados ou atenuados de forma dramática, distorcendo totalmente sua imagem perante os liderados. É como se sua identidade fosse substituída pela de outra pessoa, um impostor que lhe toma a posição e passa a liderar sua organização.

A partir desse momento, o executivo inicia um processo de perda gradativa do controle da situação. Em alguns momentos é julgado como fraco e omisso, quando sua intenção era dar uma chance às pessoas. Em outros é considerado demasiado duro, quando seu objetivo era preservar o todo, mesmo que ao sacrifício de alguns. Parece que tudo o que faz é entendido de maneira contrária pelas pessoas, o que no fundo é a mais pura realidade.

A frustração de não ser entendido cresce e começa a alterar sua forma de atuar. Surge um novo líder, pior do que o antigo, normalmente mais duro e intransigente. Ele se cansa de tentar convencer as pessoas e passa a ser mais autoritário e impaciente. Seu afastamento e isolamento aumentam e a comunicação entre líder e liderados se torna praticamente inviável.

O afastamento leva a problemas de comunicação ainda maiores, que aumentam a frustração, que por sua vez faz com que o líder procure ainda mais isolamento.

O mais interessante é que a dinâmica apresentada acima não necessariamente leva a um desastre em termos de resultados. A competência individual do líder e de seus liderados e a vontade de provar serem capazes de vencer os desafios, faz com que os resultados se mantenham e, algumas vezes, até se aprimorem. As pessoas trabalham menos felizes, mas continuam a produzir e a entregar o que lhes é cobrado.

Essa aparente desconexão faz com que muitos líderes cheguem a conclusão de que o afastamento e o isolamento não sejam tão ruins assim. Alguns chegam a acreditar que essa é a forma mais sensata e madura de lidar com a organização e de que a proximidade "excessiva" que tinham no passado eram uma característica de um executivo ainda jovem, que não sabia como lidar com grandes organizações.

Não é assim que penso. Ao contrário, sou dos que acreditam que o afastamento e o isolamento do líder sempre representam uma perda para a organização. Se os resultados ainda são bons com tanta dificuldade de comunicação, como seriam se a comunicação fosse efetiva e o líder voltasse a "tocar" o coração das pessoas?

Penso que as organizações de maior sucesso, possuem uma quantidade maior de líderes que "tocam" o coração das pessoas, que não possuem vergonha de serem próximos aos liderados e que fomentam a comunicação verdadeira e franca em suas organizações. Líderes mais disponíveis são naturalmente mais verdadeiros e confiáveis, obtendo credencial para conseguirem maior esforço e dedicação das pessoas. Além disso, líderes que se sentem compreendidos sentem-se menos frustrados, ampliando seu potencial de criar e desenvolver o futuro.

Mas existe um ponto a mais a favor dos líderes que "tocam" o coração de seus liderados. Eles sentem-se mais felizes e realizados, alimentando e libertando o ser humano escondido em baixo de suas armaduras de heróis. Em última análise, sentem-se mais próximos de suas missões de vida.

Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.

PP

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Desenvolvendo Habilidades

Olá,

O desenvolvimento de habilidades dificilmente será um caminho de pouco trabalho. Para atingir destreza em determinada atividade são necessárias muitas horas de dedicação e um número enorme de repetições. Também é preciso ser persistente, encarar de frente as dificuldades e lidar com a frustração dos primeiros resultados negativos.

É comum observarmos as pessoas de sucesso e admirarmos seu talento como se o mesmo fosse dado a eles de presente. Em alguns casos, chegamos mesmo a comentar o quanto poderíamos ter sucesso equivalente se tivéssemos tanto talento quanto essas pessoas. Um grande equívoco.

Quando vemos um jogador de futebol serpenteando pelo campo com a bola quase grudada em seus pés ou quando assistimos um músico tocando com maestria determinada melodia, estamos presenciando o resultado de anos de dedicação e esforço.

É claro que nossas características natas podem influenciar nosso potencial de desenvolvimento, mas os exemplos mais variados demonstram que sua importância no resultado final é mínima. Se não fosse assim, como poderia ser possível uma pessoa sem braços tocar violão com desenvoltura ou um surdo ser capaz de compor músicas capazes de atravessar séculos?

Reconhecer que aquilo que costumamos chamar de talento nada mais é do que o reconhecimento de uma habilidade adquirida após muito esforço e dedicação, nos leva a algumas conclusões importantes:

1 - O talento é fruto do trabalho e não algo com que nascemos;

2 - O trabalho duro é o único caminho para obter destreza em determinada atividade;

3 - Como trabalhar duro é uma opção individual, ter talento (destreza) em determinada atividade é uma questão de escolha.

Mas se é assim, o que nos impede de desenvolver novas habilidades ou aprimorar ainda mais as habilidades já adquiridas?

A resposta me parece óbvia. Não fazemos por que dá muito trabalho. Mais do que estamos dispostos a pagar para termos acesso ao talento que dizemos desejar.

Se realmente quiséssemos ser um músico poderíamos chegar lá. Mas para isso seria necessário escolher uma escola de música, frequentá-la de forma religiosa, treinar horas a fio por dia, abrir mão de outros compromissos e interesses, enfim, trabalhar duro.

Quando queremos realmente, não existem obstáculos que não possam ser ultrapassados. Somos tenazes e persistentes, nos dedicamos de forma incansável e fazemos qualquer loucura para conseguirmos nossos objetivos.

O processo de desenvolvimento de uma habilidade deve passar por uma análise anterior sobre a importância dessa habilidade para nosso sucesso profissional ou pessoal. Não adianta desejar desenvolver uma habilidade se não estivermos convencidos da importância de tê-la.

Uma vez que estejamos convencidos da importância de desenvolver determinada atividade é hora de planejar as ações que levarão ao desenvolvimento e estabelecer objetivos de curto, médio e longo prazo.

De posse da primeira versão de um plano de desenvolvimento é hora de se colocar em movimento e suar a camisa de verdade.

A cada dificuldade encontrada, lembre-se da importância de seus objetivos. É o sentimento de importância que fará você enfrentar as dificuldades e lidar com a frustração de suas derrotas iniciais.

Procure acompanhar seus resultados de forma frequente. Compare sua evolução real com a planejada e faça os devidos ajustes no plano de trabalho.

Evite modificar seus objetivos. Se não for possível atingí-los no prazo esperado, faça um ajuste no prazo, mas evite mudar o objetivo.

Nunca se esqueça dos motivos que o levaram a buscar o desenvolvimento de suas novas habilidades. Eles serão os seus melhores aliados nessa jornada.

Um abraço,

PP

terça-feira, 9 de junho de 2009

Que Caminho Escolher

Olá,

Hoje gostaria de escrever para os futuros executivos do país. Aqueles que estão prestes a tomar uma das decisões mais importantes de sua vida, a escolha de uma formação universitária.

Antes de mais nada gostaria de dizer que não há nada de errado sentir-se inseguro e indeciso nesse momento, afinal são raros os casos em que a escolha de uma profissão é feita com total certeza e segurança.

A indecisão e a insegurança são sentimentos até certo ponto positivos no processo de escolha de uma profissão, pois nos ajudam a pensar de maneira mais cautelosa e avaliar todas as possibilidades antes de dar um passo tão importante para as nossas vidas.

Outro ponto importante é reconhecer que a escolha de um curso universitário é somente o primeiro passo de uma profissão que irá se desenvolver por décadas. Ele não determina a direção final da jornada, mas apenas a direção de seus primeiros anos.

Um médico pode tornar-se um grande político. Um engenheiro pode ser um grande empresário do setor de alimentos. Um arquiteto pode se tornar um administrador de empresas de sucesso. Um jornalista pode destacar-se como um importante analista financeiro.

A verdade é que nossa história de vida vai sendo construída ao longo dos anos, a cada decisão que tomamos. E acredite, daqui para frente o número de decisões a tomar vai aumentar a cada dia, levando-o a caminhos que você nem imaginou um dia trilhar.

O mais importante no processo de escolha de uma profissão é ter certeza de que a decisão está sendo sua. Por mais que nossos pais, tios, irmãos e amigos possam ajudar no entendimento das opções, eles não devem ser os responsáveis pela decisão final. Ela é sua e tem que ser assim.

Não estou defendendo que você se isole do mundo e deixe de ouvir aqueles em quem confia. Ao contrário, minha sugestão é de que você ouça a todos e pergunte tudo o que possa perguntar. Utilize as fontes que puder para entender o que são as profissões e o que fazem os respectivos profissionais. Apenas tenha certeza de que sua decisão seja pessoal, livre da interferência de terceiros.

Tenha cuidado com o excesso de preocupação com o sucesso financeiro. Belas carreiras de sucesso já foram abortadas pelo medo de escolher uma profissão que não dá dinheiro e isso é uma verdadeira lástima.

Lembre-se que o sucesso e o fracasso estão presentes em todas as profissões e que existem exemplos de profissionais bem e mal remunerados em todas as áreas do conhecimento. A escolha de uma profissão não representa o ingresso automático a um emprego bem remunerado, muito menos a maldição de ser mal remunerado para sempre.

Não se preocupe demais com a popularidade da profissão que vai escolher. Há vinte anos atrás, quando me formei em engenharia elétrica, as oportunidades de emprego eram limitadas para esse tipo de profissional. Hoje em dia, um engenheiro elétrico competente é disputadíssimo no mercado. Da mesma forma, existem profissões que foram grande sucesso no passado que hoje estão saturadas ou em declínio.

Em vez de se preocupar com a popularidade ou com o potencial financeiro da profissão, procure dar foco às suas preferências e áreas de interesse. Afinal, se você quiser ser um profissional de sucesso, terá que dedicar milhares de horas de estudo no campo de conhecimento escolhido. Algo que só será capaz de fazer se tiver algum prazer nesse processo.

Dentre as opções que mais o atraem, investigue mais a fundo as possibilidades de trabalho e o tipo de trabalho que os profissionais dessas áreas realizam. Navegue na internet e leia tudo a respeito das áreas de conhecimento que mais o atraem. Se possível converse com pessoas que já estejam trabalhando e pergunte a elas tudo o que desejar. Se puder visitar os locais de trabalho e vê-las em ação um pouco, melhor ainda.

Depois de um tempo refletindo sobre o assunto, você notará que as opções irão se reduzindo e que algumas vão parecer mais interessantes do que outras. Continue o refinamento até que você esteja razoavelmente certo do caminho a escolher.

Provavelmente a insegurança e a indecisão continuarão a martelar em sua cabeça mesmo depois da escolha feita. Não se preocupe, é assim mesmo.

Continue em frente. Leve a insegurança e a incerteza contigo nessa jornada, mas não deixe de ir em frente. Você verá que aos poucos a vida irá conduzi-lo para o caminho certo, que poderá ou não ser próximo ao inicialmente idealizado, mas que com certeza será o seu caminho, aquele que você escolheu.

Um grande Abraço,

PP

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Decisões Difíceis

Olá,

Temos que tomar decisões difíceis várias vezes durante nossa vida profissional. Questões como aceitar ou não uma oferta de emprego, demitir ou não um funcionário, optar por uma estratégia de abordagem de mercado, são exemplos de algumas delas.

Mas como saber que estamos tomando a decisão correta?

A resposta é não há como saber. Seja por que muitas vezes a afirmação decisão correta não se aplica; seja por que não podemos prever com garantia os efeitos de nossas decisões.

As maioria das situações de tomada de decisão nos levam a alternativas de caminhos que são apenas relativamente melhores em relação a outras. A escolha por um novo emprego traz a possibilidade de uma série de benefícios, mas por outro lado é provável que também represente alguns riscos e inconvenientes.

Vejamos o exemplo de um executivo casado e com dois filhos adolescentes que recebe a proposta de tomar uma posição de vice-presidente para a América Latina de uma empresa. Se por um lado a proposta de emprego representa maior renda mensal, também significa menos tempo para dedicar a sua família, maior nível de estresse e maiores responsabilidades.

O exemplo acima é uma situação típica de tomada de decisão que não possui uma resposta correta. Aceitar ou não o cargo implicará em benefícios e oportunidades e, ao mesmo tempo, dificuldades e riscos.

Mesmo quando tudo parece ser em favor de uma determinada escolha existe o risco de nossas expectativas não se concretizarem, levando-nos a resultados não desejados.

Tomemos o exemplo de um executivo que aceite um novo emprego com salário maior em uma empresa bem colocada no mercado e cujas responsabilidades sejam equivalentes às de seu emprego atual. Decisão fácil, não?

Pois é. Agora imagine que dois meses depois essa empresa seja comprada por outra de forma repentina e seu cargo seja extinto. A decisão que parecia obviamente melhor de repente se transforma em um grande problema.

A verdade é que não temos como garantir que nossas decisões estejam sempre certas e precisamos conviver com isso.

Mas existe uma forma eficaz de aumentar o grau de acerto de nossas decisões e ela está associada com nossos princípios, valores e objetivos de vida.

Cada um de nós possui um conjunto de valores e princípios pessoais. Regras de comportamento que quando cumpridas nos deixam com a consciência limpa e quando contrariadas nos fazem sentir culpa e mal estar. Quanto mais importante for uma decisão, mais importante será respeitar nossos princípios e valores.

Por outro lado, o conjunto de nossos princípios e valores nos fazem criar uma imagem desejada de nosso futuro, definindo nossos objetivos de vida. Toda decisão importante deve ser confrontada com nossos objetivos de vida antes de ser tomada. Se o caminho escolhido aumenta a possibilidade de atingir nossos objetivos, provavelmente é um bom caminho. Caso contrário, deve ser questionado como um caminho válido.

Parece óbvio que nossas decisões devam ser orientadas segundo a prioridade de nossos valores, princípios e objetivos de vida, mas infelizmente não é bem assim que as coisas acontecem com a maioria das pessoas.

A falta de tempo para refletir e a necessidade de apresentar e obter resultados de curto prazo muitas vezes nos fazem decidir sem consultar a prioridade de nossos valores e princípios. Com isso, vamos nos afastando de alguns deles e superlativando outros, muitas vezes nos afastando de nossos maiores objetivos de vida.

Tomemos o exemplo de um grande executivo de multinacional com problemas cardíacos causados pela vida sedentária e maus hábitos alimentares. Será que esse executivo não tinha como um de seus valores a saúde? Será que ele não considerava ser saudável uma coisa importante em sua vida?

A verdade é que para esse executivo o valor saúde foi perdendo importância ao longo do tempo, dando espaço a valores relacionados ao sucesso e ao poder, criando uma nova lista de valores e princípios, bem diferente da que ele construiria se refletisse um pouco mais.

Para que nossas decisões sejam melhores, precisamos resgatar o hábito de listar nossos valores, princípios e objetivos por ordem de importância. De preferência eles devem ser escritos e consultados com alguma frequência.

A lista de valores e princípios não precisa e não deve ser fixa por toda a vida. Ao contrário, ela deve ser revisitada com relativa frequência e não mal nenhum em mudar a prioridade de seus valores e princípios ao longo do tempo.

O mais importante é que essa lista esteja viva em sua mente todo o tempo e que sirva como um guia para suas decisões do dia a dia. Quanto mais importante for a decisão, mais importante será levá-la em consideração.

O hábito de manter uma lista atualizada e priorizada de valores, princípios e objetivos de vida não é garantia de acertar sempre, mas faz com que os resultados de nossas decisões se aproximem mais de nossos verdadeiros desejos e sonhos. Além disso, esse hábito nos mantém mais conscientes de nossas escolhas e, no longo prazo, nos ajudam no processo de auto-conhecimento e de desenvolvimento humano.

Vamos lá... Reserve algum tempo dessa semana para refletir sobre seus valores e princípios. Coloque-os em uma folha de papel e depois ordene-os por grau de importância. Pense também em quais são seus maiores objetivos de vida e escreva-os em algum lugar.

Guarde essa lista em sua mente e em algum lugar onde possa ser consultada com frequência. Lembre-se de usá-la sempre que tiver que tomar uma decisão mais importante e não deixe de refletir sobre sua validade de vez em quando.

Um abraço,

PP

sexta-feira, 15 de maio de 2009

As Oportunidades da Perda de um Emprego

Olá,

Faz alguns anos que não víamos uma onda de demissões na economia como a que está assolando o mercado desde meados do ano passado. São milhões de trabalhadores em todo o mundo enfrentando a insegurança e o medo de não ter como sustentar suas famílias. Muitos deles, experimentando essa sensação pela primeira vez na vida.

Mas o que fazer quando perdemos o emprego de forma súbita?

Antes de mais nada, dê uma pausa para pensar sobre o passado e o futuro. Sair correndo nesse momento não é a melhor maneira de encarar o desafio. Ao contrário, procure dar uma pausa de alguns dias a você mesmo. Pode ser uma pausa curta (um final de semana) ou mais longa (uma a duas semanas), mas não deixe de reservar um tempo para pensar.

Durante esse período de reflexão, leve em consideração os seguintes pontos:

1) Mantenha a cabeça erguida. A perda de um emprego não o fim do mundo e da mesma maneira que traz desconforto pode representar uma ótima oportunidade de mudar de rumo para melhor.

2) Reflita um pouco sobre as perdas e os ganhos de seu último emprego. Avalie as coisas das quais vai sentir falta e que você gostaria de buscar em sua nova jornada. Não deixe de pensar também nas mazelas de sua última empreitada e procure mantê-las em mente quando estiver decidindo seu próximo destino.

3) Avalie de forma criteriosa seus comportamentos e atitudes no último emprego. Quais foram as atitudes e comportamentos que o ajudaram a ter sucesso e quais as que prejudicaram sua vida profissional e o seu relacionamento com colegas, subordinados e superiores. Guarde essa informação com carinho e aproveite a oportunidade de mudar alguns comportamentos e atitudes quando estiver iniciando em seu novo projeto.

4) Recupere seus planos iniciais, aqueles que você tinha quando iniciou sua carreira, e responda as seguintes perguntas: Eles continuam sendo importantes para você? Se não, que planos parecem importantes nesse momento? Seu último emprego o ajudaram a se aproximar ou a se afastar desses planos? Que tipo de emprego/iniciativa mais se alinha com os planos que você pretende seguir?

5) Pronto. Com todas essas informações em sua cabeça é hora de começar a prepara um plano de trabalho para se recolocar no mercado.

O resultado dos passos anteriores pode levá-lo a vários caminhos possíveis, mas os mais prováveis são os seguintes:

1) Recolocação no mercado de trabalho;

2) Empreender seu próprio negócio.

Nesse artigo me concentrarei no primeiro caminho. Prometo escrever algo sobre o segundo em um artigo futuro.

Se sua opção foi por se recolocar, aí vão algumas dicas:

1) Atualize seu currículo com as últimas informações sobre sua carreira. Lembre-se de ser sucinto e de dar destaque nas coisas mais importantes de sua carreira. De preferência, coloque no início de seu currículo um resumo de suas maiores habilidades e de suas maiores realizações. Em seguida apresente sua experiência profissional em ordem inversa a cronológica e deixe a parte acadêmica para o final.

Evite um currículo muito grande e repleto de nomes de cursos de pequena importância ou de atividades periféricas. Lembre-se que os executivos possuem uma vida muito atribulada e dificilmente irão dedicar mais de um minuto na leitura de seu currículo.

2) Recupere sua rede de contatos e utilize a mesma para divulgar sua disponibilidade no mercado. Telefone para as pessoas mais próximas e peça a ajuda deles para divulgar seu currículo. Tenha a certeza de que alguns deles irão ajudar com prazer.

Para as pessoas mais distantes, prefira um e-mail informando sua disponibilidade, solicitando a gentileza de divulgar seu currículo se for conveniente e agradecendo antecipadamente a ajuda. O e-mail é um instrumento de comunicação menos invasivo e deixa a critério do destinatário a decisão de dar ou não atenção ao mesmo.

3) Navegue um pouco na internet e busque as empresas onde gostaria de trabalhar. A maioria deles possui um e-mail para contato dedicado ao processo de recrutamento. Eles estão lá para serem utilizados. Se estiver disponível o e-mail de algum executivo da empresa, não se acanhe. Prepare um e-mail educado e objetivo e envie para ele com seu currículo anexo, você pode se surpreender com o resultado.

4) Não fique esperando os contatos. Eles podem demorar algum tempo e a espera pode se transformar em desânimo. Em vez disso, mantenha uma agenda de contatos constante com as pessoas que você possui maior acesso. Convide-as para almoçar e não tenha vergonha de ir a lugares mais baratos e de dividir a conta, ninguém vai reparar um pouco de controle de despesas por parte de quem acaba de perder o emprego. Se preferir, faça uma visite seus contatos em
suas próprias empresas. Como regra, procure manter uma agenda com pelo menos 4 contatos por semana. Isso vai ajudá-lo a se manter conectado e ocupado, dando a importante sensação de estar próximo do mercado e das oportunidades.

5) Trate cada oportunidade que venha a surgir como um projeto ou processo de vendas. Se prepare para as entrevistas, visualize-se tendo sucesso e procure conhecer um pouco mais da empresa e do executivo que vai entrevistá-lo. A internet é uma excelente fonte de informação e deve ser utilizada.

Tenho certeza de que seguindo os passos acima você terá sucesso e daqui a alguns meses estará comemorando sua nova fase profissional. Nesse caso, não deixe de me enviar um e-mail contando sua experiência. Vai ser um prazer recebê-lo.

Um Abraço.

PP

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Homenagem a um Amigo

Olá,

Essa semana recebi uma notícia triste. Um amigo próximo, Antonio Camacho, faleceu.

Tratava-se de um grande cara. Amigo de todos, honesto, trabalhador e, acima de tudo, extremamente comprometido com o trabalho e com os colegas.

Pois é... Ele já não está mais entre nós.

Sua partida me fez lembrar novamente como é importante manter o contato com os amigos. Me fez sentir tristeza de não ter incluído ele em minhas ligações de final de ano. Me fez pensar em como perdemos tempo com coisas tão pequenas, quando outras tão importantes são deixadas de lado.

No dia de hoje, gostaria de fazer uma homenagem a esse grande cara, que nos deu a oportunidade de conviver com ele por um breve período. Que Deus receba sua alma de braços abertos e que sua próxima etapa seja cheia de luz.

Amém.

PP

quinta-feira, 26 de março de 2009

Fazer o que Gosta ou Gostar do que Faz?

Olá,

Outro dia estava conversando com meu dentista sobre a dificuldade de um adolescente na escolha de uma carreira.

Nós dois temos filhos estudando no segundo grau, momento em que precisam escolher que profissão, pelo menos do ponto de vista de formação, irão seguir no futuro. Além disso, meu dentista leciona em um curso de odontologia, sendo testemunha ocular de um número razoável de jovens adultos que se deparam com a descoberta de terem tomado a decisão errada quanto à carreira.

Durante a conversa tivemos alguns momentos de discordância que me ajudaram a reformar alguns conceitos que tinha sobre o processo de escolhas na carreira e que gostaria de compartilhar com vocês.

Sempre acreditei que as pessoas deveriam fazer suas escolhas de profissão usando como base suas preferências pessoais, sem se preocupar demais com questões como dinheiro, oportunidade de emprego, ou outros fatores tão utilizados por várias pessoas. Meu dentista, ao contrário, ressaltava a preocupação com a capacidade de lidar com as diversidades que cada escolha poderia trazer como um dos fatores mais importantes para a escolha da profissão.

Depois de alguns minutos de argumentação das duas partes, ficou claro que minha visão sobre o processo de decisão estava muito baseado em minha própria experiência e na forma como vejo e percebo as coisas. A visão dele, é óbvio, também tinha muito de sua própria experiência, mas continha um elemento a mais que me fez refletir um pouco: a observação de seus alunos na faculdade de odontologia.

Enquando eu falava da importância de se gostar do que se faz, meu dentista me lembrava que para termos sucesso na carreira, somos muitas vezes obrigados a fazer várias coisas das quais não gostamos tanto assim. Sua experiência como professor o colocou diante de situações em que vários alunos se recusavam a dedicar esforço a determinada matéria simplesmente por que não gostavam daquele tipo de assunto, o que com certeza prejudicava suas formações, criando lacunas no seu processo de aprendizado.

Aquele diálogo me fez refletir muito. Se por um lado, baseado em minhas próprias crenças e até mesmo em estudos de neuro ciência, tenho a certeza de que é muito difícil ter sucesso fazendo algo que não gostamos ou não temos prazer em fazer, por outro lado, era visível que a relutância em praticar determinada disciplina ou habilidade somente pelo capricho de não gostar de algo era danoso ao sucesso de qualquer pessoa.

Após algum refinamento em meus pensamentos, cheguei a uma elaboração que me parece mais completa que a anterior.

Devemos sempre buscar fazer aquilo que mais gostamos e que nos dá mais prazer, mas precisamos reconhecer que não existe mundo perfeito e que os obstáculos e as contrariedades virão. Para que tenhamos real sucesso, precisamos aprender a gostar de lidar com os obstáculos e com as contrariedades.

Assim como o atleta enfrenta a dor e fadiga para fazer o esporte que mais gosta e ter a recompensa de atingir seus objetivos, todos nós precisamos enfrentar nossas dores para que possamos ter sucesso. É preciso "gostar" de sentir dor para seguir em frente, caso contrário iremos parar no primeiro sinal de desconforto.

Para ter sucesso é preciso gostar de desafios e de enfrentar dificuldades. Em outras palavras, é necessário gostar de sentir dor. Sempre que possível é importante optar por fazer o que se gosta, mas esteja sempre preparado para gostar do que faz, independente do que seja.

Se você tem comentários a respeito desse ou de outro artigo, envie seu e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.

Abraços,

PP