terça-feira, 19 de abril de 2011

Crescer ou Não Crescer, Eis a Questão...

Olá,

Hoje gostaria de me dirigir aos empreendedores que possuem negócios pequenos e saudáveis e que sentem o legítimo receio de crescer seu negócio e perder o controle da situação.

É aparentemente confortável ter um negócio lucrativo e pequeno, com todas as virtudes que a escala reduzida trás para uma organização. Fica mais fácil saber tudo o que se passa na empresa, agir quando se nota algum desvio, manter a qualidade dos serviços/ produtos e gerenciar os altos e baixos do negócio. 

Sem dúvida o pequeno negócio tem uma série de vantagens que podem e devem ser usufruídas pelo empreendedor, pelo menos por um tempo.

Mas o pequeno negócio possui um calcanhar de Aquiles que é suficiente para destruir anos de dedicação e investimento: a falta de escala.

Todo mundo lembra das farmácias e dos mercadinhos do bairro, certo? Pois é, em alguns lugares eles desapareceram totalmente. E os armarinhos? Será que você ainda conhece algum que esteja funcionando perto de sua casa? Isso sem falar nos alfaiates, nos sapateiros, nas oficinas de eletrodomésticos, entre outros.

Certos negócios estão simplesmente desaparecendo e dando lugar a formatos totalmente diferentes, que privilegiam a escala e que acabam tirando do mapa os que não tiveram coragem de crescer ou o desprendimento de repassar seu negócio para um concorrente maior.

É claro que toda regra tem exceção e neste caso também vamos encontrar exceções à regra. Existem pequenos negócios que se sustentam por dezenas de anos e mantém o sucesso e a rentabilidade. Esses empresários merecem nosso respeito e admiração e devem servir de referência aos que desejarem manter seus negócios pequenos e atraentes.

Para ser pequeno e lucrativo é preciso ser diferente e raro. É preciso ter algo que os grandes não possuem e não pretendem possuir, mas que alguns clientes desejam muito.

Ser pequeno é ser especial e diferente. É ter uma clientela seleta e fidelizada. É ter um relacionamento íntimo e personalizado com os seus clientes.

Você quer alguns exemplos de pequenos negócios de sucesso? Pense no seu médico de confiança para certas especialidades ou, em alguns casos, no advogado com quem se aconselha quando tem problemas. Eles são bons exemplos de pequenos negócios lucrativos e duradouros.

Mas para a grande maioria manter-se pequeno é bastante perigoso. A menor escala reduz sua capacidade de competir no preço em um mundo onde os volumes das grandes empresas só fazem crescer. Como competir fabricando sapatos artesanalmente quando o concorrente produz milhões de unidades por mês em um País como a China? Como manter a farmácia do bairro competindo com cadeias de drogarias com centenas ou milhares de lojas espalhadas pelo País.

A resposta poderia ser o produto diferenciado ou a qualidade de atendimento, mas sejamos práticos. Até que ponto esses diferenciais são reais e quanto nossos clientes estão dispostos a pagar por eles?

O dilema entre crescer ou não é complexo e não possui resposta definitiva. Existem formas de se manter pequeno e ainda assim ter sucesso e rentabilidade, mas é preciso ter muita criatividade e excelência de execução. Por outro lado, é relativamente fácil crescer em uma economia dinamizada como a que vivemos hoje no Brasil, mas é preciso ter disciplina e ousadia.

O importante é que a estratégia de crescer ou não seja ponto focal das reflexões dos empreendedores e que seja qual for o caminho escolhido ele seja fruto de uma decisão pensada, de uma estratégia de longo prazo.

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Abraços,

Paulo Pinho

 


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Minhas Experiências com Coaching

Olá,

Há mais ou menos dois anos iniciei minhas atividades como Coach de executivos e gostaria de compartilhar com vocês algumas percepções obtidas durante esse período.

1 - Por menos intuitivo que seja, as pessoas realmente podem transformar seus comportamentos em curtíssimo espaço de tempo. As mudanças que presenciei em alguns casos são impressionantes e me fazem acreditar cada dia mais nessa metodologia.

2 - O ser humano é o que ele pensa ser, consciente ou inconscientemente. Em outras palavras, a transformação do comportamento é sempre fruto de mudanças na forma de pensar.

3 - O primeiro passo para o sucesso no trabalho de coaching é querer reamente descobrir o que precisa ser mudado. Esse costuma ser o maior desafio do trabalho, pois as pessoas em geral possuem avaliações de si próprias e daqueles com quem se relacionam muito impregnadas de mágoas e preconceitos cristalizados ao longo de anos.

4 - Um grande desafio para o coachee é convencer a todos de que as mudanças são verdadeiras e duradouras. Como as pessoas não acreditam na possibilidade de mudanças profundas na fase adulta, elas tendem a achar que os comportamentos irão voltar ao padrão antigo em pouco tempo. Vencer o período de descrença é um dos grandes desafios de quem se propõe a mudar.

5 - Confiança, Compreensão e Acolhimento são características fundamentais em um profissional de Coaching. Saber fazer as perguntas certas, aquelas que irão mudar o foco de análise do Coachee e transformar sua maneira de encarar os fatos do dia a dia, é o segredo do sucesso.

6 - Mudar é sempre possível, desde que a pessoa realmente deseje isso. É trabalho do Coach, incentivar o Coachee a querer mudar verdadeiramente pois na maioria das vezes não é exatamente o desejo inicial do mesmo. O que mais encontrei até aqui foram pessoas desejosas que as coisas mudassem para melhor mas cujo diagnóstico dos problemas estava fora do seu próprio ser.

7 - Trabalhar como Coach é uma delícia. Oportunidade única de se desenvolver ajudando os outros a fazer o mesmo.

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Abraços,

Paulo Pinho

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Recordar Para Viver Melhor

Olá Pessoal,

Estava pensando agora há pouco sobre o tempo e as marcas que ele deixa e apaga.

Tenho um filho que acaba de ser aprovado no vestibular e que está vivendo a euforia de se sentir conquistando seu próprio espaço pela primeira vez. É gratificante ver o brilho dos seus olhos e a maneira como ele está encantado e motivado com a oportunidade de cursar uma das melhores universidades do Brasil.

Admirando sua empolgação, acabei recordando alguns momentos de minha história na universidade. Os grande amigos, que apesar de quase não ter contato, guardo com carinho no coração. Os bons e maus professores com os quais pude conviver. A sensação de poder mudar o mundo. A vontade de ser o melhor e de conquistar os maiores desafios.

São sentimentos que deixaram marcas ao longo de minha vida. Marcas que o tempo tratou de esculpir e que me fazem ser o que sou, mas ao mesmo tempo marcas que o próprio tempo fez ficarem mais amenas, como se fossem erodidas pelo vento de vários anos.

O passar do tempo nos disponibiliza a oportunidade de experimentar a vida e todas as possibilidades que ela traz. Muitas dessas experiências são absorvidas de maneira diferenciada e nos fazem ser o que somos. A lembrança de cada uma dessas experiências vai moldando nossa personalidade e definindo nosso comportamento. O tempo nos constrói a cada dia.

O mesmo tempo que constrói o que somos, tem o poder de ir apagando nossos traços anteriores. Afastando nossas lembranças mais deliciosas e também as mais amargas. De certa forma, o tempo nos ajuda a aprender e a esquecer, desaprendendo muitas das coisas que já havíamos aprendido.

Recordar o passado ajuda a resgatar parte do que aprendemos e aos poucos fomos deixando de lado. Neste sentido, observar nossos filhos e depois nossos netos nos dá uma oportunidade de ouro de resgatar valores e sentimentos que foram abandonados pelo tempo.

Não quero dizer que devamos voltar ao passado e viver de maneira nostálgica o que ainda temos pela frente, longe disso. Meu comentário é mais no sentido de enriquecer nossa vida presente com as experiências do passado que tanto nos foram úteis naquele tempo e que provavelmente poderão nos ajudar em algum grau no presente e no futuro.

O tempo passa e transforma nossas vidas, mas a decisão de abandonar ou não as lembranças do que vivemos é mais nossa do que dele. Recordar vez por outra de nosso passado pode enriquecer em muito nossa maneira de viver de hoje.

Olhar para o passado com carinho e respeito é uma arte que acompanha as pessoas que vivem de maneira mais sábia. Elas aproveitam as experiências vividas várias vezes e a cada revisitação, aprendem coisas novas. Para elas, as experiências vividas têm um poder multiplicador e o aprendizado é maior e mais duradouro.

As pessoas que nunca refletem sobre o passado tendem a esquecer lições importantes aprendidas ao longo da vida. Repetem seus erros sem se dar conta disso e vivem buscando experiências novas que muitas vezes já tiveram a oportunidade de vivenciar.

A própria consciência é uma forma de recordação. Ela nos traz informações sobre coisas que acabaram de acontecer, é verdade, mas que com certeza já estão no passado. Você pode optar por uma consciência de curtíssimo prazo ou por uma consciência mais duradoura e rica. Só depende de você.

Para termos uma consciência com alcance maior precisamos baixar um pouco o ritmo e nos dar um pouco mais de tempo para pensar e refletir sobre o que vivemos. Esse exercício muitas vezes parece ir contra as regras da sociedade moderna, extremamente agitada e veloz, mas é mandatória se queremos nos desenvolver de maneira mais completa.

Alguém cunhou o termo Recordar é Viver. Eu proponho uma revisão para Recordar é Viver Melhor !

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

As Pessoas São Capazes de Mudar?

Olá,

Tenho quase 30 anos de estrada no mundo corporativo e uma das coisas que mais ouço de colegas e amigos é que as pessoas não são capazes de mudar. Uma vez definidas suas personalidades, atitudes e comportamentos se cristalizam e não é mais possível modifica-los.

A simples observação da linha do tempo de um Ser Humano derruba essa teoria. São inúmeros os casos de pessoas que se transformam totalmente quando se casam, ou quando têm filhos, ou quando mudam de emprego.

A verdade é que estamos em transformação o tempo todo. Nosso eu de hoje é ligeiramente diferente de nosso eu de ontem e será distinto do de amanhã. Ele será mais velho sem dúvida nenhuma, mas também poderá ser mais dócil ou agressivo, otimista ou pessimista, empreendedor ou apático, egoísta ou altruísta.

As mudanças em nosso ser são causadas por vários fatores, mas existem dois que mais nos interessam nesse momento: as experiências pelas quais passamos; e a forma como vivemos essas experiências.

Duas pessoas que passam pelas mesmas experiências podem se transformar em Seres Humanos totalmente diferentes, depende apenas da forma como elas pensam e percebem as experiências pelas quais estão passando. O grande agente de transformação de uma pessoa é o seu pensamento. Com ele você pode ir do céu ao inferno e vice-versa.

A pessoa que pensa positivo, encontra o lado bom de qualquer situação que lhe ocorra. Seu foco está sempre na busca de soluções e de oportunidades, o que vai ajuda-la a ser mais otimista, empreendedora e feliz. Por outro lado, a pessoa que está sempre pensando de forma negativa mantém seu foco nos problemas e nas dificuldades, geralmente tornando-se mais depressiva e reativa.

Todos nós temos um modo de pensar dominante, que foi programado em nossas mentes ao longo de nossas vidas e é esse domínio que nos dá a impressão de que as pessoas não podem mudar, mas isso não é verdade.

Por vezes, eventos extraordinários são capazes de mudar totalmente a forma de uma pessoa pensar, levando-a a transformações incríveis. É o caso, por exemplo, do sedentário e viciado em trabalho que após um infarto passa a ser um assíduo frequentador de academias e um pai amoroso e dedicado.

O estranho disso tudo é que o mesmo evento pode transformar a vida de uma pessoa totalmente ou passar quase desapercebido para outra pessoa. Afinal, quantas pessoas sedentárias e viciadas em trabalho têm infartos seguidos até acabarem na mesa de um velório, sem nunca chegarem a tentar uma mudança de vida.

O que diferencia um caso do outro é forma como a pessoa percebe suas experiências, a forma como ela PENSA.

Se você quer melhorar de vida, policie seus pensamentos. Dê força aos pensamentos positivos e construtivos, deixando-os fluir livremente. Por outro lado, fuja dos pensamentos negativos e destrutivos sempre que notar que eles estão em ação. Com o tempo, essa forma de atuar vai reforçar a maneira positiva de pensar e enfraquecer o lado negativo.

Pensando positivamente você irá abrir sua mente para as possibilidades e oportunidades, ao mesmo tempo se protegendo do medo paralizante e da apatia da tristeza. O resto, será simplesmente consequência de sua mudança na forma de pensar.

Se você tiver comentários ou testemunhos sobre esse ou qualquer outro artigo desse blog, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.

Abraços,

Paulo Pinho

domingo, 30 de janeiro de 2011

Complementando a Formação Superior

Olá Pessoal,

Muitos leitores me perguntam como complementar sua formação acadêmica superior de forma a maximizar suas chances de crescimento profissional. Meu conselho se resume nos seguintes pontos:

1) No início de sua carreira profissional, dê prioridade aos cursos de curta duração, mais focados em questões técnicas diretamente relacionadas com o seu trabalho. Essa abordagem irá ajudá-lo a desempenhar melhor suas funções do dia a dia e aumentará suas chances de conquistar novos desafios na organização em que trabalha.

2) Após alguns anos de formado, quando já tiver alguma experiência em sua área profissional, você estará pronto para cursar um MBA, cujo foco é prepará-lo para assumir funções mais executivas ou para dominar melhor o ambiente no caso de já ter assumido esse tipo de função. Esse é um curso que deve preferencialmente ser feito por quem já possui um cargo de supervisão ou gerência, caso contrário a maior parte dos conceitos nele aprendidos ficarão sem uso por um bom tempo, reduzindo seu valor para a carreira.

3) Não faça cursos para acumular diplomas. Sou responsável pela contratação de profissionais há mais de 20 anos e posso garantir que o valor que dou a um diploma é muito menor do que a experiência comprovada pelo candidato. O maior objetivo de um curso é o aprendizado, portanto, busque bons cursos em boas instituições e procure aproveitar o seu conteúdo da melhor maneira possível. O diploma é só um pedaço de papel que vai se amarelando em alguma pasta de documentos de sua casa. O valor real dos cursos que você fizer estará no conhecimento adquirido e, de preferência, utilizado no dia a dia de seu trabalho.

4) Se você deseja dar aulas ou investir na área científica ou acadêmica, pense na opção de um mestrado. Para dar aulas em cursos reconhecidos de nível superior é preciso ter no mínimo um mestrado. Por outro lado, avalie bem esse tipo de opção caso você não tenha objetivos acadêmicos pois tratam-se de cursos bastante longos (+ de 2 anos) e cujo foco está na produção científica em áreas bem específicas do conhecimento. Tenho visto muita gente investir em mestrado e depois se arrepender pois notam que não era exatamente o que esperavam.

5) Em qualquer curso ou treinamento em que participe, lembre-se que seu principal objetivo é aprender. Mantenha a mente aberta e procure absorver novos conhecimentos em vez de ficar duelando com os professores na tentativa de mostrar sua sabedoria. Os verdadeiros sábios são os que reconhecem que sempre há algo de nova para aprender.

6) Os cursos e treinamentos são ótimas oportunidades de treinamento e de crescimento profissional, mas não existe substituto para um coisa chamada experiência profissional. Fico triste quando vejo jovens engatando cursos e cursos em seguida na tentativa de mudar de área profissional, enquanto continuam trabalhando em empresas e cargos que nada têm a ver com suas ambições e sonhos. Muitas vezes deixam de mudar de área por que essa escolha significaria ter uma redução de salário e a necessidade de iniciar do zero novamente. Se iludem com a fantasia de que acumulando cursos irão pular para um cargo maior na tão sonhada área de atuação e sem querer vão tornando a mudança cada vez mais inviável.

Se você tem menos de 30 anos e quer assumir uma nova profissão, comece buscando uma oportunidade de trabalho nessa nova área, seja qual for a oportunidade. É melhor dar um passo ou dois para trás e recomeçar do que fantasiar que um dia irá mudar de profissão por conta de cursos ou treinamentos.

Se você tem comentários sobre esse ou outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder seu e-mail.

Abraços,

Paulo Pinho

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Call Center de Serviços - Uma Vergonha Universal

Olá,

Hoje quero desabafar um pouco falando sobre um dos piores serviços que as empresas prestam a sociedade. O maldito atendimento telefônico.

Nos últimos 5 dias tenho lutado contra a incompetência e o descaso de um desses serviços de atendimento, precisamente o da Unimed Paulistana, na tentativa até agora frustrada de conseguir autorização para os exames de meu pai.

Por se tratar de um paciente em trânsito, pois a Unimed de origem de meu pai é a de Araruama, estou no meio de um exemplo ridículo de falta de comunicação entre duas empresas irmãs, que unidas vendem um suposto plano de saúde com atendimento nacional. Ou pelo menos deveria ser....

Quando ligo para a Unimed Paulistana sou informado que eles aguardam autorização da unidade de origem. Por outro lado, sou informado pela Unimed Araruama que todos os exames já foram autorizados e que devo reforçar isso com a Unimed Paulistana.

Já faz 5 dias que estou nessa saga e não sei se ainda terei o desprazer de ficar mais alguns dias. O fato é que qualquer coisa que saia do padrão previsto pelas empresas é simplesmente desconsiderado, como se o cliente que estivesse nessa situação fosse um renegado da sociedade que ousou desafiar os procedimentos padrão.

Aqui vale uma ressalva. Como a Unimed Araruama é menor, pelo menos tenho o conforto de falar com as mesmas pessoas sempre que ligo. Além disso, elas parecem ser mais preparadas para lidar com o problema e pelo menos não me agradecem pela ligação ao final de 30 minutos de uma discussão estressante. É impressionante como os serviços de atendimento telefônico têm o poder de transformar seres humanos, supostamente inteligentes, em máquinas burras de repetir scripts de atendimento.

Mas o problema não é só da Unimed. Já tive problemas com a Telefonica, com a Net e com outras empresas que possuem esse tipo de atendimento.

Outro dia estava no shopping e presenciei um pobre estrangeiro com seu cartão VISA. Pelo que pude entender, ele estava as voltas com o mesmo tipo de problema. Seu cartão internacional bloqueava a cada transação que fazia e o obrigava a ligar para o Call Center da VISA e solicitar a autorização, uma a uma. Quando o encontrei, ele já estava na 12a chamada telefônica de um torturante dia de compras.

Não é a toa que os serviços de atendimento telefônico estão no topo das listas de reclamações. Eles são realmente lamentáveis.

Bom... Já são quase 8:30H e está na hora de tentar novamente a autorização dos exames de meu pai. Dessa vez, peço a vocês que me desejem sorte. Com certeza irei precisar.

Abraços,

Paulo Pinho

domingo, 26 de dezembro de 2010

Como ser um Executivo

Olá,

Sempre recebo e-mail de pessoas perguntando o que fazer para ser um executivo e decidi escrever um pouco sobre o tema.

A posição de executivo não é exatamente uma carreira. Ela é resultado de sucessivos passos em qualquer carreira técnica onde o profissional assume responsabilidades sobre outras pessoas ou sobre questões mais estratégicas na organização.

Não é necessário ter formação acadêmica de administração para ser um executivo. Na verdade a maioria dos executivos do mercado se especializaram nos temas de administração vários anos depois de se formarem.

Para ser um executivo de valor para a organização é necessário dominar o ambiente político e técnico da mesma. Um executivo que não conhece como as coisas funcionam tecnicamente terá dificuldades em gerenciar os processos. Ao mesmo tempo, um excelente técnico que não saiba administrar o ambiente político terá muitas dificuldades para levar adiante suas ideias.

O melhor caminho para quem está começando é na área técnica. Afinal, são os técnicos que fazem as coisas acontecerem no dia a dia da empresa. Um hospital, por exemplo, precisa de bons médicos e enfermeiros. Uma agência de propaganda precisa de bons criadores e diagramadores. Uma empresa de vendas, precisa de grandes vendedores.

Com o tempo, os técnicos evoluem em suas carreiras e assumem novas funções. Essas funções podem ser cada vez mais técnicas e especializadas ou podem migrar para a área de administração. No primeiro caso vão se formando os especialistas, profissionais de alto valor de mercado por dominarem determinado assunto com profundidade e destreza. No segundo caso, vão se formando os executivos da organização, profissionais que dominam tecnicamente os processos mas que vão aos poucos assumindo funções mais ligadas a aspectos administrativos.

Alguns especialistas também assumem funções administrativas e, portanto, podem ser considerados executivos. Outros preferem manter sua carreira puramente técnica, sem assumir funções administrativas.

O executivo, portanto, vai sendo formado ao longo dos anos. É um erro achar que se pode formar um executivo nas salas de aula. É recomendável alguns anos de experiência antes de assumir funções mais estratégicas e gerenciais em uma organização.

Se você pretende ser um bom executivo, antes de tudo escolha uma carreira técnica a seguir e se dedique com empenho na área escolhida. Em seguida, procure um emprego que permita você continuar seu aprendizado e adquirir experiência. Procure aproveitar ao máximo as oportunidades de aprendizado na empresa e não se furte dos desafios. Os profissionais mais disponíveis para encarar desafios e assumir responsabilidades são os que em geral se transformam em executivos mais rapidamente.

Assim que suas responsabilidades estiverem sendo direcionadas para a área mais administrativa, recomendo que você faça um curso de especialização em administração. Existem vários cursos de MBA no mercado que atendem essa necessidade.

Muitas pessoas me perguntam se devem fazer o MBA logo após a conclusão do curso de graduação. Sinceramente não recomendo esse caminho pois a maioria das coisas que você irá aprender não serão utilizadas no seu dia a dia imediatamente. Isso provavelmente vai ocorrer mais para frente em sua carreira, é esse será o melhor momento de fazer um curso de MBA.

Como alternativa ao MBA, para aqueles que desejarem continuar seus estudos logo após a formação acadêmica, recomendo cursos de especialização mais técnicos, de preferência ligados ao trabalho que estão realizando. É uma forma de desenvolver habilidades mais específicas, que com certeza ajudarão no crescimento profissional.

Por último, fica um conselho importante. Para ser um executivo de sucesso é preciso ter perseverança, equilíbrio e força de vontade. As empresas sempre valorizam os que melhor desempenham suas atividades, os que são mais esforçados e os que se integram melhor na organização.

Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei o maior prazer em respondê-lo.

Abraços,

Paulo Pinho

sábado, 31 de julho de 2010

A Importância de Alinhar Expectativas

Olá,

Outro dia participei de uma reunião cujo objetivo era ajustar a expectativa de um projeto de avaliação organizacional que acabara de fechar em determinada empresa. Éramos 4 participantes, todos executivos de carreira e com pelo menos 30 anos de experiência de mercado e minha expectativa era de que a reunião fosse rápida, quase uma formalidade.

Logo no início da reunião ficou claro que não seria tão simples assim. Cada participante tinha uma expectativa radicalmente diferente sobre os objetivos do projeto e a medida que as opiniões eram compartilhadas, discussões longas e acaloradas se desenrolaram durante cerca de 3 horas. O que era para ser uma reunião curta, de 30 minutos, para cumprir uma formalidade de início de projeto acabou se transformando em um debate tenso e profundo, que redefiniu de forma dramática os objetivos do projeto.

Esse tipo de situação é mais comum do que se possa imaginar. Apesar de parecer frustrante ter que rever os objetivos de um projeto da primeira reunião, é muito melhor do que descobrir isso depois de já ter realizado o projeto completa ou parcialmente. Por esse motivo, sempre faço questão de iniciar os projetos com uma reunião de alinhamento de expectativas.

O Alinhamento de Expectativas é para mim a tarefa mais importante de um projeto, seja ele de curto ou de longo prazo. Não vale a pena fazer qualquer esforço em um projeto antes que todos tenham a certeza do que pode ou não ser feito; dos possíveis resultados que podem ser obtidos; e dos efeitos colaterais que as ações e decisões tomadas durante o projeto poderão gerar.

Para que o Alinhamento de Expectativas seja efetivo é necessário que alguém faça o papel de Viabilizador.

O Viabilizador precisa ser muito hábil e sua atuação exige flexiblidade, rapidez de raciocínio e muita sensibilidade e a sequência do processo de Alinhamento demonstra essa necessidade.

Primeiramente, o viabilizador precisa trazer à tona os desalinhamentos existentes. Ele precisa destampar a panela de pressão que insiste em se apresentar como se não estivesse sofrendo tensão alguma. É preciso ter sensibilidade para perceber pequenos sinais de desconforto e habilidade para fazer com que esses pequenos sinais se transformem em um discurso claro e objetivo, capaz de representar de forma precisa os motivos do desconforto e do desalinhamento.

Uma vez destampada a panela de pressão, o viabilizador precisa lidar com o ruído e com a descompressão causada pelo ato de trazer à tona os desconfortos e desalinhamentos. Nesse momento, o viabilizador atua como um tradutor entre as diversas partes. Ele precisa legitimar o desconforto declarado e fazer com que os outros participantes entendam a importância de lidar com aquele problema. Ao mesmo tempo, ele tem que minimizar o impacto que as declarações de desconforto e desalinhamento costumam causar naqueles que até o momento desconheciam a existência dos mesmos. É comum que pessoas fiquem ofendidas quando desalinhamentos e desconfortos são declarados e evitar que esse tipo de sentimento invalide o trabalho de alinhamento é papel do viabilizador.

Uma vez que os desconfortos e desalinhamentos se tornem explícitos e sejam compreendidos e legitimados por todos, eliminando qualquer tipo de ressentimento, é hora de buscar um novo alinhamento. O viabilizador passa a atuar como um facilitador do consenso, possibilitando que todos sejam capazes de dar suas opiniões e sugestões, auxiliando na comunicação entre as partes, e mantendo o foco no objetivo de obter um consenso/alinhamento.

Alinhar expectativas e objetivos de um projeto é fundamental para o sucesso de um projeto. Sem esse tipo de trabalho prévio, o risco de fracasso é enorme e mesmo quando o sucesso é atingido ele o é de maneira parcial. O próprio desalinhamento inicial se encarrega de fazer com que as avaliações dos participantes sobre os resultados do projeto sejam heterogêneas sendo comum alguns participantes avaliarem o projeto como um grande sucesso e outros considerarem o mesmo projeto como um fracasso estrondoso.

Faça um teste. Avalie os projetos dos quais você participou nos últimos meses ou anos. Quais deles foram considerados grandes sucessos, quais triveram seus resultados defendidos por alguns e questionados por outros ou foram considerados verdadeiros fracassos? Como era o alinhamento das pessoas em torno desses projetos? Algum projeto de sucesso possuia problemas sérios de alinhamento? Algum projeto fracassado possuía alinhamento completo?

Respondendo a essas perguntas você com certeza verá que os projetos de maior sucesso são aqueles onde existe grande alinhamento de expectativas e objetivos das partes envolvidas. Esse alinhamento pode ocorrer no início ou ao longo do projeto, mas ele é realmente mandatório. Se ocorrer no início, muito melhor. Se não tiver ocorrido ainda, melhor que seja AGORA.

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Abraços,

Paulo Pinho

domingo, 25 de julho de 2010

Uma Mensagem para Felipe Massa

Olá Pessoal,

Hoje é um dia muito triste para todos que gostam de esporte. Presenciamos mais uma demonstração clara de que na Fórmula 1 as regras existem para serem burladas e que a ética passa longe das prioridades de dirigentes e pilotos.

A mensagem cifrada recebida por Felipe Massa no "grande" prêmio da Alemanha para que o mesmo cedesse sua posição ao parceiro da escuderia, Fernando Alonso, deixa a todos os acompanham o esporte a sensação de que a Fórmula 1 não vale a pena ser acompanhada.

É triste ver que as cenas se repetem e nada é feito para mudar. Mais triste ainda é ver pilotos brasileiros envolvidos com esse tipo de jogo sujo ano após ano. Será que a escolha de pilotos brasileiros para escuderias como Ferrari e Benetton têm relacionamento com a expectativa de que somos mais fáceis de sermos corrompidos?

Sei que o dinheiro fala alto, muito alto. Também entendo que o desejo de continuar participando do círculo da Fórmula 1, ainda mais em uma escuderia de ponta, pressiona qualquer piloto a fazer o possível e o impossível para manter-se bem com os dirigentes. Mas será que tudo isso vale mais do que os princípios e os valores de uma pessoa?

Ao Felipe Massa gostaria de deixar uma mensagem.

Se for realmente verdade que você recebeu uma ordem para deixar o Fernando Alonso passar, deixe a cabeça esfriar e depois denuncie toda essa farsa. Com certeza haverá um custo para você e sua carreira, mas será a única maneira de ajudar o esporte que você tanto ama. Além disso, vai lhe tornar um ídolo de fato, que merece ser admirado não somente pelo talento no esporte, mas também pela força de caráter.

Por favor, não deixe que pessoas inescrupulosas usem você nesse jogo sujo. Ao contrário, reaja a toda essa podridão com a energia e a honestidade que você demonstra ter.

Não vale a pena trocar nossos valores e princípios por fama, dinheiro ou poder. Tenha certeza disso.

Paulo Pinho

sábado, 29 de maio de 2010

O Risco de Violar Políticas Corporativas

Olá,

Durante minha vida profissional presenciei inúmeras situações onde as políticas corporativas foram descumpridas. As violações variavam das mais ingênuas até alguns casos bastante graves e na maioria desses casos nada acontecia com as pessoas que transgrediam as regras.

Cansei de ver pessoas que pouco respeitavam as políticas e regras de conduta seguirem carreira de sucesso sem nunca serem ao menos repreendidas. No mesmo período fui testemunha de um punhado de casos onde pretensas violações de políticas ou regras de conduta levaram bons profissionais a serem punidos exemplarmente, perdendo inclusive seus empregos.

Mas o que diferencia o primeiro grupo do segundo?

Minha conclusão foi que o primeiro grupo é formado por profissionais da violação. Pessoas que constroem seu caminho através de transgressões constantes, que pouco se importam com a ética dos negócios e cujos objetivos são sempre obter resultados, custe o que custar. Em geral são profissionais de relacionamento fácil, que encantam seus superiores com resultados inesperados, mas que são temidos por colegas e subordinados pela forma pouco confiável como se relacionam com eles.

Já o segundo grupo é formado por profissionais de boa índole, que procuram fazer o melhor para a organização, e que muitas vezes se sentem amarrados pelas limitações impostas pelas políticas. Depois de sofrerem várias vezes por seguirem regras, muitas vezes incoerentes e improdutivas, resolvem transgredir para facilitar ou viabilizar seu trabalho e pagam caro por fazer isso.

O mais interessante é que os profissionais das trangressões se mantém firmes em suas posições apesar de toda a torcida interna da organização para que eles sejam punidos. Já os profissionais sérios que cometem deslizes são sumariamente punidos e quase nunca chegam a ser defendidos por seus colegas e subordinados, seja por medo, seja por falta de oportunidade.

Violar políticas corporativas e regras de conduta é sempre um erro, seja qual for a intenção da pessoa. Não se pode dizer que as empresas que punem seus profissionais por violarem políticas estejam erradas por isso. Ao contrário, seu erro reside no fato de permitirem um grande número de profissionais inescrupulosos vilarem regras embaixo dos seus narizes e não fazer nada, na maioria das vezes por pura incompetência de seus superiores e pelo medo que colegas e subordinados têm de denunciar esses indivíduos.

Nunca viole uma política. O risco é muito alto para um profissional sério.

Tenha cuidado com a proximidade excessiva com aqueles que violam políticas. Como profissionais inescrupulosos que são, existe um grande risco de que num momento de aperto eles tentem passar toda a responsabilidade para você. E acredite, eles farão isso sem qualquer remorso e de forma tão convincente que você irá parecer o verdadeiro bandido.

Avalie a possibilidade de lutar contra os que violam políticas e quebram regras de conduta com frequência. Lembre-se da frase que diz que o mal vence quando os bons se acomodam. Ela é a mais pura verdade. Pode ser que sua reação tenha consequências negativas em sua carreira na empresa atual, mas vai valer a pena no longo prazo. Acredite.

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Abraçcos,

Paulo Pinho