segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A história dos Sapinhos

Olá,

Já faz alguns anos recebi de um amigo uma história que fala sobre os perigos de sermos influenciados com a visão pessimista de algumas pessoas. Nesse momento em que ouvimos de todas as partes notícias sobre a crise econômica e financeira e de como essa pode ser a pior de todas as crises, desde a depressão de 1930, resolvi compartilhar com vocês essa ingênua, mas muito profunda, historinha.

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OS SAPINHOS

Era uma vez, uma corrida de sapinhos.

O objetivo era atingir o alto de uma grande torre.
Havia no local uma multidão assistindo. Muita gente para vibrar e torcer por eles.

Começou a competição.
Mas como a multidão não acreditava que os sapinhos pudessem alcançar o alto daquela torre, o que mais se ouvia era:
“Que pena !!! Esses sapinhos não vão conseguir. Não vão conseguir.”

E os sapinhos começaram a desistir.

Mas havia um que persistia e continuava a subida, em busca do topo.

A multidão continuava gritando: “Que pena !!! Vocês não vão conseguir.”

E os sapinhos estavam mesmo desistindo um por um, menos aquele sapinho que continuava tranquilo, embora arfante.

Ao final da competição, todos desistiram, menos ele.

A curiosidade tomou conta de todos. Queriam saber o que tinha acontecido.

E assim, quando foram perguntar ao sapinho como ele havia conseguido concluir a prova, descobriram que ele era surdo.

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Vale a reflexão sobre o tema. Especialmente nos momentos mais difíceis, é comum que tenhamos nossas convicções e auto-confiança abaladas. Nesse momento, ficamos mais vulneráveis às opiniões das outras pessoas e é aí que mora o perigo.

Se nos deixarmos levar pelas milhares de vozes que anunciam o fim do mundo, entramos em depressão e ficamos paralisados, a espera do pior. Nesses momentos, os "surdos" levam vantagem pois conseguem se manter mais próximos de suas próprias intuições.

Não quero defender aqui a posição de que não devemos ouvir as pessoas que estão a nossa volta. Isso também seria perigoso e um erro a longo prazo. Minha mensagem é mais no sentido de que lutemos para manter nossos ouvidos atentos a nossas convicções e a nossa própria percepção do ambiente. Além disso, independente de quais sejam suas percepções ou as opiniões dos outros, é preciso sempre acreditar que é possível e que podemos vencer os obstáculos que temos pela frente.

Em tempos de crise, está provado, os pessimistas se escondem e se igual à média. Em outras palavras, se tornam medíocres (não se choque, a palavra medíocre quer dizer ficar na média). Já os otimistas, deixam as preocupações de lado e focam nas oportunidades, um grande passo para o sucesso.

Se você tiver histórias como a dos sapinhos e quiser compartilhá-as, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei grande prazer em publicá-las.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Importância de Confiar nas Pessoas

Olá,

Pare uns minutos e reflita sobre quantas vezes durante a última semana você desconfiou das pessoas com quem convive diariamente. Vale qualquer desconfiança, desde a incerteza sobre a capacidade de um funcionário de fazer a tarefa solicitada, até a dúvida sobre seu filho ter realmente escovado os dentes depois de jantar.

Refletiu? E aí, qual foi a sua conclusão?

Com um pouco de esforço e sinceridade consigo mesmo, a maioria dos executivos chega a uma conclusão incômoda. Desconfiamos das pessoas com muito mais frequência do que gostaríamos de assumir.

Mas por que é assim?

Desconfiar que algo pode dar errado é uma técnica razoavelmente eficiente de antecipar problemas e buscar alternativas para contorná-los ou evitá-los. Também é uma forma de evitar grandes frustrações. Afinal, se já sabemos que não é possível confiar cem por cento em alguém, ficamos menos frustrados quando constatamos que tínhamos a razão.

A capacidade de antecipar e evitar problemas assim como a de enfrentar as frustrações do dia a dia são altamente valorizadas no mundo corporativo, o que reforça o comportamento da desconfiança sobre a capacidade/intenção das outras pessoas.

Mas existem custos com esse tipo de comportamento que devem ser levados em consideração. Primeiramente, a maioria das pessoas nota quando não confiamos nelas, o que as desmotiva e fragiliza a relação de confiança conosco. Além disso, a desconfiança nos leva para um modo negativo de pensar, que possui foco no problema e não na solução, nos deixando menos criativos e ousados, mais orientados ao gerenciamento de crises do que a construção de sonhos.

Controlar o estímulo quase automático de não confiar nas pessoas é uma tarefa difícil, muitas vezes impossível no dia a dia profissional. No entanto, a experiência prática mostra que os líderes que operam mais tempo no modo de confiança, são mais admirados e entregam resultados de longo prazo melhores para suas organizações.

Confiar nas pessoas não significa se iludir e acreditar que elas são capazes de qualquer coisa, independentemente do ambiente em que se encontram. Ao contrário, significa conhecê-las mais a fundo, entender suas limitações e virtudes, ajudando-as a evidenciar o que possuem de bom e a desenvolver suas habilidades menos evidentes.

Confiar nas pessoas significa acreditar que na essência todos possuem valor e que os comportamentos podem e devem ser separados das pessoas. Não há nenhum problema em criticar um comportamento quando ele prejudica a organização, mas deve-se ter o cuidado de separar a pessoa do comportamento sob o risco de rotular a pessoa.

Rotular pessoas como mentirosas, preguiçosas ou incompetentes é o primeiro passo para a desconfiança. Como posso confiar em algo que uma pessoa mentirosa me diz; como confiar que um preguiçoso se esforce em determinada tarefa; ou que um incompetente seja capaz de executar uma tarefa difícil.

O primeiro passo para confiar nas pessoas é retirar os rótulos que sem querer colocamos nelas. É difícil, mas precisa ser feito.

Comportamentos são muito dependentes de fatores externos e circunstanciais. Uma pessoa tranquila e controlada é capaz de agir de maneira extremamente agressiva para defender sua própria vida ou de um ente querido. Pessoas extremamente agressivas no ambiente familiar podem se comportar de maneira agradável em ambientes profissionais e vice-versa. Um bom gerente em determinada empresa pode ser um grande fracasso em outra organização.

Quando separamos o comportamento das pessoas, somos capazes de pensar nas ações que podem levar a modificar esse comportamento ou a torná-lo menos frequente. Podemos discutir mais abertamente os problemas, sem medo de magoar as pessoas, de forma mais construtiva e objetiva.

Quando confiamos nas pessoas, separando sua essência de seus comportamentos, transformamos impossibilidades em oportunidades. Uma pessoa de mau caráter não merece confiança, mas alguém que roubou por desespero merece uma segunda chance. Um idiota não pode liderar um projeto, mas alguém que falhou por não estar preparado para determinada tarefa pode ser treinado e se tornar um grande líder de projeto.

Confiar nas pessoas é fundamental para a construção de longo prazo de uma organização. Pense nisso e procure treinar seu comportamento perante essa realidade. Sempre que sentir que está rotulando alguém, lembre-se que as pessoas são boas em essência e que comportamentos podem e devem ser mudados. Acredite nas pessoas, sempre, e critique os comportamentos, quando necessário.

Se você tiver comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.

PP

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pequenas Empresas, Grandes Oportunidades

Olá,

Não adianta negar. Diante de duas oportunidades de emprego, a primeira em uma grande multinacional e a segunda em uma pequena empresa local, a maioria dos executivos opta pela aparente segurança e poder da organização maior.

Mas será que as maiores oportunidades estão realmente nas grandes empresas? Quais as principais diferenças entre trabalhar para uma organização mundial de grande porte e uma empresa local pequena ou média?

Durante minha vida trabalhei em diversas empresas com tamanhos e origens diferentes. Também tive a oportunidade de conversar com outros executivos de vários setores, cada um com experiências variadas.

Foi a partir dessa coletânea de vivências, que cheguei ao resumo abaixo sobre as principais diferenças entre as grandes multinacionais e as empresas pequenas e médias locais. Não se trata de um estudo científico, nem tem o objetivo de ser 100% preciso, mas pode ajudar a pensar sobre que caminho você pretende dar a sua carreira quando as oportunidades surgirem.

Flexibilidade:

Grandes Empresas - Grandes empresas não são conhecidas por sua flexibilidade. Ao contrário, se sua intenção é trabalhar em uma grande multinacional, prepare-se para enfrentar centenas de processos pré-definidos e regras que mesmo parecendo estranhas devem ser seguidas a risca.

Pequenas Empresas - Em geral pequenas e médias empresas são mais flexíveis. Seus processos são mais recentes e menos detalhados, o que permite maior flexibilidade no dia a dia.

Autonomia:

Grandes Empresas - Você está preparado para pedir autorização a dezenas de pessoas para cada decisão que toma? Pois essa é a realidade da maioria das grandes organizações. O gigantismo exige maior grau de controle e a melhor maneira de evitar desastres é obrigar que várias pessoas se envolvam nas decisões mais importantes. O processo de tomada de decisões em grandes empresas é complexo e exige muita habilidade política. É preciso convencer a seus pares, seus superiores e, em muitos casos, até a seus subordinados, antes de ir em frente com alguma ideia nova.

Pequenas Empresas - Quando administradas por pessoas bem preparadas, pequenas empresas são um convite ao empreendedor. Existe espaço amplo para criar e a autonomia é quase sem limites. Mas aqui vale uma observação. Pequenas empresas administradas por pessoas centralizadoras podem significar menos autonomia do que em grandes organizações. O motivo é simples: É mais fácil convencer dezenas de executivos de uma grande empresa do que um dono cabeça dura e centralizador.

Segurança:

Grandes Empresas - Talvez esse seja o maior o choque para quem não conhece esse tipo de empresa. A segurança de emprego em uma multinacional é equivalente a de uma grande cidade violenta, quase nenhuma, principalmente quando trabalhamos fora do país sede. O executivo de uma grande empresa está sempre em cheque. A cada ano, quando nos aproximamos do quarto trimestre fiscal, a dança das cadeiras começa e sempre tem alguém que sobra.

Pequenas Empresas - A pequena empresa costuma levar a sério a afirmação de que as pessoas são o seu maior patrimônio. Ela sabe que perder alguém pode significar perder clientes e conhecimento e procura manter seu quadro de funcionários mais estável. As pessoas se conhecem mais e existe maior grau de compromisso com o time.

Benefícios Indiretos

Grandes Empresas - A lista de benefícios indiretos oferecida por grandes empresas multinacionais impressiona. Além dos tradicionais, a oportunidade de viajar para outros países e os agressivos planos de bonificação por resultados saltam aos olhos dos executivos mais arrojados. As grandes multinacionais sabem encantar os executivos e suas famílias com o glamour de sua grandeza e o fazem com grandes festas e convenções, prêmios anuais tentadores e viagens inesquecíveis para aqueles que vencem os jogos de competição criados por elas.

Pequenas Empresas - Prepare-se para uma lista bem mais modesta de benefícios. Você pode até ganhar um bom dinheiro, mas será preciso demonstrar de verdade que sua participação trouxe prosperidade para a organização. A não ser em empresas que lidam com o mercado externo, viagens a outros países serão raras e as festas e convenções muito mais comedidas e controladas.

Ambiente de Trabalho

Grandes Empresas - O ambiente de trabalho em uma grande empresa é variado e depende muito da liderança de cada grupo. É impressionante ver que grupos diferentes possuem humor totalmente diferente em uma mesma empresa. Existe um padrão geral, que também varia muito de empresa para empresa, mas o grupo mais próximo domina o padrão de relacionamento de um time. Se você quer saber como será seu ambiente de trabalho, conheça seu futuro chefe e terá uma boa ideia de como será.

Pequenas Empresas - O ambiente de trabalho de uma empresa pequena é muito dependente do perfil do dono. Sua presença é em geral muito marcante e não há chefe imediato que consiga neutralizar sua influência. Para saber como será o ambiente de trabalho em uma empresa menor, recomendo que você procure saber como é o jeito de trabalhar do dono e qual o seu grau de interferência no dia a dia. Conhecer o estilo de chefe imediato também é importante, mas não suficiente.

Se você tem comentários sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.

PP

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Trabalhando em Casa

Olá,

A tecnologia veio para ficar e a cada dia transforma mais a maneira como nos informamos, nos comunicamos e até nos relacionamos. Quem, a não ser por nostalgia, se atreveria a escrever uma carta a um amigo distante nos dias de hoje? Afinal, um e-mail, um telefonema ou a comunicação direta no skype ou no msn são muito mais práticos, rápidos e interativos.

Essa facilidade de comunicação avançou tanto nos últimos anos que quase temos a sensação de estarmos todos em um único escritório ou casa. Se temos uma dúvida e queremos uma resposta em algumas horas, podemos enviar um e-mail e esperar que o mesmo seja respondido. Se precisamos de respostas imediatas, basta verificar se a pessoa com quem queremos falar está disponível em seu msn ou skype e iniciamos uma conversação imediatamente. Ainda podemos optar por apenas trocar mensagens por escrito no caso de simples dúvidas ou iniciar uma conversa com áudio e vídeo, envolvendo uma ou mais pessoas.

A verdade é que a comunicação remota se aproxima cada vez mais da realizada pessoalmente, o que possibilita uma mudança radical na forma como interagimos e colaboramos nas empresas.

Já faz dois anos que trabalho em casa e não mais num escritório tradicional. Levanto por volta das 7:00H e começo o dia verificando os e-mails e preparando a agenda de trabalho. Gosto de responder os e-mails mais complexos logo de manhã, quando estou descansado e com a mente fresca.

Em torno das 8:00H, já tendo produzido mais do que tipicamente produzia em uma manhã inteira, vou até a cozinha para preparar meu café da manhã. Gasto cerca de trinta minutos nesse ritual diário e aproveito para me atualizar com as notícias do dia, assistindo canais como a Globo News e Bloomberg.

Tomado o café, inicio minha agenda diária. Algumas vezes faço uma visita ao escritório de minha empresa para ver fisicamente como andam as coisas e conversar um pouco com as pessoas. Outras vezes, quando tenho tarefas mais elaboradas a fazer, volto para meu escritório residencial e costumo ficar de 2 a 3 horas seguidas concentrado no trabalho a ser feito.

Pode parecer que fico isolado, mas a verdade é que quase me sinto no escritório. Vez por outra o sinal sonoro do skype ou do msn funciona como alguém batendo à porta de meu escritório. Os assuntos são diversos, desde um de meus sócios perguntando com anda determinado projeto, até meu filho enviando mensagens de brincadeira. Apesar de fisicamente isolado, sinto-me muito próximo das pessoas e interajo com elas o tempo todo.

No início da tarde, caso não tenha um compromisso para o almoço, tenho o costume de almoçar em minha própria casa. É mais barato e muito mais saudável. Novamente, aproveito para me atualizar um pouco mais, assistindo a programas sobre negócios ou mesmo atualidades.

Na parte da tarde concentro minhas atividades profissionais até mais ou menos às 17:00. Depois disso, dou uma parada para caminhar ou andar de bicicleta por 60 a 90 minutos.

Ao retornar de meio passeio diário, tomo um banho, janto, assisto um pouco de TV e volto ao computador para fechar o dia. Nesse último contato com o trabalho, gasto entre 30 minutos e 1 hora e procuro me concentrar nas respostas aos e-mails simples e na preparação da lista de tarefas do dia seguinte.

Não sei qual é a percepção de vocês sobre minha agenda diária, mas posso dizer que comparada ao que vivia quando trabalhava em um escritório tradicional ela possui grandes diferenças, a maioria delas para melhor.

Apresento abaixo algumas das vantagens que vejo nesse modelo de trabalho:

1 - Maior integração entre a vida pessoal e a profissional, permitindo melhor aproveitamento dos momentos de baixa produtividade e mais opções de descanso durante o dia.

2 - Maior capacidade de concentração nas atividades individuais.

3 - Menos tempo gasto e menos estresse com o processo de locomoção dentro da cidade. No meu caso, troquei 2 horas diárias de trânsito por um passeio diário de bicicleta ou uma caminhada.

4 - Possibilidade de se alimentar melhor, de se hidratar melhor e de se manter atualizado.

5 - Mais tempo para refletir sobre as coisas importantes da vida. Mais tempo para se dedicar ao que realmente é importante.

6 - Maior convívio com a família.

7 - E a lista continua...

Mas o trabalho em casa, apesar de ter muitos aspectos positivos, também traz alguns desafios. Cito alguns deles abaixo:

1 - Maior necessidade de disciplina pessoal ou você vai acabar assistindo reprises de novelas e a sessão da tarde.

2 - Um certo preconceito da família sobre sua maior presença em casa. De certa forma, eles muitas vezes esquecem que você está trabalhando e tendem a exigir mais de você e até mesmo a criticá-lo em algumas ocasiões.

3 - O risco de não ser lembrado nas grandes decisões da empresa. Existem estudos que mostram que as pessoas que trabalham remotamente são menos promovidas do que as que trabalham nos escritórios físicos.

4 - O risco de trabalhar demais. O fato do seu escritório estar a alguns passos de seu quarto de dormir é um risco potencial para aqueles que adoram trabalhar. Mais uma vez é preciso disciplina para manter um bom equilíbrio entre trabalho e lazer.

Como disse no início, trabalho em casa há cerca de dois anos e a cada dia gosto mais desse modelo. Na maioria das atividades, não há mais motivos para que as pessoas se locomovam todos os dias para um mesmo lugar somente para trabalhar e acho que o trabalho em casa é uma tendência sem retorno. Assim, se você tiver a oportunidade de trabalhar em uma empresa que valorize essa modalidade, aproveite e desfrute dessa nova maneira de produzir. Sua saúde e sua família vão agradecer muito.

Se você tiver comentários sobre esse e outros temas, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em receber seus comentários.

PP

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A Mediocridade da Busca pela Razão

Olá,

Outro dia ouvi uma frase que me fez refletir sobre a força com que defendo meus pontos de vista em algumas ocasiões. Ela dizia mais ou menos o seguinte: Querer ter sempre razão é uma grande prova de mediocridade.

Sendo uma pessoa muito incisiva e que defende seus pontos de vista com força e um arsenal de argumentos, por uns momentos me senti a beira do rótulo de medíocre. Instintivamente procurei negar o conteúdo da frase, buscando situações que pudessem negar afirmação tão especialmente incômoda para quem está acostumado a buscar sempre ter razão nas discussões.

Minha busca foi infrutífera. A cada tentativa de argumento, mais me convencia de que realmente querer ter razão em nada ajuda no processo de buscar soluções ou acordos. Ao contrário, aumenta substancialmente o risco de que mudanças ocorram e de que bons acordos se concretizem.

Mas o que a busca pela razão tem a ver com a mediocridade? Não seriam as pessoas que possuem a razão na maioria dos casos mais inteligentes e conhecedoras do que as outras?

Depois de alguma reflexão minha conclusão é de que ter a razão é uma estado extremamente relativo e circunstancial. A complexidade e a dinâmica da vida e dos relacionamentos impede que, na grande maioria das vezes, seja possível definir com certeza o que está certo e o que está errado. A melhor posição perante análises antagônicas dos fatos é quase sempre no meio dos extremos, ora um pouco para um lado, ora para o outro, mas dificilmente se apresenta francamente para um dos lados.

Analisemos uma discussão típica de trânsito, em que um motorista bate na traseira do outro devido a uma freiada brusca do que está a frente. Se por um lado é obrigação do motorista que está atrás manter a distância para evitar a batida, o trânsito caótico e acelerado das grandes cidades classificaria como roda presa um motorista que mantivesse uma distância totalmente segura do que está a frente. Por outro lado, não se pode condenar um motorista por efetuar uma freiada brusca quando uma criança atravessa a rua na frente de seu carro.

Querer ter a razão em uma discussão de trânsito pode levar a discussões acaloradas, muitas vezes com consequências maiores do que o próprio incidente. Sem dúvida, uma situação que se aproxima da mediocridade.

Quando nos deslocamos para o ambiente corporativo, a discussão da razão costuma tomar uma dimensão muito maior. Discutimos de forma incisiva a responsabilidade pelos fracassos e sucessos, a intenção e a competência das pessoas, a maneira de resolver problemas, e um número enorme de outras situações.

Sendo um ambiente naturalmente competitivo, a maioria das discussões deixam de lado o objetivo inicial rapidamente e se tornam verdadeiras batalhas para definir quem tem a razão sobre determinado assunto. Discutimos horas para identificar quem possui a razão e deixamos de lado o problema a ser resolvido ou a proposta a ser construída. Perdemos um tempo valioso em discussões medíocres e não conseguimos melhorar em nada a performance da organização.

Os dois parágrafos anteriores, ainda que curtos, são suficientes para mostrar que discussões para saber quem possui a razão são improdutivas e quase sempre sem final feliz. Assim sendo, devem ser evitadas sempre que possível.

Ao refletir sobre a luta pela razão, identifiquei alguns desfechos comuns de ocorrer e que gostaria de compartilhar com vocês.

1) Um lado sai francamente vitorioso por sua maior capacidade de argumentos, deixando o outro lado em situação de quase humilhação e com um grande ressentimento. A decisão é tomada em favor do mais forte, o que muitas vezes pode representar um grande erro.

2) Os dois lados se declaram vencedores, deixando de lado o objetivo inicial de encontrar uma solução para o problema. Nesses casos, é comum não se tomar decisão alguma, postergando a solução para o impasse.

3) Um dos lados nota que a luta pela razão é inoportuna e muda o rumo da discussão. O foco do debate volta para o problema a ser resolvido e, na maioria das vezes, se encontra uma solução de consenso.

Acho que todos irão concordar que a terceira opção é mais construtiva e gera menos desgaste.

Na próxima vez em que você notar que está participando de uma discussão para definir quem está com a razão, lembre-se da frase apresentada no início desse artigo. Se não quiser fazer parte de um jogo de mediocridade, deixe de lado o seu orgulho e cesse a discussão ou faça com que ela mude de direção. Vai ser mais produtivo para todos.

Se você tiver comentários ou exemplos sobre esse e outros temas, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br.

PP

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Dê mais atenção a sua agenda eletrônica

Olá,

Todos concordam que é muito importante manter uma rede de contatos ativa. Seja por razões pessoais ou profissionais, o fato é que as pessoas com quem mantemos contatos mais freqüentes são as mais indicadas para nos ajudarem a suportar e a contornar as maiores dificuldades que a vida nos apresenta.

Mas como fazer para não perder o contato com as pessoas na agitada vida que levamos? Uma maneira que se mostrou muito eficaz para mim e que recomendo utilizar é varrer a agenda telefônica do celular de vez em quando.

É impressionante como o hábito de varrer sua agenda telefônica nos faz lembrar de pessoas extremamente importantes que o dia a dia nos faz colocar em segundo plano na memória. Velhos amigos, colegas de empresas anteriores, ex-funcionários e chefes, estão todos lá, esperando nosso contato.

As primeiras vezes em que repassei minha agenda percebi o quanto havia perdido por não ter feito antes. Velhos e bons amigos já haviam mudado seu telefone celular ou mesmo residencial e cheguei a perder totalmente o contato de alguns deles. Em outros casos, a vergonha de não ter procurado mais por tanto tempo uma pessoa tão importante me fez pensar várias vezes antes de fazer a ligação.

Apesar da insegurança em travar contato novamente com alguns velhos amigos sem saber como seria a reação deles, posso afirmar que a experiência é ótima. A cada ligação me sentia mais feliz e percebia a felicidade e o espanto de meus amigos. A grande maioria agradecia muito pela ligação e vários deles voltaram a ser parte do meu círculo mais próximo de amizade.

Um efeito colateral adicional foi que minha agenda telefônica passou a ficar mais atualizada. Nos casos de mudanças de telefone, acabava sendo informado por e-mail de forma antecipada e mesmo quando o telefone mudava, muitas vezes era possível recuperá-lo com outros amigos ou mesmo escutando as mensagens temporárias de mudança de número.

É claro que alguns nomes não me traziam qualquer lembrança importante. Outros, inclusive, traziam más recordações. Nesses casos, tratava de limpar os registros que não faziam mais sentido manter.

Varrer minha agenda telefônica faz lembrar de pessoas importantes e me obriga a falar com elas de vez em quando. É uma maneira de ajudar a memória a não esquecer dos velhos e bons amigos, assim como daqueles com quem devo manter contato profissional com alguma freqüência.

Faça uma experiência. Pegue seu celular e vá passando sua lista de contatos um a um. Para cada amigo com quem não fala há algum tempo, faça uma ligação de cortesia. Aproveite para saber como ele está, o que está fazendo e como andam as coisas. Conte a eles seus planos e projetos e procure estabelecer próximos encontros que permitam manter o contato. Pode ser um almoço, uma visita, ou mesmo uma atividade comum. Você vai ver sua agenda lotar de que encontros agradáveis e sempre proveitosos e vai se sentir muito mais feliz.

De vez em quando, repita a tarefa de varrer sua lista de contatos. Se preferir, faça a cada período uma parte da lista, mas não deixe de revisitar sua agenda telefônica de vez em quando. Vai valer a pena.

Se você tem comentários a fazer sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Será um prazer ler e responder seu e-mail.

PP

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Véspera de Natal

Olá,

O Natal sempre foi uma data muito esperada por mim. A sensação de ver a família reunida, os cheiros das comidas típicas da ocasião, os presentes tão esperados durante os meses anteriores, e o simbolismo em torno da data me fazem ver o Natal como a data mais importante do ano.

Mas nem todas as sensações trazidas pelo Natal são tão prazerosas assim. Por vezes, os presentes recebidos nos deixam uma estranha sensação de frustração por não terem sido aquilo que esperávamos. As reuniões familiares nem sempre são somente harmonia e em muitas situações o que era para ser uma festa se transforma em dor e sofrimento. Em alguns casos, a falta de um ente querido torna inviável qualquer tipo de comemoração.

Mesmo assim, o Natal ainda desperta fascínio na grande maioria das pessoas e a pergunta que fica é por que?

Minha opinião é de que o segredo do Natal está no turbilhão de emoções que ele desperta nas pessoas. Sejam agradáveis ou não, a verdade é que na época do Natal todos somos tocados de alguma maneira com a poderosa energia das emoções.

Durante todo o ano somos tomados de várias emoções. Sentimos angústia quando o trânsito nos atrasa mais de uma hora; raiva da pessoa que nos ofende; tristeza ao vermos uma criança pedindo dinheiro no sinal de trânsito. Por outro lado, sentimos prazer quando recebemos velhos amigos, quando conquistamos uma vitória profissional, ou quando percebemos que as pessoas estão felizes. Mas é na época do Natal que essas emoções se apresentam de forma mais evidente e tocam mais profundamente.

A razão do Natal aumentar nossa capacidade de sentir e refletir sobre as emoções está associada a preparação que ocorre em torno dessa data. Os enfeites espalhados pela cidade, as mensagens de amor e esperança que são divulgadas por toda parte, os eventos de confraternização que são organizados, tudo isso faz com que nos aproximemos de nossa natureza humana, saindo do automatismo que nos domina ao longo do ano.

Não importa se as emoções vividas são agradáveis ou não, mas o Natal nos faz viver mais itensamente. Ele potencializa nossos sentidos e nos torna mais atentos ao que está acontecendo e mais abertos para dar e receber. Saber aproveitar o momento de Natal é uma atitude de extrema sabedoria. Uma oportunidade única de acelerarmos nosso crescimento, de resolvermos velhas pendências e de buscarmos novas energias para um novo ano.

É nesse contexto que gostaria de desejar a todos um Natal cheio de emoções que nos façam refletir sobre nossas vidas e nossa missão na Terra.

Um Grande Abraço,

PP

sábado, 20 de dezembro de 2008

Olhando a crise de forma diferente

Olá,


Hoje pela manhã me dei conta de que não ainda não comentei os efeitos da crise na carreira e na vida pessoal dos executivos. É certo que no Brasil estamos prevendo um impacto menor do que em outros países, mas mesmo assim me chamou a atenção o fato de não ter dado atenção a um evento tão presente no dia a dia das discussões dos executivos.


Minha primeira avaliação foi de que não concentrei minhas atenções no assunto por não ter sido verdadeiramente impactado por ela. Depois, com um pouco de reflexão concluí que essa afirmação estava longe de ser verdadeira. Como a maioria dos executivos acima dos quarenta anos, possuo parte de minhas reservas financeiras aplicadas no mercado de renda variável. Não dá para dizer que perder 40% do valor dessas aplicações é um impacto desprezível.


Mesmo com a constatação de que fui realmente impactado pela crise, a verdade é que continuo não me sentindo preocupado com o futuro. Ao contrário, tenho a esperança realista de que a perda percebida será recuperada em 2 ou 3 anos e estou avaliando seriamente a possibilidade de aumentar meus investimentos no mercado de ações.


De onde vem tanta esperança e tranqüilidade? Acho que vem de minha nova maneira de viver e gostaria de contar um pouco para vocês as mudanças pelas quais tenho passado nos últimos quatro anos. Talvez essa informação possa ajudar alguns de vocês a procurarem um pouco mais de paz e tranqüilidade.


Minha carreira como executivo começou há pouco mais de 20 anos, quando fui convidado para a minha primeira posição de gerência. Naquela época, com cerca de 26 anos, tomei a oportunidade como única e me entreguei de corpo e alma ao papel de executivo.


Em menos de 4 anos me tornei diretor de uma importante empresa nacional da área de tecnologia, ainda durante o período de reserva de mercado. Sem dúvida, uma carreira de sucesso em um mercado altamente competitivo. Mas o sucesso como executivo não veio sem custo...


Fui me tornando um cara durão, extremamente orientado a resultados, daqueles que pouco comemorava e sempre estava insatisfeito com o estado das coisas. Apesar de em geral ser admirado como líder, era muitas vezes odiado pela maneira direta e brutalmente franca com que colocava minhas opiniões sobre as pessoas e as situações. Sem dúvida conseguia fazer as pessoas produzirem muito, mas hoje tenho a consciência de que poderia ter conseguido o mesmo ou mais um pouco sem causar tanto desconforto e sofrimento.


Na área da saúde tive meus maiores prejuízos. Engordei mais de 20Kg em cerca de 10 anos, tive alguns sustos com dores no peito e sou usuário de remédios para a pressão arterial desde os 35 anos de idade.


Mesmo sendo odiado por muitos e acumulando problemas de saúde mantive meu ritmo por um bom tempo. Afinal, as coisas continuavam dando certo e o sucesso financeiro e profissional é uma boa maneira de esquecer os fracassos pessoais.


Foi aí que a vida começou a me ensinar algumas coisas importantes.


O primeiro ensinamento veio da própria vida profissional. Depois de vários anos de sucesso contínuo, vieram os primeiros anos de dificuldade. As metas profissionais, antes sempre atingidas, passaram a ser um sonho impossível de atingir e a frustração de não atingi-las um pesadelo diário.


Foram alguns anos de luta intensa em busca de resultados melhores, em um projeto que parecia impossível de ser concluído. Talvez os piores e mais importantes anos de minha vida profissional e pessoal. Assim como uma chapa de metal, que sob a intensa pressão de uma prensa vai tomando novas formas, também fui sendo moldado pelas dificuldades que enfrentei.


Aos poucos fui aprendendo que gritar com as pessoas era menos efetivo do que apenas conversar. Aprendi que há coisas que não podemos mudar, não importa o quão fortes e poderosos sejamos. Aprendi também que a vida era muito mais do que o trabalho e que a família não pode ser colocada em segundo plano indefinidamente.

O aprendizado trouxe de volta alguns valores que havia deixado para trás. A vontade de estar mais próximo da família e dos amigos ficou mais forte. O prazer de observar a natureza e sentir o vento no rosto voltou a me visitar. Os momentos de reflexão sobre a vida e seu sentido passaram a ser mais freqüentes, realimentando o processo de transformação.

Hoje tenho uma vida muito diferente. Deixei a posição de executivo profissional para tocar meus próprios negócios, o que me dá muito mais prazer. Tenho tempo de ir ao Ibirapuera diariamente para caminhar e refletir sobre a vida. Passo mais tempo com a família e com os amigos.

O dinheiro, o sucesso profissional e o poder deixaram de ser meus maiores objetivos. Ao contrário, minha saúde e o relacionamento familiar são hoje minhas metas principais. No campo profissional, a realização de construir meus próprios empreendimentos superou em muito a disputa por poder que vivia nas empresas em que trabalhei.

O estresse diário e crescente foi substituído por uma tranqüilidade perene, que quase me faz esquecer como era ruim viver estressado. A preocupação e ansiedade excessiva por pequenas coisas foi substituída pela busca paciente e persistente de coisas mais importantes como o auto-conhecimento e as verdadeiras amizades.

Talvez seja esse o segredo de minha pouca preocupação com a crise econômica. Afinal, o que de importante ela pode tirar de nós?

Se você tiver comentários sobre esse ou outro artigo, escreva para paulo.pinho@uol.com.br.

Abraços,

PP

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Assumindo sua parte da responsabilidade

Olá,

Uma das coisas mais difíceis na vida profissional e pessoal é assumir na medida certa a responsabilidade pelos fatos que ocorrem no dia a dia. Algumas vezes temos a tendência a nos inocentarmos em demasia, jogando para os outros ou mesmo para o destino a responsabilidade pela ocorrência de determinados eventos. Outras vezes assumimos uma responsabilidade maior do que a devida, nos glorificando ou martirizando por atos que pouco ou nada dependeram de nossa atuação.

É claro que assumir a responsabilidade por eventos felizes costuma ser mais fácil para a maioria das pessoas. Afinal, quem não gosta de ser elogiado por ter sido responsável por algo notável. Os eventos desagradáveis, ao contrário, tendem a ser gerados por fatores externos ou por pessoas distantes. É como diz um ditado popular, o sucesso tem paternidade múltipla enquanto o fracasso é órfão de pai e mãe.

Mas nem todo mundo funciona dessa maneira. Algumas pessoas sentem uma necessidade incrível de se criticar e de negar suas virtudes. Diante de um evento positivo, tratam de afirmar que não tiveram qualquer envolvimento com ele. Chegam até a negar de forma enérgica quando alguém insinua sua participação no mesmo. Na outra ponta, são os primeiros a saltar e reconhecer sua culpa quando as coisas vão mal.

Uma boa maneira de procurar o equilíbrio com relação a sua responsabilidade sobre os fatos é pensarmos na física e no funcionamento do universo. Para que nosso planeta suporte a vida é necessário que uma estrela a milhões de quilômetros nos forneça calor. Mas somente isso não é suficiente. Uma combinação complexa de fatores como presença de água, existência da atmosfera, composição química do planeta, entre outros tantos, fazem a diferença entre uma Terra densamente habitada e uma Lua inerte e vazia.

Se o Sol fosse um ser humano, ele poderia ter vários comportamentos sobre o fato de haver vida na Terra e não haver na Lua. Ele poderia dizer que é o responsável pela vida na Terra e que o fato de não haver vida na Lua está relacionado com a inexistência de uma atmosfera adequada. Se fosse um pouco mais deprimido, poderia dizer que foi incapaz de produzir vida na Lua e que a existência da mesma na Terra nada tem a ver com sua capacidade de aquecimento.

A verdade é que o Sol é um dos componentes que definem a existência da vida na Terra e a não existência da mesma na Lua. Ele não é capaz de produzir ou exterminar a vida sozinho, mas é fundamental na fórmula que leva a um estado ou ao outro.

O uso do Sol como elemento nessa análise não é por acaso. Por estar bastante distante da Terra, ele serve para mostrar que podemos influenciar em situações aparentemente fora do alcance de nossas ações. Em algum grau, sempre é possível encontrar alguma correlação entre nossos atos e os fatos que se sucedem.

Pensemos no estado em que se encontra nosso planeta, aquecendo ano a ano e aproximando-se do limite de sua capacidade de prover um ambiente favorável a humanidade. A grandeza desse fenômeno, faz com que nenhum de nós julgue-se totalmente responsável por essa realidade. No entanto, todos somos em algum grau responsáveis pelo que está acontecendo. Cada latinha de refrigerante que consumimos, cada prato de carne que degustamos, cada minuto de televisão que assistimos colaboram para o aquecimento do planeta, gostemos ou não dessa realidade.

Mas qual é a maneira correta de lidar com a responsabilidade sobre os fatos?

Não tenho uma resposta científica para essa pergunta, mas pessoalmente procuro utilizar duas regras básicas e que me ajudam a medir melhor meu envolvimento com os eventos do dia a dia. São elas:

1) Sempre existe algum grau de responsabilidade sua sobre o que acontece;
2) Sempre existe algum grau de isenção de responsabilidade sua sobre o que acontece.

Pode parecer meio forçado dizer que sempre estamos envolvidos e nunca totalmente, mas essas regras nos ajudam a refletir melhor sobre a verdadeira responsabilidade que temos sobre os fatos que acontecem.

Outra técnica que utilizo para avaliar minha responsabilidade sobre os fatos é a de me afastar um pouco da cena e procurar vê-la como um fato neutro, nem bom nem ruim. Isso ajuda a diminuir a culpa por ter sido responsável por algo ruim ou a ansiedade de querer ser responsável por algo bom.

Quando o fato me parece muito positivo, procuro refletir sobre as dificuldades que tal evento podem trazer no futuro. Quando parece uma verdadeira tragédia, penso nas coisas boas que podem surgir a partir desse acontecimento.

Refletir sobre a neutralidade dos fatos nos ajuda a medir melhor nossa responsabilidade sobre os mesmos. Entender que sempre somos de alguma forma responsáveis e nunca totalmente isentos, nos ajuda a identificar melhor a correlação entre nossos atos e os eventos que observamos.

Na próxima vez em que você se sentir totalmente responsável ou isento em relação a determinado fato, procure seguir o raciocínio que apresentei. Se ajudar, me envie um e-mail comentando sobre sua experiência.

Abraços,

PP

sábado, 13 de dezembro de 2008

A arte de nadar em mar aberto

Olá Pessoal,

Já faz um bom tempo que não escrevo e sinto-me um pouco culpado de ter abandonado os que vez por outra visitam esse site. A eles peço desculpas e prometo que irei me esforçar para escrever artigos com maior freqüência.

A culpa de não ter escrito mais nos últimos tempos me fez refletir sobre o título desse artigo. Vocês já notaram como vários de nossos planos importantes são aos poucos esquecidos e substituídos por outros que nem foram tão planejados assim?

Pois é... Todos os anos definimos para nós mesmos uma série de compromissos. Eles vão do ingênuo plano de perder alguns quilinhos a coisas sérias como iniciar uma poupança para a aposentadoria ou tratar aquela dor nas costas que aos poucos vai tirando nossa mobilidade.

Via de regra, após algumas semanas de intenso esforço, vamos nos entregando ao fluxo natural da vida e retornamos ao ponto em que estávamos. Os poucos quilos perdidos durante algumas semanas retornam e a escalada do peso continua. A poupança deixa de ser reforçada e é utilizada para as emergências do dia a dia, sendo aos poucos substituída pelo limite rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial. A fisioterapia é abandonada e passamos a utilizar apenas o analgésico para enganar a dor quando a mesma se torna mais intensa.

Deixar a vida nos levar é parte da arte de viver. Lutar contra a correnteza da vida todo o tempo é cansativo e traz grande frustração. Alguns são mais tenazes do que outros, mas a verdade é que, assim como na correnteza do mar, é impossível nadar contra ela por muito tempo. Talvez isso explique por que muitos de nossos planos são frustrados em poucas semanas ou meses. Parece que de alguma maneira, nossa decisão vai contra o fluxo natural das coisas.

Sei que você deve estar pensando que não podemos aceitar essa realidade e que precisamos ser disciplinados e vencer os desafios que são postos pela vida. Concordo plenamente e é por isso que decidi escrever esse artigo. Afinal, é preciso encontrar uma maneira de vencer a inércia que a vida nos impõe e aprender a mudar de direção de maneira definitiva.

Uma maneira bastante eficaz de vencer os maiores desafios é a utilizada pelos nadadores de mar aberto mais experientes. Eles conhecem muito bem a força que a natureza possui e aprenderam a buscar seus objetivos, ora se aproveitando dessa força, ora evitando-a ou contornando-a.

A primeira coisa que um bom nadador faz quando vai atravessar uma faixa de mar é estudar o ambiente. Ele procura entender a força, a direção e o horário das correntezas, planejando sua travessia com detalhes e paciência.

Quando a correnteza é a favor de sua direção e sentido, ele procura aproveitá-la ao máximo. Com isso, consegue atingir velocidades que jamais seria capaz por suas próprias forças.

Ao contrário, quando a correnteza é totalmente frontal ao seu objetivo, ele avalia sua capacidade de suportá-la e, muitas vezes, decide mudar de direção e nadar em busca dos limites dessa correnteza, evitando o confronto direto. Ele sabe que é melhor empenhar sua energia fugindo da correnteza do que enfrentando-a.

Nem sempre a melhor solução é fugir da correnteza. Se há energia suficiente para enfrentá-la e ainda produzir movimento positivo, pode ser melhor seguir em frente. Nesse caso, no entanto, é importante saber por quanto tempo teremos que enfrentar o estresse de nadar contra a correnteza. Se estamos preparados para o tempo esperado, com alguma folga, vamos em frente.

Em algumas situações não há o que fazer para enfrentar a correnteza. Nem é possível contorná-la e atingir seus limites, nem tampouco enfrentá-la. Nesses momentos, o nadador experiente poupa suas energias, volta ao planejamento e aguarda o momento correto para reiniciar sua jornada. Literalmente, ele deixa que a vida (correnteza) o leve por um tempo.

Finalmente, mas não menos importante, o bom nadador nunca perde a esperança. Ele sabe que perdê-la significa não mais pisar em terra firme e luta todos os momentos para manter a serenidade e o senso de direção.

Estamos nos aproximando do final de mais um ano. Momento em que todos param para pensar em seus planos futuros e nos compromissos que irão assumir para os próximos 12 meses. Minha sugestão nesse momento é pensar como um nadador de mar aberto.

Avalie seus desejos e sonhos em função do cenário que está colocado a sua frente. Procure identificar os grandes obstáculos e avalie sua capacidade de enfrentá-los de frente. Se você tem dúvidas, pense em alternativas de contorno. Se acha que não vai conseguir, pense em buscar objetivos mais fáceis de serem atingidos.

Lembre-se que o sucesso alimenta a auto-estima, enquanto o fracassso a solapa. A somatória de pequenos sucessos nos fortacele, aumenta nossa reserva de esperança e nos prepara para buscar sonhos mais ousados e para enfrentar fracassos maiores.

Os fracassos têm o poder de nos tirar parte da esperança que temos armazenada. Se nossas reservas são volumosas, somos capazes de enfrentar grandes fracassos e ainda termos energia de ir em frente. Se ao contrário, nossas reservas são limitadas, temos que ser cuidadosos e evitar a possibilidade de fracassos maiores. Zerar a reserva de esperança não é uma opção.

Assim como um nadador experiente, planeje suas ações com calma e detalhamento. Avalie sempre sua capacidade de enfrentar cada desafio e mantenha a vigilância sobre o ambiente. Em momentos de calmaria, onde os fatores externos são a seu favor, acelere na direção planejada e aproveite a sensação de liberdade e realização. Em momentos de dificuldade, reavalie sua capacidade de reação e decida se o melhor é continuar enfrentando, buscar contornos ou mesmo deixar que a correnteza o leve.

Por fim, nunca se esqueça de manter a calma e a esperança. Elas são suas melhores amigas nessa jornada.

Um grande abraço.

PP