sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Reflexões sobre o Risco

Olá,

O risco é parte integrante da vida de todos nós. Nos arriscamos quando atravessamos a rua, quando dirigimos nosso carro, ou até mesmo enquanto dormimos. Estamos sempre sob algum grau de risco, apesar de muitas vezes nem nos darmos conta disso.

Como seres vivos, o maior risco ao qual estamos sujeitos é o de morrer. Ele representa a impossibilidade de uma nova chance (pelo menos nessa vida) e deixa a maioria de nós em estado de sobressalto. Mesmo assim, são inúmeros os casos de pessoas que enfrentam esse risco de maneira rotineira, o que me faz refletir sobre o que as leva a esse tipo de comportamento.

A verdade é que a todo risco conscientemente tomado está associada uma oportunidade relevante identificada pelo tomador do risco.

É a sensação de liberdade e prazer que faz um paraquedista se arriscar em saltos cada vez mais altos. É o prazer de vencer que faz o piloto de corrida se arriscar a 300 Km/h em um carro de Fórmula 1. É a sensação de poder e realização que faz um executivo se arriscar na tomada de decisões.

Quando a oportunidade percebida não vale o risco, ou quando a possibilidade de realização do risco é muito alta, nossa atitude é recuar. Por mais desejoso de aventura que seja um paraquedista, a grande maioria deles jamais pularia em um dia de tempestade. Nem tampouco um piloto de Fórmula 1 mantem a velocidade quando nota que seu carro está sem freios.

Não tomar riscos significa abrir mão de oportunidades. Pessoas que não tomam riscos são pessoas que dificilmente terão sucesso em suas vidas profissionais e pessoais.

Tomar riscos em demasia em geral leva a grandes ganhos de curto prazo e a grandes fracassos no médio e longo prazo. Pessoas que tomam riscos em demasia costumam ter algum sucesso mas suas carreiras é frequentemente abreviada por um grande fracasso. Na vida pessoal, é comum que elas tenham uma vida mais breve ou cheguem a quebrar financeiramente.

Saber ponderar riscos e oportunidades, fazendo escolhas que maximizem oportunidades, ao mesmo tempo minimizando riscos, é uma arte que marca a maioria das pessoas bem sucedidas.

É claro que existem pessoas que fazem tudo corretamente e mesmo assim perdem tudo numa decisão infeliz. Assim como existem aqueles que arriscam tudo ou nada e mesmo assim conseguem atingir o sucesso. Mas o mais comum é que as pessoas que buscam a maximização da relação oportunidade / risco sejam as que conseguem os melhores resultados.

Um bom começo para aprender a lidar com a relação custo / oportunidade é refletir sobre os dois lados dessa equação sempre que uma decisão precisa ser tomada. Pensar sobre o que podemos ganhar ou perder com cada decisão e qual a probabilidade de termos sucesso ou não, nos faz sentir melhor o peso de nossas decisões.

Com o tempo ganhamos experiência e vamos aprendendo a dosar o peso de cada componente da balança. Se ganhamos mais do que perdemos, reforçamos nossa maneira de ponderar cada parte. Se perdemos mais do que ganhamos, buscamos um novo equilíbrio para a equação, até que comecemos a ganhar novamente.

Uma dica que considero importante é a de avaliar as consequências de perdermos nossa aposta. Se o resultado de um risco confirmado representar uma situação de irreversível ou de consequências muito fortes, esse risco provavelmente não deverá ser tomado, a não ser como última alternativa.

Na próxima vez que você tiver que tomar uma decisão, procure pensar nos riscos e oportunidades associados a ela. Você tem mais a ganhar do que a perder.

Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, escreva um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder.

PP

sábado, 19 de setembro de 2009

Pedido de Ajuda

Olá pessoal,

Desde que comecei a escrever nesse blog vejo que o número de leitores cresce a cada mês. No início eram algumas dezenas de visitas por mês e hoje já passam de 300 por semana, mais de 1000 por mês. Ainda assim é pouco para que eu possa investir um pouco mais no conteúdo e nos recursos de interatividade que gostaria de disponibilizar e por isso gostaria de fazer o pedido abaixo:

1) Se você gostou do conteúdo desse blog, me ajude a divulgá-lo. Você pode enviar um e-mail para seus amigos dando o endereço e pedindo para que eles acessem, colocar o link desse blog em seu site, blog, twitter, orkut, ou qualquer outra ferramenta de divulgação. Qualquer ajuda será mais do que bem-vinda.

2) Procurem visitar o blog com um pouco mais de frequência e, sempre que possível, me enviem e-mails com comentários e sugestões de artigos. A interatividade com vocês é o meu maior incentivo pois demonstra que as pessoas estão realmente obtendo valor do que escrevo.

3) Sempre que visitarem o site, procurem sair dele clicando em um dos anunciantes. Isso me ajuda a recuperar parte dos custos que tenho para mantê-lo.

Um Grande Abraço e obrigado antecipadamente pela ajuda,

Paulo Pinho

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Reflexões sobre o Tempo

Olá.

Muitas vezes escutamos pessoas falando sobre a necessidade de gerenciarmos o tempo. Mesmo compreendendo o sentido que essas pessoas pretendem dar a essa afirmação, é importante refletirmos um pouco sobre a impossibilidade dessa frase.

Gerenciar o tempo é impossível. Ele é implacável e preciso e passa, para efeitos práticos do dia a dia, de maneira constante independente do que possamos fazer. Não pode ser acelerado nem atrasado, tampouco pode retroagir.

O tempo define a distância entre eventos. É uma entidade abstrata e que nos ajuda a sequência dos fatos, a planejar nossas atividades e identificar os ciclos de vida que se repetem. É a noção de tempo que nos permite planejar o que faremos para atingir nossos objetivos de vida e é essa possibilidade de planejar/gerenciar nossas atividades que dá origem a expressão incorreta de "gerenciar o tempo". Tudo o que podemos gerenciar são nossas ações no tempo e não o tempo.

O tempo traz consigo outros três conceitos muito importantes: passado, presente e futuro. Vale a pena refletir um pouco sobre eles.

O passado representa o que já aconteceu e, portanto, não existe mais. Não há como retornar ao passado a não ser recorrendo a nossa memória ou aos registros que os eventos passados deixaram para trás. Tanto nossa memória quanto os registros físicos do passado (fotos, filmagens, marcas,...) representam apenas uma fração do que realmente aconteceu e não o fato em si, com todos os seus detalhes e dimensões.

Reconstruir o passado de forma completa é impossível. O que temos são apenas fragmentos de memória sobre o passado. Imagens distorcidas e incompletas que armazenamos em nossas mentes e que para complicar as coisas, são diferentes de pessoa para pessoa.

Os fragmentos de memória que temos sobre os fatos dependem da atenção que demos a cada detalhe e isso gera interpretações muito vezes totalmente diferentes sobre o fato ocorrido. Para um mesmo evento, duas pessoas poderão ter interpretações totalmente diferentes e igualmente válidas.

Discutir o passado para identificar quem tem razão, culpa ou mérito é em geral um exercício improdutivo. É perder tempo precioso e já levou a lutas e guerras das quais deveríamos nos envergonhar.

Refletir sobre o passado, compartilhando fragmentos de memória de cada um, analisando os registros que ficaram e buscando entender as causas e consequências dos fatos, fez com que a humanidade evoluísse de forma surpreendente.

Mas de uma coisa não podemos nos esquecer jamais. O passado passou e não há como voltar atrás (pelo menos por enquanto...). Assim sendo, preocupar-se com o passado ou sofrer pelo que passou é perder tempo e deixar de viver o momento mais importante de nossas vidas: o presente.

O presente talvez seja o conceito mais complexo relacionado com o tempo. Não nos damos conta, mas quando refletimos sobre o presente, na verdade estamos pensando em algo que já está no passado. Ou seja, estamos lidando com os fragmentos de memória que retivemos em relação ao que acabou de acontecer.

Na prática não há como refletir sobre o presente. Ele simplesmente está acontecendo.

Após alguma reflexão, minha conclusão é de que o que mais nos aproxima do presente são os sentimentos e as emoções. Apesar deles próprios levarem alguns milésimos de segundo para serem percebidos, podemos de maneira simplista dizer que são eles que representam o nosso verdadeiro presente.

Se pensarmos dessa maneira, o presente se resume ao que sentimos e isso nos leva a uma reflexão ainda mais profunda.

No fundo, todos nós queremos nos sentir bem. Esse é o maior objetivo de todas os seres vivos e é o que buscamos desde o momento em que nascemos até a hora em que partimos dessa vida. Esse fenômeno existe apenas no presente, mesmo que em alguns momentos seja resultado de nossos exercícios mentais com fragmentos do passado ou visões do futuro.

Viver bem é maximizar os momentos de bem-estar, em detrimento aos momentos em que nos sentimos mal.

Mas o que significa sentir-se bem? Bom, esse conceito deixo para um próximo artigo.

Ainda falta falar do futuro. Ahhh, o futuro.

A verdade nua e crua é que o futuro é totalmente incerto. Não sabemos se haverá futuro. Da mesma forma que esse pode ser apenas um de meus primeiros artigos, também pode vir a ser o último. Você que me lê nesse momento, por mais velho ou novo que seja, pode ter mais alguns minutos ou vários anos de vida pela frente. Ninguém sabe quanto tempo ainda temos.

O fato do futuro ser incerto nos traz dúvida e insegurança, mas também pode trazer esperança. Só depende da maneira como pensamos no presente.

Se somos positivos quanto ao futuro, nos sentimos melhor no presente. Não importa se o futuro vai ou não existir, o que importa é que estamos maximizando nossos momentos de bem estar. Se somos negativos sobre o futuro, nos sentimos mal no presente, e vamos contra nosso maior objetivo de vida.

Pensar positivo sobre o futuro não significa necessariamente fantasiar situações cuja probabilidade de ocorrer seja mínima. Planejar suas ações para atingir determinado objetivo desejado e visualizar-se chegando lá também cria uma imagem positiva do futuro.

Planejar o futuro de forma positiva e trazê-lo ao presente sob a forma imagens é altamente positivo. Além de trazer bem-estar no presente, aumenta as possibilidades de atingirmos nossos objetivos de vida.

Não importa muito se o futuro irá realmente acontecer da maneira que visualizamos. O ato de visualizar algo positivo para o futuro já nos traz bem-estar no presente e esse ato repetido ao longo de nossa existência maximiza nosso bem-estar ao longo da vida.

Preocupar-se com o futuro é, assim como no caso do passado, uma grande perda de tempo. Traz mal-estar para o presente e nos faz pensar em modo negativo. Em resumo, vai contra nossos objetivos de vida.

Para concluir, deixo as seguintes dicas:

Viva o presente com intensidade e busque sempre o bem-estar.

Reflita sobre o passado sempre em busca de aprendizado e nunca para se lamentar ou trazer de volta sentimentos negativos.

Planeje o futuro de forma positiva. Visualize-se atingindo seus objetivos e traga essa sensação para o presente. Ela vai ajudá-lo a construir um futuro melhor.

Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em recebê-lo.

PP

sábado, 22 de agosto de 2009

Desenvolvendo Atletas

Olá,

Você pratica ou acompanha algum esporte? Se o faz, deve saber da importância que tem o treinamento na vida de um praticante de esportes. É sobre o papel do treinador e da analogia que existe entre ele e os líderes empresariais que gostaria de conversar hoje.

Assim como um treinador de futebol ou volei, um líder empresarial é responsável por desenvolver sua equipe, tanto individualmente quanto coletivamente. Ele precisa dar conforto e segurança a seus atletas, mas sabe que só será capaz de bater seus concorrrentes se souber levá-los a um patamar superior de competitividade que esteja acima dos opositores.

Para ser vencedor, um treinador precisa testar e estender os limites de seus atletas todo o tempo, aprimorando-os a cada ciclo, buscando sempre algo mais. Esses limites não são fáceis de serem ultrapassados, nem tampouco agradáveis de serem atingidos. Eles representam privações e dor, aumentam o estresse físico e mental e testam a capacidade de cada um em se manter motivado na busca de seus objetivos.

Não é possível desenvolver atletas sem testar limites. Não é possível testar limites sem gerar desconforto. Não é possível gerar desconforto e manter motivação se não houver confiança.

Um bom técnico exige de seus atletas até onde sabe que eles serão capazes de suportar. Ao mesmo tempo é capaz de fazê-los atingir limites que eles mesmos não acreditavam ser capazes. Ele os desafia a todo momento e impõe metas e objetivos nem sempre aceitos de maneira tranquila. Um bom técnico é admirado e querido por sua equipe, mas muitas vezes desperta sentimentos nem tão positivos assim. Como ouvi de uma professora há algum tempo, ele tem um molho tipo agridoce, adocicado mas ao mesmo tempo ácido.

O ponto chave da relação de um técnico com seus liderados é a confiança mútua. A equipe precisa confiar em seu líder e acreditar que todo o sofrimento imposto tem como objetivo o desenvolvimento e o sucesso. Por outro lado, o líder precisa confiar em seus liderados e acreditar que eles estão totalmente alinhados com seus objetivos.

Para obter a confiança da equipe não é necessário ser amável o tempo todo. Na verdade, muitos dos grandes técnicos que conhecemos passam longe da definição de amável. O mais importante é ser previsível, coerente e justo. É seguir um conjunto simples e direto de valores positivos em todas as suas decisões, reagindo de maneira clara e objetiva ao desenrolar dos fatos.

Um líder que é sempre amável (doce) dificilmente irá mover seus liderados além dos limites. Para levá-los a novos patamares ele precisa demonstrar sua acidez (dureza) e discutir de forma clara e objetiva os erros e acertos de sua equipe. Se está errado ele precisa dizer isso sem meias palavras. Se há maneiras de fazer melhor, precisa criticar a forma como foi feito. Se faltou empenho e atenção, isso precisa ser dito e discutido.

A acidez do líder cria o movimento e faz com que as pessoas se desenvolvam. Sua doçura cura as feridas causadas pelas lutas do dia a dia e reforça o cimento da confiança que a equipe tem em sua liderança.

Desenvolver atletas é como desenvolver funcionários e líderes empresariais são como técnicos de futebol. Os uniformes e as regras do jogo são totalmente diferentes, mas as bases do relacionamento entre líder e liderados são exatamente as mesmas.

Se você tem comentários sobre esse ou outro artigo, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder sua mensagem.

Abraços,

PP

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Incerteza do Futuro

Olá,

Uma das habilidades mais presentes na vida dos executivos é a capacidade de antever e se preparar para o futuro. Somos treinados e preparados para prever quanto iremos vender, que produto ou serviço terá mais sucesso, quais as chances de fechar determinado negócio, e assim por diante. Além disso, somos mestres e preparar e executar planos que vão desde algumas semanas até vários anos.

Não há nada de errado em planejar o futuro e se preparar para ele. Ao contrário, é uma das habilidades que qualquer empresa almeja em seus executivos. Mesmo para a vida pessoal, o planejamento e a disciplina com o mesmo podem representar uma vida com menos imprevistos, mais conforto e tranquilidade.

Mas há uma coisa que não podemos nos esquecer jamais. Os planos são apenas o caminho que desejamos seguir no momento inicial da jornada. Ao longo do trajeto, imprevistos irão ocorrer e os planos devem ser ajustados a eles sob o risco de transformarmos desejos em grandes frustrações ou mesmo em pesadelos.

Tomemos o exemplo de um rapaz que acaba de constituir sua própria família e planeja ter filhos e proporcionar a eles conforto e tranquilidade. Um plano simples e muito comum que provavelmente foi, é ou será um dos planos de cada um de vocês.

Como ter filhos é uma coisa mais ou menos natural, esse rapaz concentra toda sua energia na busca da estabilidade financeira para sua família. Ele entende que sem dinheiro não é possível ter conforto no mundo moderno e sai em busca de crescimento profissional e de posições mais valorizadas.

O primeiro filho nasce e esse rapaz, agora já se tornando um senhor de 30 anos, já é gerente de uma grande empresa. Seu salário é suficiente para adquirir seu primeiro apartamento, pequeno mas confortável, em um bairro de classe média. Sua agenda, como de qualquer gerente de médio escalão, é cheia de compromissos e se estende muito além do horário comercial. Sobra pouco tempo para apreciar seu filho e mesmo a esposa ele vê somente algumas vezes por semana.

O tempo passa, o salário aumenta e a família cresce. O filho mais velho já é um meninão e o segundo filho, recém-chegado, já se aloja no quarto do irmão com um grande intruso. O apartamento é trocado por um maior, mais confortável e em um bairro mais nobre. A família compra seu segundo carro e o primeiro é substituído por um modelo mais novo e maior.

Tudo parece correr as mil maravilhas, totalmente dentro dos planos, não fosse um detalhe fundamental: os já dez anos de dedicação intensa ao trabalho feriram de morte a relação do casal e por mais que eles tentem reaver a relação inicial, não existe mais volta. Eles decidem se separar.

O Plano inicial de ter uma família feliz e uma vida confortável desmorona em apenas uma semana. O carinho se transforma em ressentimento, os advogados entram em cena para definir o novo arranjo a ser implantado. O apartamento novo fica com a mãe e com os filhos, os carros são divididos, uma pensão é definida para dar sustento e educação aos meninos, e uma agenda de visitas aos filhos é estabelecida. O que era para ser uma família se transforma em um contrato de convivência forçada e na necessidade pensar em um novo plano.

A história que acabo de relatar se encaixaria em menor ou maior grau às histórias de muitos executivos que conheci. Na verdade, sem o desfecho que apresento, se aproxima até mesmo de minha própria história e, tenho certeza, provavelmente na de muitos de vocês.

A pergunta que fica é o que aconteceu de errado? Por que um plano tão simples e despretensioso pode dar tão errado?

A resposta me parece estar no foco demasiado no plano em si em detrimento do objetivo final. Nossa vontade de fazer do nosso jeito e de mostrar que estamos certos faz com que esqueçamos do mais importante, o nosso objetivo.

Quando isso acontece, a criatura (nosso plano) escraviza o criador e somos levados a caminhos que nunca imaginamos percorrer.

É preciso aceitar que o futuro é incerto e que não temos como planejar tudo com detalhes. Se não somos capazes de garantir que estaremos vivos amanhã, como podemos acreditar em nossos planos ao ponto de abandonar o presente e se concentrar somente no futuro?

Planejar é saudável e, como disse no início, pode ajudar a ter uma vida mais tranquila. No entanto, é preciso viver a única coisa que temos como certa que é o momento presente. Ele não pode ser substituído nem recuperado. Ele existe por uma fração de segundo e se transforma em passado, deixando em nossa memória uma marca indelével, que pode ser boa ou má dependendo de nossa atitude perante o evento.

Viver o presente com plenitude deve ser sempre nosso maior objetivo. Compatibilizar o prazer de viver o presente com a preparação do futuro deve vir em seguida.

O olho no futuro nos ajuda a limitar o desejo pelo prazer imediato e, mais importante, nos faz sentir prazer em viver as dificuldades. Por outro lado, pensar somente no futuro nos faz perder a beleza do momento presente e não garante que o futuro ocorra.

Mais uma vez, os princípios e valores voltam a cena. Eles são a principal ferramenta para guiar nossos planos futuros e nosso comportamento no presente.

Sempre planeje seu futuro guiado por seus princípios e valores, dessa forma você garante que seu plano o leva a seu objetivo maior de vida. Durante toda a vida, verifique se seu plano continua alinhado com eles e, caso note algum desvio, faça os ajustes devidos.

Mas não se esqueça de viver intensamente o presente pois, como disse anteriormente, ele é sem dúvida a coisa mais importante de nossas vidas.

Para saber se sua atitude no presente está alinhada com seus planos, consulte seu conjunto de valores e princípios. Se o seu prazer imediato está alinhado com eles, viva-o com intensidade e desfrute desse momento. Caso contrário, coloque foco nos seus objetivos de longo prazo e em seu plano de ação.

As dicas acima não são certeza de um futuro melhor, afinal incerteza e futuro são conceitos intimamente conectados. No entanto, podem ajudar muito a viver melhor o presente e a aumentar as chances de termos mais momentos felizes no futuro.

Se você tem comentários a fazer sobre esse e outros artigos, envie um e-mail para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em respondê-los.

Abs.

PP

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Elogiar Comportamentos e não Pessoas

Olá,

Existem pessoas que se destacam pela habilidade em aprender coisas novas rapidamente. São capazes de enfrentar qualquer desafio e se sair bem; possuem uma facilidade incrível para encontrar soluções; e, em geral, estão sempre com uma resposta na ponta da língua.

A maioria delas se destaca pelo alto nível de curiosidade e auto-confiança, o que lhes impulsiona em direção a riscos e desafios maiores, que se bem administrados, permitem que seu desenvolvimento pessoal e profissional seja diferenciado.

Por demonstrarem destreza e prontidão para qualquer nova tarefa, essas pessoas tendem a ser mais solicitadas pelos superiores e colegas, costumam receber os maiores desafios e, como resultado de suas realizações, também são mais elogiadas e recompensadas.

Não existe nada de mal em recompensar ou elogiar um bom trabalho. É importante informar as pessoas sobre o seu desempenho e reforçar os comportamentos positivos. Um elogio bem colocado faz com que a pessoa se sinta recompensada pelo esforço e motive-se a se desenvolver ainda mais.

O problema começa quando os elogios passam a ser frequentes demais, ao ponto de fazer com que a pessoa se sinta diferente das outras, como se tivesse poderes ou talentos sobre naturais.

Se é verdade que existem pessoas mais talentosas do que outras em determinadas áreas do conhecimento, também é verdade que esse talento é muito mais fruto do esforço e dedicação do que de características natas. Um bom músico pode ter recebido alguma ajuda da carga hereditária, mas com certeza sua destreza e habilidade são muito mais o fruto de anos de estudo e treinamento.

Elogiar uma pessoa sem fazer vínculo com o esforço para atingir determinado resultado é reforçar a imagem de que essa pessoa é melhor do que as outras, de que possui características superiores aos outros colegas. É um erro grave e que pode levar a comportamentos bastante inadequados.

A pessoa que é elogiada constantemente sem motivos claros, tende a se convencer de que é realmente melhor do que as outras. Ela passa a acreditar que é capaz de fazer qualquer coisa sem se esforçar muito. Além disso, por ser melhor do que as outras, entende que merece tratamento diferenciado, independente do seu nível de comprometimento e dedicação.

Mas se elogiar é importante para demonstrar reconhecimento por um trabalho bem realizado e faz com que as pessoas se motivem a buscar maior desenvolvimento, por que em alguns casos ele pode gerar tantos problemas?

A resposta está no alvo do elogio.

Elogiar um determinado comportamento que leva a resultados positivos é muito importante, pois reforça a necessidade de desenvolver ainda mais esse comportamento. Por outro lado, elogiar a pessoa sem fazer vínculo com um comportamento reforça a imagem de que a pessoa é boa, independente de seus comportamentos.

O elogio indiscriminado cria um sentimento de determinismo e predestinação muito perigoso. Aos poucos, a pessoa pode se convencer de que é realmente superior aos outros e passa a tratá-los como seres inferiores. Sua capacidade de auto-crítica vai se reduzindo, levando a resultados muito negativos em sua carreira profissional no longo prazo.

O pior de tudo é que as mudanças geradas pelo excesso de elogios tendem a levar essa pessoa ao extremo oposto. Seu comportamento inadequado, fruto de elogios inadequados, faz com que a avaliação de seus colegas e superiores mude rapidamente e os elogios se transformem em críticas pesadas.

Os elogios sobre a criatividade e a rapidez da pessoa são complementados com duras críticas sobre a arrogância e intolerância da pessoa. Mais uma vez, a pessoa é tomada como alvo e não seus comportamentos, o que vai criando uma imagem distorcida e irreversível.

Como é muito mais fácil aceitar elogios do que críticas, a pessoa afetada inicialmente com o excesso de elogios tende a negar as críticas recebidas. Ela entende as críticas como demonstrações de inveja e raiva de seu talento diferenciado, o que acirra ainda mais os efeitos negativos do processo.

Para reverter esse quadro é preciso mudar o paradigma. É preciso deixar de elogiar e criticar pessoas e se concentrar nos comportamentos.

Pense bem na forma como está elogiando ou criticando as pessoas com quem convive. Você pode ajudá-las a se desenvolver ou levá-las a se enganar, dependendo da forma como exerça o seu direito de elogiar ou criticar. Ao mesmo tempo, procure analisar os elogios e criticas que recebe e fazer um vínculo dos mesmos com seus comportamentos. Isso vai ajudá-lo a evitar os efeitos negativos dos elogios e criticas pessoais que porventura receber.

Se você tem comentários ou sugestões sobre esse ou outros artigos, escreva para paulo.pinho@uol.com.br. Terei muito prazer em ler e responder seus e-mails.

Abraços,

PP

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tocando o Coração das Pessoas

Olá,

Hoje gostaria de falar de um desejo muitas vezes oculto de quase todos os líderes: o de tocar o coração das pessoas.

Por mais duro e frio que possa parecer um executivo, acredite, existe por baixo daquela armadura um ser humano sensível e frágil como qualquer outro. Alguém que deseja ardentemente ser admirado por seus atos e que precisa de reconhecimento e amparo como qualquer outra pessoa.

Uma reclamação constante entre altos executivos é sobre a sua incapacidade de fazer com que as pessoas compreendam suas reais intenções e objetivos. Eles se ressentem de não conseguir convencer as pessoas a seguirem o caminho que julgam ser o melhor para a organização e de não conseguirem "tocar" o coração das pessoas.

O mais interessante é que esses mesmos executivos relatam já terem sido capazes de fazer isso no passado, o que os leva a sentir uma frustração ainda maior. Afinal, será que eles perderam sua capacidade de liderar e de fazer com que as pessoas se mobilizem em torno de um objetivo comum?

Minha experiência pessoal diz que a dificuldade está associada ao distanciamento natural que existe entre os líderes e liderados conforme a organização cresce. Uma coisa é liderar um punhado de pessoas, suficiente para contar com os dedos da mão, outra coisa bem diferente é liderar uma legião de dezenas, centenas ou milhares de pessoas.

"Tocar" o coração de cinco ou seis pessoas é relativamente fácil para um líder dedicado. Ele tem tempo para falar com cada um e pode garantir acesso a todos sempre que necessário. Sua proximidade com as pessoas o permite sentir como reagem a suas ações, permitindo que ele ajuste sua maneira de agir e falar, dando a ele o direito de errar e corrigir seus erros.

Conforme a organização cresce ou a carreira o leve a posições mais altas, a distância para as pesssoas aumenta. Seus defeitos e virtudes, seus erros e acertos, são amplificados ou atenuados de forma dramática, distorcendo totalmente sua imagem perante os liderados. É como se sua identidade fosse substituída pela de outra pessoa, um impostor que lhe toma a posição e passa a liderar sua organização.

A partir desse momento, o executivo inicia um processo de perda gradativa do controle da situação. Em alguns momentos é julgado como fraco e omisso, quando sua intenção era dar uma chance às pessoas. Em outros é considerado demasiado duro, quando seu objetivo era preservar o todo, mesmo que ao sacrifício de alguns. Parece que tudo o que faz é entendido de maneira contrária pelas pessoas, o que no fundo é a mais pura realidade.

A frustração de não ser entendido cresce e começa a alterar sua forma de atuar. Surge um novo líder, pior do que o antigo, normalmente mais duro e intransigente. Ele se cansa de tentar convencer as pessoas e passa a ser mais autoritário e impaciente. Seu afastamento e isolamento aumentam e a comunicação entre líder e liderados se torna praticamente inviável.

O afastamento leva a problemas de comunicação ainda maiores, que aumentam a frustração, que por sua vez faz com que o líder procure ainda mais isolamento.

O mais interessante é que a dinâmica apresentada acima não necessariamente leva a um desastre em termos de resultados. A competência individual do líder e de seus liderados e a vontade de provar serem capazes de vencer os desafios, faz com que os resultados se mantenham e, algumas vezes, até se aprimorem. As pessoas trabalham menos felizes, mas continuam a produzir e a entregar o que lhes é cobrado.

Essa aparente desconexão faz com que muitos líderes cheguem a conclusão de que o afastamento e o isolamento não sejam tão ruins assim. Alguns chegam a acreditar que essa é a forma mais sensata e madura de lidar com a organização e de que a proximidade "excessiva" que tinham no passado eram uma característica de um executivo ainda jovem, que não sabia como lidar com grandes organizações.

Não é assim que penso. Ao contrário, sou dos que acreditam que o afastamento e o isolamento do líder sempre representam uma perda para a organização. Se os resultados ainda são bons com tanta dificuldade de comunicação, como seriam se a comunicação fosse efetiva e o líder voltasse a "tocar" o coração das pessoas?

Penso que as organizações de maior sucesso, possuem uma quantidade maior de líderes que "tocam" o coração das pessoas, que não possuem vergonha de serem próximos aos liderados e que fomentam a comunicação verdadeira e franca em suas organizações. Líderes mais disponíveis são naturalmente mais verdadeiros e confiáveis, obtendo credencial para conseguirem maior esforço e dedicação das pessoas. Além disso, líderes que se sentem compreendidos sentem-se menos frustrados, ampliando seu potencial de criar e desenvolver o futuro.

Mas existe um ponto a mais a favor dos líderes que "tocam" o coração de seus liderados. Eles sentem-se mais felizes e realizados, alimentando e libertando o ser humano escondido em baixo de suas armaduras de heróis. Em última análise, sentem-se mais próximos de suas missões de vida.

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PP

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Desenvolvendo Habilidades

Olá,

O desenvolvimento de habilidades dificilmente será um caminho de pouco trabalho. Para atingir destreza em determinada atividade são necessárias muitas horas de dedicação e um número enorme de repetições. Também é preciso ser persistente, encarar de frente as dificuldades e lidar com a frustração dos primeiros resultados negativos.

É comum observarmos as pessoas de sucesso e admirarmos seu talento como se o mesmo fosse dado a eles de presente. Em alguns casos, chegamos mesmo a comentar o quanto poderíamos ter sucesso equivalente se tivéssemos tanto talento quanto essas pessoas. Um grande equívoco.

Quando vemos um jogador de futebol serpenteando pelo campo com a bola quase grudada em seus pés ou quando assistimos um músico tocando com maestria determinada melodia, estamos presenciando o resultado de anos de dedicação e esforço.

É claro que nossas características natas podem influenciar nosso potencial de desenvolvimento, mas os exemplos mais variados demonstram que sua importância no resultado final é mínima. Se não fosse assim, como poderia ser possível uma pessoa sem braços tocar violão com desenvoltura ou um surdo ser capaz de compor músicas capazes de atravessar séculos?

Reconhecer que aquilo que costumamos chamar de talento nada mais é do que o reconhecimento de uma habilidade adquirida após muito esforço e dedicação, nos leva a algumas conclusões importantes:

1 - O talento é fruto do trabalho e não algo com que nascemos;

2 - O trabalho duro é o único caminho para obter destreza em determinada atividade;

3 - Como trabalhar duro é uma opção individual, ter talento (destreza) em determinada atividade é uma questão de escolha.

Mas se é assim, o que nos impede de desenvolver novas habilidades ou aprimorar ainda mais as habilidades já adquiridas?

A resposta me parece óbvia. Não fazemos por que dá muito trabalho. Mais do que estamos dispostos a pagar para termos acesso ao talento que dizemos desejar.

Se realmente quiséssemos ser um músico poderíamos chegar lá. Mas para isso seria necessário escolher uma escola de música, frequentá-la de forma religiosa, treinar horas a fio por dia, abrir mão de outros compromissos e interesses, enfim, trabalhar duro.

Quando queremos realmente, não existem obstáculos que não possam ser ultrapassados. Somos tenazes e persistentes, nos dedicamos de forma incansável e fazemos qualquer loucura para conseguirmos nossos objetivos.

O processo de desenvolvimento de uma habilidade deve passar por uma análise anterior sobre a importância dessa habilidade para nosso sucesso profissional ou pessoal. Não adianta desejar desenvolver uma habilidade se não estivermos convencidos da importância de tê-la.

Uma vez que estejamos convencidos da importância de desenvolver determinada atividade é hora de planejar as ações que levarão ao desenvolvimento e estabelecer objetivos de curto, médio e longo prazo.

De posse da primeira versão de um plano de desenvolvimento é hora de se colocar em movimento e suar a camisa de verdade.

A cada dificuldade encontrada, lembre-se da importância de seus objetivos. É o sentimento de importância que fará você enfrentar as dificuldades e lidar com a frustração de suas derrotas iniciais.

Procure acompanhar seus resultados de forma frequente. Compare sua evolução real com a planejada e faça os devidos ajustes no plano de trabalho.

Evite modificar seus objetivos. Se não for possível atingí-los no prazo esperado, faça um ajuste no prazo, mas evite mudar o objetivo.

Nunca se esqueça dos motivos que o levaram a buscar o desenvolvimento de suas novas habilidades. Eles serão os seus melhores aliados nessa jornada.

Um abraço,

PP

terça-feira, 9 de junho de 2009

Que Caminho Escolher

Olá,

Hoje gostaria de escrever para os futuros executivos do país. Aqueles que estão prestes a tomar uma das decisões mais importantes de sua vida, a escolha de uma formação universitária.

Antes de mais nada gostaria de dizer que não há nada de errado sentir-se inseguro e indeciso nesse momento, afinal são raros os casos em que a escolha de uma profissão é feita com total certeza e segurança.

A indecisão e a insegurança são sentimentos até certo ponto positivos no processo de escolha de uma profissão, pois nos ajudam a pensar de maneira mais cautelosa e avaliar todas as possibilidades antes de dar um passo tão importante para as nossas vidas.

Outro ponto importante é reconhecer que a escolha de um curso universitário é somente o primeiro passo de uma profissão que irá se desenvolver por décadas. Ele não determina a direção final da jornada, mas apenas a direção de seus primeiros anos.

Um médico pode tornar-se um grande político. Um engenheiro pode ser um grande empresário do setor de alimentos. Um arquiteto pode se tornar um administrador de empresas de sucesso. Um jornalista pode destacar-se como um importante analista financeiro.

A verdade é que nossa história de vida vai sendo construída ao longo dos anos, a cada decisão que tomamos. E acredite, daqui para frente o número de decisões a tomar vai aumentar a cada dia, levando-o a caminhos que você nem imaginou um dia trilhar.

O mais importante no processo de escolha de uma profissão é ter certeza de que a decisão está sendo sua. Por mais que nossos pais, tios, irmãos e amigos possam ajudar no entendimento das opções, eles não devem ser os responsáveis pela decisão final. Ela é sua e tem que ser assim.

Não estou defendendo que você se isole do mundo e deixe de ouvir aqueles em quem confia. Ao contrário, minha sugestão é de que você ouça a todos e pergunte tudo o que possa perguntar. Utilize as fontes que puder para entender o que são as profissões e o que fazem os respectivos profissionais. Apenas tenha certeza de que sua decisão seja pessoal, livre da interferência de terceiros.

Tenha cuidado com o excesso de preocupação com o sucesso financeiro. Belas carreiras de sucesso já foram abortadas pelo medo de escolher uma profissão que não dá dinheiro e isso é uma verdadeira lástima.

Lembre-se que o sucesso e o fracasso estão presentes em todas as profissões e que existem exemplos de profissionais bem e mal remunerados em todas as áreas do conhecimento. A escolha de uma profissão não representa o ingresso automático a um emprego bem remunerado, muito menos a maldição de ser mal remunerado para sempre.

Não se preocupe demais com a popularidade da profissão que vai escolher. Há vinte anos atrás, quando me formei em engenharia elétrica, as oportunidades de emprego eram limitadas para esse tipo de profissional. Hoje em dia, um engenheiro elétrico competente é disputadíssimo no mercado. Da mesma forma, existem profissões que foram grande sucesso no passado que hoje estão saturadas ou em declínio.

Em vez de se preocupar com a popularidade ou com o potencial financeiro da profissão, procure dar foco às suas preferências e áreas de interesse. Afinal, se você quiser ser um profissional de sucesso, terá que dedicar milhares de horas de estudo no campo de conhecimento escolhido. Algo que só será capaz de fazer se tiver algum prazer nesse processo.

Dentre as opções que mais o atraem, investigue mais a fundo as possibilidades de trabalho e o tipo de trabalho que os profissionais dessas áreas realizam. Navegue na internet e leia tudo a respeito das áreas de conhecimento que mais o atraem. Se possível converse com pessoas que já estejam trabalhando e pergunte a elas tudo o que desejar. Se puder visitar os locais de trabalho e vê-las em ação um pouco, melhor ainda.

Depois de um tempo refletindo sobre o assunto, você notará que as opções irão se reduzindo e que algumas vão parecer mais interessantes do que outras. Continue o refinamento até que você esteja razoavelmente certo do caminho a escolher.

Provavelmente a insegurança e a indecisão continuarão a martelar em sua cabeça mesmo depois da escolha feita. Não se preocupe, é assim mesmo.

Continue em frente. Leve a insegurança e a incerteza contigo nessa jornada, mas não deixe de ir em frente. Você verá que aos poucos a vida irá conduzi-lo para o caminho certo, que poderá ou não ser próximo ao inicialmente idealizado, mas que com certeza será o seu caminho, aquele que você escolheu.

Um grande Abraço,

PP

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Decisões Difíceis

Olá,

Temos que tomar decisões difíceis várias vezes durante nossa vida profissional. Questões como aceitar ou não uma oferta de emprego, demitir ou não um funcionário, optar por uma estratégia de abordagem de mercado, são exemplos de algumas delas.

Mas como saber que estamos tomando a decisão correta?

A resposta é não há como saber. Seja por que muitas vezes a afirmação decisão correta não se aplica; seja por que não podemos prever com garantia os efeitos de nossas decisões.

As maioria das situações de tomada de decisão nos levam a alternativas de caminhos que são apenas relativamente melhores em relação a outras. A escolha por um novo emprego traz a possibilidade de uma série de benefícios, mas por outro lado é provável que também represente alguns riscos e inconvenientes.

Vejamos o exemplo de um executivo casado e com dois filhos adolescentes que recebe a proposta de tomar uma posição de vice-presidente para a América Latina de uma empresa. Se por um lado a proposta de emprego representa maior renda mensal, também significa menos tempo para dedicar a sua família, maior nível de estresse e maiores responsabilidades.

O exemplo acima é uma situação típica de tomada de decisão que não possui uma resposta correta. Aceitar ou não o cargo implicará em benefícios e oportunidades e, ao mesmo tempo, dificuldades e riscos.

Mesmo quando tudo parece ser em favor de uma determinada escolha existe o risco de nossas expectativas não se concretizarem, levando-nos a resultados não desejados.

Tomemos o exemplo de um executivo que aceite um novo emprego com salário maior em uma empresa bem colocada no mercado e cujas responsabilidades sejam equivalentes às de seu emprego atual. Decisão fácil, não?

Pois é. Agora imagine que dois meses depois essa empresa seja comprada por outra de forma repentina e seu cargo seja extinto. A decisão que parecia obviamente melhor de repente se transforma em um grande problema.

A verdade é que não temos como garantir que nossas decisões estejam sempre certas e precisamos conviver com isso.

Mas existe uma forma eficaz de aumentar o grau de acerto de nossas decisões e ela está associada com nossos princípios, valores e objetivos de vida.

Cada um de nós possui um conjunto de valores e princípios pessoais. Regras de comportamento que quando cumpridas nos deixam com a consciência limpa e quando contrariadas nos fazem sentir culpa e mal estar. Quanto mais importante for uma decisão, mais importante será respeitar nossos princípios e valores.

Por outro lado, o conjunto de nossos princípios e valores nos fazem criar uma imagem desejada de nosso futuro, definindo nossos objetivos de vida. Toda decisão importante deve ser confrontada com nossos objetivos de vida antes de ser tomada. Se o caminho escolhido aumenta a possibilidade de atingir nossos objetivos, provavelmente é um bom caminho. Caso contrário, deve ser questionado como um caminho válido.

Parece óbvio que nossas decisões devam ser orientadas segundo a prioridade de nossos valores, princípios e objetivos de vida, mas infelizmente não é bem assim que as coisas acontecem com a maioria das pessoas.

A falta de tempo para refletir e a necessidade de apresentar e obter resultados de curto prazo muitas vezes nos fazem decidir sem consultar a prioridade de nossos valores e princípios. Com isso, vamos nos afastando de alguns deles e superlativando outros, muitas vezes nos afastando de nossos maiores objetivos de vida.

Tomemos o exemplo de um grande executivo de multinacional com problemas cardíacos causados pela vida sedentária e maus hábitos alimentares. Será que esse executivo não tinha como um de seus valores a saúde? Será que ele não considerava ser saudável uma coisa importante em sua vida?

A verdade é que para esse executivo o valor saúde foi perdendo importância ao longo do tempo, dando espaço a valores relacionados ao sucesso e ao poder, criando uma nova lista de valores e princípios, bem diferente da que ele construiria se refletisse um pouco mais.

Para que nossas decisões sejam melhores, precisamos resgatar o hábito de listar nossos valores, princípios e objetivos por ordem de importância. De preferência eles devem ser escritos e consultados com alguma frequência.

A lista de valores e princípios não precisa e não deve ser fixa por toda a vida. Ao contrário, ela deve ser revisitada com relativa frequência e não mal nenhum em mudar a prioridade de seus valores e princípios ao longo do tempo.

O mais importante é que essa lista esteja viva em sua mente todo o tempo e que sirva como um guia para suas decisões do dia a dia. Quanto mais importante for a decisão, mais importante será levá-la em consideração.

O hábito de manter uma lista atualizada e priorizada de valores, princípios e objetivos de vida não é garantia de acertar sempre, mas faz com que os resultados de nossas decisões se aproximem mais de nossos verdadeiros desejos e sonhos. Além disso, esse hábito nos mantém mais conscientes de nossas escolhas e, no longo prazo, nos ajudam no processo de auto-conhecimento e de desenvolvimento humano.

Vamos lá... Reserve algum tempo dessa semana para refletir sobre seus valores e princípios. Coloque-os em uma folha de papel e depois ordene-os por grau de importância. Pense também em quais são seus maiores objetivos de vida e escreva-os em algum lugar.

Guarde essa lista em sua mente e em algum lugar onde possa ser consultada com frequência. Lembre-se de usá-la sempre que tiver que tomar uma decisão mais importante e não deixe de refletir sobre sua validade de vez em quando.

Um abraço,

PP